5.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
5.1.1 A concepção do estudo: delineando a proposta
Nesta fase foram definidos: o tema, os sujeitos, o local do estudo, o problema, as
questões de pesquisa, é realizada a revisão da literatura, bem como os objetivos geral e
específicos. Salienta-se que a questão de pesquisa e os objetivos deste estudo foram definidos
e encontram-se descritos nos capítulos 1 e 2 desta Dissertação de Mestrado.
5.1.1.1 O tema
O tema do estudo envolveu a identificação de Diagnósticos e Intervenções em
Enfermagem direcionadas a pacientes oncológicos em radioterapia e foi fundamentado nos
princípios do CCP.
5.1.1.2 Os sujeitos
A população deste estudo foi composta por pacientes submetidos a tratamento
radioterápico no HSR pelo Sistema Único de Saúde, por convênios e também particulares, cujos
prontuários médicos eletrônicos pudessem ser analisados. De acordo com dados da instituição,
foram tratados em média 450 pacientes/mês nesta unidade. Foram considerados como elegíveis
aqueles pacientes com registro eletrônico disponível no momento da coleta e que fossem
maiores de 18 anos. A amostragem foi por conveniência e feita de forma sequencial, sendo
excluídos todos os prontuários que não contivessem informações suficientes e relevantes para
a inferência de diagnósticos de enfermagem, totalizando ao final uma amostragem de 223
pacientes, atendidos entre agosto e setembro de 2017.
Desta forma, foram analisados os registros da evolução de todos os profissionais de
saúde envolvidos. Na evolução do enfermeiro, foco principal de coleta, foram incluídos todos
os registros, considerando-se que a SAE não está instituída em todos os serviços no hospital do
estudo. Assim sendo, ressalta-se que a maioria dos enfermeiros do setor não utilizam em seu
registro taxonomias de enfermagem. Informações contidas em outras abas, como histórico de
saúde, exames e prescrição, foram considerados para complementar as informações
relacionadas à saúde da população estudada para a análise e inferência de diagnósticos de
enfermagem.
5.1.1.3 O local da pesquisa
O produto desenvolvido foi delineado para uso no HSR, setor de Radioterapia, ambiente
laboral da mestranda. Este hospital faz parte da ISCMPA. Esta Irmandade foi fundada em 1803
e tem como missão “proporcionar ações de saúde a pessoas de todas as classes sociais,
de “ser líder de mercado nos serviços eleitos” e alicerçada nos valores organizacionais de ética,
misericórdia, equidade, humanismo, história, credibilidade e pioneirismo, a ISCMPA é,
atualmente, referência na saúde, prevenção de doenças, assistência, ensino e pesquisa em toda
a América Latina.
Conta com sete hospitais: Santa Clara, São José, Pavilhão Pereira Filho, São Francisco,
Santa Rita, Santo Antônio e Dom Vicente Scherer, que juntos somam 1.042 leitos, dos quais
60% são destinados à pacientes do Sistema Único de Saúde e 40% à pacientes de convênios e
particulares, 51 salas de cirurgia e nove UTI. Oferece vários serviços, nas mais variadas
especialidades, com destaque para as áreas de Clínica Médica, Cirurgia Geral, Cardiologia,
Neurocirurgia, Pneumologia, Pediatria e Transplantes.
93O HSR, inaugurado em 1967, é referência em prevenção, diagnóstico e tratamento de
câncer. Atualmente conta com o maior parque radioterápico do Brasil e com inúmeros
profissionais envolvidos em pesquisas de novos medicamentos para o câncer, o que faz desse
hospital líder no tratamento oncológico. Possui 202 leitos, dos quais 192 são de internação e 10
de UTI, além de sete salas cirúrgicas. No ano de 2015, foram realizados 149.241 atendimentos
ambulatoriais, 6.029 internações e 7.565 procedimentos cirúrgicos no hospital.
93Desde junho
de 2013 o HSR conta com um Programa Interdisciplinar de Cuidados Paliativos, sendo o
hospital-piloto para a implantação do serviço de consultoria em Cuidados Paliativos.
Neste hospital, o serviço de Radioterapia da ISCMPA é o maior serviço não
governamental de radioterapia da América do Sul, com uma média de 450 pacientes/dia. Com
práticas autorizadas: teleterapia e braquiterapia. Composto por 5 aceleradores lineares, 1
equipamento de braquiterapia de alta taxa de dose (HDR).
5.1.1.4 O problema
A prestação de serviços de enfermagem em radioterapia apresenta um ponto de
precariedade no trabalho assistencial pois não contempla as etapas da SAE, não havendo
instrumento padronizado para tal, tornando vulnerável a atuação profissional do enfermeiro
neste setor. Considerando a importância de consolidar a SAE no serviço, bem como o CCP, é
necessário desenvolver intervenções em colaboração com o paciente, família e demais
membros da equipe de saúde a partir das necessidades de saúde identificadas. Para tanto, é
preciso analisar fatores físicos, sociais, emocionais e espirituais, pois são dados significativos
que podem impactar na experiência do paciente ao longo do tratamento. O profissional de
enfermagem deve realizar o registro efetivo de ações assistenciais especificas, incluindo os
resultados esperados para a integralidade do cuidado.
Atualmente, o processo assistencial é realizado de forma eletrônica e descritiva.
Destaca-se que a atuação do enfermeiro está centrada na consulta de enfermagem, e que a
evolução feita pela Enfermagem na radioterapia não é realizada com LPE. Cada enfermeiro a
realiza de acordo com o seu conhecimento individual, sendo que poucos profissionais utilizam
taxonomias para auxiliar o registro da evolução dos pacientes, corroborando para que a
qualidade do atendimento fique prejudicada.
Considerando a importância das teorias de enfermagem, propõem-se para este estudo
relacionar o CCP às teorias de Jean Watson.
94Optou-se por esta abordagem teórica tendo em
vista que ela se pauta em princípios, fundamentos filosóficos e sistemas de valores de teor
humanista. Jean Watson desenvolveu a Empatia e a Teoria do Cuidado Humano, baseada em
uma relação ontológica que considera o cuidado efetivo por meio de um cuidado que transcende
o tempo, o espaço e a matéria entre paciente e profissional, formando um único elemento em
sintonia. Em 2007, ela construiu o Clinical Caritas, constituído por dez elementos do cuidado:
95(1) Praticar bondade e equanimidade, inclusive para si; (2) Estar presente e valorizar o sistema
de crenças do ser cuidado; (3) Cultivar práticas espirituais próprias, aprofundando o
conhecimento individual; (4) Manter o cuidar autêntico por meio de um relacionamento de
ajuda-confiança; (5) Apoiar a expressão de sentimentos positivos e negativos; (6) Utilizar o
conhecimento e a intuição de forma criativa na resolução de problemas; (7) Vincular-se
verdadeiramente na experiência de ensino-aprendizagem; (8) Proporcionar um ambiente de
restauração física, emocional e espiritual; (9) Promover alinhamento entre corpo, mente e
espírito, a fim de atender às necessidades do indivíduo; (10) Considerar os aspectos espirituais
e de vida e morte. Empatia é fundamental para estabelecer e manter a relação de ajuda confiança
entre profissional e paciente. A partir da verdadeira intenção de cuidar, é possível desenvolver
uma relação empática, quando se reconhece o outro como quem vivencia sua experiência
No documento
Porto Alegre 2019
(páginas 50-53)