CAPÍTULO I – DE SAM CHRISTOVAM A SERGIPE DE EL REI: TERRITÓRIO,
1.2 A Cidade de Sergipe de El Rei e seu termo
As terras entre o Rio de São Francisco até a ponta da Bahia de Todos os Santos pertenciam a Capitania da Bahia e Cidade de São Salvador desde 1534.44 Era prerrogativa do capitão da Capitania da Bahia repartir e doar as terras da nova capitania em sesmarias. Assim, com o intuito de povoar e colonizar a parte do norte da Capitania da Bahia foram doadas algumas sesmarias próximas ao Rio Sergipe.
Entre 1556 e 1577 foram doadas cinco sesmarias entre o Rio de São Francisco e o Rio Real. A primeira em 1556 no Sergipe.45 Outra sesmaria foi doada por D. Sebastião a D. Fernão de Noronha e à sua mulher, D. Filipa de Sá, em carta de mercê de confirmação de terras no Rio Sergipe, dadas em sesmaria por Mem de Sá na cidade da Bahia, em 29 de agosto de 1559.46
Em 4 de abril de 1577 foi a vez de Luiz de Brito de Almeida receber uma sesmaria de 12 léguas ao longo da costa onde terminava a sesmaria de seu filho João de Brito de Almeida até o Rio de Sergipe. Em 11 de fevereiro de 1577 foi concedida uma sesmaria de 12 léguas, cujo limite ia além do Rio Real a Duarte Dias, secretário do Rei. Em 09 de março de 1577, foi a vez de Miguel de Moura, fidalgo da Casa Real, receber uma sesmaria de quatro léguas, que seria no Rio Real até onde acabasse a dada sesmaria de Duarte Dias.47
40 DESCRIÇÃO que faz a Câmara da Cidade de Sergipe. Sergipe Del Rei em Câmara aos 26 de abril de 1757.
In: CAMPOS, Jose de Oliveira e VIANNA, Francisco Vicente. Estudo sobre a origem histórica dos limites entre
Sergipe e Bahia. Bahia: Typ. E Encadernação do Diario da Bahia, 1891. Fl.111.
41 Descrição que faz a Câmara da Cidade de Sergipe. Sergipe Del Rei em Câmara aos 26 de abril de 1757. In:
CAMPOS, Jose de Oliveira e VIANNA, Francisco Vicente. Estudo sobre a origem histórica dos limites entre
Sergipe e Bahia. Bahia: Typ. E Encadernação do Diario da Bahia, 1891. Fl.111.
42 O São Gonçalo era conhecido ainda como Mangabeira. 43 O Burumburum era conhecido, também, como Papavento
44 ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO (ANTT) - Cartório dos Jesuítas, mç. 18, n. º 10. Traslado
do Foral da Capitania da Cidade de Salvador da Baía. 14 de janeiro de 1580. Fl.1.
45 BNRJ – Seção de Manuscritos. Localização: Manuscritos - II-33,16,013. 6 f., Original. Carta de sesmaria. São
Cristóvão de Sergipe: [s.n.], 1556. Fl.1.
46 ANTT - Chancelaria de D. Sebastião e D. Henrique, liv. 22. Carta de mercê de confirmação da doação de
sesmaria de terras no Rio Sergipe, concedida a D. Fernão de Noronha e à sua mulher, D. Filipa de Sá. Fl.134.
47 BNRJ - Coleção Documentos Históricos. Documentos Históricos - Mandados, Provisões, Doações (1551-
1625). Rio de Janeiro: Typ. Monroe, 1929, 1ª edição. Vol. XIV da série e XII dos Documentos da Biblioteca Nacional. Registro da carta de sesmaria de doze léguas de terra de Luiz de Brito Governador, que foi destas partes, em 4 de abril de 1577, na Povoação de Pereira na Villa Velha. p. 452. BNRJ - Coleção Documentos
Depois de várias tentativas, conseguiu-se colonizar o norte da Capitania da Bahia entre o Rio São Francisco e o Rio Sergipe, território sempre frequentado por franceses que contrabandeavam produtos e comercializavam com os índios locais.48 Por ordem do Rei Felipe I de Portugal, Cristóvão de Barros Cardoso foi mandado para a parte norte da Capitania da Bahia com a missão de conquistar os índios que dificultavam o povoamento, afastar o perigo de invasão estrangeira e eliminar a concorrência dos franceses com os índios do Rio Real49.
