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4.5 A educação on-line ou E-learning: contexto
A Internet vem se consolidando como meio viável de apoio à modalidade de educação semipresencial e a distância. A Web, além de ser é um espaço dinâmico e democrático de comunicação, permite a disponibilização de documentos e compartilhamento de informações em amplitude global, bem como, se tornou o lugar
apropriado para a pesquisa e a formação do conhecimento (KHAN, 2005). Nesta razão de ser, as estatísticas da EaD no Brasil demonstram que houve um crescimento significativo da educação on-line. Em 2004 o E-learning já apontava como segunda mídia mais utilizada em EaD só perdendo para a mídia impressa (ANUÁRIO BRASILEIRO ESTATÍSTICO DE EDUCAÇÃO ABERTA E A DISTÂNCIA, 2005) e em 2005 o fenômeno se repete com 61,2% de utilização do E-learning para 84,7% de material impresso (UNIVERSIA, 2006).
A educação on-line, E-learning ou por meio da internet, é o instrumento mais recente da EaD, o que não quer dizer que outras mídias estão sendo abandonadas, ao contrário, elas convivem e podem ser complementares.
As definições e modelos encontrados para a EaD, surgiram de acordo com as transformações tecnológicas e dos paradigmas econômicos de cada época. Os conceitos de EaD4 caracterizam-se na mediação didático-pedagógica, na mídia
utilizada para a entrega de conteúdos, na tecnologia para a comunicação entre professores e estudantes e estudantes entre si, — diferença básica da concepção do modelo presencial com encontros face a face — e a determinação do espaço e tempo em que o aluno deverá realizar seus estudos (BELLONI, 1999; RODRIGUES, 2004; PAULSEN, 2002, 2003). A EaD tem seu florescer na Inglaterra, por volta dos anos 1830 ou 1840, com base na educação por correspondência que ganhou força na abertura de escolas privadas e instituições públicas (RUMBLE, 2000, 2001, 2002).
Alguns autores (Garryson apud PETERS, 2003a; PETERS, 2003b; RUMBLE, 2000; Taylor apud BATES, 2005), tomando por base as transformações tecnológicas, classificam em gerações a história da EaD:
• a primeira geração corresponde à aprendizagem por correspondência, a partir da escrita e leitura e se estende aos tempos do texto impresso, à época em que o correio iniciou seus serviços e as linhas de trem surgiram na Europa, tempo em que a EaD ainda encontrava enraizamento forte no ensino presencial;
4 O Decreto 5.622, de 19.12.2005 que revogando o Decreto N.º 2.494, DE 10 DE
FEVEREIRO DE 1998 conceitua a EaD como: “(...) a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos” (BRASIL, 2006).
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• a segunda geração tem base nas transmissões por rádio, teleconferência, atendimento por telefone e envio de fita cassete e fita de vídeo.
As demais gerações têm base no computador pessoal e na internet: • a terceira na multimídia e redes de conferência;
• a quarta no acesso a banco de dados e bibliotecas eletrônicas e
• a quinta na tecnologia wirelles, agentes inteligentes e na reutilização de conteúdos.
Estas gerações se sobrepõem conformando um leque de possibilidades, portanto não se excluem.
O E-learning é a aprendizagem por meio da tecnologia eletrônica (BATES, 2001), que ocorre especificamente na Web, sem qualquer material de aprendizagem físico como os da educação da sala de aula convencional (NICHOLS, 2003) e trata- se de “uma estratégia para conectar aprendizes com recursos de conhecimento distribuídos” (Shearer, 2003, p. 297, tradução nossa).
As denominações para a educação on-line são diversas5: “[...] virtual
education, Internet based education, web-base education, and education via computer-mediated communication” (PAULSEN, 2002, p. 23), “[...] e-learning, Web- based learning (WBL), WEb-based instruction (WBI), Internet-based training (IBT), distributed learning (DL), advanced distributed learning (ADL), distance learning, online learning (OL), móbile learning (or m-learning) or nomadic learning, remote learning, off-site learning, a-learning (anytime, anyplace, anywhere learning)” (KHAN,
2005, p. 3). O fundamental é que a tecnologia tem sido um facilitador que possibilita, através de uma estrutura de rede e de mídias, a construção dos saberes permitindo a interação síncrona e assíncrona de professores e alunos, pois na nova economia o conhecimento é reconhecido como ativo valoroso e as empresas investem no capital humano gerando uma parceria de aprendizagem (MORRISON, 2003).
