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A EVOLUÇÃO RECENTE DA ECONOMIA DO ESTADO DE MATO GROSSO E DE SUA ESTRUTURA SOCIAL
2.2 A ECONOMIA DO ESTADO NO CONTEXTO NACIONAL
Programas federais como o PoloAmazônia, PoloCentro, PoloNoroeste e Programa de Integração Nacional (PIN), a rodovia BR 163 e a iniciativa privada favoreceram o Estado a se tornar um importante produtor brasileiro de commodities agropecuárias, a partir dos anos 1970. Este ambiente acelerou o fenômeno migratório surgido com a reserva de valor – a aquisição de terras a baixo custo em Mato Grosso a partir das receitas obtidas com as vendas de frações pequenas de terra em outros estados do sul e sudeste, já saturados. Sem recursos próprios, ou aqueles previstos em Lei, os governos que se seguiram à divisão tomaram empréstimos internacionais para obras de construção e pavimentação de novas estradas, de geração e distribuição de energia elétrica, de educação, de saúde e de armazenamento, tentando sustentar o crescimento econômico nos anos 1980. Década não perdida para Mato Grosso, o Estado vivenciou um fluxo econômico, até então, o maior da sua história, quando a indústria madeireira, a construção civil, o comércio, a agricultura e a pecuária intensificaram suas atividades. No setor secundário, o fortalecimento da indústria alimentícia passou a destacar-se, com a implantação de frigoríficos e agroindústrias, especialmente as de esmagamento de soja e produção do óleo. A partir de então, as bases do desenvolvimento da economia mato-grossense fundamentaram-se em dois aspectos: o primeiro é a migração de empresas e produtores rurais para o estado; o segundo, os eixos viários emergentes que modificaram as relações mercantis entre os mais importantes núcleos urbanos e dinâmicos do País. Nos últimos anos, a agropecuária tem tido um papel importante na geração de divisas externas. A soja é responsável por 84,84% das exportações do
estado, o algodão responde por 53% da produção nacional, e o rebanho bovino, da ordem de 19,0 milhões de cabeças possui uma alta competitividade. Inconteste é o peso colocado sobre o agronegócio mato-grossense no desempenho das exportações brasileiras, conforme se verifica na Tabela 2.7.
Tabela 2.7: Participação de Mato Grosso nas exportações brasileiras – Jan a jun / 2001-2002
2001 2002
Produtos
Part. % Part. %
Soja (grãos, farelo, óleo) 86,63 84,84 Madeira (serrada, perfilada, móveis/esquadrias) 6,30 6,01 Carne (bovina, suína, de frango e outras) 3,87 5,00
Algodão 1,08 2,45 Couro 0,57 0,74 Minerais 0,43 0,53 Açúcar 0,80 0,22 Cimento 0,01 0,02 Outros 0,32 0,18
Dados elaborados a partir das Fontes: MDIC-SECEX – Sistema ALICE. FIEMT-CIN – Centro Internacional de Negócios.
O setor agropecuário colocou Mato Grosso, em 2001, na décima posição entre os Estados que mais exportaram, com 2,65% do total exportado pelo Brasil. O Valor Adicionado deste setor respondeu, naquele ano, por 30% da formação do PIB [3] estadual, contra 7% na formação do PIB
nacional (IBGE, 2001). Apesar da pujante agropecuária local, o PIB mato-grossense participou com apenas 1,02 % do PIB nacional (SEPLAN, 2002). Conforme a Avaliação dos Resultados das Contas Regionais de Mato Grosso – 2001, da Secretaria Estadual de Planejamento e Coordenação Geral- SEPLAN, o Estado apresentou, no ano de 2001, a segunda maior taxa de crescimento do Brasil, com 6,78% contra 7,8% em 2000, atingindo, em 2001, um PIB, a preços correntes, de R$14.453 bilhões (Tabela 2.8). O racionamento de energia elétrica em 2001, entretanto, afetou a economia estadual, cuja participação nacional decresceu 1,63%, passando de 1,23% para 1,21%.
