DECADENTE
Querido e querida, como sabemos, a partir do final do século XVII, Portugal entrou em crise e passou de uma potência mercantilista a reino dependente dos acordos estabelecidos com a Inglaterra, potência marítimo-mercantil e manufatureira. Isso era um sinal de novos tempos: o marítimo-mercantilismo estava decadente e a elite econômica procurava novas formas de produzir riqueza.
Como parte dessa crise do mercantilismo estava o declínio da atividade açucareira na colônia da América Portuguesa. Por isso, a busca de novas riquezas coloniais foi uma característica desse período. Era preciso salvar metrópole!
No entanto, se liga: Portugal, e mesmo os colonos continuavam pensando, refletindo e decidindo conforme as velhas práticas mercantilistas. Assim, essa busca por riquezas significava encontrar ouro, ou intensificar as atividades agropecuárias e extrativistas já existentes.
Contudo, a revolução industrial estava sendo gestava no útero inglês. O capital comercial, aos poucos, cedia espaço para o capital industrial e o desenvolvimento da maquinofatura. Era preciso buscar investimento monetário e intelectual para criar algo realmente novo!
É nessa conjuntura internacional que o ouro é descoberto e a atividade mineradora é desenvolvida no Brasil.
Articula comigo!
Uma das coisas mais importantes para sabermos, nesse momento, é que o ouro brasileiro foi transferido para a Inglaterra por meio dos acordos que a metrópole portuguesa tinha estabelecido com os ingleses, entre eles o Tratado de Methuen. A concentração de capital na ilha britânica foi fundamental para, assim, investir em pesquisas, inventos e experimentos que deram origem à Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII. Nesse sentido, o Brasil havia sido uma peça chave para transformar Portugal em uma potência mercantilista e, agora, contribuía (ainda que indiretamente) para que a Inglaterra se transformasse na maior “fábrica do mundo”.
Dito isso, podemos seguir para entender a atividade aurífera na colônia durante o século XVIII.
10.1 – A civilização do Ouro
A descoberta do ouro nas Minas Gerais, como vimos no início dessa aula, foi fruto da atividade dos bandeirantes paulistas no final do século XVII. Durante todo o século XVIII, a economia colonial esteve voltada para esse produto.
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94/169 Ao tratar sobre o desenvolvimento da pecuária no Sul e no Nordeste, mencionamos que atividade mineradora foi um divisor de águas na economia do Brasil porque alterou profundamente as demais atividades já existentes na colônia, bem como impulsionou o desenvolvimento de outras.
Assim, se há uma marca na atividade da exploração do ouro, no século XVIII, esta foi ter promovido as condições necessárias para a ampliação e diversificação das atividades econômicas, bem como transformações na vida social e política as quais deram espaço para novas formas de pensar, sentir, viver e produzir cultura.
Por isso, a exemplo do que estudamos em relação à economia açucareira, podemos falar da formação de uma “civilização do ouro” – produtora de valores, costumes e ideais. Isso esteve relacionado não apenas com o ouro em si, mas com o modo como o ouro foi extraído.
Mas como assim, profe? Era diferente o jeito brasileiro de extrair o ouro da terra?
Pois é, em um sistema de produção, na maioria das vezes, o modo como se produz algo importa mais do que aquilo que se produz. Preste muita atenção na explicação abaixo para você entender o que eu estou explicando, ok!
Instrumentos de extração, fundição, aferição e transporte do ouro. [Fonte: Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro/Foto:
Rômulo Fialdini
O ouro encontrado no Brasil era o de aluvião, depositados superficialmente nas encostas e barrancos, diferentemente do que ocorria na américa espanhola onde as formações geológicas exigiam grandes obras para explorá-lo.
O ouro de aluvião era facilmente explorado: poucas ferramentas, prato de madeira ou estanho e peneiras. Não precisava de muita gente, até mesmo um único homem conseguia ter algum sucesso e se transformar em um minerador.
Assim, ao contrário do complexo engenho de açúcar, a mineração do ouro no Brasil poderia ser uma atividade mais
“democrática” e oportuna para a distribuição de riquezas para quem quisesse trabalhar muito!
