A gestão da organização cooperativa constitui o uso de práticas gerenciais coerentes com as características da organização e do ambiente onde ela está inserida, destaca Oliveira, J. F. (2008). No caso da gestão moderna, não importa se a prática gerencial é nova ou antiga, o que importa é que esta esteja coerente com as pessoas que vão aplicá-las. A coerência com a estrutura física e de pessoal da organização, levando em consideração as necessidades dos clientes, a situação dos concorrentes e o ambiente institucional (regras do jogo) é necessária. Um dos desafios das cooperativas e do cooperativismo é a legitimação e transparência. Elas precisam ser reconhecidas para que as organizações tenham uma imagem positiva dentro da sociedade em que se inserem.
A cooperativa tem que ser valorizada pelo próprio cooperado, destacam Lima; Santos (2008). Apesar de ser seu proprietário, muitas vezes o associado não se sente como tal. Então, quanto mais a direção da cooperativa conduzir a esta legitimação, maior e melhor será o apoio de seus associados, bem como de seus funcionários e até mesmo, de forma circular, de seus próprios dirigentes.
O documento Evolução do Cooperativismo no Brasil, Brasil (2006), destaca que o enfoque é identificar estratégias bem-sucedidas de cooperativas quanto à melhoria da qualidade de vida, usando os casos em análise como exemplos a serem seguidos.
No Brasil, constatou-se que as cooperativas pesquisadas passaram por momentos de crise e conseguiram superá-los buscando a profissionalização e a diversificação de produtos. O trabalho apontou a necessidade de um melhor planejamento das ações das cooperativas e de mais equilíbrio entre a gestão empresarial e a preocupação social e educativa com os associados.
Outra citação relativa ao tema Brasil (2006) relata que o trabalho dos brasileiros identificou algumas dificuldades na forma de administração das cooperativas. É preciso ter força organizacional para manter o quadro de cooperados em ação. A cooperativa pode dar muito certo, desde que seja bem planejada, direcionada, e com objetivos definidos.
A cooperativa, conforme Setti (2008) é uma associação autônoma de pessoas que se unem para satisfazer as aspirações econômicas, sociais e culturais comuns de um determinado grupo. Neste sentido, Setti (2008) apresentou diversos motivos pelos quais a cooperativa é importante, como ponto de equilíbrio de mercado, geração de emprego, viabiliza a atividade dos cooperados, além de representá-los, investe na educação, promove desenvolvimento regional, dentre outros.
A cooperativa é uma empresa que deve ser analisada a partir de suas características organizacionais, apresenta Oliveira Jr. (2008), deve-se observar a capacidade de coordenação de um complexo sistema de relações entre agentes econômicos, por exemplo, os produtores rurais e as cooperativas, as cooperativas e a unidade da cooperativa central, cooperativa e
fornecedores grifa-se, cooperativas e distribuidores, cooperativas e consumidores.
A tomada de decisão na cooperativa é democrática, o que traz vantagens e desvantagens, apresenta Cançado (2007). As desvantagens são a demora do processo decisório e a possibilidade de formação de grupos rivais dentro da organização, o que pode inviabilizar o próprio processo de tomada de decisão. Por outro lado, a tomada de decisão democrática traz comprometimento ao quadro social, pois quando se participa do processo de tomada de decisão passa-se a ser co-responsável pela sua implementação e pelos seus resultados.
Segundo destaca Oliveira, J. F. (2008), de nada vale fazer uso de tecnologia gerencial cujas práticas não estejam relacionadas com as características da organização cooperativa, bem como do seu contexto, e que não leve em consideração aspectos relacionados ao
cooperado, ao cliente e aos funcionários que fazem parte do ambiente organizacional da cooperativa.
Com relação a gestão, Oliveira, J. F. (2008) entende que ao manter sua forma organizacional baseada em princípios doutrinários, tendo como lastro o ideário da igualdade, da solidariedade, da fraternidade e da liberdade, o modelo de gestão deve abranger os padrões de governança, as alianças estratégicas, as redes de empresas em torno das cooperativas, a implantação de um planejamento estratégico que contemple também estratégias financeiras, processos de educação, capacitação e formação de cooperados, dirigentes, funcionários, incluindo um processo de formação de sucessores dos próprios cooperados e dos dirigentes. Reforça a argumentação explicando que o processo deve estar alinhado às tendências e perspectivas da nova geração de cooperativas baseada em uma nova divisão dos direitos de propriedade e na concepção das relações contratuais no ambiente cooperativo.
Pode-se observar que os termos utilizados acima pelo autor, como governança, alianças estratégicas, redes de empresas, corporativas, cooperativas, cooperados, dirigentes, direitos de propriedade e relações contratuais são referenciais do escopo da NEI, além de outras, e que foram inseridos nesta análise.
A organização do trabalho e da produção por meio de cooperativas pode aumentar efetivamente as possibilidades de resultado dos associados entende Cançado (2007). Além do aumento do poder de barganha, tanto para compra, quanto para venda; a otimização dos recursos e os ganhos de escala possíveis nestes empreendimentos; a própria noção de co- operação (operação em conjunto) traz a nítida possibilidade de relações econômicas e sociais além das da lógica capitalista pura.
A gestão financeira segundo Nunes (2008) é uma das tradicionais áreas funcionais da gestão, encontradas em qualquer organização e à qual cabem as análises, decisões e atuações relacionadas com os meios financeiros necessários à atividade da organização. Desta forma, a função financeira integra todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controlo de recursos financeiros. Em outras palavras, a função financeira integra: 1) a determinação das necessidades de recursos financeiros (planejamento das necessidades, a inventariação dos recursos disponíveis, a previsão dos recursos libertos e o cálculo das necessidades de financiamento externo); 2) a obtenção de financiamento da forma mais vantajosa (tendo em conta os custos, prazos e outras condições contratuais, as condições fiscais, a estrutura financeira da empresa); 3) a aplicação criteriosa dos recursos financeiros, incluindo os excedentes de tesouraria (por forma a obter uma estrutura financeira equilibrada e adequados níveis de eficiência e de rentabilidade); 4) a análise financeira (incluindo a coleta de
informações e o seu estudo a fim de obter respostas seguras sobre a situação financeira da empresa); 5) a análise da viabilidade econômica e financeira dos investimentos. Num grifo do autor pode-se inferir que todos os aspectos levantados irão influir na forma de gestão e governança imprimida pela organização cooperativa. Em sua análise mostra que é difícil encontrar uma definição universalmente aceita para o conceito de gestão. Apesar de este ter evoluído muito ao longo do último século, existe algum consenso, que este deva incluir um conjunto de tarefas que procuram garantir a afetação eficaz de todos os recursos disponibilizados pela organização, como anteriormente descritos, a fim de serem atingidos os objetivos propostos.