• Nenhum resultado encontrado

3.1 O desafio da confessionalidade

3.1.3 A confessionalidade como elemento definidor de identidade

a) trabalhando bem e harmoniosamente em equipe;

b) visitando os doentes (alunos, funcionários e parentes destes) e assistindo os enlutados são assistidos;

c) respeitando as diferenças e uns aos outros no ambiente escolar; d) solidarizando-se com os que atravessam momentos de carências; e) cuidando dos que passam momentos de crise; e,

f) partilhando as Boas Novas aos que estão ao alcance.

Através da adoração de uma confessionalidade a capelania tem princípios fundamentados em uma confissão de fé e, com isso, pode definir, à luz dessa confissão, o que julga certo ou errado, ético ou não ético, aceitável e inaceitável, diante de tantas visões da realidade e posturas flexíveis de valores e ética que a sociedade tem.

A confessionalidade precisa lidar com as interpretações subjetivas das pessoas com relação aos fenômenos religiosos e aos seus padrões de comportamentos: Como exemplos extremos, algumas demonizam toda a realidade outros relativizam todos os valores. A confessionalidade busca oferecer parâmetros coerentes de interpretação do mundo, do significado da vida e da existência. A confessionalidade quer ser o referencial coerente para as interpretações religiosas das pessoas. A confessionalidade quer uma escola ética, cidadã, em que se valoriza uma espiritualidade saudável, que adota princípios de fé e esperança, se, doutrinadora ou proselitista.

3.1.3 A confessionalidade como elemento definidor de identidade

De acordo com Cordeiro96, a confessionalidade define a identidade de uma tradição religiosa, pois estabelece os contornos, o lugar a partir do qual se constrói a visão de mundo, ou seja, o modo como se interpreta a realidade. O sentido dessa cosmovisão, dessa visão de mundo que se adota, pode muito bem ser definido pelo termo alemão weltanschauung, que trata do modo como uma pessoa enxerga o mundo, a imagem que ela constrói no seu íntimo a respeito do que é a vida e de

como são os homens97. Literalmente, Cordeiro vai afirmar que:

é a partir dessa base que somos diferentes das outras instituições de ensino. Na verdade, é exatamente a partir de nossa identidade cristã e, mais do que simplesmente cristã, identidade batista, é que definimos o nosso olhar sobre o mundo. Esse olhar, caracteristicamente nosso, é diferente do olhar da Rede Salesiana de Ensino, do Instituto Metodista Izabela Hendrix, da Rede Pitágoras, do Colégio Cristão e etc98

A rigor, a confessionalidade de uma escola deve ser a expressão do conjunto de princípios que fundamentam e organizam a ação da escola confessional

.

O confessional, [...] é o que é relativo a ou próprio de confissão. É o que é relativo a uma crença religiosa, a uma declaração de fé. Organizar a nossa ação a partir de um conjunto de princípios é fundamental para a sobrevi vência do SBME como Instituição Batista. É nesse sentido que um serviço de capelania deveria até ser motivo de um “santo orgulho”, pois se trata de concretamente fazer valer o que somos na vida cotidiana. Cada ação que a escola realiza deveria expressar a sua confessionalidade. Desse modo, um ensino que aspira permanentemente a excelência é expressão de nossa confessionalidade em ação. É confessionalidade em ação o tratamento gentil e respeitoso dispensado a todos que se aproximam de nosso Sistema de ensino. É confessionalidade em ação trabalharmos em equipe. É confessionalidade em ação visitarmos os doentes, é confessionalidade em ação respeitarmos uns aos outros, é confessionalidade em ação sermos solidários com os que sofrem a perda de um ente querido, é confessionalidade em ação ouvirmos os que estão em crise, é confessionalidade em ação partirmos o pão da Palavra Divina com todos os que caminham conosco. Não há dúvida nenhuma quanto à importância da confessionalidade como um dos pilares fundamentais de nossa Instituição de Ensino.99

Quanto a confessionalidade como promotora de identidade, afirma também, Lockmann, Bispo da Igreja metodista, “se tivermos uma identidade clara. Certamente vamos ter uma ação mais convencional com muito mais unidade”.100 Tânia Maria

Vieira Sampaio, em encontro promovido pelo COGEIME para discutir confessionalidade em 1008, afirma que a identidade metodista das suas escolas se expressa na busca de democratização da educação, ma cpmstrução de uma educação inovadora e humanizante e no entendimento de que a tarefa educativa

97 Idem, , p.3

98 CORDEIRO,, p. 4. 99 Idem p. 6

100 LOCKMANN, Paulo. Confessionalidade e Educação: uma abordagem pastoral missionária. São Paulo, Revista de Educação do COGEIME, 2º. Semestre de 2000, p.73

visa a comprometer professores e alunos na luta por uma sociedade mais fraterna e plena de dignidade para as pessoas.101 No que este autor concorda.

3.1.4 O lugar da confessionalidade no SBME

A confissão de fé adotada pelo SBME é a batista. Ainda que vários professores e funcionários, alunos e pais não sejam batistas, se espera que eles compreendam e respeitem esse direcionamento. Segundo o capelão Alemar Quirino da Silva, perguntado sobre os desafios que ele enfrenta como capelão: “algumas resistências de professores e alunos quanto à Confessionalidade da escola que se revela numa certa discordância das posturas adotadas pelo Capelão em virtude de sua função”102. O capelão da unidade de Betim, também responde: “a resistência de algumas pessoas”.103

No texto escrito por este autor, colocado no Apêndice E, é dito que o respeito (pelo menos, não se manifestar publicamente contrário) aos princípios de fé da instituição é esperado da parte dos colaboradores do SBME e de qualquer instituição confessional.104

Mas isto, na prática, no dia-a-dia, não é fácil, segundo o capelão-geral do SBME:

Muito semelhantemente àquilo que os cristãos primitivos enfrentaram em um mundo convulsionado por todo tipo de ideias e de interpretações, às vezes extremamente exóticas e que traziam grande confusão, é o que enfrentamos nos dias de hoje. De quando em quando nos vemos envolvidos em questões de natureza doutrinária que refletem visões de mundo que, nem sempre, correspondem ao padrão batista de compreensão. Nesse caso, se não temos um grau de consciência maior acabamos por rotular as ações da Capelania ou da Direção do Sistema ou de uma Unidade, todos, por questão de princípio, comprometidos com a nossa confessionalidade, como sendo ou ortodoxas excessivamente, o que é objetivado em expressões tais como “a escola diz que não pode fazer assim ou fazer assado...” ou muito liberais, que, por sua vez, se objetiva em expressões como “para o Colégio Batista tudo pode, tudo passa, tudo é permitido [...] 105

101 SAMPAIO, Tânia Maria Vieira “Apontamentos sobre confessionalidade e ecumenicidade” In Revista do CONGEIME, Ano 7, no. 13, 1998, p. 116.

102 Apêndice A - Entrevista com os capelães, pergunta 7, respondida por Alemar QuitinoSilva. 103 Apêndice A – Entrevista com os capelães. Pergunta 7 respondida por José Paulo da Silva

104 VIEIRA, Walmir. O que se espera dos capelães e dos professores das instituições educacionais batistas”. Publicado em O Jornal batista, em 07.10.2007.. Anexo IV