Além disso, havia por parte da Coroa portuguesa interesse no comércio do pau-brasil, no aprisionamento indígena, instalação de engenhos e criação de gado. Cristóvão de Barros era fidalgo da Casa Real, Provedor-mor da Fazenda Real do Brasil desde 157850, Governador interino na Bahia (1590)51, credor e senhor de engenhos (SALVADOR, 1918, p. 337). Para ajudá-lo na conquista contra os índios, levou em sua campanha militar muitos moradores52 da Bahia, portugueses, escravos e mamelucos. Foi responsável pela conquista das terras que compreendiam do Rio Real até o Rio São Francisco. Em síntese, o território que viria a ser Sergipe foi desmembrado da Bahia.53
Históricos. Documentos Históricos - Mandados, Alvarás, Provisões, Sesmarias (1549-1553). Rio de Janeiro: Typ. Monroe, 1937, 1ª edição. Vol. XXXVIII da série. Registro de doze léguas de terra de Duarte Dias. p. 258- 261. BNRJ - Coleção Documentos Históricos. Documentos Históricos - Mandados, Alvarás, Provisões, Sesmarias (1549-1553). Rio de Janeiro: Typ. Monroe, 1937, 1ª edição. Vol. XXXVIII da série. Registro de outra carta de Miguel de Moura. Documentos Históricos. Biblioteca Nacional. p. 281-285.
48 BNRJ - Localização: Manuscritos - 17,1,009. SOUZA, Marcos Antônio. Memória sobre a Capitania
de Sergipe, sua fundação, população, productos, e melhoramentos de que hé capaz. [S.l.: s.n.], 1808. Fl.1.
49 Carta de Braz de Abreu, em 15 de maio de 1623. Apud: FREIRE, Felisbelo. História de Sergipe. 2 ed.
Petrópolis: Vozes, 1977. p. 409.
50 ANTT - Corpo Cronológico, Parte I, mç. 111, n.º 64. Carta de Cristovão de Barros, provedor-mor da Fazenda
Real do Brasil, informando o rei do prejuízo que a Fazenda Real tinha nos mil cruzados que doara ao Colégio dos Jesuítas de Olinda. Pernambuco, em 18 de novembro de 1578. Fl.1.
51 ANTT - Manuscritos do Brasil, liv. 24. Adições e emendas que se hão-de pôr na minha história do Brasil nos
lugares que vão apontados aqui. Bahia, 1626. Fl.5.
52 Antonio Vaz Joboatam, Antonio Gonçalves de Santa Anna, Antonio Fernandes, Amador de Aguiar, Affonso
Pereira, Alvaro Rodrigues, Braz de Abreu, Balthazar de Leao, Belchior Dias Morea, Calisto da Costa Jorge Coelho, Christovam de Araujo, Christovam Dias, Damiam da Motta, Duarte Muniz Barreto, Estevam Gomes de Aguiar, Estacio Gonçalves de Sam Thome, Francisco da Silveira, Francisco Fernandes, Garcia de Ávila, Gaspar Gomes, Gaspar Menezes, Gaspar de Abreu Ferraz, Joam Martins, Joam Felippe, Joam Dias, Manoel da Fonseca, Pedro Lomba, Rodrigo Martins, Sebastiam Dias Fragozo, Sebastiam Faria, Thome Fernandes e outros. In: Cartas de sesmarias de Sergipe. FREIRE, Felisbelo. História de Sergipe. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1977.; BRITTO, Luiz.
A Conquista de Sergipe. Vol. 6 e 7. Salvador: Anais do Arquivo Público da Bahia, 1920.
