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A EDIFICAÇÃO MILITAR E AS RELAÇÕES ENTRE MONUMENTO E PODER

Através das apreensões do homem moderno com os avanços da sociedade, que convivia com o constante impacto do novo, inicia-se uma necessidade de desenvolver meios para a compreensão e a garantia da salvaguarda de seus bens culturais. Por isso, os conceitos de bem cultural e patrimônio cultural, podem ser considerados como recentes na história moderna. Conforme Choay (2001) o termo patrimônio consistia primordialmente em um conceito ligado a estruturas familiares, econômicas ou jurídicas, requalificada por diversos adjetivos, genéticos, naturais, históricos, etc.

Atualmente o conceito de patrimônio cultural foi amplificado, abrangendo em suas definições, além das formas tangíveis, as intangíveis, as manifestações artísticas e arquitetônicas, assim como as atividades relacionadas ao dia-a-dia do homem, as celebrações e os saberes de cada povo. Cabe ressaltar ainda que estes conceitos modernos, não mais fazem referência somente a obras de valor excepcional, ou vinculados a fatos históricos memoráveis, feitos pelas parcelas populacionais mais economicamente favorecidas, mais também, bens portadores de referências a memória dos diferentes grupos formadores da sociedade, fato que exalta, no caso brasileiro, a pluralidade cultural presente no Brasil.

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As variações tangíveis, materiais, deste patrimônio cultural, o qual será abordado durante este estudo, surgem inicialmente das origens de monumento, difundido desde a Idade Média, onde era vinculada ao monumento intencional, conforme Riegl (1987), que mostra que estes monumentos foram obras realizadas com fins específicos, como lugar para manutenção de memória, de sacrifícios, ritos ou crenças.

Estes monumentos com o passar do tempo, perdem forças para os monumentos não intencionais, os quais foram constituídos posteriormente, como locais que inicialmente não apresentavam tais atributos, foram elevados a esta categoria por estudiosos da época. Le Golf (1985) buscando as origens etimológicas da palavra monumento expõe que:

A palavra latina monumentum remete para a raiz indo-europeia men, que exprime uma das funções essenciais do espírito (mens), a memória (memini). O verbo monere significa “fazer recordar”, donde

“avisar”, “iluminar”, “instruir”. O monumentum é um sinal do passado. Atendendo às suas origens filológicas, o monumento é tudo aquilo que pode evocar o passado, perpetuar a recordação, por exemplo, os actos escritos (Le Goff, 1985, p. 95).

Este conceito passa a evoluir no período renascentista italiano, onde a memória se volta para a antiguidade clássica, levando-os a se considerar legítimos descendentes desta cultura. Isto os levou a considerar obras de outros períodos históricos ou estilos arquitetônicos díspares aos do período Clássico, como produções bárbaras, ao passo que não deveriam ser passiveis de preservação. (Fonseca, 1997).

Conforme Riegl (1987), estas ações fizeram com que o período renascentista tenha se tornado a ocasião em que se originou o sentido moderno de salvaguarda, ao mesmo tempo em que surgia o conceito de monumento histórico. O autor também insere os monumentos como formas representativas de determinado período histórico ou artístico, representando a cultura correspondente de uma sociedade.

Estes monumentos carregam intrinsicamente ou não, valores de rememoração resistente as ações temporais.

Nesta visão o monumento extrapola sua forma material, transformando-se em documento histórico cuja preservação visa a produção de conhecimento sobre a sociedade humana de uma época, por isso, a definição do que deve ser preservado é de tanta responsabilidade. Partindo da decisão do que lembrar/esquecer para gerações futuras, definem-se os valores que se pretende transmitir a uma nação, colocando o patrimônio cultural como partícipe fundamental da história (Chuva, 2011).

A vinculação entre monumento e sociedade perpassa simultaneamente sob as relações de espaço e poder, afirmadas por Michel Foucault em suas obras. Foucault (2006) expõe que as estruturas instituídas de poder excedem o Estado, permeando as diversas práticas sociais do cotidiano, ainda que de forma difusa.

As organizações controladoras instauram um controle silencioso, onde sua hierarquia social devia ser definida e realimentada. Segundo o autor:

Outrora, a arte de construir respondia sobretudo à necessidade de manifestar o poder, a divindade, a força. O palácio e a igreja constituíam as grandes formas, às quais é preciso acrescentar as fortalezas;

manifestava-se a força, manifestava-se o soberano, manifestava-se Deus. A arquitetura durante muito tempo se desenvolveu em torno dessas exigências. Ora, no final do século XVIII, novos problemas aparecem: trata-se de utilizar a organização do espaço para alcançar objetivos econômico-políticos (Foucault, 2006, p. 211).

