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4. CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

4.2. A classe de comportamentos “Projetar a Vida Profissional”

Uma forma de desenvolver as questões envolvidas na trajetória educacional e ocupacional da clientela do ensino técnico é explorar as classes de comportamento envolvidas no processo de projetar a vida profissional durante tal trajetória.

Os comportamentos que compõem a classe de comportamentos24 denominada “Projetar a Vida Profissional” foram descritos e caracterizados por Luiz (2008) em um sistema comportamental. A elaboração de tal sistema comportamental visou contribuir com o aumento do conhecimento a respeito dos processos envolvidos na emissão de comportamentos da classe de comportamentos “Projetar a Vida Profissional” e possibilitar o desenvolvimento de intervenções por parte dos

24 O conceito de classe de comportamentos ao qual Luiz (2008) se refere é definido por Catania (1999) como um conjunto de apresentações de um comportamento com a mesma função, ou seja, produzem a mesma classe de consequências ambientais.

orientadores profissionais, de forma a beneficiar tanto os indivíduos quanto o ambiente onde este está inserido.

A partir do exame dos conceitos sobre orientação profissional encontrados na bibliografia da área, Luiz (2008) define “Projetar a Vida Profissional” como uma classe de comportamentos abrangente que envolve “identificar as variáveis que interferem nas escolhas profissionais”, “planejar aspectos referentes à vida pessoal e profissional”, “executar as ações planejadas”, “avaliar os resultados dessas ações” e “aperfeiçoar o projeto desenvolvido”. Porém, a autora também considera estas últimas como classes de comportamentos muito abrangentes. Sendo assim, buscou identificar as classes de comportamento componentes das últimas 5 classes descritas e suas sub-classes.

A descrição e caracterização da classe geral de comportamento “Projetar a Vida Profissional” são realizadas por Luiz (2008) por sua utilidade para o desenvolvimento de um programa para ensinar a “Projetar a Vida Profissional” a partir da Programação de Ensino25. Os comportamentos descritos no trabalho da autora seriam os comportamentos-alvo a serem ensinados àqueles que precisam projetar a vida profissional.

A organização da classe de comportamentos “Projetar a Vida Profissional” em um sistema comportamental por Luiz (2008) é realizada de forma a tornar-se base para uma Programação de Ensino porque a autora entende o processo de Orientação Profissional como um processo de ensinar-aprender.

Dentro da literatura sobre Programação de Ensino são descritos alguns cuidados para a identificação apropriada de comportamentos significativos a serem ensinados. Luiz (2008) toma como base para a organização da classe de comportamento “Projetar a Vida Profissional” em um sistema comportamental métodos desenvolvidos por Botomé e Kubo.

25 A Programação de Ensino é conjunto de conhecimentos sobre planejamento de ensino desenvolvido dentro da Análise do Comportamento.

Como ponto de partida para a identificação dos comportamentos que irão compor o programa de ensino, existem diferentes possibilidades. Uma delas é a utilização de conhecimento produzido sobre o comportamento a ser ensinado. Esta é a opção de Luiz (2008), que considera como fonte de conhecimento sobre “Projetar a Vida Profissional” a literatura produzida na área de Orientação Profissional. Assim, a autora selecionou duas obras que apresentavam programas de Orientação Profissional e extraiu frases que apresentavam algum aspecto que se referia a comportamentos ou componentes de comportamentos dos capítulos que descreviam os objetivos do programa.

Conforme os métodos desenvolvidos por Botomé e Kubo, Luiz (2008) primeiro identificou sujeito, verbo e complemento de cada unidade derivada das frases. Em uma etapa seguinte, identificou classes de estímulos antecedentes, classes de respostas e classes de estímulos consequentes e nomeou cada uma destas classes. Por fim, a autora organizou as classes de comportamentos em categorias.

O sistema comportamental desenvolvido por Luiz (2008) permite uma visão mais ampla a respeito dos comportamentos envolvidos na trajetória educacional e ocupacional da clientela do ensino técnico de nível médio, pois possibilita prever uma imensa gama de comportamentos que podem ter sido emitidos pelos indivíduos em diferentes momentos de sua trajetória.

Apesar de o intuito de Luiz (2008) ter sido construir uma base para uma Programação de Ensino com a definição de comportamentos-alvo para intervenção, o sistema comportamental por ela desenvolvido, pode ser usado como roteiro de entrevista de egressos do ensino técnico. Os comportamentos descritos no sistema comportamental da autora podem, como parte de um roteiro de entrevista, servir de estímulos discriminativos para a lembrança dos comportamentos emitidos por egressos do ensino técnico durante sua trajetória educacional e ocupacional e das condições em que ocorreram, podendo guiar a reconstrução destas trajetórias e dos projetos profissionais.

O sistema comportamental elaborado por Luiz (2008) também constitui um roteiro para a análise dos relatos dos egressos entrevistados no presente trabalho. Visto que o objetivo do presente trabalho é considerar toda a diversidade de comportamentos possível nas trajetórias dos egressos e em seus projetos profissionais, a organização da classe de comportamento “Projetar a Vida Profissional” em um sistema comportamental deve auxiliar na identificação dos comportamentos presentes na trajetória e no projeto dos egressos de forma a considerar toda a sua diversidade e a forma como esta trajetória influencia na construção de um repertório de projetar a vida profissional.

Apesar de os colaboradores da pesquisa não necessariamente terem passado por um processo de orientação profissional baseado em um programa de ensino construído a partir do sistema comportamental desenvolvido por Luiz (2008), eles devem ter aprendido parte dos comportamentos descritos neste pelas contingências de vida ou por instruções de outros indivíduos. Isto indica a utilidade do sistema comportamental desenvolvido por Luiz (2008) como roteiro de análise, além das utilidades propostas pela autora.

A utilização do sistema comportamental desenvolvido por Luiz (2008) ainda pode ajudar na identificação de dificuldades pelo colaborador em função da precariedade de seu repertório comportamental ligado à projeção de sua vida profissional a partir da indicação em sua narrativa de comportamentos importantes para a projeção da vida profissional que não foram aprendidos.

Para a construção de um roteiro para a análise do relato verbal dos colaboradores do presente trabalho, foram extraídas as subclasses de comportamentos da classe de comportamentos “Projetar a Vida Profissional” presentes no sistema comportamental criado por Luiz (2010) na forma de sequências de ensino. As subclasses foram organizadas hierarquicamente para a construção do plano de análise e que são apresentadas no Anexo II. As 5 grandes subclasses do roteiro constituíram o guia para as entrevistas, sendo estas: Caracterizar variáveis relacionadas a projetar a vida profissional, Planejar a vida profissional,

Desenvolver projeto de vida profissional, Avaliar projeto de vida profissional, Aperfeiçoar projeto de vida profissional.