Mas, calma, não se anima muito em querer votar no tempo e virar um minerador
Aí entrou o papel da Coroa que, se achando dona de tudo o que os olhos conseguissem alcançar, promoveu uma administração supercentralizada, taxativa e altamente fiscalizatória. Além, é claro, da própria existência da escravidão que, em sim, é um impeditivo para que qualquer meritocracia funcione bem.
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95/169 Os historiadores afirmam que a sociedade mineradora se desenvolveu de maneira mais aberta, mais dinâmica e com maior mobilidade social em comparação com a sociedade açucareira.
A região foi intensamente ocupada por muitas pessoas de várias regiões do Brasil e de outros países, especialmente de Portugal. Há dados que demonstram uma explosão demográfica no Brasil. Veja os dados.
Além disso, alguns dados da época sobre a população brasileira, demonstram que houve um alargamento da faixa de pessoas livres e a proporção entre estas e as escravizadas passou de 63% para 36%, aproximadamente.
Podemos sugerir, inclusive, que uma parte importante dos trabalhos realizados na região mineradora era desenvolvido por mão de obra livre. Isso significa que homens escravizados conseguiram liberdade? Não necessariamente, apesar de que vários relatos e documentos de época demonstram que houve muito mais alforrias nessa região do que na região Nordeste, por exemplo.
O que podemos afirmar, com certeza, é que a região das minas se tornou um polo de atração populacional e que uma parte importante das pessoas desenvolvia trabalhos livres.
Sérgio Buarque de Holanda afirma que apenas 1/3 da população estava envolvida com a atividade mineradora, já as demais realizavam diversas outras funções.
0 500.000 1.000.000 1.500.000 2.000.000 2.500.000 3.000.000 3.500.000
População
1700 1800
Relação trabalho livre e escravo no total da população
População Total Escravizados
Crescimento populacional
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96/169 Assim, no início, as pessoas chegavam para realizar atividades ligadas diretamente à mineração. Contudo, com o tempo, foram desenvolvidas outras ocupações ligadas ao abastecimento e manutenção da região, que virou um verdadeiro centro de consumo.
De fato, podemos inferir que houve uma diversificação de atividades profissionais, como por exemplo:
• profissões liberais (como advocacia, medicina, dentista, contador);
• atividade financeira, comércio (se multiplicavam as mercearias, mercadinhos, docerias, tabernas);
• serviços (como barbearia, carpintaria, alfaiataria);
• funcionários públicos e burocratas;
• Manufaturas e artesanatos (mestres de ofício).
Essa estrutura social e de trabalho teve impactos importantes nas atividades sociais e econômicas.
Quero dizer que, com mais pessoas e mais trabalho livre, ocorreu a formação de um mercado consumidor diversificado. E se há mercado consumidor, também há comércio interno.
Olha o esqueminha:
Nós falamos desse processo quando estudamos a pecuária. Vimos que as tropas de muares, que vinham do Sul, paravam em São Paulo e seguiam para as Minas Gerais. Como havia muita procura por produtos, o desenvolvimento do comércio foi significativo.
Documentos de época nos informam que nessa região das Minas Gerais chegavam produtos regionais e importados.
Nesse sentido, a urbanização foi outra característica das Minas Gerais. A população e os órgãos do governo tendiam a se concentrar onde estava o ouro, muito próximo das minas. Nesse espaço se desenvolveram as demais atividades econômicas que acabamos de estudar. Assim, a urbanização se tornou um elemento inerente à mineração.
Sem grandes elaborações políticas, registre que: nesse novo cenário germinavam as sementes de um ideário de unidade nacional, que se construiria ao longo dos séculos seguintes, especialmente depois da Inconfidência Mineira, de 1789.
Vamos esquematizar as principais características da sociedade mineradora discutidas até aqui:
Aumento populacional
Mais trabalho
livre
Mercado consumidor
interno
Comércio Interno
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10.2 – A administração da região das minas
Logo que foram descobertas as primeiras jazidas de ouro, a Coroa decretou um Regimento da Região das Minas Gerais. Tratava-se de um regimento que criava cargos, funções e objetivos a serem seguidos pelos órgãos da coroa portuguesa. O conjunto desses órgãos ficaram conhecidos como Intendência Geral das
Minas.
