2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.8 Estudo de Projetos
2.8.2 A Determinação da Rentabilidade do Projeto
Para medir a rentabilidade do projeto, os principais critérios, segundo Buarque (1984, p. 141), são os seguintes:
a) Critérios em termos correntes
- Rentabilidade simples. - O período de retorno.
- A relação benefício – custo( em termos correntes).
b) Critérios de desconto
- Relação benefício –custo (em termos atuais). - Valor atual líquido.
I. Valor atual líquido por unidade de investimento. - Taxa interna de retorno – TIR.
II. Taxa interna financeira de retorno – TIRF. III. Taxa interna econômica de retorno – TIRE.
2.8.2.1 Critérios em Termos Correntes
A avaliação consiste na observação de certos parâmetros que irão determinar se a empresa terá uma rentabilidade financeira e capacidade de pagamento que garantam o retorno do financiamento do capital próprio empregado.
2.8.2.1.1 Rentabilidade Simples
Denomina-se rentabilidade simples do projeto, a relação do lucro médio provável que ele gerará em cada ano, pelo total desse investimento (r = (L/I)).Ou seja, esse índice permite saber quanto gerará, em cada ano, cada unidade de capital investido no projeto. Assim, ao se comparar duas diferentes alternativas de investimentos projetados, pode-se selecionar aquela que permita uma maior quantidade de recuperação de recursos por cada unidade de investimento, conforme ( BUARQUE, 1984).
2.8.2.1.2 O período de Retorno de Capital
Para Buarque (1984), o período de retorno consiste em determinar quanto tempo de funcionamento é necessário para que a empresa permita aos investidores recuperar o capital
investido: (r = (I/L)). Por isso, é conhecido também como o tempo de recuperação do capital. O período de retorno equivale ao inverso da rentabilidade simples e, portanto, apresenta as mesmas vantagens e desvantagens como critério pata determinar a rentabilidade do projeto.
2.8.2.1.3 Total dos lucros líquidos comparado com o total de investimentos
Para calcular esse indicador é necessário tomar o total de lucros anuais e dividir pelo investimento. O critério considera o funcionamento do projeto em toda a sua vida útil e permite avaliar parte das limitações decorrentes do uso dos dois critérios anteriores (rentabilidade simples e período de retorno).
2.8.2.2 Critérios em Termos Atuais
O problema da atualização apresenta-se na medida em que se devem comparar valores monetários em tempos diferentes. Como todo o investimento é uma troca entre despesas presentes e receitas futuras, uma comparação dessa relação exige a utilização da atualização.
2.8.2.2.1 Valor Atual Líquido ( VAL)
Buarque (1984, p. 146), denomina de Valor Atual Líquido (VAL), “o resultado final de todas as entradas e saídas do projeto, depois de tomar-se em conta o custo de oportunidade do capital, ou seja, o custo do tempo sobre o capital investido”. Segundo o autor, na comparação entre dois projetos, o melhor, em princípio, é aquele com maior valor atual líquido.
O Valor atual líquido é um bom coeficiente para a determinação da rentabilidade do projeto, uma vez que representa o retorno líquido atualizado gerado pelo projeto.
2.8.2.2.2 Taxa Interna de Retorno (TIR)
Denomina-se taxa interna de retorno, o valor encontrado que iguala o valor atual do fluxo de custos de um projeto com o valor atual correspondente ao fluxo de benefícios. A taxa interna de retorno é uma demonstração da rentabilidade do projeto e, quanto maior for a TIR, mais vantagens apresenta o projeto em termos atuais. A TIR serve para comparar diferentes projetos entre si, e para compará-los com a “rentabilidade geral” possível na economia. Essa rentabilidade geral é o custo de oportunidade do capital. Para ser aceitável, um projeto deve ter uma taxa interna de retorno nunca inferior ao custo de oportunidade do capital.
A taxa interna de retorno é um dos principais instrumentos na determinação da rentabilidade do projeto, segundo Buarque (1984), devido a duas vantagens principais.
a) não apresenta as dificuldades dos demais critérios de atualização, que exigem juízos sobre variáveis externas aos dados do projeto, como é o caso das taxas de desconto;
b) pela semelhança entre o conceito da taxa interna de retorno e o conceito tradicional de rentabilidade de um investimento.
Entretanto, a TIR também apresenta algumas desvantagens, o que não lhes permite ser instrumento único na seleção e classificação de projetos, como no caso de projetos com grandes diferenças entre os valores dos investimentos, podem ocorrer contradições entre os critérios de TIR e de VAL. Considerando que um projeto de baixo investimento pode apresentar uma alta taxa interna de retorno, mas ainda assim ter um reduzido valor atual.
2.8.2.2.3 Taxa Interna Financeira de Retorno ( TIRF)
É a taxa interna de retorno que um projeto apresenta do ponto de vista do empresário. Segundo Buarque 91984), o cálculo da taxa interna financeira de retorno consiste em:
a) Estruturar os fluxos de fundos do projeto, tomando como base os custos e as receitas da empresa e eliminando dos mesmos os gastos por conceito de pagamento financeiros ou de depreciação, e incluindo o valor residual no último ano de vida útil do projeto;
b) A taxa interna de retorno calculada com base nesses fluxos, para toda a vida útil estimada do projeto, corresponderá à taxa interna financeira de retorno.
2.8.2.2.4 Taxa Interna Econômica de Retorno ( TIRE)
Os conceitos que fundamentam a taxa interna econômica de retorno são os mesmos que apoiam a taxa financeira, com a diferença de que, tanto os fluxos de entrada como os de saída são analisados do ponto de vista da economia geral, e não somente do ponto de vista da empresa.
Buarque (1984), afirma que o passo fundamental no cálculo da TIRE consiste em transformar os custos do projeto, do ponto de vista do empresário, em custos do ponto de vista econômico. Para isso, não são considerados os custos que signifiquem unicamente transferência entre os membros da sociedade (juros, benefícios sociais, etc), e computam-se os demais custos com base em valores transformados que se chamam preços e custos econômicos.
A taxa interna econômica de retorno de um projeto é a taxa de desconto em virtude da qual o valor presente dos benefícios econômicos é igual ao valor presente dos custos econômicos, considerando-se como custos e benefícios econômicos todos os benefícios e custos gerados ou exigidos pelo projeto sobre o conjunto da economia durante seu processo de implantação e produção (BUARQUE, 1984, p. 156).
Para o cálculo da TIRE é necessário transformar o fluxo de fundos financeiros (a preços de mercado) em um fluxo de fundos econômicos, através de três passos:
a) Eliminação das transferências entre membros da sociedade.
b) Ajustes nos preços utilizados na elaboração do fluxo de fundos financeiros, que transforme os valores de mercado em econômicos.