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A Coroa e o ordenamento dos novos saberes

Feliz nosso século que pode contar com homens como nossos viajantes e mais felizes ainda eles por ter nascido em um tempo em que a atividade dos homens tão excelentes é estimada pelo rei.

(Belleforest - Histoire des neuf rois Charles)

Na dedicatória da Crónica del Peru, o soldado Pedro Cieza de León oferece seu relato ao “muito alto e poderoso senhor Dom Felipe II, príncipe das Espanhas, nosso senhor”; Francisco López de Gómora, quase na mesma década, direciona a Historia

general de las Indias a “Dom Carlos, imperador de romanos, rei de Espanha, senhor das

Índias e Novo Mundo”; Gonzalo de Oviedo, em ambas as obras produzidas sobre as descobertas e conquistas americanas, faz uma “epístola dedicatória” ao “Reverendíssimo e ilustríssimo senhor” na Historia general y natural de las Indias e à “Sacra, católica,

cesárea, real Majestade” no Sumario de la natural historia de las Indias. A dedicatória

ao monarca espanhol era lugar comum nesses textos produzidos sobre a América e, ainda que muitas razões convergissem para essa prática, como já discutimos em outro ponto, o interesse da Coroa por ter notícias sobre as suas novas possessões talvez fosse uma dessas razões mais destacadas. Havia um enorme interesse pelas terras, pelos habitantes, pelo ambiente natural e pelas riquezas que ali poderiam existir desde que as primeiras descobertas apareceram anunciadas nessa época. Isso fica claro com os incentivos da monarquia para a produção de escritos sobre o Novo Mundo, que viriam tanto dos

conquistadores particulares que viajaram por conta própria, caso de Hernán Cortés,492 como dos membros oficiais encarregados de informar as etapas da conquista, caso dos religiosos que deixaram importantes relações de conteúdo informativo sobre os recursos naturais, minerais e humanos dos territórios visitados.493 Mais claro ainda, com a nomeação de Pedro Martír de Anglería, em 1520, para ocupar o cargo de cronista oficial das Índias e organizar as notícias que chegavam das novas partes descobertas, e com a criação do Consejo Real y Supremo de Indias, em 1524, que sucedeu o já existente

Consejo de Indias, para servir como órgão máximo da administração colonial com

autoridade e autonomia na gestão das políticas relacionadas às novas colônias.494

Mas, durante o governo de Felipe II, esse interesse pelas possessões americanas se intensifica a partir de uma série de medidas que abrangiam muito além dessa política adotada inicialmente por Carlos V. Dentre essas medidas, pode-se destacar um investimento maior nas atividades relacionadas aos descobrimentos americanos com o propósito de conhecer mais detalhadamente essas novas regiões. E aqui retomamos a expedição oficial de Francisco Hernández às regiões da América central. A viagem do médico sevilhano, a convite de Felipe II, não foi um capítulo isolado no contexto das viagens marítimas ocorridas nesse período, mas, antes, um feito que estava inteiramente relacionado com a política monárquica em questão.495 As instruções da Coroa para orientar Hernández indicam que o objetivo principal da viagem era reunir dados e informes acerca das plantas de uso medicinal, como antes salientado, nesse momento em que surgia um interesse maior pelos saberes naturais americanos. Não foi por acaso, assim, que Francisco Hernández recebe o título de protomedico general de todas las

Indias, islãs y tierra firme del Mar Oceáno do próprio rei, em 1570, para desempenhar

integralmente essa tarefa.                                                                                                                

492 Três anos após terminada a conquista do México, em 1523, a coroa espanhola envia uma série de Instrucciones para o administrador da Nova Espanha, Hernán Cortés. Nesse documento, o monarca Carlos

V orientava os rumos da colonização e conversão religiosa dos nativos, como ainda requeria mais informações sobre o novo território, ou seja, sobre o sistema fiscal já existente e que deveria ser mantido. BUSTAMANTE, Jesús de. El conocimiento como necesidad de Estado: las encuestas oficiales sobre Nueva España durante el reinado de Carlos V, p. 36.

493 BAUDOT, Georges. Utopía e Historia en México, p. 15.

494 SCHÄFER, Ernesto. El Consejo Real y Supremo de Índias. Historia y organización del Consejo y

de la Casa de Contractación de Indias. Espanha: Marcial Pons, 2003, p. 62.

