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1. A metrópole, a cidade e o bairro

1.2 Objeto de estudo

1.2.1 A cidade de Taboão da Serra

A cidade de Taboão da Serra se situa entre os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, compondo a divisão sub-regional Sudoeste em conjunto com outros cinco municípios – Embu, Itapecerica, Embu Guaçu, São Lourenço e Juquitiba, que, com exceção de Taboão da Serra, estão todos sob o regime da lei de proteção dos mananciais. Apesar da ocupação populacional acontecer ao longo do eixo da Rodovia Régis Bittencourt, principal interligação entre os estados de São Paulo e Paraná, as áreas mais densamente ocupadas estão nos municípios de Taboão da Serra e na região leste de Embu, em áreas limítrofes ao município de São Paulo, caracterizando-se como uma expansão deste núcleo metropolitano (EMPLASA, 2006).

A população estimada de Taboão da Serra é de 248.060 habitantes (IBGE, 2014), ocupando uma área de 20,293 km2, em que há um significativo grau de urbanização – atingindo 100% do município – não dispondo, portanto, de área caracterizada como rural. Taboão da

Serra é classificada pelo IBGE, censo 2010, como a segunda maior densidade populacional do Estado de São Paulo, atingindo a cifra de 12 mil pessoas/Km² 8 (EMPLASA, 2013).

Os processos geoecológicos e hidrológicos da área do município em questão encontram- se modificados em sua gênese e em sua estrutura, resultado de uma acelerada antropização. Além de características topográficas geológicas alteradas a área possui uma desordenada forma de ocupação do solo urbano, o que contribui para o aumento e agravamento das situações das áreas de risco, representadas pelos desmoronamentos e inundações.

A vegetação existente na cidade está bastante alterada, suprimida devido aos processos de urbanização e crescimento desordenado, que ocorreram principalmente nas últimas décadas com o desenvolvimento da região metropolitana. A maioria dos cursos dos córregos e fundos de vales é frequentemente utilizada para a construção de vias de transporte e para a circulação, com um entorno, na sua maioria, ocupado por moradias precárias e industrias de pequeno porte, instaladas sem critérios de preservação ambiental.

Taboão da Serra foi emancipado do município de Itapecerica da Serra em 1958, apresentando, na década de 1960, seu maior crescimento populacional que então passava de 7.173 habitantes, e de 41.124 em 1969, o que resultou numa taxa geométrica de crescimento anual de 19,08%, crescimento este significativamente superior ao da sub-região sudoeste (11,12%) e da RMSP (5,24%) no mesmo período. Teve, portanto, sua área ocupada num curto período de tempo, período em que a cidade não se estruturou satisfatoriamente do ponto de vista urbanístico, o que faz com que, desde a sua origem, fosse marcada por carências urbanas. Esse fato é acentuado ao se considerar o perfil socioeconômico que constituiu a população local: predominantemente de baixa renda, demandava uma maior oferta de serviços e equipamentos públicos urbanos. Nesse contexto de grande expansão da ocupação num curto período de tempo, a cidade não conseguiu se estruturar satisfatoriamente do ponto de vista urbanístico, o que faz com que, desde a sua origem, fosse marcada por carências urbanas e sociais. (PMTS- PLANO HABITACIONAL, 2010).

Quanto à atuação pública municipal no setor de habitação, nota-se que anteriormente a 2005 a Prefeitura tinha como prática a doação de lotes urbanizados, com parcelamentos efetuados em terrenos públicos, cujo caráter era primordialmente assistencialista. Não havia, seguindo essa lógica, uma política habitacional mais abrangente, diversificada e focada a

8 Diadema, com 12,5 mil pessoas/Km², é o município com maior densidade populacional do Estado de São Paulo, seguido de Taboão da Serra, com 12 mil pessoas/Km²; Carapicuíba, com 10,4 mil pessoas/m²; e Osasco, com 10,4 mil pessoas/Km². A cidade de São Paulo possui a densidade populacional de 7,4 mil pessoas por Km².

equacionar o déficit habitacional. De certa forma, tal atuação acabou por promover ocupações irregulares, tanto nas áreas doadas quanto nas ocupações que surgiram próximas a elas.

A partir de 2005, a Prefeitura passou a se estruturar para formular uma nova política habitacional e urbano-ambiental, pleiteando projetos e financiamentos junto aos diferentes níveis de governo. Este esforço se insere no processo de reorganização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, no contexto da criação do Sistema Nacional de Habitação e de ampliação dos investimentos do governo federal na área da habitação, que culminaram com o PAT- PROSANEAR (Plano de Assessoria Técnica ao PROSANEAR) executado com os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e com o Programa Minha Casa Minha Vida, que possibilitaram uma ampliação muito significativa dos recursos não onerosos para a urbanização dos assentamentos precários e produção habitacional (PLANO DE HABITAÇÃO, 2010).

Figura 1 – Região Metropolitana de São Paulo, com a indicação a oeste da cidade de Taboão da Serra. Fonte: “www.emplasa.sp.gov.br” Consulta em março de 2013.

Figura 2 – Mancha urbana da Região Metropolitana de São Paulo, indicando Taboão da Serra como densamente povoado, no limite do contorno, a oeste, com o núcleo metropolitano da São Paulo. Fonte: Emplasa - CIG, 2002.

Em síntese, analisando o contexto regional, a evolução demográfica e os aspectos de mobilidade, dinâmica imobiliária e tendências socioeconômicas de Taboão da Serra e dos municípios e subprefeituras do vetor sudoeste da cidade de São Paulo (Campo Limpo e Butantã), pode-se dizer que qualquer intervenção sócio territorial, seja o Plano Municipal de Habitação ou o Plano Diretor ou o Plano de Drenagem de Águas Urbanas, não se pode desconsiderar o município como se ele estivesse isolado de uma forte inserção metropolitana9.

Entender e considerar o fenômeno da metrópole é uma base inicial para analisarmos os problemas habitacionais e o surgimento de bairros espontâneos, desconectados de um planejamento urbano e de uma infraestrutura funcional da cidade.

9 Plano Habitacional de Interesse Social. Produto 2. Diagnóstico da situação habitacional. Termo de Cooperação Técnica e Científica – Prefeitura Municipal de Taboão da Serra. FUSP. FAU/LabHab, 2010.