53 BNP – Coleção: Manuscritos Reservados. Cota: Cód. 475. Geografia física e histórica do Brasil, das antigas
Após a guerra de Ciryppe54 (conquista), de 23 de dezembro de 1589 a 1 de janeiro de 1590, junto ao Rio Sergipe, perto da Barra no sítio do Aracaju, Cristóvão de Barros tratou de levantar um forte para guardar a dita barra. Ainda em 1590, foi edificada uma povoação de casas de taipa cobertas de palha pequena perto do Forte55 chamada Povoação de Barros56, depois Sam Christovam, sendo, portanto, fundada por Cristóvão de Barros.57 Sua data de fundação talvez seja 11 de abril de 159058. Isto porque, de 1 janeiro de 1590, fim da guerra de conquista, à 11 de abril de 1590 foi o tempo necessário para edificação da fortaleza59 e algumas casas.
O primeiro registro da Cidade foi justamente em 11 de abril de 1590, quando António Cardoso de Barros recebeu uma sesmaria na fortaleza e cidade de São Cristóvão do Rio de Sergipe, passada nessa data por Cristóvão de Barros, seu pai e general da guerra de Sergipe. A terra doada ia do Rio de Sergipe até o Rio de São Francisco, ao longo do mar com uma extensão entre dez e doze léguas para o sertão para povoar e aproveitar "para nelas botar gados e criações, e fazer nelas todas as povoações e vilas que nas ditas terras couberem, com todas as águas que nelas houver assim para engenhos".60
54 ANTT - Manuscritos do Brasil, liv. 24. Adições e emendas que se hão-de pôr na minha história do Brasil nos
lugares que vão apontados aqui. Bahia, 1626. Fl.5.
55 Depois de abandonado o Forte de São Cristóvão, não se tenha notícia de outro. Nas palavras de Aníbal
Barreto, feito de simples paliçada em faxina e terra, contendo seis peças de pequeno calibre. Porque a Cidade de Sergipe foi mudada de lugar para funcionar como uma Cidade-Atalaia. A sua principal função seria observar e vigiar algum movimento do inimigo no mar ou em terra. A fortaleza e o presídio da Cidade serviram para a defesa da Capitania de Sergipe e da conservação da Bahia. O reforço da defesa dava-se por meio dos armamentos dos moradores e arcabuzes. In: BARRETO, Aníbal. Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. p.164. ARQUIVO HISTÓRICO ULTRAMARINO (AHU) AHU_CU_022, Cx.1, D.9. Carta do Capitão Mor de Sergipe del Rey Jerônimo de Albuquerque ao Rei [D. Afonso VI] sobre a situação da Capitania de Sergipe del Rey e as providências necessárias. Pede a construção de um presídio para defesa da capitania. Sergipe del Rey, em 20 de julho de 1657. Fl.1.
56 BA - Manuscritos do Brasil. Cota: 51-IX-25.B.A.600. Relação das Capitanias do Rio Grande, Paraíba,
Itamará, Pernambuco, Sergipe de El-Rei, Baía, Ilhéus, Porto Seguro, Santos, Rio de janeiro, São Vicente (c. 1611-1612). Fl. 135v e 136. BA - Códice 51-IV-38. 13 cartas. TEIXEIRA, Luís, 1564-1604. Roteiro de todos os sinaes, conhecim[en]tos, fundos, alturas, e derrotas, que ha na costa do Brasil, desdo cabo de Sa[n]to Agostinho até o estreito de Fernão de Magalhães. [Ca 1585-1590].
57 ARCHIVO GENERAL DE SIMANCAS (AGS) - Secretarías Provinciales. Códice 1476: Livro de consultas
de África e conquistas de 1605 a 1607. Fl. 62r-v. Consulta sobre a informação da fundação da Capitania de Sergipe nas partes do Brasil. Lisboa, em 9 de setembro de 1607. Fl.1.
58 Sam Christovam de Sergipe de El Rei foi a 12ª povoação/vila fundada no Estado do Brasil. Cf. AZEVEDO,
Aroldo de. Vilas e cidades do Brasil colonial: ensaio de geografia urbana retrospectiva. 1956. 96 f. Monografia (Graduação em Geografia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas/Universidade de São Paulo, São Paulo. p.7.