495 ÁLVAREZ PELÁEZ, Raquel. La conquista de la naturaleza americana. Madrid: C.S.I.C, 1993, p.

A realização dessa primeira expedição de caráter oficial significou, portanto, um avanço na política adotada em relação à América. Mais do que antes, a ideia de que era preciso conhecer para melhor governar foi levada adiante pela Coroa espanhola e as suas instituições administrativas, como o Consejo Real de Indias e a Casa de Contractación, que passaram a ser reestruturadas para atender às demandas reais alinhadas ao projeto colonialista. De igual modo, outras instituições foram criadas conforme os descobrimentos avançavam, caso dos Jardins Botânicos e da Academia de Matemática de Madrid, com o objetivo de amparar os estudos mais específicos nas áreas de história natural e de cosmografia desenvolvidos nesse período.

Consejo Real y Supremo de Indias

Criado, em 1524, durante o governo de Carlos V, o Consejo de Indias surge como instituição independente – com presidente e funcionários próprios – para cuidar dos assuntos administrativos, legislativos, judiciários e militares das Índias. Presidido, inicialmente, por Frei García Loaisa, o Consejo ainda contava com conselheiros (letrados ou militares), fiscais (um para Nova Espanha e outro para o Peru), secretários, escrivães, funcionários da justiça, funcionários financeiros, funcionários “científicos” (como o cronista maior, o cosmógrafo maior e um catedrático de matemática) e um capelão para os assuntos eclesiásticos.496 Como a função do Consejo era conduzir as novas possessões americanas, os membros que atuaram durante o governo de Carlos V incluíram, desde muito cedo, a busca por dados mais pormenorizados sobre essas partes. Em 1532, por exemplo, o Consejo emite a Descripción de la Nueva España para os espanhóis que lá estavam solicitando informações referentes à qualidade e à quantidade da terra, aos recursos, aos povos nativos e aos tributos cobrados daquela população.497 Trata-se de um dos primeiros requerimentos para se obter um conteúdo informativo a respeito da América com vistas à montagem colonial em curso nesse período. Mas que terá novo                                                                                                                

496 Cf. SOBERANES FERNÁNDEZ, José Luis. El poder judicial federal en el siglo XIX. México:

UNAM, Instituto de investigaciones jurídicas, 1992, p. 27, 28.

497 BUSTAMANTE, Jesús de. El conocimiento como necesidad de Estado: las encuestas oficiales sobre

impulso, contudo, a partir de 1560, com a reestruturação dessa instituição promovida por Felipe II em acordo com as novas exigências da sua política real. É, pois, nesse período, já sob a direção de Juan de Ovando, que o Consejo de Indias passa a prescrever uma série de instrucciones para auxiliar a busca por conhecimentos mais específicos acerca das matérias naturais, cosmográficas, geográficas e dos aspectos particulares do universo ameríndio – como costumes, religião e organização social –, e envia para o Novo Mundo uma primeira expedição de pesquisa liderada pelo médico e especialista Francisco Hernández.498 Igualmente, é nesse mesmo período que seus membros também promovem a primeira compilação de todos os escritos oficiais ou não referentes às descobertas e às conquistas americanas. E é ainda nesse período que o Consejo elege novas autoridades para governar o vice-reinado do Peru e da Nova Espanha com a finalidade de organizar melhor essas regiões e, com isso, obter mais dados sobre essas terras.

De todas essas medidas outorgadas para sistematizar a coleta de informações sobre as novas terras, talvez a mais inovadora seja a instauração, em 1571, do cargo de

