Principalmente nos dias atuais, a Contabilidade, muito mais do que coletar, apresentar e interpretar os fatos econômicos, e ser a responsável pelo processo de elaboração de demonstrativos financeiros para interesses de terceiros (papel da Contabilidade Financeira), vem sendo utilizada como um importante subsídio à gestão empresarial, atendendo às necessidades de informações para a tomada de decisão por parte dos administradores das organizações (papel da Contabilidade Gerencial).
vista a necessidade de obedecer a determinados padrões, leis e normas para a sua elaboração, além de estar voltada ao passado, a Contabilidade Gerencial apresenta-se mais “flexível”, possibilitando que os gestores elaborem instrumentos (relatórios e análises) que melhor lhes atendam nas tomadas de decisão, referindo- se estas, às mais diversas áreas da empresa. Além disto, a Contabilidade Gerencial está voltada a subsidiar as decisões do presente almejando atingir bons resultados futuros.
De acordo com Crepaldi (2004, p. 29),
“O ponto fundamental da contabilidade gerencial é o uso da informação contábil como ferramenta para a administração. É o processo de produzir informação operacional financeira para funcionários e administradores. Deve ser direcionado pelas necessidades informacionais dos indivíduos internos da empresa e deve orientar suas decisões operacionais e de investimentos.”
Para Iudícibus (1998, p. 21),
“A contabilidade gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira e de balanços etc., colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório.”
Por sua vez, a Contabilidade de Custos no entender de Padoveze (2006, p. 5):
“É o segmento da ciência contábil especializado na gestão econômica do custo e dos preços de venda dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas. Em linhas gerais, podemos dizer que a necessidade de um ramo específico da ciência contábil para dedicar-se à questão dos custos nasceu com a Revolução Industrial, no século XVIII, com o advento de novas invenções e dos primeiros processos automatizados, quando se iniciou a produção em massa, contrapondo-se à produção artesanal.”
A Contabilidade de Custos teve o seu surgimento quase que, concomitantemente à Revolução Industrial, que impôs aos contadores a dificuldade da avaliação correta dos estoques e da apuração dos resultados nas empresas
industriais, muito mais complexas do que no caso das empresas comerciais. Enquanto estas revendiam mercadorias compradas de outras empresas, as indústrias passaram a adquirir matérias-primas e demais insumos utilizando fatores de produção, transformavam-nas em produtos acabados que se destinavam à venda.
Portanto, o pagamento de todos os gastos necessários à produção, tais como a matéria-prima adquirida, os salários dos funcionários da produção e a energia elétrica consumida para esta finalidade, dentre outros, passaram a serem denominados custos de produção. E desta forma, surgiu a Contabilidade de Custos com a responsabilidade de controlar todos os gastos relativos à produção de bens.
Bruni e Famá (2004, p. 25) destacam que a Contabilidade de Custos deve atender, primordialmente, a três razões primárias: a determinação do lucro, ao controle das operações e a tomada de decisões.
Para Crepaldi (2004, p. 21), a Contabilidade de Custos passou, mais recentemente, a prestar duas novas funções dentro da Contabilidade Gerencial, ou seja, a da utilização dos dados de custos para auxílio ao controle e para a tomada de decisões.
Martins (2003, p. 21) destaca que, em razão de, no princípio, a Contabilidade de Custos ter o objetivo principal de resolver os problemas de mensuração de estoques e de resultados e de não ser utilizada no campo gerencial, deixou de ter uma evolução mais apropriada ao longo do tempo. Mas, com o crescimento das organizações, passou a ser observada e utilizada como uma eficiente forma de auxílio no campo gerencial. Hoje, serve como um importante subsídio na tomada de decisões gerenciais.
Como dito anteriormente, a Contabilidade Financeira está sujeita a cumprir determinadas regras e padrões pré-estabelecidos, denominados de Princípios Fundamentais da Contabilidade.
à Contabilidade Financeira e que são aplicados em custos, citam os seguintes:
• “competência (da realização): a receita é reconhecida apenas quando realizada – momento em que há a troca de mercadorias, bens ou serviços, por elementos do ativo. Logo, o lucro ou prejuízo somente se realiza no ato da venda;
• uniformidade (consistência): o processo para registro contábil não deve ser mudado com freqüência, para que os resultados contábeis não fiquem prejudicados. Caso exista a necessidade de mudança dos critérios, deve ser feita a divulgação de seu efeito nas demonstrações contábeis;
• prudência (conservadorismo): entre duas alternativas para o registro do ativo, deve-se escolher entre o custo e o valor de mercado, dos dois, o menor. O mesmo raciocínio deve nortear o contador no registro dos gastos que provocam dúvida de classificação entre custo de produção ou despesa do período, devendo prevalecer a escolha que representa redução imediata do resultado, portanto, despesa do período. Note que o uso do princípio da prudência não deve ser indiscriminado e sim obedecer ao bom-senso, já que pode ocasionar a perda do controle dos impactos no resultado do exercício.”
Os mesmos autores ressaltam que, apesar destes Princípios facilitarem e padronizarem a prática contábil, dificultam a gestão baseada em números extraídos da Contabilidade, sendo que, em algumas situações, há a necessidade de adaptar as informações da Contabilidade Financeira possibilitando um processo mais adequado de tomada de decisões.