Esta relação se mostra intrínseca nas edificações desenvolvidas para fins militares. Desde a instauração das primeiras fortalezas medievais, até a construção dos mais modernos quarteis, sua caracterização arquitetônica se mostra como ícone tridimensional prático e simbólico, que expõe mensagens para os receptores que conseguem perceber a mensagem por ela enviada, segundo um código ideológico-cultural.

Globalmente a imagem da fortificação expressa conceitos e comunica atitudes a um imaginário coletivo (Fusco, 1970). Dentro do que pode ser chamado de uma “semiótica do poder”, se expressa visualmente a existência de certas hierarquias, tendo como base dois ícones: Altura e Tamanho. Por isso, alto e grande, são os modos pelos quais se estabelecem hierarquias no universo icônico (Pignatari, 1983).

Desta forma, os aspectos que permeiam as relações de monumento e poder, estão intrinsecamente estabelecidos desde a gênese da concepção das edificações militares, mantendo uma posição hierárquica mediante a paisagem urbana, seja pelo seu posicionamento prioritariamente em terrenos elevados, ou seja por seu formato essencialmente horizontal. Estas relações se mostram presentes em Cruz Alta, cuja sociedade manteve desde sua gênese, uma estreita relação com o militarismo e o coronelismo, aonde as edificações militares, sobretudo as que abrigam o 29º GAC AP, atuam como símbolo desta relação.

Neste contexto, as edificações inventariadas tornam-se importantes a comunidade face a sua relevância cultural e morfológica, além do valor de antiguidade, pois simbolizam este poder simbólico que vem sendo

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transmitido ao presente e ao futuro, como elemento capaz de reviver tradições, emoções e memórias individuais e coletivas.

2 METODOLOGIA

Como forma de englobar a pesquisa à arquitetura militar no município de Cruz Alta, o estudo foi direcionado inicialmente ao conjunto arquitetônico do 29º GAC AP, devido a sua grande relevância arquitetônica na composição da paisagem urbana do município. Com isso, foi possível realizar os levantamentos pertinentes para a criação do inventário das edificações da unidade. Após este processo compreendeu-se o processo de preenchimento das fichas de inventário, com os dados coletados na etapa anterior, como forma de registro e catalogação das informações, divulgando a importância da instituição para o município. Para fins de investigação, as áreas internas foram desconsideradas neste estudo, por se tratar de edificação estratégica para a manutenção da segurança nacional, o acesso a alguns locais foram restritos, devido a confidencialidade imposto pela instituição.

Os resultados obtidos através dos levantamentos da etapa anterior serviram de referência para o preenchimento das fichas inventariantes das edificações, utilizando as fichas do IPHAN modificadas como forma de padronizar o estudo. Sua escolha foi determinante, pois proporcionam ao pesquisador uma compreensão mais ampla dos dados levantados em cada bem inventariado. A singularidade das edificações de caráter militar e o fato de tratar-se de um grupo de edificações de uma única instituição disposta dentro de um conjunto pré-definido, fez-se necessário algumas modificações estruturais no modelo de ficha incluído como referência. Enquanto isso como referência para estabelecer os critérios de valoração ao bem, foi utilizada a tabela disponibilizado pelo IPHAE/RS, por abranger de forma detalhada, cada instância estabelecida.

Através da observação das edificações e sua implantação no lote, foi possível constatar que estas se deram simetricamente em um eixo pré-estabelecido, paralelo aos limites laterais do lote, demarcado pelo centro de gravidade da edificação principal. Estas edificações, formam quatro tipologias distintas, as quais podem ainda se subdividir em outras categorias, classificadas conforme suas dimensões (figura 2).

Figura 2 - Croqui representativo da implantação simétrica adotada

Fonte: (Elaborado pelo autor, 2015).

Este conceito de tipologia apresentado nas edificações do 29º GAC AP esteve presente na produção arquitetônico desde o século XVIII, ligados tanto a critérios filosóficos, quanto a econômicos.

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3 A ELABORAÇÃO DO INVENTÁRIO DOS BENS IMÓVEIS DO 29º GAC AP – GRUPO HUMAITÁ

O inventário das edificações do 29º GAC AP passou a ser desenvolvido como maneira de auxiliar o subsídio de políticas de preservação, além de proporcionar um meio auxiliar no processo de educação patrimonial, como forma de atual no auxílio a salvaguarda do patrimônio local.