59 O objetivo da fortaleza com o Capitão mor era defender o porto dos piratas.
60 ANTT - Chancelaria de D. Filipe II, Privilégios, liv. 11. Carta de mercê de doação de terras de sesmaria a
Sergipe contava, no século XVIII, com cinquenta moradores em seu distrito e parecendo que cresceria a fez capitania o governador Francisco de Souza e lhe deu o capitão mor e mais oficiais, com jurisdição de Vila separando-a da Cidade da Bahia.61 Provavelmente, criou-se a Capitania de Sergipe depois da guerra de conquista (1589-1590) e após a fundação da Cidade. A fundação da Capitania de Sergipe (1591) obedeceu ao estatuto e natureza de ser real ou da coroa.62
Desta maneira, Sergipe de El Rei era por secular pertencimento a Vossa Majestade. E, neste sentido, gozava de tantos predicados.63 Por causa de melhores condições de domicílio dos moradores e vigilância da costa, surgiu em meados de 1594 a 1595 uma povoação em um outeiro escalvado à margem do Rio Vaza-Barris próximo a foz, do lado esquerdo, e para esta foram transferidos a igreja e forte.64 A urbe serviria como um porto de mar entre Bahia e Pernambuco.65
Cerca de 1600, a região do Rio Paramopama já era povoada por sesmeiros e cheia de fazendas. Por não ter boa barra, os moradores passaram para o interior do continente para ficarem perto de suas fazendas. Em 1603, à margem desse afluente do Vaza-Barris, em uma planície elevada do terreno e mais afastado da barra, formou-se uma povoação nova e foi edificada uma capelinha dedicada a São Cristóvão. Essa localização permitia ver as barras do Rio Vaza-Barris e Sergipe e dar a cidade à função de atalaia para vigiar os inimigos. (JABOATAM, 1761, p. 133)
61 BA - Manuscritos do Brasil. Cota: 51-IX-25.B.A.600. Relação das Capitanias do Rio Grande, Paraíba,
Itamará, Pernambuco, Sergipe de El-Rei, Baía, Ilhéus, Porto Seguro, Santos, Rio de janeiro, São Vicente (c. 1611-1612). Fl.135v e 136.
62 Em 1591, Thomé da Rocha assume o cargo de Capitão mor da Cidade e Capitania de Sergipe. Essa Capitania
era do governo do Rei, e sujeita ao do Brasil. Na prática, o capitão mor e governador da Capitania de Sergipe, os oficiais da justiça e fazenda eram providos pelo rei, a comunicação política com os Conselhos e Secretarias de Estado eram diretas, os capitães mores podiam conceder sesmarias na forma das reais ordens, prestavam preito e homenagem ao Capitão de Mar e Guerra do Brasil, e a ajuda em momentos de dificuldade era feita pelo rei de Portugal.
63 APEB - Projeto Reencontro. Ordens Régias. MF 44. Vol. 76- Doc. 80A. Carta do rei de Portugal ao Vice-rei e
Capitão General de Mar e Terra do Estado do Brasil, informando sobre a carta do Capitão mor de Sergipe de el rei declarando a falta de pólvora, balas e armas. E também, do receio que teve de ser invadida aquela cidade por três mil índios. Lisboa, 2 de setembro de 1752. Fl.5.
64 Cf. Carta do conselho da Capitania de Sergipe, 3 de setembro de 1603. In: FREIRE, Felisbelo. História de
Sergipe. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1977. p. 398 e 399. Cf. BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO.
(BPMP) - Coleção Manuscritos. Ms. 126. MORENO, Diogo de Campos. Rezão do Estado do Brasil no Governo do Norte Somete Asi Como o Teve Dõ Diogo de Meneses até o anno de 1612. [c. 1616]. Fl.44.
65 AHU_CU_005-02, Cx. 5, D. 648 - 649. Consulta do Conselho da Fazenda do rei [D. Filipe III], sobre uma
carta do capitão de Sergipe, Paulo Barbosa, apresentando coisas necessárias para aquela cidade para a sua defesa e acerca de Antônio Pinheiro de Carvalho, que serve de ouvidor e provedor da Fazenda, Defuntos e Ausentes. Lisboa, em 23 de agosto de 1635. Fl.1.