Cronista y Cosmógrafo Mayor de los estados y reinos de las Indias, islãs y Tierra Firme del mar Oceáno.499 De acordo com as ordenanças de Juan de Ovando, o cosmógrafo cronista deveria trabalhar para obter a descrição de todas as cosias relativas às Índias, tais como:

fazer e ordenar as tábuas de cosmografia das Índias, assentando nelas por sua longitude, latitude e número de léguas, segundo a arte de geografia, as províncias, mares, ilhas, rios, montes e outros lugares que se hão de pôr em designo e pintura segundo as descrições gerais e particulares que daquelas partes lhes entregarem. De igual modo, para que as coisas naturais de Índias sejam sabidas e conhecidas, o Cronista Cosmógrafo de Índias deve recopilar e ir sempre recolhendo a história natural das ervas, plantas, animais, aves, peixes e outras coisas dignas de saber, que em províncias, ilhas, mares e rios das Índias houver. Também deve concluir e recopilar em livro todas as derrotas, navegações e viagens que há nestes reinos e partes das Índias, e nelas de umas partes à outras, segundo o que puder deduzir das orientações e relações que os pilotos e marinheiros que navegam as Índias trouxerem                                                                                                                

498 ÁLVAREZ PEREZ, Raquel. Las relaciones de Indias. In: MARTÍNEZ RUIZ, Enrique. (Dir.). Felipe II,

la ciencia y la técnica, p. 295.

499 Com a criação do cargo de cosmógrafo cronista de Índias, Felipe II promove, nas palavras de Ernest

Schäfer, “las primeras investigaciones historico-geográfico-estadísticas en las Indias”. SCHÄFER, Ernesto.

das viagens que fizerem, como temos mandado”.500

Também era encargo desse funcionário reunir todos os documentos relativos à América (crônicas, histórias, relações, cartas, ordenações régias, registros elaborados pelos vice- reinados, registros elaborados pelas ordens religiosas) que foram escritos ou fornecidos por diferentes figuras (conquistadores, soldados, religiosos, oficiais, nativos e historiadores) e ordenar as suas informações. Na função de cronista e de cosmógrafo, tinha como tarefa compilar as descrições naturais e as descrições cosmográficas do Novo Mundo para oferecer um registro exato dessas matérias tanto para o rei como para os próprios membros do Consejo de Indias.501 Juan López de Velasco, o primeiro a ser nomeado para o cargo, em 1571, deixou um desses registros ao escrever a Geografía y

descripción universal de las Indias,502 entre 1571 e 1574, em que conciliou todos esses temas. Assim refere a dedicatória da obra:

Por entender muito que importa que este Real Consejo tenha relação certa e particular das coisas das Índias para endereçar o bom Governo delas, copilei com a maior brevidade que pude desde o ano de setenta e um quando fui provido em meu ofício esta Geographía General de las Indias que à Vossa Majestade apresento. Na qual se encontrará relação cumprida quanto se pode haver o que são as Índias geralmente, e particular de cada terra e província descoberta e povoada com povos e outras coisas necessárias na matéria do governo.503

Com numerosas páginas, a Geografía y descripción... traz um relato geral sobre essas                                                                                                                

500 Ordenanzas del Consejo de Indias (1571). In: LÓPEZ PIÑERO, José María. Ciencia y técnica en la

sociedad española de los siglos XVI y XVII, p. 217.  

501 ELLIOTT, John H. O Velho Mundo e o Novo, p. 54.

502 A título de exemplo, pode-se citar outras obras produzidas por Juan López de Velasco: a Recopilación de las cosas provehidas hasta el fin de la visita de Juan de Ovando, em que descreve o trabalho

desempenhado ao lado de Ovando sobre as Índias e a legislação editada desde a conquista, e o tratado

Orthographía y pronunciación castellana, publicado, em 1582, e que foge mais dos temas comumente

estudados por Velasco. O que é bastante normal para a época se atentarmos para o fato de que Alonso de la Cruz, cosmógrafo da Casa de Contractación, além das obras sobre cosmografia e astronomia também escreveu, por exemplo, uma crónica sobre os reis católicos e Carlos V. E que Pedro de Medina, complementarmente, compôs não só trabalhos sobre a arte da navegação, mas ainda um Libro de la verdad

donde se contienen dozientos diálogos que entre la verdad y el hombre se tratan sobre la conversión del pecador e um Libro de grandezas y cosas memorables de España. Cf. BERTHE, Jean-Pierre. Juan López

de Velasco (Ca. 1530 – 1598). Cronista y Cosmógrafo Mayor del Consejo de Indias: su personalidade y su obra geográfica. Relaciones, nº 75, 1998, v. XIX, p. 144.