Por isso os pontos mais significativos da morfologia do conjunto arquitetônico foram catalogados, através de pesquisa, levantamentos gráficos e arquitetônicos, como forma de possibilitar um estudo sistemático das fachadas de todas as tipologias e suas subcategorias. Desta forma foi elaborado a construção das fichas inventariantes das tipologias presentes no 29º GAC AP, conforme modelo de ficha preenchida do padrão tipológico T1 (figura 3). Esta tipologia caracteriza-se por conter a edificação mais representativa da unidade, principalmente pela riqueza de seus ornatos. Seu padrão apresenta grandes dimensões horizontais, além de camarinha central, em dois pavimentos.

Figura 3: Ficha Preenchida com Padrão Tipológico T1

Fonte: Elaborado pelo autor, 2015

Após a realização do levantamento das edificações existentes, é possível conceber que estas seguiram o princípio das atividades destinadas a cada uma das edificações. Desta forma, as atividades administrativas

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de cada batalhão foram inseridas próximo aos seus respectivos alojamentos, facilitando o controle de provimentos e o fluxo entre as edificações por seus integrantes.

Seu padrão simétrico, demonstra a forte influência positivista de seus projetistas, de maneira a materializar um dos preceitos básicos de Ordem Unida militar, o conceito de alinhamento e cobertura.

Este alinhamento fica mais evidente ao observar a localização das varandas, que circundam todos os edifícios.

Como forma de diferenciação, cada padrão tipológico adotado nas edificações apresenta características singulares, seja em sua ornamentação ou no seu formato geométrico.

O padrão T1 representa a edificação frontal do conjunto, e desta forma, caracteriza-se por ser a que mais se destaca entre as demais. Com visual marcante de uma edificação predominantemente horizontal, idealizada para abrigar as atividades de comando, que demandam o serviço militar. Em seu centro é possível observar a presença de uma camarinha, que abriga o gabinete do comandante da unidade ao mesmo tempo que demarca o acesso principal. Suas superfícies dispõem de diversas ornamentações simbólicas, alusivas à sua origem castrense, como por exemplo o Brasão da República, ladeado por dois brasões da arma da artilharia. Esta tipologia por exemplo é a única que exibe platibanda ao longo de toda sua composição volumétrica. Esta estrutura caracteriza-se por possuir estrutura alternada entre cheios e vazios, composta por elementos que simulam ameias e torreões, presente nas fortalezas medievais. Esta composição é rematada com a inclusão de pequenas torres de guarda estilizadas, nas extremidades da camarinha central, e nas extremidades laterais da edificação.

Ainda como padrão, todas as edificações possuem aberturas com presença de moldura ornamental, diferenciando-se entre vergas retas e em arco pleno ou abatido. Em sua maioria construídas em madeira, alguns locais as mesmas foram substituídas recentemente por esquadrias basculantes metálicas, o que acarretou em uma descaracterização da proposta original.

Figura 4 - Exemplos de algumas aberturas presentes nas edificações

Fonte: Acervo do Autor, 2015.

Além desta tipologia, outras 3 e suas subcategorias foram desenvolvidas na pesquisa, evidenciando que o conjunto arquitetônico consiste em um importante exemplar da arquitetura militar, a nível municipal e estadual, onde suas fachadas com tendências ecléticas misturam-se ao simbolismo presente na vida militar para formar um conjunto arquitetônico com características peculiares.

4 CONCLUSÕES

A memória coletiva e da cultura de um grupo constitui-se da sobreposição dos mais diversos fatores culturais, entre eles a arquitetura. Esta torna-se testemunho efetivo da memória urbana e das diferentes transformações culturais vividas pela sociedade. Suas fachadas transpiram os valores e fatos históricos vividos durante as diferentes épocas. O patrimônio cultural por sua vez, passa a consistir em uma ferramenta essencial no papel de construção deste conceito, construindo coletivamente a identidade de um determinado grupo ou lugar.

As edificações militares através de suas fachadas carregadas de simbolismo e significados, assim como através de sua composição formal, acabam tornando-se monumentos representativos do poder simbólico da presença do estado, em todo local em que são instaladas. Somando-se a isto o fato de serem locais que

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apresentam conexão restrita com o ambiente externo, por possuir uma grande preocupação com a segurança, acabam, muitas vezes, afastando a sociedade civil que não está diretamente relacionada ao dia-a-dia da instituição. Este afastamento acaba por não promover a apropriação deste patrimônio pela comunidade, algo essencial no conceito de preservação atual.