Em 1607, a sede do governo já havia passado para a Cidade Fortaleza de Sergipe (Povoação Nova de São Cristóvão).66 Nas palavras do cronista Ambrósio Fernandes Brandão (1956, p. 37), existia uma fortaleza com capitão e soldados, que defendiam o porto dos piratas. Assim, os moradores chamaram a povoação nova de Cidade de Sam Christovam. Esse nome proveio da Capela dedicada ao santo com mesmo nome.67 A Cidade, logo, recebeu a denominação de “Cidade de Sergipe68” por ser o Rio Sergipe que a banhava primitivamente (FREYRE, F., 1977, p. 408). O motivo principal da nova localização da povoação foi a defesa do território, que, por se tratar de um terreno elevado poderia se observar os inimigos que pudessem entrar tanto pelo rio Sergipe como pelo Vaza-Barris. (SANTIAGO, 2009, p. 47) A Cidade de Sergipe, erguida em definitivo em 1682, abarcava uma área extensa, situada pouco mais para cima do Rio Vaza-Barris. (NIEUHOF, 1981, p. 15) Localizada no sertão e distante 10 ou 12 léguas deste rio, o seu distrito iniciava no Rio Lagarto. (AMARAL, 1916, p. 263)
Da criação da Capitania de Sergipe em 1591 até 1763, Sergipe pertencia à Coroa portuguesa e tinha governo independente. A partir de 1763, o território foi anexado à Capitania Geral da Bahia, perdendo o estatuto de capitania real. A Capitania de Sergipe e sua jurisdição cível e criminal passavam, além disso, a ser subalterna a Capitania da Bahia, e mesmo tendo um capitão mor e governador, este era submisso, no plano militar e administrativo, ao Capitão general da Bahia. Esse quadro administrativo permaneceu até 8 de julho de 1820, data da independência de Sergipe.69 Juntamente com a anexação à Capitania da Bahia, parece que Sam Christovam perdeu a prerrogativa de cidade70, pois, em 8 de abril de 1823, foi elevada à categoria de cidade e sede municipal.71
66 Cf. BPMP - Coleção Manuscritos. Ms. 126. MORENO, Diogo de Campos. Rezão do Estado do Brasil no
Governo do Norte Somete Asi Como o Teve Dõ Diogo de Meneses até o anno de 1612. [c. 1616]. Fl. 69. NIEUHOF, Joan. Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil.Trad. Moacir N. Vasconcelos; introd. E notas José Honório Rodrigues. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1981 [cf. Edição holandesa de 1682]. p. 15.
67 ANTT - Mesa da Consciência e Ordens, Chancelaria da Ordem de Cristo, Chancelaria Antiga, Comuns, liv.
70. Carta de apresentação da Igreja de São Cristóvão de Sergipe Del Rei do dito Arcebispado ao Padre José de Araujo. Em 17 de março de 1682. Fl. 231.
68 A Cidade tinha jurisdição de Capitania.
69 ARQUIVO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO (ANRJ) – Código de referência: NP.COD.0.602, v.4.
Decreto tornando independente a Capitania de Sergipe a qual estava sujeita ao Governo da Bahia. Rio de Janeiro, 8 de julho de 1820. Fl. 109-110. ANRJ – Código de referência: 22.0.0.6048. Decreto sem nº, torna independente a Capitania de Sergipe, que estava subordinada à da Bahia. Rio de Janeiro, 8 de julho de 1820. Fl.1 a 4.
70 A Cidade de Sergipe não detinha o título de criação e seu respetivo foral competente, privilégio e isenções. É
curioso que a documentação oficial emitida em Sergipe se referia a ela como Cidade, já a documentação que partia da Bahia a denominava de Vila. BNRJ - Coleção Sergipe. Localização: Manuscritos - II-33,15,017. Representação do juiz ordinário, vereadores e procurador da Câmara, da cidade de São Cristóvão de Sergipe,
A anexação da Capitania de Sergipe à Bahia estimulou a conexão comercial. As relações comerciais entre os negociantes das duas praças criaram laços sociais entre os agentes. Nesse sentido, o intercâmbio comercial estimulou o contato entre culturas diferentes, estabelecendo canais de comunicação, aumentando as áreas de interesse comum e promovendo a cooperação para garantir a continua expansão dos mercados mundiais. (NOGUEIRA; MESSARI, 2005, p. 65)
Após a fundação da Cidade (1590), iniciou-se o povoamento do distrito de Sergipe por meio de doação de sesmarias e pregões. A sesmaria dada a António Cardoso de Barros, entre os Rios Sergipe e São Francisco72, compreendia metade do território da Capitania de Sergipe. A partir de 1594 essas terras foram redistribuídas por meio de novas concessões. O processo de ocupação do termo da Cidade começou às margens do Rio Sergipe (1590), seguindo em direção ao Rio Cotinguiba (1594), depois se deslocou para as margens do Rio Vaza-Barris (1596), Rio Poxim (1596), Rio Pitanga (1597), Rio Santa Maria (1599), Rio Mucuri (1600), Rio Paramopama (1600) e o Rio Cajahiba (1600). Em geral, o povoamento acompanhou o curso dos rios e riachos no sentido do litoral para o sertão e a colonização foi lenta e gradual.
