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A Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da região de Porto Alegre

4. BASE METODOLÓGICA DA PESQUISA

4.4. O LOCUS DA PESQUISA

4.4.7. A Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da região de Porto Alegre

A Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre possui sede em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre (RS) e conta com 1.468 cooperados produzindo arroz orgânico. No município de Eldorado do Sul, existem sete assentamentos totalizando 327 famílias beneficiadas com esta linha produtiva. A produção na Região Metropolitana de Porto Alegre integra a Plataforma de Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável, mantida pelo Programa de Cooperação Brasil-FAO, na área de Segurança Alimentar (Blog do Planalto. Presidência da República, 2015).

A COOTAP também acolhe outros produtos, produzidos nos assentamentos, além do arroz orgânico, como: leite e milho. Entretanto, o arroz orgânico é o produto dominante nessa relação COOTAP / produtores assentados, devido ao número de famílias envolvidas e volume de produção. Além disso, existem diversos produtores, nos assentamentos da região supracitada, que entregam estes outros produtos mais o arroz orgânico (Grupo Gestor do Arroz Orgânico, 2011).

A COOTAP, fundada em 1994, iniciou seu trabalho com o propósito de tornar- se uma prestadora de serviços para os produtores assentados através do fornecimento de máquinas, equipamentos, insumos e assistência técnica, ainda no modelo convencional de produção agrícola, sem restrição ao uso de insumos químicos sintéticos nas áreas produtivas. Paralelo a este foco, a cooperativa também tinha como meta gerenciar a organização dos assentamentos da reforma agrária do Estado do Rio Grande do Sul. A mudança de modelo produtivo só veio mais tarde, a partir do século XXI, em virtude da mudança de visão do MST no que se refere a

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matriz tecnológica de produção nos assentamentos de reforma agrária (os subitens 3.2, 3.3 e 3.4 do capítulo 3, dessa dissertação, explicam mais detalhadamente esta mudança). Esta mudança de visão do movimento impactou a produção nos assentamentos e o crescimento da cadeia produtiva do arroz orgânico ajuda a perceber esta influência (Plataforma de Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável. Unidade de Coordenação de Projetos da FAO para a Região Sul do Brasil, 2015).

Na relação assentados produtores / COOTAP, a cooperativa recomenda que os assentados entrem num dos grupos de interesse já formados, ou seja, antes de o assentado estabelecer qualquer relação comercial com a COOTAP, a mesma preconiza que o assentado em questão entre num dos grupos gestores já constituídos. Nesse sentido, além do Grupo Gestor do Arroz Orgânico, existem o Grupo Gestor do Leite e o Grupo Gestor das Hortas. São grupos que acabam aglutinando ou congregando assentados da região metropolitana de Porto Alegre (RS). Preconiza-se também que os assentados interessados se organizem em grupos (formais ou informais) dentro dos seus respectivos assentamentos e que estes elejam os seus próprios representantes para poder participar das reuniões destes Grupos Gestores supracitados (arroz orgânico, leite e hortas). Nas reuniões dos Grupos Gestores, apenas dirigentes do MST, assistência técnica e representantes de grupos de assentados participam. Essa determinação tem a finalidade de evitar que as reuniões acabem se tornando grandes assembleias, compostas por um número demasiadamente alto de pessoas dificultando o andamento das atividades e a socialização dos conhecimentos. Desta forma, impulsiona-se a troca de experiências, intercâmbios, contato com a assistência técnica, entre outras coisas que podem colaborar com o desenvolvimento das atividades produtivas. Cada representante de grupo de assentados precisa repassar o conhecimento que conseguiu construir, junto as reuniões dos Grupos Gestores, para o seu grupo de interesse específico, localizado nos assentamentos. Em suma, essa organicidade pode ser vista como movimentos de contração e expansão das informações, para que as mesmas “cheguem” nos assentados dos assentamentos da região supracitada (Grupo Gestor do Arroz Orgânico, 2011).

Logo após a COOTAP concretiza os acordos com os assentados produtores e estes acordos não seguem o mesmo grau de formalidade dos contratos existentes entre empresas e seus produtores. A COOTAP cobra que os produtores tenham DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf) para estabelecer a relação comercial. A COOTAP, então, no caso da produção de leite, cobra pelo transporte do produto mais custos

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com empregados, pois é ela que faz a entrega do leite para uma empresa privada que, por sua vez, se responsabiliza pelo beneficiamento, tanto para a venda do leite

in natura como para a venda do leite em pó. Os valores cobrados pelo serviço que a

COOTAP presta são disponibilizados nas reuniões do Grupo Gestor do leite. Desta maneira, se forma uma relação de confiança entre COOTAP e assentados produtores. Quem paga os produtores de leite pelo produto é a empresa privada.

No caso do arroz a COOTAP também faz transporte de produto, porque quem possui estrutura para separar, secar, descascar e embalar o arroz orgânico é a COOPAN (Cooperativa de Produção Agropecuária de Nova Santa Rita). A COOPAN está localizada dentro do assentamento Capela, em Nova Santa Rita (município próximo de Canoas – RS) e é ela que possui estrutura para beneficiar e armazenar arroz, neste caso, arroz orgânico oriundo dos assentamentos. Tanto a COOTAP como a COOPAN buscam mercados para vender o arroz orgânico embalado, pronto para consumo. O mercado que mais “absorve” este produto é o institucional, pois o arroz orgânico é comprado devido as políticas como PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). São escolas do Estado do Rio Grande do Sul e até mesmo de outros Estados que acabam adquirindo o arroz orgânico, pronto para o consumo, produzido nos assentamentos da região metropolitana, entre eles o de Eldorado do Sul (RS), considerado na pesquisa, denominado de Integração Gaúcha. Tanto a COOPAN como a COOTAP pagam o produtor de arroz pelo produto entregue.

5. A VISÃO DOS ASSENTADOS E DOS TÉCNICOS SOBRE A