P ESSOAL DOENTE
10. A CONDICIONAMENTO /E MBALAGEM DE CARNES E SEUS PRODUTOS
Entende-se por acondicionamento, a colocação de um produto num invólucro inicial ou recipiente inicial em contacto directo com o produto em questão, bem como o próprio invólucro ou recipiente inicial. A operação que consiste na colocação de um ou mais géneros alimentícios acondicionados num segundo recipiente, bem como o próprio recipiente, é designada por embalagem.
Os produtos pré-embalados são aqueles cuja embalagem foi efectuada antes da sua exposição à venda ao consumidor em material que solidariamente com eles é comercializado, de tal modo que o conteúdo não possa ser modificado sem que aquele seja aberto ou alterado.
Como géneros alimentícios não pré-embalados, são designados:
a) Os géneros alimentícios apresentados para venda a granel ou avulso;
b) Os géneros alimentícios embalados nos postos de venda, a pedido do comprador; c) Os géneros alimentícios pré-embalados para venda imediata (embalagem do dia). Nos locais de venda de carnes e de outros produtos são autorizados o corte e o acondicionamento, em embalagens do dia, de carnes frescas, carnes picadas e preparados de carne desde que exista, em anexo ao local de venda, uma sala destinada àquelas operações, devendo ser, após a sua preparação, imediatamente acondicionados. A sua exposição e venda, quando não exista uma secção exclusivamente destinada àquele fim, dotada de meios frigoríficos que garantam aos produtos expostos as temperaturas internas fixadas na legislação em vigor, pode ser realizada no mesmo balcão ou vitrina frigorífica das carnes e seus produtos desde que exista separação física entre eles. Nos rótulos destas carnes são obrigatórias as seguintes menções:
a) Nome e morada do acondicionador;
b) Denominação de venda (espécie e peça e ou finalidade); c) Data de acondicionamento;
d) Data limite de consumo; e) Condições de conservação;
f) Quantidade líquida.
Entende-se por rotulagem, o conjunto de menções e indicações, inclusive imagens, símbolos e marcas de fabrico ou de comércio, respeitantes ao género alimentício, que figuram quer sobre a embalagem, em rótulo, etiqueta, cinta, gargantilha, quer em letreiro ou documento acompanhando ou referindo-se ao respectivo produto. As indicações de rotulagem dos produtos pré-embalados são da responsabilidade do fabricante ou embalador do género alimentício. Nos géneros alimentícios não pré-embalados vendidos ou expostos à venda para o consumidor final, as indicações de rotulagem são da responsabilidade do retalhista.
A carne de bovino obedece a um regime de rotulagem obrigatória (Decreto-Lei n.º 323-
F/2000, de 20 de Dezembro), devendo o rótulo conter as seguintes indicações:
a) Um número ou código de referência que assegure a relação entre a carne de bovino e o animal ou animais. Este número pode ser o número de identificação do animal específico de que a carne provém ou o número de identificação a um grupo de animais; b) O número de aprovação do matadouro em que o animal ou grupo de animais foi abatido e o Estado membro ou país terceiro em que se encontra estabelecido o matadouro. A indicação deve ser feita nos seguintes termos: «Abatido em: (nome do Estado membro ou do país terceiro) (número da aprovação)»;
c) O número de aprovação do estabelecimento de desmancha em que a carcaça ou o grupo de carcaças foi desmanchado e o Estado membro ou país terceiro em que se encontra estabelecido. A indicação deve ser feita nos seguintes termos: «Desmancha em: (nome do Estado membro ou do país terceiro) (número da aprovação)».
d) O nome do Estado membro ou o país terceiro de nascimento;
e) Os nomes dos Estados membros ou dos países terceiros em que se processou a engorda;
f) O nome do Estado membro ou do país terceiro em que ocorreu o abate. Contudo, se a carne de bovino provier de animais nascidos, criados e abatidos:
a) No mesmo Estado membro, a indicação pode ser «Origem: (nome do Estado membro e, facultativamente, o símbolo nacional)»;
b) Num mesmo país terceiro, a indicação pode ser «Origem: (nome do país terceiro e, facultativamente, o símbolo nacional)».
A entidade responsável pela rotulagem tem que estabelecer a data de durabilidade mínima ou a data limite de consumo das carnes e seus produtos. A data da durabilidade mínima é aquela até à qual se considera que os géneros alimentícios conservam as suas propriedades específicas nas condições de conservação apropriadas; é indicada por uma das seguintes menções:
a) «Consumir de preferência antes de…», quando a data indica o dia;
b) «Consumir de preferência antes do fim de…», quando a data indica o mês e ano ou só o ano.
A data a partir da qual não se possa garantir que os géneros alimentícios facilmente perecíveis, do ponto de vista microbiológico, estejam aptos para consumo é designada como data limite de consumo, sendo precedida da expressão «Consumir até…».
As carnes e seus produtos pré-embalados devem possuir uma indicação que permita identificar o lote ao qual pertencem. É definido como lote, o conjunto de unidades de venda de um género alimentício produzido, fabricado ou acondicionado em circunstâncias praticamente idênticas. A indicação do lote é ainda obrigatória para as carnes e seus produtos não pré-embalados, na fase anterior à sua exposição à venda ao consumidor final, devendo figurar na embalagem ou recipiente que os acondicione ou, na sua falta, nos respectivos documentos de venda. O lote é determinado pelo produtor, fabricante ou acondicionador de um género alimentício. Quando a data de durabilidade mínima ou a data limite de consumo figurar no rótulo, a indicação do lote pode não acompanhar o género alimentício, desde que essa data seja composta pela indicação, clara e por ordem, do dia e do mês, pelo menos.
Os manipuladores das empresas do sector de distribuição e venda de carnes e seus produtos devem também assegurar a rastreabilidade destes, ou seja, devem ter a capacidade de detectar a origem e de seguir o rasto das carnes e seus produtos e respectivos ingredientes, facilitando o seu bloqueio/recolha em caso de incidente de segurança alimentar. A rastreabilidade ao longo da cadeia alimentar constitui mais um elemento essencial para garantir a segurança dos géneros alimentícios.
11. CONDIÇÕES HIGIÉNICAS A OBSERVAR NA DISTRIBUIÇÃO E VENDA DE CARNES E SEUS