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A diferença entre “equipe” e “time”: mais que uma

questão semântica

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QUALIDADE

Dr. Luis Antonio Diego,

Professor Adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense; Doutor em Anestesiologia pela UNESP (Botucatu), Responsável pelo Setor de Qualidade e Segurança da Divisão de Anestesiologia – Instituto Nacional Cardiologia (MS)

colaboradores6 iniciaram, com o apoio da

“Anesthesia Patient Safety Foundation” (APSF)7 , o curso de “Controle de Recur-

sos da Crise em Anestesia (ACRM)”8 na

Universidade de Stanford.

Mas, o que é efetivamente o CRM (“Cri- sis Resource Management”), e por que nele chegamos a falar de um time, como no exemplo futebolístico? Na metade dos anos 1980, a aviação militar, comer- cial e outros tipos de indústrias (p.ex., usinas nucleares) introduziram uma prá- tica gerencial focada na tripulação (ori- ginalmente “cockpit” e posteriormente “crew”) com o objetivo de melhorar as aptidões não consideradas como técni- cas, isto é, que não dependiam do co- nhecimento técnico e específico neces- sário para fazer a aeronave levantar voo e fazê-la seguir até seu destino. Significa- va saber aplicar todos os recursos dispo- níveis para que a missão fosse cumprida, apesar das adversidades. O método é atualmente utilizado amplamente como treinamento em tripulações de compa- nhias aéreas, apesar de não haver, até hoje, o que chamamos em Medicina de nível de evidência que “comprove” sua eficácia e justifique esse seu amplo uso. Desde então, o CRM vem sendo modifi- cado e experimentando uma ampliação em sua área de atuação. Em anestesia, o conceito de CRM apresenta-se também intimamente relacionado com outro as- pecto também muito importante, o ensi- no e treinamento da prática utilizando a simulação realística8.

São 15 os pontos chave do CRM, os quais devem ser integrados na prática diuturna do time da saúde, mas aquele conside- rado seu “coração” é o conceito de “te- amwork”, que significa trabalhar como um time multidisciplinar, principalmente na sala cirúrgica, nas unidades de terapia intensiva e na emergência. O conceito de time estabelece a necessidade de inte- ração dinâmica entre seus membros, de

modo a eles se adaptarem de forma inter- dependente às situações, visando um ob- jetivo comum, apesar de a cada um terem sido designadas, de modo bem claro, fun- ções e responsabilidades pré-determina- das. Cooke e colaboradores9 compilaram

algumas das características do trabalho de times, dentre as quais a liderança se impõe sobremaneira, mas deixa como fundamento uma conta de somar dife- rente da habitual, na qual a soma do valor individual de seus integrantes é menor do que o valor total do time.

Faço, mais uma vez, uma analogia muito cara a nós brasileiros e volto ao futebol da nossa seleção canarinha. Lembro-me, de modo mais particular, da seleção de Zagalo na Copa de 1970, e, mais especial- mente, da final entre Brasil e Itália. O úl- timo gol do Brasil foi marcado por Carlos Alberto Torres após uma série de passes e é considerado um dos mais belos gols marcados na história do torneio; e essa vi- tória consagrou o Brasil como a primeira equipe a conquistar três títulos na história das Copas. A bola chegou a Carlos Alberto num passe de Pelé, que se encontrava no centro e com uma visão razoável do gol,

mas preferiu, entretanto, colocar a bola nos pés do lateral direito para que este viesse a finalizar a jogada. Esta decisão define a essência do time, todos devem “passar a bola” naquelas situações em que se perceba que outro integrante do time possui uma vantagem. O trabalho da seleção iniciou-se bem antes, com muito treino e planejamento das jogadas. Os adversários e as possíveis táticas por eles planejadas foram discutidas e observadas em jogos anteriores. Um verdadeiro time, e de estrelas.

reFerÊnCiAs

1 - Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portu- guesa, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2009. 2 - Baker DP, Day R, Salas E. Teamwork as an Essen- tial Component of High-Reliability Organizations. Health Research and Educational Trust 41:4, 2006 3 - Vincent C. Segurança do paciente: orientações para evitar eventos adversos. Trad. Rogério Videira, São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2009 4 - Donabedian A. An introduction to quality assu- rance in Health Care.New York: Oxford University Press, 2003

5 - Fred Lee. Se Disney Administrasse seu Hospital: 91/2coisas que você mudaria. Trad. Cristian de Sou- sa, Porto Alegre: Bookman, 2009

6 - Gaba DM, Fish K J, Howard SK. Situações Críti- cas em Anestesiologia: Condutas e Procedimentos. Trad. Marilene Vieira. Rio de Janeiro: Livraria e edi- tora REVINTER, 1998

7 - http://www.apsf.org/

8 - http://med.stanford.edu/VAsimulator/acrm/ 9 - Cooke NJ, Salas E, Cannon-Browers JA, Tout RJ: Measuring team knowledge. Hum Factors 42:151- 173, 2000

ara entendermos como o câmbio pode influenciar a vida do profissional da saúde e suas decisões financeiras, temos que primeiramente conhecer, de maneira sim- ples, o que significa os tão comentados pelos especialistas econômicos, câmbio depreciado e câmbio apreciado.

Primeiramente, precisamos entender que a taxa de câmbio reflete o custo de uma moeda em relação à outra e que toda essa depreciação e apreciação ocorre em função das forças de oferta e demanda do mercado conhecida popu- larmente como lei de oferta e procura que pode ser compreendida pelo sen- timento de que tudo que é “mais raro é sempre mais caro”. Isso significa que quanto menor a quantidade de moeda em circulação na praça maior é o seu preço e vice-versa.

O câmbio está depreciado quando pre- cisamos de mais reais para comprar um dólar e dizemos que o câmbio está apreciado quando ocorre o con-

trário, ou seja, quando precisamos de mais dólares para comprar um real. No câmbio apreciado, quando o dólar aumenta os produtos importados, ficam também mais caros diminuindo a ofer- ta destes e de sua concorrência com os produtos nacionais elevando o índice de inflação que nada mais é que a alta gene- ralizada de preços.

Já no câmbio depreciado, quando o pre- ço do dólar cai e se consegue comprar mais dólares com a mesma quantida- de de reais, os produtos importados se tornam mais baratos aumentando a concorrência com os nacionais e, por consequência, os preços caem e a infla- ção diminui. Uma desvantagem para o nosso país, que é um grande exportador de commodities, que são produtos que possuem as mesmas características de negociação em qualquer parte do mun- do e cujos preços são determinados in- ternacionalmente, como café,

soja, minério de ferro, açúcar,

suco de laranja, etc., é que estes se tor- nam mais caros para serem vendidos a outros países diminuindo as vendas dos empresários exportadores. Em função disso, as empresas exportadoras, para não obterem perdas mais expressivas, estocam produtos ao máximo à espera de uma nova valorização do dólar, oca- sionando um aumento nos estoques e consecutivamente uma redução maciça nos custos. Por isso, o Governo, a fim de evitar que o real se valorize ainda mais, faz leilões de reservas ou sobretaxa a en- trada de capital estrangeiro para reverter essa cotação, minimizando o risco de ca- pital especulativo que visa atingir lucros elevados em curto espaço de tempo. Ou seja, ao restringir a entrada de dólares, o preço da moeda estrangeira volta a su- bir equilibrando novamente as forças de oferta e demanda do mercado. Como a taxa de câmbio adotada pelo

Brasil é a flutuante ou flexível,

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