503 LÓPEZ DE VELASCO, Juan. Geografía y descripción universal de las Indias. Boletín de la Sociedad

regiões, como: os limites e términos das Índias, a suma do estado temporal e espiritual das Índias, a primeira povoação das Índias, o descobrimento das Índias, a qualidade das províncias, a salubridade das terras, as chuvas, os ventos, a fertilidade e os frutos da terra, as árvores, as ervas e as hortaliças, os grãos e as sementes, os animais, as aves e os peixes, as minas e os metais, os índios e seus hábitos, os mantimentos, as moradas, o governo, a religião e a conversão dos índios, os espanhóis que passaram pelas Índias, os que nasceram nas Índias, o governo das Índias, os mestiços, negros e mulatos, o governo espiritual e seus arcebispados e bispados, a inquisição e a Hacienda Real. A hidrografia, também, está presente nessa escrita com a descrição dos mares, das correntes, das viagens e navegações para as Índias e, por fim, há uma menção à divisão, à administração e às Audiências das províncias.

O trabalho desempenhado por Velasco durante os vinte anos em que esteve no cargo do Consejo de Indias teve continuidade com os outros nomes que se revezaram na cadeira de cosmógrafo cronista a partir de 1591. Nomes como Arias de Loyola, Pedro Ambrosio, Antonio de Herrera, Antonio de León Pinelo, Antonio de Solís y Rivadeneyra, Pedro Fernández del Pulgar, Luis de Salazar y Castro, entre muitos outros, trabalharam para reunir as informações seguras e ordenadas que provinham dos mais diferentes meios. Mas foi Antonio de Herrera,504 nomeado para o cargo, em 1596, quem se valeu do contato próximo com as principais fontes disponíveis nessa época (inclusive os tratados de cosmografia) e redigiu suas Décadas, obra que traz um panorama geral sobre a América.505 Para compor os quatro volumes escritos no prazo de dezenove anos, de 1596 a 1615, Herrera compilou os principais textos que julgou serem mais autorizados, isto é, textos produzidos por testemunhos daqueles que estiveram presentes ou que escreveram por demanda oficial, como o seu sucessor, Juan de Velasco. O resultado foi uma extensa descrição relativa às Índias ocidentais e aos feitos castelhanos realizados nessas partes                                                                                                                

504 Antonio de Herrera y Tordesillas foi um historiador espanhol e Cronista Mayor de Indias no governo de

Felipe II. Entre as suas obras estão a Descripción de las Indias occidentales, publicada, em 1601, e as

Decadas ou Historia general de los hechos de los castellanos en las Islas y Tierra Firme del mar Océano que llaman Indias Occidentales, uma das principais obras sobre esse tema, publicadas entre 1601 e 1615. 505 Segundo Mariano Cuesta Domingo, “el flamante cronista mayor desarrolló una inusitada actividad con

eficiencia; pidió ayuda en la corte y logró todo tipo de facilidades para recopilar documentación y libros publicados o manuscritos y recibió colaboración del Consejo para pagar a copistas y auxiliares”. CUESTA DOMINGO, Mariano. Los Cronistas oficiales de Indias. De López de Velasco a Céspedes del Castillo, p. 121.

que acabou se tornando, ao final, uma história universal sobre as novas possessões espanholas no Novo Mundo.

O projeto de obter um conjunto de dados mais completos e padronizados não se restringiu, todavia, aos escritos organizados pelos cronistas designados pelo Consejo de

Indias. A necessidade de informações mais precisas e de caráter oficial levou essa

instituição a formular um questionário interno com aproximadamente 200 perguntas direcionadas aos espanhóis – conquistadores, religiosos, capitães e servidores – que retornavam das novas terras. O documento, datado de 1571, apresentava uma série de interrogações sobre pontos que não estavam inteiramente explicados nos textos sobre as Índias mantidos nos registros ou arquivos reais. Complementarmente, continha questões mais específicas e que demandavam um conhecimento maior por parte dos funcionários administrativos que habitavam a América no período colonial.506 Tratou-se de um dos primeiros métodos de investigação adotados pela Coroa e serviu de modelo para outros documentos que vieram à tona posteriormente, como a Instrucción y memoria de las