Ressalto que a Intendência era independente de qualquer outra autoridade de colônia, inclusive do Governado Geral. Assim, concentrava os poderes administrativos, judiciais, fiscais e policiais. Vejamos nos esquemas os cargos e as funções:
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10.3 – O Sistema de Impostos
O sistema de imposto era relativamente simples. Ao longo do tempo, tornou-se extremamente abusivo. Mas não esquecemos: o objetivo da Metrópole era explorar a colônia, transferir riquezas para o seu próprio território e sua elite. Portanto, se o custo disso era destruir o território e a população, paciência... a mão pesava com impostos e com violência.
O imposto estabelecido para a produção aurífera era de 20% de toda a produção. Conhecemos esse imposto como “o quinto”.
Assim, a coroa logo encontrou uma solução: transformar o ouro em pó em barras de ouro com a “logomarca”
da Coroa. Sim, querido e querida, é isso mesmo. Para isso, em 1725, criaram as Casas de Fundição.
Nas Casas de Fundição, o ouro em pó era transformado em barra. Nesse processo, já se descontavam os 20% do imposto. Nessas casas, o minerador entregava seu ouro em pó o qual era fundido e transformado em barras. Depois de retirado os 20%, o restante era devolvido ao proprietário. Mas agora em barras quintadas, ou seja, nessa barra tinha uma marca, uma espécie de selo real que garantia a legitimidade e legalidade do produto. Esse era o “ouro quintado”.
Ao mesmo tempo, foram proibidas a circulação e a exportação do ouro em pó e de qualquer barra sem o selo do quintado real. Com misso, a Coroa julgava que seriam mais fáceis e eficientes a fiscalização e a cobrança de impostos, bem como o constrangimento à sonegação.
Em 1750, a cobrança de impostos tornou-se mais intensa. Exigiu-se o pagamento de uma cota mínima de 100 arroubas de ouro, ou, 1,5kg de ouro!!!!! Só para vocês terem ideia, a cotação do ouro em abril de 2019 foi de, em média, R$159,00 o grama de ouro. Faz as contas, aí: 159,00 X 1.500 gramas. Ou seja, o cara tinha que pagar, no mínimo, R$238.000,00 de impostos!!!!!
E se a pessoa não tivesse atingido a produção necessária para dar tudo isso de imposto, ou se isso fosse muito mais que os 20%, Profe?
Cobrava-se do mesmo jeito e as pessoas contraiam uma dívida. Isso aconteceu ano após ano porque, a partir da segunda metade do século XVIII, a produção aurífera entrou em declínio. Em geral, a maioria dos pequenos e médios mineradores não conseguia arcar com a cota mínima de 100 arroubas de ouro. Observe no gráfico abaixo a queda da produção do ouro.
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Como o ouro é um recurso finito, a relação desse gráfico é simples: 1- extração sem limites de ouro; 2- auge e estagnação da produção; 3 – declínio. Porém, apesar de a quantidade de ouro declinar, a Coroa continuava com as mesmas necessidades financeiras, digo de privilégios.
Mas o governo português não se importava com a diminuição da produção. Na verdade, ele dizia que a queda da produção aurífera era devido ao contrabando e não ao declínio da produção. Conveniente para a metrópole, né? Diante da necessidade de manter as receitas da corte portuguesa, em 1765, a Coroa mandou aplicar a derrama, isto é, a cobrança de todos os impostos atrasados!! Assim, os funcionários da Intendência podiam expropriar tudo o que o minerador tinha até chegar ao valor de 100 arroubas de ouro.
Muitas pessoas perderam dinheiro, terra, gado, escravos, casa... tudo! Qualquer coisa!
Há muitos documentos de época demonstrando que a derrama foi executada com muita violência e humilhação.
Evidentemente isso causou muitos conflitos entre as autoridades das Intendências e a população mineradora, como foram os casos da Revolta de Filipe dos Santos e da conhecida Inconfidência Mineira – as quais estudaremos na aula sobre independência do Brasil.
Pega o Bizu do esquema de controle, fiscalização e cobrança de impostos da atividade mineradora:
27 Atlas Histórico do Brasil. FGV/CPDOC. Disponível em: https://atlas.fgv.br/marcos/descoberta-do-ouro/mapas/graficos-producao-de-ouro-e-populacao-mineira-no-seculo-18. Acessado em 12-04-2019.
