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A cientometria russa a partir da década de 1970

No documento Roberto Lopes dos Santos Junior (páginas 64-69)

5 EVOLUÇÃO DOS ESTUDOS CIENTOMÉTRICOS NA ANTIGA

5.3 A cientometria russa a partir da década de 1970

5.3 A cientometria russa a partir da década de 1970

Entre 1973-74, surgia uma nova geração de pesquisadores e acadêmicos que analisaram diferentes aspectos relacionados aos estudos métricos e quantitativos no

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Rocca (1981) apresenta algumas informações sobre sua proeminente, porém instável e tensa, atuação nos anos 1960 e início dos 1970.

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Mirsky (1972) e Rabkin (1976) indicam a existência de um quarto grupo de pesquisa, localizado na cidade de Novosibirsk. Porém, não foram obtidos maiores informações sobre esse centro de pesquisa.

país. Muitos deles foram formados ou fizeram parte do VINITI, mantendo algum tipo de relação profissional ou acadêmica com o instituto nos anos seguintes.

Desses pesquisadores, destacam-se Irina Marshakova- que realizaria,em 1973, estudos relacionados ao método de cocitação-, Yakov Rabkin, Valentina Gorkova, Valentina Markusova, S. D. Haitun, Irina Dezhina (essa última a partir dos anos 1990), entre outros.

Haitun, em trabalho publicado em 1980, fez um levantamento que buscou analisar quais as principais temáticas discutidas pela cientometria soviética, no período entre 1959 e 1979, apresentadas no quadro a seguir:

Quadro 2: Temáticas e campos de pesquisas relacionados à cientometria na União Soviética Fonte: HAITUN, 1980, p.67.

Temática Número de publicações

Métodos estatísticos 55

Métodos de quantificação de produtos científicos

55

Análise de citação 41

Análise de conteúdo 20

Aplicação de métodos cientométricos 4

Trabalhos teóricos 20

Aspectos gerais da cientometria 204

Total 399

O presente levantamento, apesar de possuir classificações muito amplas, confirma a importância dos já citados três grupos de pesquisas ligados a cientometria na URSS, pois indicou que a grande maioria dos trabalhos analisados foram produzidos ou pelos seus “lideres” (Nalimov, Dobrov e Mikhailov) ou por autores que possuem alguma relação com esses centros de pesquisa.

O VINITI,na década de 1980, estimularia a criação de um comitê na Federação Internacional de Documentação (FID) relacionado aos estudos da informetria, o que

aconteceu em 1984, tendo inicialmente o pesquisador que cunhou o termo, o alemão Otto Nacke, em sua direção (BROOKES, 1990).

Ainda na década de 1980, dois livros são considerados importantes para a divulgação do estudo de metrias ou da análise de métodos quantitativos no país. O primeiro, Informatika (1986), escrito por K. V. Tarakanov e muito utilizado pela ciência da informação soviética nos últimos anos da URSS, dedicou em seu escopo considerável espaço para o estudo e análise de aspectos relacionados à comunicação científica e as leis bibliométricas, como a lei de Bradford, por exemplo, (RICHARDS, 1992). O segundo, Informetria (1988), da (já citada) Valentina Gorkova, buscou identificar características desse tipo de análise métrica, considerada pela autora como a mais ampla, ou com o objeto de estudo e avaliação mais diversificado.

Em relação ao campo de filosofia, história e sociologia da ciência, apesar de uma relativa estabilidade durante os anos 1970, com a ascensão de Mikhail Gorbatchev como secretário geral do partido comunista, em março de 1985, iniciou-se um período de reavaliação dos conceitos e práticas dessas disciplinas no país.

Com a abertura promovida pelas políticas da “Glasnost” e “Perestroika”, alguns temas, antes não discutidos ou “esquecidos”, começaram a ser debatidos, algumas vezes de forma enfática, em publicações, reuniões, conferências e até mesmo no meio acadêmico39. Gerovitch (1996), ao fazer um levantamento qualitativo e quantitativo do periódico Voprosy Istorii estestvoznaya i Tekhniki, no período de 1986 e 1991, destaca o ressurgimento das análises de temáticas antes não abordadas, muitas relacionadas às pesquisas suprimidas durante a repressão stalinista, e da reabilitação de cientistas ou figuras políticas que apoiaram a ciência russa e que caíram em desgraça nesse período, como Nikholai Bukharin e Sergei Valivov.

Percebeu-se também maior utilização de novas ideias e pesquisas, algumas delas relacionadas a autores norte-americanos, muitas vezes apresentados por uma nova gama de pesquisadores, que se chocou com antigas gerações de autores da área, que se não se

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Uma breve análise sobre esse último campo pode ser encontrado em Kojevnikov (2002), onde são apresentadas informações pessoais do autor sobre sua graduação em história da ciência nesse período. O trabalho mostra que apesar de alguns “cânones” continuarem a ter importância no país (ironicamente autores ocidentais como Karl Popper, Thomas Kuhn e Imre Lakatos) e de um currículo “tradicional soviético” ainda ser forte nos centros de ensino da área, a partir de 1987, novos temas, autores e áreas de interesse emergiram a partir do clima de liberalização na URSS. Ainda segundo o autor, essas mudanças continuaram de forma crescente nos anos seguintes, com a consequência da rejeição de algumas práticas marxistas no escopo da disciplina.

opunham diretamente, também não eram favoráveis a um abandono abrupto das práticas marxista-leninistas feitas por esse campo de pesquisa (GEROVITCH, 1996).

