O sucesso é um fator essencial para o desenvolvimento do atleta e também para o seu marketing pessoal, somente com o sucesso que o atleta passa a ser reconhecido, passa a chamar atenção do fã, passa a criar um vinculo com a mídia e a ser acompanhado.
Mas com o sucesso há o risco de o atleta se tornar míope quanto a sua relação com o seu ambiente de trabalho e o exterior, ele tende a achar que é maior que tudo e que todos, principalmente se esse atleta não tiver um acompanhamento em marketing.
Controlar esse impulso humano, o de ser egocêntrico e se achar melhor que todos, é também uma função do profissional de marketing pessoal esportivo. Cabe a ele evitar que o sucesso cegue o atleta e o faça ter atitudes que não condizem com o padrão de atitudes pertinentes a uma celebridade.
Outra coisa que é de extrema dificuldade por parte dos atletas e lhe dar com o seu ciclo de vida, assim como o ciclo de vida do produto, marca ou organização o atleta também tem o seu. Ele esta sujeito a curvas no mercado.
Os atletas pela ação que o tempo incide sobre as suas condições físicas estão mais sujeitos a esse ciclo de vida, pois precisam dessa condição para desempenhar bem suas funções.
“Invariavelmente, os atletas que precisam de condição física têm data-limite para encerrar suas carreiras, pelo menos da forma como alcançaram visibilidade. O ciclo de vida naquela modalidade que exige condição física terá data para ser encerrado e, se não for planejada a migração, do declínio passará direto para o desaparecimento. Planejamento aqui é fundamental para fazer a migração no tempo certo.” (CARDIA, 2004, p.208)
Todos os atletas passam pelas fases do ciclo de vida de uma marca, a introdução, o crescimento, a maturidade e o declínio. Utilizando o futebol como um exemplo para ilustrar esse pensamento, o jogador de futebol tem sua introdução quando procura ainda pequeno escolinhas e as divisões de base dos clubes, muitas vezes nesse momento de introdução os jogadores mirins têm o investimento dos seus pais para ajudá-los com passagens de ônibus, pagando a escolinha, material, etc. Já na fase do crescimento, quando eles surgem no cenário profissional, geralmente entre as idades de dezesseis a vinte e cinco anos, eles tem sua ascensão profissional e caso esse jogador seja bem lapidado em todos os sentidos pode ter essa fase de crescimento uma curva acentuada para cima. A fase de maturidade é quando o jogador se encontra já estabilizado no esporte, geralmente essa fase vai dos vinte e seis anos até os trinta e dois, salvo exceções e o declínio que geralmente ocorre no final da carreira.
Hoje em dia com as altas tecnologias aplicadas na fisiologia dos atletas cada vez mais esse ciclo de vida útil dos atletas vai se prolongando, há também o processo de recolocamento desse atleta no final de sua carreira de atleta, seja como técnico, como comentarista do esporte em que se dedicou boa parte da sua vida, e há os que caem no esquecimento.
Há que se salientar também que assim com produtos, marcas e organizações a curva do gráfico do ciclo de vida de um atleta também tem casos em que não seguem uma regra, em que após a maturidade pode haver um crescimento mesmo que pequeno, mas o que não tem como mudar é que o atleta tem ciclo de vida num período razoavelmente curto.
Irei demonstrar um case de uma atleta que tive o planejamento de sua carreira acompanhada por profissionais de marketing.
Ø Maria Sharapova: Saiu da Sibéria quando criança com destino ao Estados Unidos da America e na Florida onde passou a morar foi inicialmente rejeitada pela exclusiva academia de tênis Nick Bollettieri, que a considerou menina demais para suportar os rigores do treinamento. Ficou dois anos se empenhando, financiada pelos pais, acabou ganhando um patrocínio para treinar nas quadras de Bollettieri, ficando então aos cuidados os melhores preceptores de tênis do mundo.
Com apenas 11 anos de idade ela passou a ser patrocinada pela IMG. Essa relação revelou-se uma clara estratégia de desenvolvimento, um patrocínio com a Nike proporcionou a ela os meios para custear os instrumentos necessários ao aperfeiçoamento do seu talento esportivo. Foram rejeitados contratos de patrocínios pelo empresário e o pai dela, com o argumento de que o objetivo maior era aprimorar paulatinamente as qualidades de Maria e desenvolver em paralelo seu potencial como atração comercial. Max Eisenbud, seu agente da IMG, garante: “O dinheiro nunca foi nossa maior preocupação. Sabíamos, todos, que algo bem superior a isso iria ocorrer, e precisávamos também agir, todos, de acordo com essa convicção”. Dinheiro foi sim preocupação, especialmente do ponto de vista da IMG, que investiu cerca de meio milhão de dólares com o aperfeiçoamento de Sharapova, apostando sempre na possibilidade de um retorno a longo prazo.