Através das pesquisas realizadas, foi possível perceber a grande influência que a presença de instituições militares, causa no histórico e na cultura do município de Cruz Alta. Por isso, atitudes de salvaguarda e a divulgação deste patrimônio se mostram necessárias, uma vez que acabam por promover a conscientização no respeito à cultura, nas mais variadas formas em que se apresenta, como forma de exercício da cidadania e recuperação da autoestima.

O inventário proporciona ainda uma análise metodológica de diversos aspectos das edificações contribuindo também para a manutenção correta das mesmas. Este fato se mostra importante, uma vez que as manutenções e pinturas vem sendo suscetivelmente realizados sem nenhum tipo de critério e sem o uso de técnicas apropriadas, causando graves descaraterização com relação a formas, principalmente nos ornatos.

Este estudo buscou iniciar as discussões acerca do patrimônio cultural militar presente no município, e que não devem tão logo ser encerradas. Cabe ainda a continuação desta medida para outras edificações de caráter civil presente na área urbana, como forma de contribuir para a elaboração de um plano de salvaguarda aos bens culturais locais, pois é imprescindível que o poder público, com o auxílio da população busquem a conscientização do real valor da salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial do município

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Capítulo 7

O monumento funerário e a praça: Do processo de patrimonialização municipal aos dias atuais na ‘Praça da Faculdade’ em Maceió.

Jéssica de Cassia Silva Gonçalves, Josemary Omena Passos Ferarre

Resumo: O objetivo desse artigo é o de descrever e analisar o processo de patrimonialização da Praça Afrânio Jorge, a conhecida Praça da Faculdade, como parte do conjunto formado também pelo prédio da antiga Faculdade de Medicina de Alagoas, no bairro do Prado em Maceió, escolhidos para formar uma das Unidades Especiais de Preservação (UEP), como medida preservacionista do Plano Diretor da cidade aplicada a exemplares arquitetônicos e espaços urbanos reconhecidos como patrimônio histórico-cultural. Inserido no centro da Praça, está o Panteão, uma reduzida réplica do emblemático templo romano, construído sob o ufanismo cívico de guardar os restos mortais dos célebres marechais alagoanos que foram os primeiros presidentes da República Federativa do Brasil. Pequeno, mas, valorado monumento, todo revestido em mármore branco, externa e internamente, pela distinção que o uso funerário previsto conferiria. Embora com esse uso não efetivado, o Panteão - alvo desse trabalho - veio ainda a assumir alguns usos que receberiam a visitação dos maceioenses, como o de ter sido lócus de exposições de concursos de lapinhas (ou presépios) natalinos vencedores em tradicionais festas de fim de ano realizadas na Praça, muito frequentadas durante as décadas de 1960-1970. Entrando em total desuso pela vulnerabilização que o município permitiu por não prover a sua manutenção física ao longo de vários anos, gradativamente tornou-se um monumento silente, distanciado da sociedade e que não expressa nenhum discurso para as gerações atuais. Entende-se, contudo, que o processo de patrimonialização da Praça, que contém o monumento em seu centro irradiador do traçado e de confluência de visadas, iniciado ao incluí-lo entre as 56 UEPs, desde 2005, ainda tem que, de fato, se efetivar para salvaguardar o exemplar, para não mais sofrer agressões de vandalismo e de desgaste físico, sem reparação alguma, como vem se procedendo. A partir de aspectos aqui levantados, o artigo discutirá questões sobre a eficácia de proteção do instrumento UEP, sintetizando em paralelo, uma análise física do atual estado de degradação do “monumento da Praça da Faculdade”, alertando para a urgente necessidade de preservá-lo, pelo valor histórico e arquitetônico que lhe é inerente, e pelo simbolismo visual que sempre expressou, e ainda expressa, para a população do bairro do Prado e da cidade de Maceió como elemento icônico – mítico da Praça, agente do imaginário coletivo.

Palavras-chave: Panteão; Praça da Faculdade; Patrimônio Cultural.

