3. O AGLOMERADO URBANO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA
3.2. A CIDADE DE CURITIBA E A FORMAÇÃO DO AU-RMC
Segundo Pilotto (2010), é entre meados do século XIX e começo do
século XX que se forma o espaço urbano de Curitiba. Durante este período é
que começaram a se definir os elementos da estrutura intraurbana, ou seja,
quando foi possível diferenciar o centro, as áreas residenciais e a formação das
futuras áreas industriais. A ausência de obstáculos naturais, como morros,
lagos ou oceano, entre outros, facilitou a instalação do sitio inicial de Curitiba
que não teve dificuldades em se expandir.
Até o final do século XX, o acesso a Curitiba se dava por duas estradas
principais: a da Graciosa que fazia ligação com o litoral, e a do Mato Grosso,
ao oeste, caminho que era utilizado pelos tropeiros que ligava Curitiba ao
interior do estado. Em 1885, foi inaugurada a estrada de ferro, ligando Curitiba
a Ponta Grossa, no interior. A inauguração da ferrovia repercutiu no
prolongamento do eixo urbano da cidade de Curitiba (PILOTTO, 2010).
A década de 1930 é marcada como início da trajetória do crescimento
urbano industrial, o que encerra a etapa do desenvolvimento primário
exportador do Paraná (DESCHAMPS, 2004).
Durante o período de 1900-1950, pode-se dizer que o espaço urbano de
Curitiba não sofreu grandes transformações. Neste período destaca-se a
construção do primeiro arranha-céu de Curitiba, Edifício Garcez em 1929; a
concentração de serviços no centro da cidade; o surgimento dos bairros
populares na grande região sul/sudeste de Curitiba e dos municípios vizinhos
de Colombo, Piraquara e São José dos Pinhais.
Para a cidade de Curitiba, os acontecimentos mencionados até aqui são
principalmente ligados a facilidades e possibilidades de expansão urbana.
A FIGURA 10 apresenta a evolução da expansão urbana da cidade de
Curitiba e dos municípios vizinhos pertencentes à RMC de 1953 a 2004.
FIGURA 10 - EVOLUÇÃO DA OCUPAÇÃO URBANA DA REGIÃO METROPOLITANA DE
CURITIBA (RMC)
FONTE: BALISKI (2011)
Em 1943, a cidade de Curitiba teve sua primeira experiência urbanística,
com a contração do arquiteto francês Alfred Agache para elaboração de seu
plano urbanístico. Este arquiteto trazia no currículo a experiência européia de
ter participado dos planos diretores de Paris, Dunquerque, Lisboa, entre outros
(SCHUSSEL, 2006).
A proposta de Agache previa a divisão da cidade a partir das funções:
cívica, residencial, comercial e social, abastecimento, industrial, esportivo,
hipódromo, universitário e militar. Para atender estas demandas, propôs a
cidade um sistema de circulação com vias circulares e concêntricas.
Segundo Schussel (2006), o plano de Agache estabeleceu o início de
uma preocupação com a questão urbanística da cidade. Para este autor, a
proposta do arquiteto era que o plano de urbanização deveria prever a
expansão em “futuro remoto”, sugerindo a atuação da prefeitura de Curitiba na
criação das cidades satélites.
O auge da economia cafeeira do Paraná entre as décadas de 1950 a
1970, e a emancipação política do Paraná no ano 1953, contribuíram para
transformações significativas em Curitiba e região. As principais mudanças
para este período foram: o crescimento da atividade imobiliária e início do
processo de verticalização, o incremento no número de edificações nos
municípios limítrofes da cidade de Curitiba, e a construção do centro
administrativo, conhecido como Centro Cívico. A mudança do centro
administrativo provocou a valorização dos imóveis próximos a esta área, e a
construção de uma série de edifícios (PILOTTO, 2010).
Segundo Dechamps (2004) o ano de 1956 caracteriza-se como um
importante divisor de águas no processo de metropolização, visto que a
implantação do Plano de Metas estabeleceu grandes mudanças na estrutura
industrial brasileira, principalmente na integração do mercado e no surgimento
dos grandes polos industriais do país.
A partir da década de 1960, segundo Bley12 (1982, citado por Pilotto
2010), ocorreu uma dilatação espacial do centro da cidade de Curitiba para o
sudoeste. Outra grande mudança aconteceu em 1950 com a construção da
BR-116, Rodovia Régis Bittencourt (atual Linha Verde).
Segundo dados da COMEC (2006) até o final da década de 1960, a
população de Curitiba correspondia a 65% dos habitantes da RMC. Até este
período a mancha urbana se restringia aos limites político administrativos de
cada município. Em 1964, o plano diretor denominado de Plano Serete, alterou
a configuração radial adotada pelo plano Agache para um sistema linear de
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