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10.4 – Consequências da exploração do ouro
Ao longo da aula falamos algumas consequências da mineração. Nessa seção vamos sintetizar o que já falamos e acrescer alguns outros pontos relevantes que podem cair na sua prova.
1- Transferência do eixo político-econômico para o Sudeste. Em 1763 a capital da colônia passou a ser o Rio de Janeiro, obra da administração do Marques de Pombal em Portugal. Lembrando que o porto carioca era o mais próximo das regiões das Minas.
2- A historiografia afirma que o Brasil ainda não existia como um conjunto econômico integrado até o século XVIII. Mas, com a mineração, estabeleceu-se uma ligação econômica entre as regiões que desenvolviam as principais atividades econômicas da colônia:
➢ O complexo pecuário-açucareiro, do Nordeste
➢ A área de pecuária gaúcha, do Sul
➢ A região de atividade extrativista, do Norte
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101/169 3- A população cresceu imensamente, mas a economia não, embora tenha se diversificado. Veja abaixo
a situação do crescimento populacional e da decadência econômica.
4- Revoltas coloniais. As questões em torno da exploração do ouro intensificaram a oposição de interesses entre colonos e o governo português, como veremos na próxima aula de História do Brasil.
(UFPE 2007)
Marque Verdadeiro ou Falso.
A economia colonial brasileira sofreu instabilidades, com momento de prejuízos econômicos significativos. Porpem, no século XVIII, com a exploração do ouro das Minas Gerais, Portugal conseguiu:
( ) recuperar parte dos seus prejuízos, sem, no entanto, se tornar uma grande potência.
( ) expandir a oucpação da colônia, movimentando a economia para além da região de Minas.
( ) tornar-se uma potência econômica, aumentando seu poderio militar e político.
( ) diminuir o número de escravos na colônia, incentivando o trabalho assalariado.
( ) evitar a existência de rebeliões marcante contra a metrópole.
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Comentários
Temos visto que a economia portuguese entrou em um período de instabilidade. Dessa forma, Portugal passou a depender das riquezas da colônia. A descoberta do ouro nas Minas Gerais voltou a enriquecer a Metrópole. Contudo, passado quase um século, iniciou-se a escassez desse recurso a ponto de um nova instabilidade atingir Portugal. Considearndo esses pressupostos, as respostas dos itens são:
V – de fato, o ouro ajudou a recuperar a economia portuguesa, mas parte da riqueza foi para os cofres da Inglaterra;
V – a economia do ouro na Minas contribuiu para dinamizar outras regiões a ponto de ampliar trocas comerciais e, portanto, o mercado interno;
F – Portugal não se tornou uma potencia econômia e militar, principalmente por conta da relaçao de dependência da Inglaterra;
F – Não houve a diminuiçaõ do número de escravos na colônia. O trabalho livre, por outro lado, aumentou. Agora, repare que trabalho assalariado é uma coisa e trabalho livre é outra.
F – Nas Minas Gerais duas grandes revoltas podem ser lembradas para justificar este item como falso: a Revolta de Felipe dos Santos e Inconfidência Mineira.
10.5 – Arte e Cultura do Ouro: o Barroco
Entre as principais consequências da exploração do ouro, no Brasil, estão o desenvolvimento da arte barroca. Guarda no seu coração: pensou em arte colonial pensou BARROCO!
Esse estilo literário teve origem na Itália, no século XVII, mas não demorou para se espalhar pela Europa e ser trazido à América pelos colonizadores portugueses e espanhóis, especialmente por meio do trabalho dos missionários religiosos, os quais foram os principais mecenas de artistas brasileiros.
Se relembrarmos das aulas anteriores, chegamos à conclusão de que o barroco se desenvolveu no momento da Reforma Protestante e das lutas religiosas na Europa. Nesse contexto, a Igreja Católica usou os artistas e sua arte barroca para garantir a continuidade da sua legitimidade frente à sociedade, como parte das ações da Contrarreforma religiosa proposta no Concílio de Trento.
Na Europa, particularmente na Itália, Miguelangelo é, segundo os estudiosos da história da arte, o principal precursor desse estilo no qual a emoção se sobrepõe à razão. Quebra-se o equilíbrio entre razão e emoção que predominou na arte renascentista do século XVI.
