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2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA

2.8 A CODIFICAÇÃO DOS TEXTOS E OUTROS ASPECTOS DA WEB

celulares, aparelhos de televisão, eletrodomésticos, automóveis e uma série de outros equipamentos destinados ao lazer, estudo e diversão, a disponibilização de informações na rede também vem sendo simplificada. No início do desenvolvimento da internet, para disponibilizar conteúdos na rede era necessário dominar a linguagem do código HTML (HyperText Markup

Language – Linguagem de Formatação de Hipertexto), que foi mais tarde

simplificada com o uso de aplicativos específicos, tais como o Microsoft

FrontPage. Hoje é possível utilizar várias outras opções para incluir

informações na rede. São exemplos dessa facilidade de disponibilização

msn, blogs, fotoblogs, wikipages, WebQuest e orkut, entre outros. A

quantidade e a variedade desse tipo de aplicativos não param de aumentar. As últimas novidades no Brasil são o Twitter, o Facebook e o MySpace. Pode-se generalizar afirmando que são ambientes que possibilitam inserir informações na internet de forma fácil, rápida e prática. Essas facilidades e possibilidades geraram grande demanda de acesso para a rede. Alguns levantamentos18 apontaram que, no ano de 1990, havia 300 mil servidores conectados à rede. Quinze anos depois esse número chegou a 230 milhões de servidores interligados, totalizando algo próximo de um bilhão de usuários conectados nos mais diversos países (FERREIRA, 2005).

Esses ambientes facilitam a disponibilização de informações, mas não eliminam a necessidade do uso de códigos-fontes para a internet. Eles apenas fazem a tradução da linguagem digitada pelo usuário para a linguagem fonte da internet, ou seja, para o HTML ou suas variações, como o XHTML. O seu papel é permitir que o usuário disponibilize informações na

web sem que precise usar diretamente o código HTML, mas utilizando-o de

modo indireto. Esses conversores de linguagem deixaram essas novidades tecnológicas relativamente fáceis de ser utilizadas e com grande potencial de uso. Sejam os sites de internet, ou suas variações, como os blogs, chats e WebQuest entre outros, o uso em situações educacionais vem apresentando crescimento constante.

Com o aumento do uso desses recursos e suas aplicações educacionais, surgiram várias aplicações pedagógicas que buscam utilizá- las de forma que efetivamente proporcionem melhoria nos processos de ensino e aprendizagem a elas relacionados. Foram dadas a essas tecnologias e sua utilização pedagógica, as mais variadas denominações. Entre elas destacamos:

ACAD – Ambiente Construtivista de Aprendizagem a Distância na internet

ALN – Asynchronous Learning Networks (redes de aprendizado assíncronas)

AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem

CAI – Computer Assisted Instructional (instrução baseada em computador)

CBT – Computer-Based Training (treinamento baseado em computador)

CSCL – Computer-Supported Collaborative Learning (sistemas de ensino colaborativo apoiados por computador)

ILE – Interactive Learning Environment (ambientes de ensino interativo)

ITS – Intelligent Tutoring Systems (sistemas tutores inteligentes) WBT– Web-Based Training (treinamento baseado na web)

Ressalte-se que muitas outras nomenclaturas foram criadas e estão em uso, especialmente para situações particulares, tais como LEEG –

Learning Environment on Euclidean Geometry (sistema de aprendizagem de

demonstrações da Geometria Euclidiana Plana). Nossa intenção aqui não é listar ou relacionar todas as nomenclaturas existentes. Temos por objetivo apresentar algumas das possibilidades para indicar que optamos, neste trabalho, por utilizar a denominação AVA – “Ambiente Virtual de Aprendizagem” para os ambientes que sejam utilizados para ensino e

aprendizagem de Matemática que utilizem a internet como suporte para disponibilização de conteúdos, troca de informações, interação entre os usuários e outras possibilidades que contribuam de forma positiva para finalidades educacionais.

O uso de AVA, entretanto, está sujeito a problemas e características que precisam ser mais bem estudados. Alguns desses aspectos tratam da quantidade de informações disponíveis, bem como da diversidade dessas informações, que parecem jamais atingir um limite, e da linguagem utilizada para transmitir essas informações. A cada nova semana, ou até mesmo a cada novo dia, deparamo-nos com novos AVA, munidos de novos recursos tecnológicos, os quais, na maioria das vezes, não são dominados de imediato pelos usuários.

Observa-se, no entanto, que muitos desses AVA não têm maiores preocupações pedagógicas. Alguns deles são como depósitos de materiais encontrados nas mais diferentes fontes, sem que guardem relação entre si ou que apresentem uma linha de tratamento pedagógica definida. Em muitos casos observa-se clara preocupação pela “diagramação”, em detrimento do conteúdo. As informações disponibilizadas não seguem qualquer sequência matemática razoável e, quase constantemente, as fontes e referências são omitidas ou suprimidas.

Em poucos desses AVA, encontramos informações diferenciadas, que não estejam nos livros, didáticos ou não, ou nas mídias já conhecidas (rádio, televisão, revistas e jornais). Tem-se a sensação de que o computador e a internet estão se transformando em livros eletrônicos. A procurada e desejada interação com o usuário está, na maioria dos AVA, longe de ser um fato.

A utilização desses ambientes pode certamente trazer benefícios, mas também pode, eventualmente, levar a problemas inesperados que sejam maiores que os ganhos conseguidos. É necessário que tenhamos cuidado no momento da sua utilização.

Os novos e múltiplos produtos criados a partir dos usos diferenciados das tecnologias de última geração têm suas especificidades. Eles se diferenciam em seus usos e nas formas de apropriação pedagógica, nem sempre facilitando as aprendizagens.

Muitas vezes o mau uso dos suportes tecnológicos pelo professor põe a perder todo o trabalho pedagógico e a própria credibilidade do uso das tecnologias em atividades educacionais. (KENSKI, 2003, p. 4).

A utilização adequada de um AVA em processos educacionais exige que os professores utilizem ambientes adequados aos alunos, a fim de organizar, direcionar e qualificar os trabalhos e atividades. A discussão do que vem a ser um ambiente adequado é um dos aspectos que precisa ser mais bem explorado e estudado. Para seguir com essa discussão, é necessário que os AVA estejam embasados em critérios e teorias consistentes e sejam ambientes que atendam às necessidades e especificidades dos assuntos neles propostos.

Os processos de utilização dos AVA têm se constituído em uma das principais discussões relacionadas à utilização da internet. Como utilizar um AVA de tal forma que a qualidade e adequabilidade a determinados assuntos propiciem ganhos pedagógicos tem sido, para muitos pesquisadores, uma questão a ser levantada. Com os educadores matemáticos essa e outras questões também têm ocupado posição de destaque. A definição de quais estruturas devem ser analisadas e quais aspectos precisam estar presentes num AVA, a fim de que ele seja considerado adequado a atividades educacionais matemáticas, tem merecido discussões mais aprofundadas.

Essas discussões apontam na direção de que, para encontrar ambientes adequados, é necessária uma análise pedagógica que precisa estar apoiada em critérios claros e objetivos e fundamentada em teorias consistentes.

Com base no exposto até aqui, fica claro que é necessário que sejam tomados cuidados no uso desses ambientes, possibilitando aos profissionais de ensino desenvolver atividades educacionais que estejam em consonância com algumas características que lhes permitam ser explorados pelos alunos de tal forma que proporcionem avanços nos processos educacionais.