3.2 Cadeia de Valor Global (CVG)
3.2.2 A Competitividade da Cadeia de Valor Global
Atualmente, o termo competitividade conquista espaço a cada dia, visto que está relacionado aos ganhos para firmas e nações. Entretanto, no contexto científico, a definição ainda não está clara para alguns autores. Mesmo autores tradicionais não comungam de um conceito universal: “o termo competitividade não tem definição precisa e compreende tantas facetas que dificilmente se pode estabelecer uma definição ao mesmo tempo útil e abrangente” (ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2005, p. 6).
A competitividade pode ser definida, de forma geral, como a capacidade de um sistema, país, setor industrial, grupo de empresas ou uma empresa específica, de atuar com sucesso em um dado contexto de negócios (WOOD JR; CALDAS, 2007).
Para Porter (1990), a competitividade é a tradução particular da ideia de eficácia, que se aplica particularmente às empresas. A organização mais eficaz é aquela que consegue reunir as habilidades necessárias para transformar grande número de pessoas em clientes, obtendo lucro e sobrevivendo num ambiente em que outras empresas estão perseguindo esses mesmos objetivos.
Para Lopez et al. (2005), a definição de competitividade é baseada em diferentes enfoques. Num primeiro enfoque, a competitividade pode ser entendida como o desempenho ou participação da firma no mercado em determinado período de tempo, ou o respectivo market share. Neste caso, é a demanda do mercado que, ao arbitrar quais os produtos de quais empresas serão adquiridos, estará definindo a posição competitiva das empresas, sancionando, ou não, as ações produtivas, comerciais, de investimentos, ou de marketing. De acordo com essa abordagem, somente a posteriori é que se saberá se cada uma e todas as firmas da cadeia são ou não competitivas, o mesmo ocorrendo com a indústria do país em relação às indústrias internacionais. Assim, a competitividade seria o resultado de uma ampla quantidade de fatores, segundo os quais a eficiência produtiva seria um deles. No segundo enfoque,
competitividade diz respeito à eficiência econômica ou à capacidade de produzir com maior eficiência na cadeia e nos elos. A eficiência econômica define a competitividade da empresa, indústria ou país. A maior eficiência estaria expressa pela melhor relação preço/quantidade, tecnologias, salários e produtividade. Neste caso, a competitividade tem a característica estrutural própria do setor, que se relaciona com as condições em que se realiza a produção da firma em cada elo da cadeia e na cadeia. Entretanto, em cadeias agroalimentares, há um elo crítico, em geral a agroindustrialização. As estratégias da cadeia têm muito a ver com as estratégias do terceiro elo, o qual representa a indústria de transformação da matéria-prima do primeiro elo da cadeia, que também vem a ser a mais importante fonte de inovação do ponto de vista de novos produtos e determinante dos processos de especialização e integração produtiva, bem como responsável pela governança na maioria dos aglomerados produtivos.
Haguenauer, Ferraz e Kupfer (1996 p.52) definem competitividade “como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado”. Mesmo sendo amplo o conjunto de aspectos possíveis de competição envolvendo preço, qualidade, habilidade de servir ao mercado, esforços de venda, diferenciação de produto, entre outros, em cada mercado predominam alguns desses aspectos como fatores críticos de sucesso competitivo. As regularidades nas formas dominantes de competição são a base do padrão de concorrência setorial.
Considerando a diversidade de abordagens na literatura, Feurer e Chaharbaghi (1994) afirmam que a competitividade é relativa e não absoluta. Quando os autores se referem à competitividade vem à tona a presença dos valores dos acionistas e dos clientes, o poder financeiro que motiva a forma de agir e reagir dentro do ambiente competitivo, além do potencial de pessoas e tecnologias em implantarem as mudanças estratégicas necessárias.
A economia está baseada em um suporte pluridimensional, multinível, onde a competência é fruto de diálogo e tomada de decisões conjuntas pelos grupos de atores envolvidos, ou seja, a competitividade de uma empresa ou aglomerado não depende apenas das suas características e decisões individuais (CASAROTTO FILHO; MINUZZI; SANTOS, 2006).
O mercado é um ambiente de seleção natural, em que as empresas têm que passar pelo fator mais importante, que é o teste de mercado. A “nota” do teste de mercado será identificada no conjunto de indicadores econômico financeiros dos balanços das empresas, isto é, a evolução ao longo do tempo, do passado recente, e uma avaliação prospectiva do desempenho no futuro. Esses são os elementos importantes a serem identificados nas
experiências bem sucedidas, nas empresas que se tornam paradigmas da nova empresa competitiva num mercado aberto (LOPES et al., 2012).
A competitividade não pode ser entendida como característica intrínseca de um determinado produto ou empresa. A competitividade é um conceito de natureza extrínseca à firma ou ao produto, estando diretamente relacionada ao padrão de concorrência vigente no mercado específico considerado e como nele se posiciona a cadeia como um todo. É o padrão da concorrência da cadeia, portanto, a variável determinante. E a competitividade é determinada a partir dessa realidade ou é resultado do somatório de efeitos dos fatores intervenientes (KUPFER, 2002). Assim, para Lopes et al. (2005), a competitividade é definida pela adequação do conjunto de estratégias adotadas pelas empresas da cadeia ao padrão de convergência vigência.
Para Haguenauer (2012), esse tipo de competitividade resulta de características estruturais relacionadas a processos de produção bem definidos e funcionais, refletindo o grau de capacidade organizacional apresentado pelas firmas, que se traduz em meios e técnicas mais rentáveis voltados às condições de produção. Essa forma de ver a competitividade remete ao fenômeno ex ante, ou seja, a eficiência está relacionada às práticas operacionais e funcionais das estruturas internas das firmas. Assim, a eficácia das exportações seria possível consequência dos meios eficientes desenvolvidos pelas firmas. Nesse sentido, o desempenho no mercado seria um provável resultado da competitividade, e não a própria expressão. Em termos de indicador de competitividade, as variáveis a serem analisadas possuem características estruturais relacionadas à eficiência no processo produtivo, como custos e preços, coeficientes técnicos (de insumo e produto ou outros) ou produtividade dos fatores domésticos, sendo comparadas por meio de paridade em nível mundial em função das melhores práticas desenvolvidas (best practices) no comércio internacional.
Para Jank et al. (2005), a continuidade do sucesso do agronegócio brasileiro depende também da infraestrutura e da logística de suporte ao setor. Rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, pois todos esses meios de transporte são responsáveis pelo escoamento dos produtos do campo e apresentam deficiências graves no Brasil. Para esses autores a logística de transporte, armazenagem e portos é hoje um dos principais pontos de estrangulamento do agronegócio, ao lado do desenvolvimento da biotecnologia (transgênicos).
Kennedy et al. (1998) relacionam a competitividade com (a) a intensidade e adaptação de tecnologias ao negócio da firma; (b) custos e condições de obtenção dos insumos (custos, qualidade e coordenação); (c) grau de diferenciação (políticas de produção, de qualidade e de serviços); (d) economias de escala, o escopo; e, (e) fatores externos (políticas governamentais
e variáveis macroeconômicas). Já para Belarmino e Lima Filho (2013), a competitividade nos mercados depende da produtividade, da qualidade do produto, da regularidade no fornecimento e dos preços praticados.
Neste trabalho, a Cadeia de Valor Global é considerada competitiva quando é capaz de gerar lucro para os agentes do sistema, ou seja, apresenta características de eficiência, os quais estão relacionadas aos padrões de concorrência exigidos no mercado internacional.