A Corte Interamericana de Direitos Humanos foi criada pelo Pacto de São José da Costa Rica ou Convenção Americana de Direitos Humanos, de 22/11/1969, sendo estabelecida como instituição jurídica autônoma. A Convenção define os direitos humanos que os Estados ratificantes comprometem-se internacionalmente a respeitar e dar garantias para que sejam respeitados. No Brasil, a Convenção Interamericana de Direitos Humanos foi ratificada em 25/09/1992 e promulgada internamente por meio do Decreto 678, de 06/11/1992. A Corte Interamericana teve a obrigatoriedade de sua competência reconhecida em 10/12/1998, sendo promulgada sob reserva de reciprocidade, em 08/11/2002, pelo Decreto 4.463.
5. Antes de solicitar medidas cautelares, a Comissão pedirá ao respectivo Estado informações relevantes, a menos que a urgência da situação justifique o outorgamento imediato das medidas.
6. A Comissão avaliará periodicamente a pertinência de manter a vigência das medidas cautelares outorgadas.
7. Em qualquer momento, o Estado poderá apresentar um pedido devidamente fundamentado a fim de que a Comissão faça cessar os efeitos do pedido de adoção de medidas cautelares. A Comissão solicitará observações aos beneficiários ou aos seus representantes antes de decidir sobre o pedido do Estado. A apresentação de tal pedido não suspenderá a vigência das medidas cautelares outorgadas.
8. A Comissão poderá requerer às partes interessadas informações relevantes sobre qualquer assunto relativo ao outorgamento, cumprimento e vigência das medidas cautelares. O descumprimento substancial dos beneficiários ou de seus representantes com estes requerimentos poderá ser considerado como causa para que a Comissão faça cessar o efeito do pedido ao Estado para adotar medidas cautelares. No que diz respeito às medidas cautelares de natureza coletiva, a Comissão poderá estabelecer outros mecanismos apropriados para seu seguimento e revisão periódica.
9. O outorgamento destas medidas e sua adoção pelo Estado não constituirá pré-julgamento sobre a violação dos direitos protegidos pela Convenção Americana e outros instrumentos aplicáveis.
Entre os 35 membros integrantes da OEA, 2414 fazem parte da Convenção Americana. Entretanto, dois países importantes do continente não firmaram compromisso com a Convenção, Estados Unidos e Canadá.
A Corte, criada pela Convenção Americana em 1969, começou a atuar em 1978, como instituição autônoma e não como órgão subordinado à OEA, uma vez que suas atividades são desempenhadas com independência e sua atuação alcança os Estados-partes da Convenção Americana que se submeteram a sua obrigatoriedade. A CorteIDH possui Estatuto e Regulamento, além de seguir os preceitos da Convenção Americana.
A Corte tem função consultiva (interpretação dos tratados internacionais aplicáveis aos Estados-membros da OEA) e função jurisdicional contenciosa (aplicação dos preceitos da Convenção Americana de Direitos Humanos). A competência contenciosa para avaliar os casos de violação dos direitos humanos, atua apenas no procedimento criado pela Convenção Americana, aplicável aos Estados que fazem parte da Convenção Americana.
O Regulamento da CIDH15, em seu art. 23, parág.1°, afirma que qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da OEA tem legitimidade ativa para protocolar petições a respeito de violações de direitos garantidos pela Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem. Entretanto, deverá assegurar-se o esgotamento de todos os recursos internos de proteção dos indivíduos no país que está sendo denunciado.
2.4.1 Trâmite na Corte Interamericana de Direitos Humanos
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Foi ratificada em janeiro de 2012, por 24 países: Argentina, Barbados, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dominica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
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Artigo 23. Apresentação de petições
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização pode apresentar à Comissão petições em seu próprio nome ou no de terceiras pessoas, sobre supostas violações dos direitos humanos reconhecidos, conforme o caso, na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, na Convenção Americana sobre Direitos Humanos “Pacto de San José da Costa Rica”, no Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais “Protocolo de San Salvador”, no Protocolo à Convenção Americana sobre Direitos Humanos Referente à Abolição da Pena de Morte, na Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura, na Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas, e na Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, em conformidade com as respectivas disposições e com as do Estatuto da Comissão e do presente Regulamento. O peticionário poderá designar, na própria petição ou em outro instrumento por escrito, um advogado ou outra pessoa para representá-lo perante a Comissão.
Na fase postulatória, o processo é instaurado na Corte depois que a petição é protocolada em sua Secretaria. A partir de então não pode ocorrer paralisação, suspensão ou interrupção em razão da inércia ou ausência das partes16.
O presidente da Corte será responsável pelo juízo de admissibilidade. O Secretário da Corte comunicará a apresentação da demanda, notificando o presidente e juízes da Corte, o Estado demandado, o denunciante original, a vítima ou familiares, além dos Estados signatários da Convenção Americana e o Secretário Geral da OEA. A data da notificação determinará a contagem do prazo para dos próximos atos processuais. Os Estados-partes e a Comissão deverão designar, respectivamente, agentes e delegados no prazo de um mês. No prazo de dois meses deverão ser apresentadas as exceções preliminares; a apresentação destas iniciará o prazo de trinta dias para a apresentação de contrarrazões.
Na fase probatória, o Estado acusado terá o prazo de quatro meses, contados da notificação, para apresentar a contestação escrita da demanda. Após a contestação as partes poderão solicitar apresentação de outros documentos.
Ao fim da etapa documental, terá início o procedimento oral em que os juízes poderão questionar quaisquer pessoas que se apresentem à Corte. Os delegados, agentes, e representantes das vítimas poderão indagar as testemunhas, os peritos e aqueles que a Corte decida ouvir (COELHO, 2007, p. 81), conforme limitações determinadas pelo Presidente da Corte.
As provas do processo devem constar da denúncia ou da contestação para serem aceitas; demais provas poderão ser aceitas em caso de força maior ou impedimento grave, desde que assegurada a ampla defesa.
Após essa etapa, os autos serão conclusos à Corte Interamericana, que sancionará a sentença por votação em privado. A decisão constitui-se de relatório que informará sobre o procedimento adotado e fatos ocorridos, conclusões das partes, fundamentação de direito e deliberação final.
2.5 Procedimentos de Responsabilização no Sistema Interamericano – Implementação