Após 1991, esses temas “revisionistas” continuaram sendo discutidos e, em alguns casos, aprofundados, sendo que os principais periódicos da área, incluindo o

Voprosy Istorii estestvoznaya i Tekhniki, sofreram consideráveis mudanças também em

seu escopo, incluindo um grande número de pesquisadores norte-americanos em seus conselhos editoriais (GRAHAM, 2001).

Graham (2001) afirma também que a história da ciência russa, após o fim da URSS, mais integrada com os estudos realizados em outros países, tornou-se menos isolada, realizando eventos em conjunto com os Estudos Unidos e a Europa Ocidental durante boa parte da década de 1990. Entretanto, segundo Kojevnikov (2002), a área ainda enfrenta problemas de adaptação a nova realidade da Rússia, indicando pesquisas pouco críticas as fontes primarias recém disponibilizadas, artigos com um tom anticomunista exacerbado e pouco criterioso, e análises focadas em temas de outros países em detrimento da realidade científica russa.

A produção de estudos quantitativos russos após o fim da URSS, a partir de material levantado no periódico Scientometrics- entre 1992 a 2010- e dos congressos da

International Society for Scientometrics and Informetrics- entre 1997 e 2009- indicam

pesquisas, em sua grande maioria, relacionadas ao estado da arte da ciência russa pós-comunista; da comunicação entre cientistas dentro e fora da Rússia; análises das universidades e de campos de pesquisa específicos russos – em especial a Nanotecnologia, a partir de 2008-; e estudos sobre a produção bibliográfica russa. A centralização nesses temas é justificada parcialmente por dois fatores.

O primeiro, conforme analisado em capítulo anterior, relaciona-se ao instável e confuso período de transição do país para o capitalismo e da tumultuada situação em que a ciência russa passou (e ainda sofre) nesse período, onde se percebeu a necessidade de estudos que possam fazer avaliações a nível “macro” da ciência russa no pós-comunismo40.

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Apesar da bibliografia sobre esse tema ainda ser reduzida, algumas publicações isoladas buscaram analisar a ciência da Rússia nos anos 1990 e 2000, como, por exemplo, em Graham ; Dezhina (2008). Outras informações podem ser encontradas no site do instituto Pan-Europeu da Turku School of

Economics, Finlândia, que, desde 2002, disponibiliza relatórios, artigos e publicações dedicados a analisar

diferentes aspectos do campo em ciência, tecnologia e inovação russa atualmente (mais detalhes em http://www.tse.fi/EN/units/specialunits/pei/publications/Pages/default.aspx).

O segundo, também discutido anteriormente, é a abertura dos centros de pesquisa e das universidades russas a novos locais de interação científica na Europa ocidental (Itália, Holanda, Suíça, Portugal, Espanha, Grécia e Alemanha), Estados Unidos, Japão e Israel, além da manutenção de certa influência científica em algumas ex-republicas soviéticas, em especial na Ásia central- Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tadjiquistão (SANTOS JUNIOR; PINHEIRO, 2009).

Percebeu-se, também, nesse levantamento, a preponderância de pesquisadores russos oriundos da década de 1970 na apresentação de trabalhos quantitativos, em especial Valentina Markusova (com folga a autora mais produtiva41) e Irina Marshakova. Entretanto percebe-se também a emergência, um tanto tímida, de novos autores que apresentam trabalhos que contribuem para a renovação e continuidade da cientometria russa42.

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Em relação ao periódico Scientometrics, foram encontrados aproximadamente 29 artigos produzidos por autores russos, sendo que Markusova aparece com seis artigos publicados. Em relação aos congressos do ISSI, foram encontradas oito comunicações apresentadas por autores da Rússia, sendo que a pesquisadora russa aparece com cinco trabalhos.

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Dessa bibliografia pós-soviética, uma análise inicial pode ser visualizada nos trabalhos de Pislyakov ; Dyachenko (2010), Pislyakov ; Shukshina (2012), Karamourzov (2012) e Kotsemir (2012).

6 A BIBLIOMETRIA E CIENTOMETRIA RUSSO-SOVIÉTICA A PARTIR DOS PESQUISADORES EXPOENTES

Esse capítulo discorre sobre as ideias dos autores considerados importantes para o desenvolvimento dos estudos de metrias na antiga URSS e Rússia, a partir do final dos anos 1950. Os pesquisadores analisados serão, respectivamente, Vasily Nalimov, Gennady Dobrov (referente a corrente de pesquisa produzida na Ucrânia), Alexander Mikhailov e, no contexto pós-soviético, Valentina Markusova. Nalimov foi ressaltado suas ideias precursoras ligadas ao desenvolvimento e análise sobre a disciplina cientometria e suas principais características. Dobrov foi focado as análises do autor sobre ideias referentes tanto a cientometria quanto a aspectos ligados a Ciência da Ciência e em políticas de Ciência e Tecnologia, além de características ligadas as novas tecnologias. Mikhailov tanto a realidade científica e tecnológica após a segunda guerra mundial, principais características e canais referentes a comunicação científica e sobre as principais leis e cálculos que permeiam os estudos bibliométricos. E sobre Markusova, cita-se os levantamentos e pesquisas feitos pela autora discutindo os principais aspectos que norteiam a ciência pós-soviética. O critério da ordem de apresentação dos retratados foi cronológico, tanto pelo período de atuação quanto pela produção científica dos autores retratados.

No documento Roberto Lopes dos Santos Junior (páginas 64-69)