A educação on-line é anterior ao surgimento da Web, uma história que inicia nos anos 1960, na primeira fase, com a utilização de redes, correio eletrônico,
5 “Na literatura nacional, os termos mais freqüentes relacionados a AVA são: Aprendizagem
baseada na Internet, educação on-line, ensino ou educação a distância via Internet e E-learning” (PEREIRA, 2005).
computadores de tempo compartilhado e sistemas de conferência como o Emissari,
Eies, Forum, Confer e outros. Em 1969 foi desenvolvida a Rede da Agência de
Projetos e Pesquisa Avançada (Advanced Research Projects Agency Network - ARPANET) pelo governo americano com o objetivo de conectar pesquisadores a centros de dados. Assim, no início de 1970, o correio eletrônico passa a ser o serviço mais utilizado na rede e em seguida foram criadas as listas de e-mail coletivas. Em 1983 a ARPANET foi dividida em ARPANET e MILNet, uma rede militar, a conexão entre elas foi mantida e deu o início à grande rede mundial a Internet. Inicialmente, a ARPANET era de uso militar e universitário para pesquisas de defesas.
No final da década de 1970 foram desenvolvidas as redes UUCP e a Usenet para servir inicialmente às universidades e posteriormente às empresas comerciais. A Bitnet e a Csnet apareceram no início dos anos 1980 para o público acadêmico e pesquisador e em 1986 foi criada a NSFNet que se tornou a estrutura das redes e substituiu a ARPANET que desapareceu em 1990 (HARASIM et all, 2005). Estava assim criada a Internet.
A segunda fase da educação on-line tem início na Web, através de instituições de todo o mundo. Os destaques ficam por conta da América do Norte, Austrália e Nova Zelândia e muitos países da Europa, tais como o Reino Unido, Noruega, Dinamarca e os Paises Baixos pelos altos investimentos nesse setor (BATES, 2001).
As principais maneiras de uso da internet nas universidades e colégios foram iniciadas com os professores disponibilizando arquivos de apresentações ou textos em uma página que poderia ser expandida, por meio de conexões, para páginas externas. Os alunos eram incentivados a participarem de fóruns e os E-mails serviam para envio de materiais e comunicação. As grandes universidades, que já atuavam na EaD e que podiam investir na infra-estrutura necessária, implantaram mais facilmente a educação on-line. As facilidades ou dificuldades na implantação aconteceram mediante a modalidade de EaD tradicionalmente oferecida, a infra- estrutura já disponível e o publico alvo de cada instituição. Destacam-se dois casos mais simples: o da Athabasca University do Canadá e o da Open University da Catalunha na Espanha. A primeira por contar com o grande acesso a internet que a população canadense dispunha e a segunda por ter sido criada em 1994 já iniciando
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as suas atividades em meio on-line. A educação on-line ficou conhecida, então, como distributed learning, porque a maneira de distribuir o material para os alunos era o que estabelecia a diferença entre a educação face-a-face e a modalidade a distância. A Austrália adotou o termo “flexible learning” para o modo semi-presencial. Aos poucos, foram ocorrendo as migrações (Figura 4.1) e implantações de modelos de entrega da aprendizagem, parcialmente a distância ou completamente a distância (BATES, 2001). Ensino face-a- face em sala de aula Ensino face-a- face em sala de aula com o uso da t ecnologia Modo m ix, m enor t em po face-a- face m ais t em po on- line Educação a distância on- line
Aprendizagem dist ribuída
Nenhum a aprendizagem on- line Aprendizagem totalm ent e on- line Figura 4.1: Migração da educação presencial para a educação on-line.
Fonte: Adaptado de Bates (2001).