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1 SOBRE A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EM MACEIÓ

Em Maceió, existem dois instrumentos de proteção que buscam, através de diretrizes preservacionistas, a minimização de perdas da memória coletiva e dos vestígios da história. Esses instrumentos fazem parte da gestão do patrimônio cultural do município e foram previstos no Plano Diretor que passou a vigorar em 2005. São exatamente, as Zonas Especiais de Preservação (ZEPs) e as Unidades Especiais de Preservação (UEPs). As ZEPs e UEPs, em síntese, áreas identificadas / reconhecidas de relevante interesse cultural por constituírem expressões arquitetônicas e históricas, compostas por conjuntos de edificações, edificações isoladas, ou espaços urbanos, públicos ou privados, também entendidos como suporte físico de manifestações culturais e de tradições populares. Foram implementadas cinco ZEPs: a ZEP 1 no bairro do Jaraguá e a ZEP 2 no bairro do Centro, essas duas já existentes antes do Plano Diretor (2005), e depois a ZEP 3 no bairro do Bebedouro, a ZEP 4 em Fernão Velho e a ZEP 5 no Pontal da Barra. Quanto às UEPs, o primeiro bloco de imóveis selecionados totalizou 56 unidades, encontrando-se atualmente, em processo de revisão para a inclusão de novas unidades arquitetônicas, após completados dez anos da implantação do Plano Diretor.

A opção pelo tipo de instrumento em instância preservacionista das UEPs, em Maceió, surgiu, a partir de quando, em 2005 foi demolida uma edificação que ficava no bairro da Pajuçara, conhecida por “a casa rosada”, em estilo neocolonial e que mesmo estando em processo de Tombamento Estadual, veio a ser demolida, pelo afã do mercado imobiliário, expondo assim a fragilidade do sistema de proteção ao patrimônio edificado vigente quanto à edificações isoladas que estavam fora das ZEP 1 e ZEP 2, mesmo relevantes para a sociedade maceioense, porém, sem uma proteção patrimonial mais específica e eficaz.

No estado de Alagoas, a estrutura de apoio à conduta preservacionista se dá a partir do Conselho Estadual de Cultura, órgão resultante da Lei nº. 4802, de 03 de julho de 1986 e é vinculada administrativa e financeiramente à Secretaria de Estado da Cultura – SECULT, criada pela Lei nº. 4592, de 13 de dezembro de 1984, que instituiu uma Diretoria do Pró-memória, à qual encaminha os dossiês e pedidos de tombamento, além dos pedidos de registros de patrimônio imaterial exercendo papéis dentro do âmbito do patrimônio material e imaterial junto ao Conselho. Municipalmente, o exercício da gestão do patrimônio cultural de Maceió que instituiu as Zonas Especiais de Preservação (ZEPs) e as Unidades Especiais de Preservação (UEPs) estava a cargo do setor de Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento (SEMPLA), que na atual reforma administrativa, designou parte das atribuições deste organismo para a responsabilidade da nova Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (SEDET).

Embora a alegação da aplicabilidade de incentivos fiscais instrumentalizada como punição ao descumprimento da legislação de proteção e outras ações do órgão no dever de preservar as áreas e edifícios isolados que fazem parte do elenco reconhecido como patrimônio histórico (ZEPs / UEPs), vem ocorrendo um esquecimento público que vulnerabiliza os bens a serem protegidos, não garantindo sua permanência como parte da história da cidade para as futuras gerações.

Neste sentido, alguns casos de unidades que estiveram na iminência de serem demolidas foram mantidas e com garantia de reutilização, pelo alcance do instrumento das UEPs, a exemplo da casa núcleo do antigo Colégio Batista Alagoano26, cujo amplo complexo educacional foi comprado para ser demolido e ser edificado, em todo o terreno, várias torres de edifícios de 08 andares; mas, devido ao fato da antiga casa ser arrolada como uma UEP, não puderam assim dispor de toda a área, e o grupo empreendedor cumprindo com a legislação municipal, manteve a edificação e propôs um uso integrado ao novo empreendimento, de modo a promover a sua conservação.

26 Colégio tradicional de Maceió, edificado na década de 1923 em grande terreno no bairro do Farol e em trecho que, devido ser na borda topográfica do bairro, vislumbrava amplamente a parte baixa da cidade enquadrando ainda a vastidão do mar o que se tornou bem atrativo ao voraz mercado imobiliário que atua na cidade. O Colégio marcou gerações de maceioenses que muito sentiram, desde as primeiras notícias sobre sua demolição e lamentam até hoje a ausência física na paisagem, contentando-se, muito em ainda poder ver, ao menos, a “casa antiga do Colégio”.

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