Podemos dizer que a colonização73 teve quatro fases diferentes, tomamos como marcos temporais fatos políticos e sociais que alteraram o processo. Foram elas: a primeira de 159074 a 166375 - povoamento inicial, a segunda de 1663 a 169876 - fase de repovoamento, a terceira de 1698 a 175377 - fase autóctone, e a quarta de 1753 a 180878 - fase alóctone.
pedindo que seja confirmada a prerrogativa de cidade com o foral competente, privilégio e isenções. Sergipe, em 29 de dezembro de 1808. Fl.10.
71 ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SERGIPE (APES) – Coleção Sebrão Sobrinho. Cx. 12 – Doc. 11.
Carta régia do imperador D. Pedro elevando a Vila de São Cristóvão à categoria de Cidade com todas as prerrogativas que gozam as outras cidades. Rio de Janeiro, em 8 de abril de 1823.
72 ANTT - Chancelaria de D. Filipe II, Privilégios, liv. 11. Carta de mercê de doação de terras de sesmaria a
António Cardoso de Barros. Fl.135. BPMP - Coleção Manuscritos. Ms. 126. MORENO, Diogo de Campos. Rezão do Estado do Brasil no Governo do Norte Somete Asi Como o Teve Dõ Diogo de Meneses até o anno de 1612. [c. 1616]. Fl.50.
73 Esse conceito tomamos de empréstimo de Bosi. Para o autor, colonização seria “um processo ao mesmo tempo
material e simbólico, em que as práticas econômicas dos seus agentes estão vinculadas aos seus meios de sobrevivência, à sua memória, aos seus modos de representação de si e dos outros, desejos e esperanças”. Cf. (BOSI, 1992, p. 356).
74 Nesse ano se inicia a ocupação do território do termo pelos colonos através de doações de terras. ANTT-
Chancelaria de D. Filipe II, Privilégios, liv. 11. Carta de mercê de doação de terras de sesmaria a António Cardoso de Barros. Fl.135.
75 Esse marco finaliza o processo de colonização com base na terra doada pelos Capitães-mores de Sergipe.
Regimento que se mandou aos Capitães-mores das Capitanias deste Estado, em 1 de outubro de 1663. Capítulo 12 — Sendo a Capitania del-Rei meu Senr. E havendo algumas terras vagas, ou se descobrirem de novo as não dará de sesmaria o Capitão mor, por não ter jurisdição para isso, mais que o Governador e Capitão geral, ou Vice-Rei a cujo cargo estiver o Estado: ao qual somente tem El-Rei meu Senr. Dado em seu Regimento a forma em que as ha de distribuir, e se lirarão (sic) as partes que as pedirem por si, ou por seus Procuradores a este
O povoamento inicial do termo se caracterizou pela dispersão dos indivíduos e famílias pelo território; pela posse das terras que margeavam os principais rios e riachos do termo; pelo povoamento feito por famílias vindas de Portugal, Espanha, Bahia e Pernambuco e por índios79, escravos africanos e asiáticos. As evidências levantadas discordam do entendimento de Felisbelo Freire (1977, p. 94), o qual afirmou que nos primeiros 21 anos da colonização de Sergipe a imigração africana foi em larga escala.80 A partir de 1594, Dom Francisco de Souza estimulou o povoamento de Sergipe por meio de autos de pregões na praça de Salvador.81 Nessa fase as sesmarias foram concedidas pelo Capitão mor da Capitania de Sergipe.