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A cultura empresarial e seus reflexos econômicos

Aula 3 - Tecnologia e inovação nas organizações

3.1 A cultura empresarial e seus reflexos econômicos

A produção de tecnologia e a atividade de patenteamento não ocorrem por mera modificação legislativa, como qualquer análise histórica pode demons-trar. Godoy (2009) afirma que depende de qualificação da mão de obra, es-trutura empresarial, intensidade da concorrência, etc. Um desses fatores é a cultura empresarial de cada país.

A cultura organizacional que facilita o desenvolvimento de processos inovati-vos é denominada na literatura como Cultura da Inovação. Dada a importân-cia crescente da inovação nos contextos empresariais e a busca por vantagens competitivas diferenciadas, uma cultura organizacional que facilite esses pro-cessos torna-se fator estratégico para que a empresa alcance seus objetivos (JAMROG & OVERHOLT, 2004).

Segundo Godoy (2009), alguns estudos empíricos mostraram que organiza-ções inovadoras possuem certas características culturais distintas das demais.

De forma geral, pode-se sintetizar que os resultados apontam para caracterís-ticas como:

Tabela 3: Características da cultura da inovação destacadas pela literatura.

Fonte: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2009000100012&lng=pt&nrm=i-so. Acesso em 15/11/2014.

Frente à diversidade de estudos sobre cultura organizacional, destaca-se que o conceito de cultura organizacional utilizado integra: valores, crenças e pres-supostos básicos inconscientes que são compartilhados por membros de uma organização, expressos através de normas, que podem ser observadas em ri-tuais, palavras e ações (SCHEIN, 2004). Segundo Godoy (2009), o conceito de inovação envolve: processo de criação e/ou transformação de novidade que pode ocorrer em produtos, serviços, métodos de produção, abertura para novos mercados, fontes de fornecimento e maneiras de se organizar. É a im-plementação exitosa de ideias criativas dentro de uma organização que vi-sam gerar benefícios para o indivíduo, o grupo, a organização ou a sociedade como um todo.

Segundo Costa (2009), as organizações modernas estão atuando fortemente na área da Inovação e do Intraempreendedorismo como fatores de diferencial competitivo para suas atividades, já que, em uma economia globalizada, a concorrência e a dificuldade de alcançar novos mercados são pontos críticos para o crescimento do negócio. Mercados que, há alguns anos, eram restritos para poucas empresas hoje sofrem a pressão de novos concorrentes.

Costa (2009) afirma que o intraempreendedorismo é o trabalho do empre-endedor interno às corporações, o que torna as pessoas intraempreempre-endedoras em agentes da inovação, motivando a inovação e a evolução constante das organizações. “O empreendedorismo é um processo pelo qual se fazem algo

novo (criativo) e algo diferente (inovador) com a finalidade de gerar riqueza para indivíduos e agregar valor para a sociedade” (GINA PALADINO, 2006).

A aplicação desses dois pontos de evolução nas organizações passa por etapas de mudanças da cultura organizacional e do perfil dos colaboradores. Mudan-ça na cultura organizacional, com a adoção de meios para a valorização da inovação no ambiente da empresa, e mudança do perfil dos colaboradores, com o incentivo e adoção do seu perfil empreendedor, criam um ambiente inovador e empreendedor. Para Schumpeter, produzir a inovação e princi-palmente liderar (garantir) a implementação dessas inovações nos processos produtivos eram o papel exercido por aqueles a que ele chamou, então, de em-preendedores (SHUMPETER, 1982). Essas mudanças serão os novos pilares para as organizações inovadoras e atualizadas.

“A empresa que se recusa a ser criativa, não aprimorando os seus produtos e sua estrutura, ou não estando atenta a novas descobertas desenvolvidas em outras partes do mundo, está fadada a ser superada rapidamente.”.

Fonte: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/576. Acesso em 17/11/2014.

Segundo Manas (2003), as motivações que conseguem mudar o estado de espírito de uma empresa são: a busca de novas oportunidades de mercados e negócios; desenvolvimento de capacitação tecnológica própria; elevação do padrão de qualidade de seus produtos ou serviços; racionalização e moderni-zação da sua produção; capacitação técnica e gerencial de seu pessoal espe-cializado e dos recursos humanos em geral. O autor também indica algumas barreiras burocráticas à cultura da inovação: o isolamento da alta administra-ção; a intolerância com os pesquisadores, aliada a incentivos inadequados; o horizonte de curto prazo; as práticas contábeis conservadoras; o racionalismo e a burocracia excessivos.

Segundo Schenatto (2002), o contexto organizacional está tipicamente defi-nido em termos de medidas descritivas: tamanho da firma; a centralização;

a formalização; a complexidade de sua estrutura gerencial; a qualidade dos recursos humanos; as relações informais entre empregados e as transações alcançadas (tomada de decisão e comunicação interna). O potencial com-petitivo de uma organização depende tão profundamente de seu tamanho e estrutura quanto da velocidade com que é capaz de se adaptar às mudanças ambientais e, preferencialmente, adiantar-se a elas, impondo tendências.

Para Fleury (1993), a inovação tecnológica que se explicita na adoção de um novo sistema implica mudanças culturais significativas, a fim de que os

no-vos valores sejam, realmente, incorporados à prática organizacional. A autora salienta que, em pesquisas recentes, constatou-se que empresas que adotaram novas estratégias produtivas e organizacionais desenvolveram uma cultura da qualidade, envolvendo não apenas novas relações com o mercado, com o cliente, mas também novas formas de interações internas. Por outro lado, Corral (1993), com base em estudos feitos com um grupo de empresas mexi-canas, conclui que a relação entre cultura e inovação é natural como o próprio desenvolvimento da cultura, afirmando que os trabalhadores necessitam con-viver com a inovação para assimilá-la, resultando em uma mudança cultural.

Nos dias atuais, a face empreendedora das pessoas é vista como uma qua-lidade de suma importância, não só para a vida pessoal mas também para o ambiente empresarial nos quais elas estão inseridas. Esse perfil é o propulsor de inovações nas organizações modernas, que já enxergaram esse diferencial empreendedor e o potencial das inovações para evoluirem os seus negócios.

Organizações tradicionais com uma administração fechada e não inovadora estão caminhando para um futuro incerto onde os mercados estarão em mu-danças contínuas e em evolução constante, abertos a novas ideias e altamente competitivos (COSTA, 2009).

Tabela 4: As diferentes acepções do termo empreendedor, em três paradigmas tecnológicos.

Fonte: ZEN, 2008.

Os perfis gestores serão os responsáveis pela transformação do perfil das or-ganizações e pela conquista de novas alternativas para um futuro no mercado globalizado e competitivo, estando sempre abertos à inovação e ao novo per-fil de funcionários empreendedores.

Segundo Costa (2009), no futuro, as empresas inovadoras, com seus profis-sionais intraempreendedores, estarão presentes no mercado e com uma força

a mais em relação a seus concorrentes, tornando-se elas competitivas e prepa-radas para atuarem nos mercados em evolução. E, além do mais, a economia mundial vive um período de valorização do conhecimento, com a inovação e o intraempreendedorismo tendendo a valorizar esse bem das organizações.