3. Modelo proposto como contribuição para a formação de um Smart Market
3.4. A compensação ao consumidor pelas falhas no fornecimento de
fornecimento de energia elétrica pela concessionária
A descontinuidade de fornecimento de energia elétrica de ve se r retratada, em uma demonstração financeira, como um custo que o consumidor é ob rigado a arca r em vista do n íve l de in ve stimento em qualidade aplicado pela concessioná ria. Este cu sto afeta diretamente a propensão a paga r do consumidor, fazendo com que a Receita da empresa se ja su bstancia lmente diminuída, depende ndo do custo atribu ído à s falhas na qualidade:
qE
WTPo R
Q
(46)
onde W TPo = willingness to pay = propensão a pagar do consumidor
Os custos de qua lidade Cq podem ainda ser repre sentados como a energia não fornecida (ENF) pa ra o co nsumidor, que neste caso recebe uma tarifa própria, denominada de tarifa de indisponibilidade (Tu). A energia não fornecida será repre sentada aqui como uma fração anual do fornecimen to total, utilizando -se como parâmetro a dura ção equivalente de interrupção po r unid ade consumidora (DEC). Sendo assim: 8760 qE DEC Cq E Tu Q (47)
O órgão regula dor de ve então incorporar o valor do inves time nto em qualida de como um inves time nto qu e faz pa rte do processo regulatório da tarifa de energia fina l , faze ndo com que o
in vestimento de capital de terceiro s nessa á rea se ja devidamente remunerado. Essa visão vem sendo discutida apenas recentemente,
pois hou ve um gra nde apelo por parte das conc e ssionárias para que va lore s como os inves time ntos em automação do s istema fossem inseridos no cá lcu lo da tarifa final. Tais investimentos reduzem o
valor dos índices de continuida de do sistema de distribuição e não há razã o técnica para nã o incluí -los no processo de obtençã o da tarifa.
Cabe ao órgão regu lador intervir para que o paradigma re gulató rio seja ap licado coerenteme nte com a inse rçã o da qua lidade no modelo. A conc essionária de ve garantir que o c onsumidor te nha
que arcar com um nível de custos que não influa de maneira exagerada em s ua propensã o a pagar. Em c ontra partida, a concessionária de ve ter reconhecidos os inves time ntos aplica dos neste se tor.
A ANEEL utiliza os índice s DEC (Dura ção Equ ivalente de interrupção por unidade Consumidora ) e FEC (F re quência Equ iva lente de interrupção por unidade Consumidora) para re gula r a continuidade do serviço de fornecimento de energia elétrica. Para medir a
compensaçã o ao consumidor, a agência verifica em quanto os limites
desses índ ices fora m ultrapassados.
A devo lução faz parte da re gra de compensação ao consumido r por e ventuais co rte s de energia estab elecida pe la Agência Nacional de Energia Elétrica que passou a ocorrer a partir de 201 0. Até 2009, as distribu idoras pa ga vam uma multa qu ando excediam a meta pre vista
pela ANEEL como aceitá vel pa ra este tipo de ocorrência . O
pagamento neste caso ia para um fundo de compensação ao consumidor ge renciado pela agên cia.
Ago ra, a agência regu ladora dete rmina que a distribu idora devo lva o dinhe iro na conta do consu midor. O cá lcu lo é feito com base na energia que o cliente de ixou de consumir du rante o período de interrupção. O va lor é equivalente a aproxima damente 15 vezes o
que ele paga ria se tivesse c onsumido esta quantida de . O impacto
da nova medida é considera velmente maior do que na fórmula antiga de compensação.
A c ompe nsação para o consumidor pode também ser entendida como o excedente nos c ustos de qualida de com relação à meta es tabel ecida pela a gência reguladora (Aran go et al, 2011 ).
Partindo -se da e qu ação (4 7) tem -se:
8760 meta meta DEC DEC Tu E Cq Cq (48)
Para tornar claro o entendimento da nova forma de compensação, far-se-á um e xem plo onde, teorica mente, a concessionária tomada como base no exemplo anterio r deseje redu zir seus in ve stimentos para a manutenção da qua lidade pe la metade. Isso sign ificará one ra r o consumidor, que passará a contar com um maior número de interrupções no sistema. Em contrap artida, a empresa concessionária terá um aumento considerá vel em seu va lo r econômico a dicionado .
Como, por efeito de regu lação da ANEEL na re visão tarifária, a s concessionárias d evem manter fixa a tarifa no mesmo valo r pa ra qualque r nível de in vestimento de qualidade, uma redução do mesmo implica que uma quantidade menor de energia de verá se r distribu ída na área de conce ssão.
qE R WTPo
Q
(49)
Utilizando -se o modelo de propensão a pagar do consumidor ― neste caso como o próp rio modelo de rece ita definido p ela e quação ( 8 ) ― tem-se para esta condição:
2 qE
R aE bE Q
Com a divisão de ambos os membro s da e quação pela energia é possíve l encontrar a tarifa em função de trê s pa rce las: a primeira é uma parcela constante, a segunda dependente da energia e finalme nte a última dependente apenas do níve l de in ve stimento da qualidade. Assim: q T a bE Q (51)
Finalmente, a re lação entre a energia distribuída e os
inves time ntos em qualida de fica definida por:
a T q Q E b (52)
Logo, caso a concessionária opte por nã o investir adequa damente em qualida de conforme estipulam as metas de continuidade impostas pelo órgã o regula dor, estará destruindo o valor da e mpre sa. Portanto, e sta conce pção na forma de compensa r o consumidor visa manter o paradigma regulatório, força ndo a empre sa a manter o nível de investime nto centrado na meta, ga rantindo assim a maximiza ção do valor s ocia l.