Pode-se perceber que a cultural local e regional perpassam as classes multisseriadas, entre o fato mencionado, ocorreu um relato emocionante de um evento por representantes sociais, que exemplificaram muito bem a interação da comunidade/escola. Com uma expressão nostálgica, foi relatado que uma das atividades realizadas pela escola com as famílias da comunidade alunos e professores, que consideram memorável, foi a plantação de árvores nas áreas principais do povoado e da escola. Foi importante pelo valor educativo para os alunos e para os moradores pela participação, que inclusive, entre tantas arvores plantadas há uma que se transformou em um marco da história de Campo Frio, pois uma Senhora já falecida que participou dessa atividade, sua arvore hoje é uma referência de respeito e cuidado para os moradores, para os alunos, para escola, por isso é apontada para os visitantes como “o pé de árvore da Dalva”.
Nesse contexto, constatamos um consenso entre todos os atores sociais que a escola contribui para uma educação exemplar na dimensão de valores e na construção de conhecimentos e aprendizagem dos alunos. Relatam ênfase que se percebe na participação dos eventos da igreja, pelo comportamento social e a boa alfabetização pelas leituras bem pronunciadas das crianças e pelos grupos de jovens, pois são exemplos de contribuições de valores da escola que "eles trazem da escola para igreja".
Para Vygotsky (2007), essa interação do sujeito e a sociedade é implacavelmente indissociável, bem como, o elo ao processo de trabalho na escola, pois oferece condições propícias para a associação entre pensamento e linguagem, pelo próprio estado da natureza humana que necessita dessa interação social para vivenciar novas experiências comportamentais e construir novos conhecimentos. Considerando os indicativos percebidos assentado na a interação social com vínculos positivos estabelecidos nas relações interpessoais, comunidade/escola/ família/professor/aluno/, mostra um avanço de rompimento com o processo de aprendizagem tradicional, apresentação distanciada do que acontece com a maioria das escolas; algo que caracteriza uma inovação.
Com referência à satisfação da comunidade com a escola do campo multisseriada, surge a controvérsia de que a "questão social da comunidade não permite levarem os filhos para escolas da sede e que a multisseriação dificulta a atuação do professor para uma aprendizagem uniforme em sala, e que essa proposta pedagógica também afeta o trabalho do profissional para o desenvolvimento de uma educação de qualidade. Entretanto, há um sentimento controverso envolto de admiração aos professores sobre a desenvoltura e atuação criativa, a paciência e o compromisso profissional com a educação das crianças da comunidade e que as contribuições da escola multisseriada no desenvolvimento das crianças, é visível na mudança do pensar e no agir, pois consideram uma aprendizagem que atende as necessidades também do bem viver na comunidade. Ressaltam ainda com veemência, que a escola, mesmo com sala multisseriada e as dificuldades enfrentadas, se acaso viesse a fechar, iria ser prejudicial, tanto para os filhos, como para a comunidade, pois além de ser a única mais perto da região, também apresenta resultados positivos na educação e na aprendizagem das crianças.
Partindo dessas percepções positivas, os ensinamentos de valores para transformação do pensamento e atitudes do bem viver em sociedade, reflete a aprendizagem de uma prática pedagógica focada na compreensão e formação de um ser cidadão com competência humana, responsável e ético, que acredito ser uma configuração de uma “escola nova” no sentido de fazer com que o aluno promova o desenvolvimento de sua autonomia situado nos tempos atuais da sociedade que exige um sujeito com essa formação.
Perante as constatações, uma vez demonstrado a coparticipação, respeito à professora, a prática pedagógica, e um grande valor que dão a esse patrimônio público educacional, à escola do campo da comunidade de Campo Frio, tem sim, uma prática pedagógica diferenciada com uma aprendizagem de qualidade, mesmo com a falta de material didático, a fraca merenda escolar, o espaço sem estrutura física protetiva externa de toda área escolar e da necessidade de ampliação ou reforma e manutenção urgente.
Foi percebido nos relatos dos atores representantes da comunidade, menções de destaque ao incentivo do estudo às crianças e jovens da comunidade, pois o sentimento valorização do conhecimento ficou muito evidente ao afirmarem que é o único meio de atingir os objetivos de transformação social que só acontece através da escola. A interação social efetiva de colaboração através de diálogo motivacional reflexivo das lideranças comunitárias/aluno favorece aportes de experiências para novos conhecimentos na condição
de par mais apto; no que tange a coparticipação social motivadora dos representantes da comunidade (pais, alunos, professores, funcionários) no processo de aprendizagem, é um indicativo de ação inovadora dentro dos padrões atuais da prática pedagógica da escola isolada do campo pública municipal. Pois nessas escolas isoladas são comuns encontrar professores sistemáticos que entende a interação social participativa da comunidade, como invasivas ou impostoras. Pois ainda, permanece a cultura que o professor é uma autoridade do saber e que a comunidade nada tem a contribuir.
Com relação as manifestações cultural/religiosa/agrícola nas comunidades de Baixa do Umbuzeiro com o reisado e Campo Frio Campo Frio, com a festividade religiosa da padroeira, Senhora Santana. Nesse contexto, as vivências culturais juninas, são realizadas coletivamente, com todas as escolas isoladas de sua região integrada, no caso da escola de Campo Frio, é realizada no povoado central de Caraibinha, que se forma um arraial numa área de lazer do colégio para uma interação social das famílias das comunidades escolares que assistem as apresentações dos filhos/alunos de casamento matuto, quadrilhas e outras danças nordestinas ao som do sanfoneiro tocando forrós, xotes, xaxados e baiões; num ambiente decorado e animado com palhoças decoradas com bandeirolas multicoloridas com vendas de comidas típicas, jogos, fogos de artifícios e composta do maior símbolo junino, a fogueiras. É nessa interação escolar e comunitária que a festa cultural de São João tem o objetivo de manter a tradição cultural, aproximação das relações sociais e fortalecimento de pertenças entre as comunidades.
Sobre a cultural agrícola dessas comunidades, antigamente cultura agrícola era cultivada na região, a mandioca, mas hoje quase ninguém sobrevive dessa agricultura, basicamente a atividade econômica de subsistência dessa comunidade, é a criação de animais, (caprinos, ovinos, suínos etc.) ou trabalhando em empresa pública (prefeitura) ou privada e outrem que são obrigados a migrarem para outros Estados quando não consegue trabalhar em seu próprio município ou Estado. É importante ressaltar, que os pais se recusaram a participar das entrevistas porque existe ainda um conceito cultural no pensamento do homem do campo de que educação de casa e da escola, é de responsabilidade da mãe e que a responsabilidade dos pais, é dar o "sustento" familiar.
Para compreender a percepção dos alunos sobre o ambiente escolar como: sala de aula, escola ideal e como percebe sua comunidade, foi necessário a aplicação do instrumento mapa mental adequado para idade mental e cognitiva dos alunos nos anos iniciais da escola de
Campo Frio. Pois, permitiu que os alunos exteriorizassem seus sentimentos de desejos e experiências difíceis de serem verbalizados e que contribuíram na captação significativa das representações dos envolvidos no processo desse estudo.