Capítulo II – A Criança Como Actor Social
4. A Educação Multicultural
Termos como, Educação Multicultural/intercultural, multirracial, para a igualdades de oportunidades, para a diversidade cultural, correspondem a conceitos tão diversos, embora em muitos casos com significados próximos (Cardoso, 2005). Para o autor, a educação multicultural implica diferentes níveis de decisão política (governo, escola, classe) e actores (políticos, órgãos de escola, professores, família, comunidade). É um processo gradual de mudanças, que envolve toda a educação e todos os alunos independentemente de sua classe social. A educação multicultural afirma e promove o pluralismo representado pelos alunos, as suas famílias e comunidades. Ela baseia-se em objectivos, conteúdos e processos curriculares que expressem e promovam a diversidade cultural, linguística, num clima de interdependência e de igualdade de circunstâncias.
Por outro lado, Aguado (2000), a expressão educação intercultural refere-se a inovações educativas para fazer face à diversidade cultural. Entre os seus objectivos destacam-se: lutar contra a exclusão e adaptar a educação à diversidade dos alunos, garantindo igualdades de oportunidades na aquisição de competências necessárias, respeitar o direito à própria identidade, tornando-o compatível com a igualdade de oportunidades e progredir em relação aos direitos humanos.
Segundo Soeiro & Pinto (2006:114), “a diversidade sócio- cultural na escola não é nova ela foi-se acentuando com a modernidade, que deu impulso ao advento da escola de massas a entrada de alunos de diferentes grupos sócio- económicos e de diferentes realidades regionais. Mas, essa diversidade aumentou, mais recentemente pelo facto de a população escolar abranger também alunos de diferentes grupos nacionais e étnicos. Para os autores, o termo educação intercultural é usado, sobretudo, em contexto europeu. Este conceito é mais utilizado do que o termo “educação multicultural”, pois oferece mais clareza a ideia de troca de comunicação, de negociação e de interação de diferentes grupos socioculturais. Sobre a Educação intercultural Mendes (2006), refere que as mutações sociais ocorridas ao longo das últimas décadas e a democratização do acesso ao ensino permitem explicar como o grau de heterogeneidade cultural nas escolas é elevado. Segundo autor a noção de multiculturalismo provêm dos EUA e rapidamente foi
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“Toda pessoa deve, assim, poder expressar-se, criar e difundir suas obras na língua
que deseje e, em particular, na sua língua materna; toda pessoa tem direito a uma educação e uma formação de qualidade que respeite plenamente sua identidade cultural; toda pessoa deve poder participar na vida cultural que escolha e exercer suas próprias práticas culturais, dentro dos limites que impõe o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais”
Referindo-se de forma específica aos países lusófonos, Vilela (2006 P.178) afirma que, “o multiculturalismo é um dos traços mais visíveis do mundo globalizado e essa
marca está bem patente no que designamos por espaço lusófono”. Segundo o autor,
Angola, Moçambique, Guiné- Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo verde, Portugal e Brasil, são compostos por comunidades, multiculturais que pode também ser tipificado, do ponto de vista linguístico, como espaços bilingues ou mesmo
44 multilingues. Linguisticamente, o bilinguismo ou (multilinguismo) caracteriza em maior ou menor grau, a vida comunitária das suas populações (Vilela, 2006).
Ora concordamos com a afirmação de Cardoso (2005) de que não teria sentido falar de educação multicultural/ intercultural sem considerar o seu principal objectivo que é a realização da igualdade de oportunidades educativas para todas as crianças independentemente da sua origem étnico- cultural, social, de género.
“A situação das minorias étnicas no sistema educativo deve ser parte de uma
análise alargada de forma a apreenderem-se os modos como se projectam e manifestam na escola os mecanismos sociais externos que podem gerar desigualdades de oportunidades educativas” (Cardoso, 2005 p.14). O autor refere
ainda que não basta afirmar sobre gratuitidade e universalidade do ensino, e igualdade de oportunidades para todos, se a ação da escola não tiver em conta fatores que dentro e fora do sistema educativo impeçam para a realização dessa igualdade, sendo imprescindível a sua acção a favor da igualdade de oportunidades educativas. É fundamental que estejam cientes da importância da igualdade de oportunidades e que façam uso da autonomia que dispõem para criar condições curriculares mais favoráveis para as aprendizagens de todas as crianças. Este facto não resultará com atitudes de desistência com a justificação de que a escola pouco ou nada pode fazer enquanto não forem resolvidos os problemas externos à ela que desfavorecem as minorias. Requer uma série de actividades conjuntas como, a dinamização das relações da escola com as famílias no sentido do diálogo, da participação de todos intervenientes e da (co)responsabilização
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