A dignidade da pessoa humana é uma dimensão de princípios e valores. Sendo uma tutela da personalidade, pois se refere à pessoa concreta, a qual é dotada de princípios lógicos e éticos.
A fim de tentarmos definir a dignidade de pessoa humana dentro dos princípios morais, Ingo Sarlet, em sua obra Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais, aduz que:
No pensamento filosófico e político da antiguidade clássica, verifica-se a dignidade (dignitas) da pessoa humana dizia, em regra, com a posição social ocupada pelo indivíduo e o seu grau de reconhecimento pelos demais membros da comunidade, daí poder falar-se em uma quantificação e modulação da dignidade, no sentido de se admitir a existência de pessoas mais dignas ou menos dignas. Por outro lado, já no pensamento estóico, a dignidade era tida como a qualidade que, por ser inerente ao ser humano, o distinguia das demais criaturas, no sentido de que todos os seres humanos são dotados da mesma dignidade, noção esta que se encontra, por sua vez, intimamente ligada à noção da liberdade pessoal de cada indivíduo (o Homem como ser livre e responsável por seus atos e seu destino,) bem como a idéia de que todos os seres humanos, no que diz com a sua natureza, são iguais em dignidade. (SARLET, 2001. p. 32)
O mesmo autor define a dignidade da pessoa humana como uma:
Qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e deveres fundamentais
que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável, além de propiciar e promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os demais seres humanos. (SARLET, 2001. p, 60).
Sendo a dignidade vista como um atributo que se refere ao ser humano. Estando relacionada com a excelência em seu comportamento, o qual nos remete a moral de cada pessoa. É uma qualidade humana que depende da racionalidade. Apenas os seres humanos têm capacidade para melhorar a sua vida a partir do livre-arbítrio e do exercício da sua liberdade individual. Neste sentido, a dignidade está vinculada à autonomia e à autarquia do homem que manifesta sua vontade própria, agindo sempre dentro da legalidade, com retidão e honra.
Em virtude da dignidade se referir a cada ser humano, de uma maneira específica para cada pessoa, não se pode negar que uma conceituação efetiva sobre o que seria a dignidade, tanto para os efeitos de proteção quanto para as normas jurídicas fundamentais, demonstra-se de maneira difícil em se obter, sendo esta, não alcançando um conceito satisfatório.
Com isso Sartet, explica que:
Uma das principais dificuldades, todavia – e aqui recolhemos a lição de Michael Sachs – reside no fato de que no caso da dinidade da pessoa, diversamente do que ocorre com as demais normas jusfundamentais, não se cuida de aspectos mais ou menos específicos da existência humana (integridade física, intimidade, vida, propriedade, etc.), mas, sim, de uma qualidade tida como inerente a todo e qualquer ser humano, de tal sorte que a dignidade – como já restou evidenciado- passou a ser habitualmente definida como constituindo o valor próprio que identifica o ser humano como tal, definição esta que, todavia, acaba por não contribuir muito para uma compreensão satisfatória do que efetivamente é o âmbito de proteção da dignidade, na sua condição jurídico-normativa (SARLET, 2001, p. 45).
Na tentativa de contribuir para a compreensão apta da dignidade da pessoa humana de maneira que justifique a sua fundamentação moral, podemos mencionar que está é uma qualidade intrínseca da pessoa humana, a qual é irrenúnciável e inalienável, a qual pode ser reconhecida e respeitada, e não podendo ser retirada.
Nesta linha de entendimento, podemos citar o que entende o autor João Carlos Gonçalves Loureiro, em sua obra O Direito à Identidade Genética do Ser Humano, o qual menciona que “o valor absoluto de cada ser humano, que, não sendo indispensavel, é insubstituível”. (GONÇALVES, 2000. p. 280).
Com base nisso, percebemos que para a dignidade da pessoa humana ser atinguida em todos os grupos e classes sociais, deve-se haver uma definição aberta e objetiva, justamente para se ter um certo grau de segurança e estabilidade jurídica, a fim de se evitar que a dignidade continue a justificar o seu contrário.
[...] é que onde não houver respeito pela vida e pela integridade física e moral do ser humano, onde as condições mínimas para uma existência digna não forem asseguradas, onde não houver limitação do poder, enfim, onde a liberdade e a autonomia , a igualdade (em direitos e dignidade) e os direitos fundamentais não forem reconhecidos e minimamente assegurados, não haverá espaço para a dignidade da pessoa humana e esta (a pessoa), por sua vez, poderá não passar de mero objeto de arbítrio e injustiças. Tudo portanto, converge no sentido de que também para a ordem jurídico-constitucional a concepção do homem-objeto (ou homem-instrumento), com todas as consequências que daí podem e devem ser extraídas, constitui justamente a antítese da noção de dignidade da pessoa, embora esta, à evidência, não possa ser, por sua vez, exclusivamete formulada no sentido negativo ( de exclusão dos atos degradantes e desumanos), já que assim se estaria a restringir demasiadamente o âmbito de proteção da dignidade [...] (SARLET, 2001. p. 65-66).
Nessa senda, podemos concluir que a dignidade da pessoa humana é reconhecida em cada ser humano, o qual, é digno de respeito e estima pela sociedade estatal e pela comunidade, sendo que, cada ser deverá cumprir com o seu dever de cidadão.
Mencionando que somos seres dotados de personalidade jurídica sendo que devemos respeitar as normas impostas pelo Estado, e este, deverá se manifestar de forma justa contra os atos de cunho degradante e desumano que venham a atingir as garantias pre estabelecidas e as condições para se obter uma vida digna saudável em comunhão com os demais seres humano, sempre respeitando as diferenças sociais existentes em nosso sociedade.
2.3 A justificação moral para a observância dos Direitos Humanos por parte do Estado