relaciones que se han de hazer para la descripción de las Indias que su Majestad manda hacer para el buen gobierno y enoblecimiento delas,507 o documento mais conhecido das chamadas Relaciones de Indias que o Consejo enviou às autoridades locais na América para a coleta de dados. Elaborada, em 1577, a Instrucción era um questionário com 50 perguntas destinada, inicialmente, aos vice-reis e às audiências americanas e, seguidamente, distribuídas aos

povos de espanhóis e índios de sua jurisdição, e aos conselhos onde houvesse espanhóis e, onde não, aos curas se houvesse e, se não, aos religiosos, para que dentro de um breve término as respondam [...] e enviem as relações que fizessem, juntamente com estas memórias... E, nos povos e cidades onde os governadores ou corregedores e pessoas de governo residissem que houvesse relação deles ou encarreguem pessoas inteligentes das coisas da terra para fazer de acordo com as ditas memórias.508

                                                                                                               

506 ELLIOTT, John H. O Velho Mundo e o Novo, p. 52.

507 Os estudos iniciais sobre essas Relaciones formuladas no centro do Consejo de Indias foram realizados

pelo historiador Marcos Jimenez de la Espada em um estudo intitulado “Relaciones Geográficas de Indias-

Peru”, que aparece em Madrid, no século XIX.

508 Instrucción y memoria de las relaciones que se han de hazer para la descripción de las Indias que su

De acordo com essas orientações oficiais, ao receber o questionário, os órgãos administrativos da colônia deveriam repassá-lo aos governadores, corregedores e alcaides maiores509 para que estes consultassem os residentes espanhóis e obtivessem as informações desejadas. Os membros do Consejo de Índias, com isso, buscavam alcançar um maior número de testemunhos ou “pessoas inteligentes das coisas da terra” que respondessem às suas indagações. A Instrucción de 1577, aliás, tinha como alvo questionar certos grupos de espanhóis e de nativos à espera de respostas mais seguras sobre as possessões americanas, tanto que, se houvesse desconhecimento dos conteúdos interrogados, orientava que se deixasse “sem menção” e escrevesse somente “o que tiver de dizer”510 para não incorrer em erros ou enganos. A Instrucción, no entanto, também era uma forma de ordenar as notícias elaboradas sobre as Índias ao determinar quais as questões que deveriam ser formuladas, o que restringia o conteúdo abordado nesse documento, e quem forneceria as respostas esperadas, o que estabelecia os tipos de informantes que se considerava confiável.

Quanto às questões colocadas nesse questionário, vale destacar a pluralidade dos temas, a ausência de ordem das perguntas – que deveriam ser respondidas, segundo as orientações, separadamente e seguindo a numeração e a memória dos depoentes – e a insistência de alguns pontos que vez ou outra se repetiam. Em linhas gerais, as

Instrucciones511 demandavam: o nome de cada província, quem descobriu ou conquistou,

quais os traços físicos da terra, quais nativos que a habitavam, qual o perfil (físico, cultural, religioso) desses nativos, qual a língua ou as línguas faladas na província, qual o nome e sobrenome dos espanhóis que a dominavam. A respeito dos povos da América, solicitavam informações sobre a localização geográfica, a língua, a vida e o cotidiano desses povos antes da conquista espanhola, os seus ritos, os seus costumes (bons e maus)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

Visión de Nueva España a través de las Relaciones Geográficas del siglo XVI. In: Ciencia, vida y espacio

en Iberoamérica. PESET, José Luis. Madrid: CSIC, 1989, v. 1, p. 291-297.

509 VILAR, Sylvia. La trajectoire des curiosités espagnoles sur les Indes. Trois siècles “d’interrogatorios” et

“relaciones”. Mélanges de la Casa de Velázquez, Tome 6, 1970, p. 253.

510 ÁLVAREZ PELÁEZ, Raquel. Las relaciones de Indias. In: MARTÍNEZ RUÍZ, Enrique. Felipe II, la

ciencia y la técnica, p. 300.

511 Todas essas questões apresentadas na Instrucción de 1577 foram consultadas no trabalho “Las

Relaciones de Indias”, de Raquel Álvarez Peláez. Cf. ÁLVAREZ PELÁEZ, Raquel. Las relaciones de Indias. In: MARTÍNEZ RUÍZ, Enrique. Felipe II, la ciencia y la técnica, p. 300.