Com isso, após esse momento veio à compensação de tanto esforço, com o título obtido por Sharapova em Wimbledon, em 2004. A marca esportiva que emergiu nessa vitória foi a de uma tenista longilínea, atraente, não muito diferente em atrativos físicos da então badalada Anna Kournikova. A atividade comercial que se seguiu, contudo, colocou Sharapova muito mais perto de Tiger Woods que da tenista russa emigrada. Após um ano dessa vitória, Sharapova já havia assinado dez contratos de patrocínio, com receitas anuais estimadas entre 15 e 20 milhões de dólares. Sharapova, com apenas uma vitória em torneio Grand Slam, transformou-se em marca de peso, gerando mais receitas de patrocínio que qualquer outra tenista de ponta, como Lindsey Davenport (três vitórias em Grand Slam), Justine Hennin-Hardenne (quatro Grand Slams), ou mesmo que qualquer outra mulher esportista. Sharapova viu-se transformada em marca, combinando a beleza e a história de uma estrela do cinema com a competitividade e a concentração da atleta profissional. Ela passou a figurar em capas de revistas, a estrelar comerciais de TV para seus muitos clientes, e a ser seguida incansavelmente pelos paparazzi, como tantas outras celebridades.
CONLUSÃO
O atleta pode ser considerado uma marca muito valiosa e como tal precisa ter uma estratégia organizada para que não se perca durante sua carreira profissional.
Ser um atleta de alto rendimento requer além de equilíbrio físico e psicológico um acompanhamento mercadológico da carreira do atleta de alto rendimento. É fácil o atleta se perder durante a sua ascensão profissional, o sucesso é muito difícil de ser gerido principalmente por pessoas que não tem conhecimento sobre o mercado que os envolve.
Há muitos exemplos de atletas que não tem o equilíbrio necessário para se comunicar com seu público, deixam transparecer falhas de personalidade e caráter que o prejudicam, pessoalmente e profissionalmente, eles acabam desconectando o fundamento Etos, muito importante para seu sucesso e a manutenção dele após o seu ápice.
Inserir técnicas de marketing na carreira do atleta é fundamental. Técnicas como segmentação de mercado, promoção e ciclo de vida do produto são técnicas importantíssimas para se traçar um planejamento. Tão importante quanto conhecer os conceitos fundamentais de marketing, produto, demanda, necessidade, desejo, valor, satisfação e qualidade.
A presença de um profissional de marketing desde o inicio da carreira de um atleta é tão imprescindível que pode transformar o atleta que poderia ser fadado ao anonimato, em um ícone para milhares de fãs. A esse profissional cabe também saber como utilizar a principal arma para divulgação do esporte, a mídia que espontaneamente divulga os esportistas, saber utilizá-la requer compreensão deutilizá-la tanto do profissional de marketing quanto principalmente do atleta.
Os fãs vivem de heróis e atletas por muitas vezes fazem esse papel, saber quem são esses fãs e como agradá-los também é uma tarefa difícil e requer um acompanhamento profissional, pois esta acima dos conhecimentos da maioria dos atletas. Ter em mente os fundamentos de conexão com os fãs é saber como eles se comportam e como o atleta pode atingi-los e essa conexão requer cuidado, pois por envolver paixão pode mudar facilmente.
Outra atribuição de marketing indispensável para o atleta é como saber se comunicar, como se aproveitar das mídias disponíveis para melhorar a conexão com os fãs. Hoje em dia são vários os canais de divulgação para encurtar a distancia do atleta com seu fã, televisão, rádio, revistas, jornais e internet. Caso o atleta saiba utilizar bem esses meios ele poderá até que espontaneamente criar um vínculo tão grande com seus clientes que o tornará ainda mais idolatrado.
É tão importante quanto delicado essa relação da conexão com os fãs, caso o atleta tenha um deslize de conduta, um arranhão sequer, pode simplesmente ficar marcado por essa sua atitude e ter um revés que pode ser até impossível de reverter. Hoje em dia com a velocidade e facilidade dessa comunicação cada vez mais os atletas precisam cuidar do seu marketing pessoal e ter pessoas responsáveis para que não cometam erros.
Por tanto um atleta que queira ser reconhecido e se destacar no mundo dos esportes precisa de um acompanhamento de marketing, precisa ter as noções do marketing pessoal e aliado a isso um profissional experiente que o possa orientar durante toda a sua carreira e até após o término dela. É de suma importância o marketing pessoal do atleta desde o inicio da sua carreira, para que ele colha os frutos no futuro. Um atleta que tenha sido bem reconhecido durante a sua carreira, que tenha um marketing pessoal bem feito, poderá sempre desfrutar dessa reputação, durante sua carreira e após.
Esse trabalho serviu para mostrar que o esportista de sucesso é tão importante para o esporte que precisa sim ser visto com tanto cuidado e carinho, precisa cuidar de sua imagem, pois é um dos principais conectores do esporte com o público. Ser um ídolo de milhares de pessoas requer uma responsabilidade muito grande e uma proteção para a imagem do mesmo.
BIBLIOGRAFIA
KOTLER, Philip. Administração em Marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2000.
KOTLER, Philip. Marketing de A a Z. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda. 2003.
REIN, Irving, KOTLER, Philip e SHIELDS, Ben. Marketing Esportivo – A Reinvenção do Esprote na Busca de Torcedores. Porto Alegre : Bookman, 2008.
CARDIA, Wesley. Marketing e Patrocínio Esportivo. Porto Alegre: Bookman, 2004.
BORDIN, Sady. Marketing Pessoal – Cem Dicas Para Valorizar a Sua Imagem. Rio de Janeiro: Editora Record, 2009.
RAMALHO, Jussier. Você é Sua Melhor Marca. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.