2. Base Teórica e Conceitual
2.2. A Educação Ambiental
Os indivíduos que nasceram, principalmente em meados do século vinte, certamente ouviram muito dos seus educadores, os professores, pelos mais velhos e dos mais diversos órgãos de imprensa que o planeta estava sendo degradado de forma muito acelerada e que era preciso ações urgentes para mudar aquele quadro de destruição da natureza, para que, no futuro, as novas gerações não sofressem tantos problemas para garantir sua sobrevivência.
Aquelas advertências parecia obra de ficção, muitas vezes, tinham uma conotação politiqueira, não sensibilizavam ninguém, parecia irreal. Já no final do século e no início deste milênio, as atuais gerações estão nascendo ou convivendo com tudo aquilo, antes tratado como ficção.
Então, a preocupação nos tempos atuais, fica na maneira de como preparar essas pessoas para conviverem com tantas e profundas mudanças nos seus hábitos de vida e na maneira de como devem se relacionar, doravante, entre si, com outras pessoas, ou com a sociedade e com o planeta, isto é, com os recursos naturais existentes, exatamente como era anunciado meio século atrás.
Certamente que, todas as respostas possíveis ou ações decorrentes, para solucionar esta questão, passam, obrigatoriamente, pela educação ambiental, formal e não formal ou informal.
Buscar e compreender a necessidade de estabelecer um padrão de viver onde poderíamos nos relacionar com os recursos naturais do planeta sem carregar o peso na consciência de que esta relação é cada vez mais desarmônica e oferecem sérios riscos para a conservação e a preservação dessas riquezas naturais.
Ter, definitivamente, a consciência de que a água que se consume, as mudanças climáticas, a origem dos conceitos ligados à biodiversidade e os serviços ambientais são a melhor maneira de envolver estas pessoas na procura por um modo de vida onde as coisas que dizem respeito à natureza, sejam vistas como parte integrante do cotidiano e não algo dissociado de nossas vidas.
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a) EDUCAÇÃO AMBIENTAL FORMAL
Educação Ambiental é o nome atribuído às práticas educativas relacionadas à questão ambiental, e que se desenvolve na prática cotidiana dos que realizam o processo educativo. É desenvolvida no âmbito dos conteúdos curriculares das instituições de ensino públicas e privadas e que se estende por todos os níveis e modalidades de ensino. Colocar em prática uma Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades da educação, em conformidade com os resultados de discussões empreendidas em nível internacional e com a atual legislação, constitui-se um imperativo não só diante das exigências legais, mas da necessidade de dar soluções à gravidade dos problemas socioambientais que afetam o planeta.
Porém, a educação ambiental não deverá se constituir em uma disciplina autônoma, ao contrário, deverá ser uma preocupação das diferentes disciplinas, conforme orientação da Organização das Nações Unidas, e que, em seus diferentes conteúdos, deverão vincular entre os diversos assuntos abordados, as suas respectivas repercussões no meio ambiente e esta deve ser uma preocupação presente em todo o processo educativo.
A preocupação com a preservação do meio ambiente é um tema que tem mobilizado nações, governos, a sociedade civil organizada e que está na lista dos assuntos mais debatidos no mundo, atualmente, pois os problemas derivados da degradação do meio ambiente têm tomado proporções planetárias, afetando e dizendo respeito a toda população mundial.
É fato que a ciência e a tecnologia melhoraram muito a vida do homem ao facilitar o trabalho, ao combater doenças, ao elevar padrões de vida. No entanto, tais conquistas têm resultado em crescentes pressões sobre o meio ambiente. Isso se deve ao atual modelo de desenvolvimento, o qual se baseia na desigualdade e não beneficia igualmente a todos desse progresso.
b) EDUCAÇÃO AMBIENTAL NÃO FORMAL
A educação ambiental não formal é aquela que se adquiri no cotidiano, a partir das práticas no dia-a-dia, ou seja, não vem de fora para dentro do indivíduo, e está
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constituída por um conjunto de comportamentos e ações de natureza educativa cujo objetivo é a sensibilização da coletividade sobre as questões pertinentes ao meio ambiente e à sua organização e participação na defesa da qualidade de vida.
Não existe um curso ou uma espécie de formação. Ocorre na proporção que a pessoa vai se envolvendo, na troca de experiências que realiza, no convívio social e nas ações coletivas, na participação em eventos e é na dimensão desses eventos que acontece um maior comprometimento com as práticas que realiza.
A educação ambiental não formal é um processo integrado e amplo cujo objetivo é a capacitação dos indivíduos para a ampla compreensão das diferentes repercussões ambientais das atividades humanas, tornando-os aptos a agir ativamente em defesa da qualidade de vida ambiental.
Atinge os indivíduos de forma particular, pelos meios de comunicação, podendo induzi-los à assimilação de comportamentos e novas atitudes. Esse processo desenvolve o senso crítico, valorizando o saber popular e facilitando a construção de um saber ambiental.
c) OS SIGNIFICADOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NÃO FORMAL A educação ambiental não formal tornou-se uma ferramenta indispensável, na solução dos grandes problemas ambientais atuais e na necessidade de conscientizar os indivíduos para que se tornem atuantes e participativos na resolução desses problemas.
Representa papel importante na conscientização e sensibilização da sociedade, pois envolve a comunidade com atividades educacionais em defesa do meio ambiente propiciando melhor qualidade de vida. Contempla a comunidade como um todo, desde a população cuja faixa etária deveria estar no processo formal de educação escolar, como também a população não envolvida neste processo.