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[3] Conforme a metodologia das contas nacionais do IBGE, cada setor de atividade gera o seu próprio produto (descontados os gastos com o consumo intermediário: matérias-primas mais insumos para produção), chamado de valor agregado bruto ou valor adicionado. O produto bruto, ou PIB (produto interno bruto), gerado na economia como um todo é a soma dos valores adicionados setoriais mais o comsumo intermediário total. Nas análises deste trabalho são considerados os valores adicionados setoriais e o valor adicionado total, o qual corresponde ao PIB menos o consumo intermediário total mais impostos indiretos líquidos.
Tabela 2.8: Produto Interno Bruto (PIB), a preços correntes, do Brasil, grandes regiões e estados do Centro-Oeste, em R$ milhões, 1995-2002 Grandes Regiões e Estados do Centro-Oeste 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 BRASIL 646.191 778.886 870.743 914.187 963.868 1.101.255 1.198.735 1.346.028 Norte 29.960 36.153 38.507 40.933 42.867 50.650 57.026 67.790 Nordeste 82.588 102.597 113.942 119.319 126.365 144.135 157.302 181.933 Sudeste 379.438 452.306 509.961 531.663 561.468 636.394 684.730 758.374 Sul 115.594 142.436 153.945 159.774 171.068 193.534 213.389 237.729 Centro-Oeste 38.610 47.394 54.389 62.498 62.100 76.542 86.288 100.202 Mato Grosso do Sul 6.994 8.317 9.292 10.050 10.789 11.861 13.736 15.343 Mato Grosso 6.510 7.946 9.156 9.901 11.584 13.428 14.453 17.888 Goiás 11.875 14.592 16.025 17.428 17.742 21.665 25.048 31.299 Distrito Federal 13.231 16.539 19.916 25.119 21.984 29.587 33.051 35.672 Fonte: IBGE. Diretoria de Pesquisas, Departamento de Contas Nacionais, Contas Regionais do Brasil/SEPLAN, , 2005.
A carência de fatores de produção e comercialização constitui um sério empecilho à expansão produtiva e à consolidação do desenvolvimento. O Estado conta com apenas 25% da área agrícola disponível utilizada – 4,5 milhões de hectares (IMEA, 2001), o que permite concluir que existe um potencial altamente favorável para o estabelecimento de empreendimentos agroindustriais e a continuidade da trajetória de grande produtor agropecuário, desde que haja a superação dos atuais problemas com transporte, que se incorpore tecnologias de melhor aproveitamento do solo e, sobretudo, que se diminua as profundas desigualdades econômicas e sociais inter-regionais. Marcado por uma produção primária especializada, o desenvolvimento econômico regional requer “uma diversificação agrícola e industrial, viabilizando maior agregação de valor aos produtos agropecuários como a soja, o algodão, a madeira e o couro, pela incorporação e ampliação de segmentos da indústria extrativa e de transformação” (Plano Plurianual do Governo 2004/2007 de agosto/2003).
De acordo com os dados das Tabelas 2.1 e 2.8, em 2000 o PIB per capita de Mato Grosso foi 77,8 % do PIB per capita da Região Centro-Oeste e 90,3% do PIB per capita do Brasil.
No fim da década anterior, o Ministério do Planejamento inseriu o Estado de Mato Grosso em dois Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento: o Araguaia-Tocantins e o Oeste.