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103/169 O homem barroco compreende a natureza como infinita em sua diversidade e dinamismo e para expressar tal sentimento utiliza recursos como contrastes abruptos de luz e sombra, manchas difusas de cores, passagens súbitas entre primeiro e segundo planos, diagonais impetuosas, ausência de simetria, entre outros.28
Justamente por isso, no Brasil, o desenvolvimento do barroco está associado ao tema e às emoções religiosas. Contudo, o que permitiu o desabrochar dessa arte no território colonial foi a riqueza promovida pela produção aurífera e, como falamos, a ação investidora dos clérigos.
Nas regiões enriquecidas pelo ouro se desenvolveram ricas igrejas com entalhamento em ouro, inclusive.
A riqueza se expressava no entalhamento detalhado, na combinação entre arquitetura, pintura e escultura.
A matéria-prima era a madeira, a pedra-sabão e até mesmo o ouro. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco viveram o melhor desse esplendor.
Justamente por isso, no Brasil, o desenvolvimento do barroco está associado ao tema e às emoções religiosas. Contudo, o que permitiu o desabrochar dessa arte no território colonial foi a riqueza promovida pela produção aurífera.
Nas regiões enriquecidas pelo ouro se desenvolveram ricas igrejas com entalhamento em ouro, inclusive.
A riqueza se expressava no entalhamento detalhado, na combinação entre arquitetura, pintura e escultura.
A matéria-prima era a madeira, a pedra-sabão e até mesmo o ouro. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco viveram o melhor desse esplendor.
Mas o barroco apareceu também nas regiões mais empobrecidas da colônia, como em São Paulo. Nesses locais, o barroco se expressou com mais simplicidade, menos entalhamento e o uso de barro.
Com certeza, o barroco mineiro é a expressão mais profunda desse estilo no Brasil. No campo das artes plásticas deu espaço para o surgimento de grandes figuras como Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa) e Mestre Ataíde (Manuel da Costa Ataíde). Importante dizer: eram mestiços! Signo de um outro momento com mais mobilidade social e algum espaço para outras ocupações.
Há muitas obras de Aleijadinho, o representante brasileiro mais conhecido dessa arte. Porém, quero destacar o complexo escultórico do Santuário de Bom Jesus de Matosinho, em Congonhas do Campo, em Minas Gerais. É um complexo porque forma um único momento de expressão e comunicação de emoções religiosas. Observe algumas imagens ao final.
Segundo a especialista Graça Proença, o Barroco foi singular na história da arte no Brasil. Há muitos artistas anônimos que fizeram arte, bem como o entalhamento acabou virando um estilo que se reproduziu por muito tempo no Brasil, algo como um estilo próprio da arte brasileira. Nas palavras da professora,
28 BARROCO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo64/barroco>. Acesso em: 14 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.ISBN: 978-85-7979-060-7
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104/169 O barroco marcou o início de uma arte brasileira que procura firmar seus valores.29
Congonhas - Santuário do Bom Jesus de Matozinhos (MG)30
Os Profetas do Mestre Aleijadinho - Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, Congonhas (MG).
(Unicamp 2019)
A arte colonial mineira seguia as proposições do Concílio de Trento (1545-1553), dando visibilidade ao catolicismo reformado. O artífice deveria representar passagens sacras. Não era, portanto, plenamente livre na definição dos traços e temas das obras. Sua função era criar, segundo os padrões da Igreja, as peças encomendadas pelas confrarias, grandes mecenas das artes em Minas Gerais.
(Adaptado de Camila F. G. Santiago, “Traços europeus, cores mineiras: três pinturas coloniais inspiradas em uma gravura de Joaquim Carneiro da Silva”, em Junia Furtado (org.), Sons, formas, cores e movimentos na modernidade atlântica. Europa, Américas e África. São Paulo:
Annablume, 2008, p. 385.)
Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser definida como a) renascentista, pois criava na colônia uma arte sacra própria do catolicismo reformado, resgatando os ideais clássicos, segundo os padrões do Concílio de Trento.
29 SANTOS, Maria da Graça Vieira Proença. História da Arte. São Paulo: Editora Ática, 2018, p. 169.
30 Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/galeria/detalhes/48?eFototeca=1. Acesso em: 15/04/2019.
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