A educação ambiental que se prioriza neste trabalho é a que busca o encontro com a educação social, é a que possibilita ao ser humano o reencontro consigo mesmo e com o outro, com o mundo vivido, despertando um posicionamento crítico e solidário diante das problemáticas das relações sociais presentes na sociedade contemporânea.
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De acordo com Loureiro (2006, p.21) os fundamentos da educação ambiental definem as premissas que orientam a tendência crítica destacada pela educação ambiental “como uma visão paradigmática diferenciada da e na educação e que, pela explicitação do contraditório, torna compreensível os diferentes modelos encontrados em projetos e programas formais, informais e não formais”.
Isto se faz necessário para melhor compreender os fundamentos históricos, antropológicos, sociológicos e filosóficos (éticos e epistemológicos) da educação ambiental, considerando que os mesmos são importantes na definição e na busca da mudança de valores, conhecimentos, habilidades e comportamentos almejados na transformação da crise socioambiental.
Na visão sociológica da Educação Ambiental, é válido ressaltar que a ênfase está no sentido transformador e libertador da educação, alicerçada pelos aspectos culturais, históricos e políticos. Para Loureiro (2006, p.36), é necessário que haja uma relação dialógica entre as ciências sociais e as demais ciências. Para este autor, é imperativo que exista uma compreensão da dinâmica da vida e, “das relações ecossistêmicas, do fluxo e intercâmbio energético e material, da capacidade de suporte ambiental, da especificidade humana histórica e cultural na natureza e do modo como produzimos e nos organizamos em sociedade”.
Dessa forma, é necessário compreender que o ser humano é um ser complexo, visto que existe uma gama de condicionamentos na construção de cada ser humano pelas interações com o meio em que atua. Assim, pode-se dizer que o indivíduo é um “ser construído pelas relações entre o biológico, o cultural, o econômico, o político e o histórico” (LOUREIRO, p.37).
Nesse sentido, para Loureiro a educação ambiental tem o papel de promover a discussão com as diversas visões ecológicas para que sejam compreendidas, problematizadas e reunidas na sociedade de maneira global e um processo de integração, excluindo, assim, a possibilidade de se ter uma única concepção adotada como verdadeira.
Na educação ambiental, de acordo com o Loureiro (2006), têm-se dois grandes blocos filosóficos que, referem-se à compreensão do significado de realidade e até mesmo o que é real e como se concebe a realidade. O primeiro diz respeito a uma
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“fundamentação metafísica que acredita na existência de um mundo das formas puras e na possibilidade da construção de um método unificador que possibilita desvelar a essência atemporal da natureza”. O segundo bloco se preocupa com a “busca da essência no próprio mundo natural, no qual a humanidade se insere e a partir da qual a abordagem transformadora e emancipatória da educação ambiental se consolidou.” (LOUREIRO, 2006, p. 39).
De acordo com o pensamento de Loureiro (2006), a sociedade atual vivencia uma crise ambiental decorrente de uma crise civilizatória antecipada por uma crise ética, devido à “ausência de valores entre os seres humanos”. É um ciclo consolidado pelo próprio humano e que exige uma nova conduta para que exista a inversão de paradigmas e visões de mundo, na perspectiva da criação de um saber ambiental, buscando o espaço propício entre os sistemas sociais para se efetuar a discussão aprofundada a respeito das raízes e causas da crise ambiental.
Para Loureiro (2006), a educação ambiental deve ser o elemento de transformação social embasada no diálogo, no exercício de cidadania, no fortalecimento dos sujeitos, na criação de projetos coletivos comunitários, na superação das formas de dominação social e cultural, na compreensão do mundo em sua complexidade e da vida em sua totalidade.
Existe uma semelhança no discurso do autor com o pensamento complexo de Morin (2001, p. 114), pois há a necessidade de empenhar-se para que a “espécie humana, [...] se desenvolva e dê, finalmente, com a participação dos indivíduos e das sociedades, nascimento concreto à Humanidade como consciência comum e solidariedade planetária do gênero humano”.
Na educação ambiental a ação está associada a um processo constante de reflexão crítica, tornando-se essencial para a prática da democracia, alicerce da educação para a conscientização, onde estão evidentes os aspectos políticos das realidades socioambientais. Dessa forma, a educação ambiental é um processo coletivo que tem em sua base o diálogo para atingir o objetivo desejado com alternativas socioambientais, favorecendo a harmonia e o equilíbrio entre sociedade e natureza, entre o ser humano e o seu meio.
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A educação ambiental é mais que o ensinamento de comportamentos adequados e de conteúdos científicos. Ela preceitua a urgência de despertar nos homens um olhar sobre si próprio e o reconhecimento na expressão de suas dimensões não conceituais, fundadas no pensamento ético do respeito ao outro e ao mundo.
Ruscheinsky e Costa, (2002, p.82) chamam a atenção para que “a educação ambiental deve lidar com todos os aspectos da vida do cotidiano, como um sujeito em construção, no vir-a-ser consciente de seu tempo e de suas exigências de seu espaço”.
Para tanto, é necessário que sejam criadas oportunidades do homemreconhecer-se como
cidadão e entender que o mundo é de todos, aceitando conscientemente a responsabilidade das suas ações e as relações ambientais que indiquem a atuação de um sujeito realmente ético, no ambiente em que vive. “Sendo assim, a verdadeira educação ambiental deve pertencer à comunidade, partindo dela e a ela retornando”.
Igualmente Loureiro (2006), cita que a educação ambiental deve ser o caminho da transformação social fundamentada no diálogo, no exercício pleno da cidadania, no fortalecimento dos sujeitos e das instituições, na superação das formas de dominação social e cultural, na criação de projetos coletivos comunitários, na compreensão do mundo em sua complexidade e da vida em sua totalidade.