Para que sejam superados os gargalos de transporte à expansão agropecuária e agroindustrial e a desuniformidade regional, os planos dos eixos de integração e desenvolvimento Araguaia-Tocantins e Oeste prevêem, para o Estado, sete corredores multimodais:
• Corredor Norte – Rodo-hidroviário, composto pela BR 163 (Cuiabá-Santarém) e pela Hidrovia Teles Pires – Juruena – Tapajós;
• Corredor Centro-Norte – Hidro – Rodo – Ferroviário, composto, a partir de Nova Xavantina, pela Hidrovia Mortes – Araguaia – Tocantins, passando por Xambioá – BR 010/153/226 até Imperatriz (MA) – Ferrovias Norte-Sul e Carajás para atingir o Terminal de Ponte da Madeira em São Luiz (MA);
• Corredor Leste – Rodo – Ferroviário, composto pela BR 070 (Cuiabá – Goiânia – Belo Horizonte – Vitória) ou BR 364 (Cuiabá – Rondonópolis – Itumbiara – Belo Horizonte – Vitória);
• Corredor Sudeste – Rodo – Ferroviário (Ferronorte) – Cuiabá – Rondonópolis – Alto Taquari – Chapada do Sul – Aparecida do Taboado – Santos;
• Corredor Sul/ Sudoeste – Rodo – Hidroviário (Hidrovia Paraguai – Paraná) – Cuiabá (BR 174/070) – Cáceres – Corumbá – Assunção – Barranqueras – Nova Palmira – Campanha – Buenos Aires;
• Corredor Oeste – Rodoviário (ligação com o Pacífico) – Cuiabá (BR 174/070) – Cáceres – San Mathias – Santa Cruz – Portos do Chile e do Peru;
• Corredor Noroeste – Rodo – Hidroviário – Cuiabá – Sapezal (BR 174) – Hidrovia Madeira – Amazônia – Solimões – Porto Velho – Itacoatiara – Quitos ou Macapá.
Atualmente, o Estado conta com 84.200 km de rodovias, das quais 4000 km são federais, 20.000 km são estaduais e 60.000 km são municipais. O modal ferroviário, assim como o hidroviário, possibilitarão maiores vantagens competitivas, com a redução do custo do transporte.
Os investimentos públicos advindos do BNDES, FCO e Programa BID Pantanal[4] na região do Mercoeste cresceram 144% (3,6% ao ano) de 1970 a 2000, sempre com boa participação para Mato Grosso. A previsão de investimentos privados de 2000 a 2005 está mostrada na Tabela 2.9.
Tabela 2.9: Investimentos privados previstos para 2000-2005 no Estado de Mato Grosso – Unidade: milhões US$.
Setor Total Serviços públicos* 2.551,83 Mineração 11,20 Transporte e armazenagem 1.404,10 Alimentos 494,10 Bebidas e fumo 209,50 Têxtil e couro 152,10 Construção 34,00 Comércio Atacadista 14,60 Comércio varejista 12,40 Serviços gerais 11,70 Madeira/móveis/papel 8,20 Plásticos e borracha 5,10 Informática e telecomunicações 3,30 Autopeças e materiais de transporte 3,0
Total 4.915,13
*Previsão de investimentos privados Fonte: Gazeta Mercantil, 2001
O governo estadual tem implementado, ou está analisando a possível implementação de vários programas de desenvolvimento, a fim de atrair investidores externos e motivar a agregação de valor às matérias-primas. Tais programas estão citados na Tabela 2.10. Segundo uma avaliação do trabalho intitulado Perfil Competitivo do Estado de Mato Grosso, elaborado pelo SENAI em 2002, os incentivos previstos por estes programas não são de grande monta.
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[4] BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
FCO – Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste.
Tabela 2.10: Programas estaduais e municipais de incentivo a atividades econômicas e de desenvolvimento
Programas existentes
Prodei - Programa de Desenvolvimento Industrial. Proalmat - Programa de Apoio ao Algodão de Mato Grosso.
Promadeira - Programa de Desenvolvimento do Agronegócio da Madeira em Mato Grosso. Procouro - Desenvolvimento da Cadeira Produtiva do Boi.
Procafé - Programa de Incentivos a Indústria de Beneficiamento, Torrefação e Moagem do Café de Mato Grosso.
Programa "Granja de Qualidade" - Promover e estimular a Suinocultura Estadual, dentro dos mais altos padrões de qualidade. Fundeic - Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial.
Incentivo à Cultura - Lei nº 7042, de 15 de outubro de 1998 – Estímulo à Intensificação da produção cultural e artística. Programas em fase de estudo
Proagricultura orgânica - (Lei de Incentivo em discussão)
Proarroz - O objetivo do programa é a melhoria da qualidade do agronegócio do arroz, tanto para produtores como para indústrias. Profruta - Em fase de elaboração.
Proleite - Promover e estimular a pecuária leiteira e a industrialização do leite, dentro dos mais altos padrões de sustentabilidade social,
ambiental e econômica.
Fonte: Manual do Investidor no Estado de Mato Grosso. SEBRAE-MT,2004