Atami, literalmente, significa “mar quente”. Assim como Hakone, é uma estação de águas
termais com uma beleza natural especial porque fica à beira-mar. Além disso, por ser cercada de montanhas, possui clima bem mais ameno que o das cidades vizinhas. Situa-se na costa leste da península de Izu, a sudoeste de Tóquio, de onde dista 105 quilômetros. Com 62 km² e 45 mil habitantes, ficou famosa também por ser o local do arquipélago japonês onde as ameixeiras florescem mais cedo. Embora tenha sido nos anos 30 um “point” turístico famoso procurado por casais em lua de mel, desde que as viagens internacionais tornaram-se mais acessíveis aos japoneses, Atami hoje é mais procurada pelas famílias japonesas que apreciam o turismo interno. Além das águas termais e os festivais das ameixeiras, o que movimenta a cidade atualmente é a arte exposta no Museu de Arte MOA no qual uma das obras mais procuradas é a réplica da historicamente famosa Casa de Chá Dourada, totalmente revestida de ouro, erguida em 1586 pelo xogum Toyotomi Hideyoshi (Atami 2004).
Vista aérea da cidade de Atami com o Solo Sagrado à direita e o monte Fuji ao fundo .15
Acredita-se que a Baía de Atami, cercada de montanhas, formou-se com o afundamento da base da cratera do vulcão Atami, cerca de 40 mil anos atrás. A escolha de Atami como local para a construção de um protótipo do paraíso, foi assim explicada por Mokiti Okada:
Meu objetivo é construir uma grande obra de arte em nosso país, harmonizando a beleza natural e a beleza artificial. Para isso, o primordial era a escolha do local. Assim, andei fazendo pesquisas por todo o território nacional e tomei conhecimento de que Atami era o melhor local, o local ideal. Nem é preciso dizer que Atami tem uma temperatura amena, possui termas, montanhas, mar e ilhas (Hatsushima e Ooshima), e que a vista paisagística da orla marítima, rica em linhas curvas, é algo incomparável. Além disso, a cidade está situada na região entre Kanto e Kansai, onde os meios de transporte são ótimos; fica perto também do Parque Nacional de Hakone e da península de Izu. Realmente é um local excelente, concedido por Deus (Alicerce do Paraíso, vol. Arte, no prelo).
Mokiti Okada denominou o Solo Sagrado de Atami de Zuiun-Kyo, em que Zuiun significa nuvem auspiciosa e Kyo, terra, local. Assim, Zuiun-kyo significa um local onde paira no céu a nuvem sempre tida como a progenitora da fertilidade e, por conseguinte, onde está sendo semeado tudo de bom e fértil para o mundo. Apesar deste conteúdo místico e inspirador, a Igreja Messiânica do Brasil adotou em português um termo de conteúdo mais simples, traduzindo Zuiun-Kyo como Terra Celestial. Situado a duzentos metros de altitude na encosta montanhosa que cerca a cidade e de frente para a Baía de Sagami, a visão do mar que se estende até a linha do horizonte é a sua paisagem mais presente e marcante.
A Baía de Sagami vista do Solo Sagrado de Atami, nos dias de hoje.
A atividade de Mokiti Okada iniciou-se em Atami quando ele ali comprou uma casa em agosto de 1944, no bairro de Higashiyama. Mudando-se para lá em outubro, a casa seria utilizada como sua residência nos meses frios e temperados – já que os meses quentes seriam passados em Hakone – e para receber os membros e acompanhar a construção do Solo Sagrado de Atami. Devido à sua localização, Okada deu-lhe o nome de Solar da Montanha do Leste, Tozan-Sô.
O local para a construção do Zuiun-Kyo foi escolhido no outono de 1945, quando Okada e mais trinta seguidores, depois de visitarem o Pico Jikoku, retornaram numa caminhada através da montanha e, entrando em Atami, chegaram às proximidades do lugar onde, mais tarde, seria construído o Templo Messiânico. Nesse local e nesse mesmo ano, foi adquirido o primeiro terreno, com área de 16.500 m² que seria seguido por outras aquisições nos anos seguintes. Se hoje o local é cortado por ruas asfaltadas e residências de veraneio, naquela época era apenas um lugar montanhoso, fechado e de difícil acesso, para o qual só havia um estreito caminho de terra batida passando entre as árvores. Pode-se imaginar a expressão de surpresa do pequeno grupo de seguidores que o ouviu dizer numa sessão de entrevistas no Tozan-Sô: “Em breve, construirei, na montanha em frente, um prédio que comportará milhares de pessoas”.
No ano seguinte, foi adquirido um terreno vizinho com aproximadamente 10.000 m² que, em conjunto com o primeiro terreno, deu uma aparência semelhante à que o Solo Sagrado tem hoje. A sua terraplenagem, que marcou o efetivo início da construção do Zuiun-Kyo naquele ano de 1946, começou a preparar o terreno para a construção da casa de administração onde é hoje o Alojamento Shin-Jin.
A área, maior e mais acidentada do que a de Hakone, requereu um trabalho de grande escala, com cortes de montes e aterramento de depressões. Com na época não se dispunha de máquinas, devido às dificuldades do pós-guerra, a maior parte do trabalho teve de ser feita com a força braçal dos voluntários, a exemplo da remoção de terra e pedras explodidas com dinamite, que eram removidas com pás e colocadas em caixas até os vagões, que as retiravam da área.
Voluntários na preparação do terreno do Templo Messiânico. A condição de voluntário pode ser facilmente vista pela roupa comum dos homens, diferente da usada pelos trabalhadores em construção.
Mokiti Okada visitando a obra e, à direita, voluntários em frente ao templo perto do acabamento; ao centro, um voluntário vestindo uniforme militar de ex-soldado.
A obra prosseguiu com o corte da montanha no local onde seria construído o principal edifício do Zuiun-Kyo, o Templo Messiânico – cujo terreno só ficaria pronto no verão de 1950 – e com a construção das ruas internas. O grande volume de terra extraída foi utilizado não só para encher depressões como também para a formação de novas elevações, que resultaram em dois grandes jardins: o Jardim das Ameixeiras e a Colina das Azaleias.