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1 AS RELAÇÕES DO MUNDO DO TRABALHO E A EDUCAÇÃO

1.4 A Educação Profissional no governo Lula (2003-

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva inicia-se em 2003, com compromisso junto à sociedade para a construção de uma nova política pública educacional pautada em propostas que envolviam mudanças estruturais nas formas das articulações herdadas do governo FHC, de dissociação da educação profissional da educação regular. A nova proposta governamental se comprometia, dentre outras promessas, em,

Corrigir distorções de conceitos e de práticas decorrentes de medidas adotadas pelo governo anterior, que de maneira explícita dissociaram a educação profissional da educação básica, aligeiraram a formação técnica em módulos dissociados e estanques, dando um cunho de treinamento superficial à formação profissional e tecnológica de jovens e adultos trabalhadores (BRASIL, MEC, 2005, p. 2, apud FRIGOTTO; CIAVATTA; RAMOS, 2005b, p. 1089).

As mudanças propostas demarcaram o compromisso de revogação do Decreto nº 2208/97, o qual legalizava a dissociação entre a educação regular e a profissional, apresentando uma nova configuração com o restabelecimento da integração do Ensino Médio ao técnico àqueles que interessassem por esse itinerário formativo.

Assim, a educação profissional foi novamente incorporada à educação básica, tornando-se “técnica de nível médio”, com a promulgação do Decreto Nº 5.154 de 24 de julho

de 2004, regulamentando o artigo 36 e os artigos 39 a 41, da LDB, erguendo-se uma nova expectativa aos processos formativos à expansão e modernização da educação profissional, a partir de agora também denominada de “tecnológica”.

Estabelece-se, portanto, a retomada da oferta na forma articulada ao Ensino Médio e a formação para o trabalho, que poderia ser realizada de forma integrada, na mesma instituição de ensino, com matrícula única para as duas modalidades, na forma concomitante, caracterizada com matrículas distintas na própria instituição ou em outra diversa, e, ainda, na forma subsequente, direcionada aos concluintes do Ensino Médio (BRASIL, 2004b).

Com esse novo formato da educação profissional, nasce a expectativa da “construção de um Brasil melhor”, desejo explícito no discurso do Presidente Lula durante a apresentação do Plano Plurianual 2004-2007. O governo também reafirma antigas políticas econômico- sociais, demarcando os indivíduos como responsáveis por influenciar a retomada do crescimento da economia, porém sem desprezar o caráter privado, por possuir “um papel insubstituível” (BRASIL, 2003a).

No texto do relatório do MEC, sob a Gestão da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica- SETEC, apresentado em 2004, a justificativa para o novo desenho do ensino técnico estabelece como parâmetros buscar a “força de trabalho do país” para o alcance nos avanços do desenvolvimento social e econômico, denotando grande responsabilidade aos que se qualificarem por essa via.

A educação em seus diversos níveis é um direito de todos, além de ser uma estratégia para o desenvolvimento social e econômico de uma nação. Se é assim, como explicar a existência, no País, de um contingente de 25 milhões de jovens e adultos sem escolaridade ou com até 2 anos de escolaridade, para os quais, é de fundamental importância a educação e a formação profissional? Os números da Educação Profissional no Brasil, apresentados em seu último Censo - 716 mil matrículas no Nível Técnico e 91 mil concluintes - são indicadores de que não há, ainda, condições de garantir formação profissional aos milhões de jovens e adultos que representam a força de trabalho do País. Sendo o papel da Educação Profissional e Tecnológica de fundamental relevância nas novas diretrizes do Governo Federal, no que tange à retomada do crescimento econômico do País, uma vez que a geração de empregos e o crescente desenvolvimento tecnológico exigem uma atuação proeminente quanto à formação profissional de sua força de trabalho, faz-se necessário que sejam assegurados os meios para que a oferta seja condizente com a demanda, tanto quantitativa, quanto qualitativa (BRASIL, 2004c, p. 13).

Nesse contexto anterior à exposição das justificativas supracitadas, já havia sido criado o Programa “Democratizando o Acesso à Educação profissional, tecnológica e Universitária”,

sob a competência do Ministério da Educação, vinculado à Secretaria de Educação Média e Tecnológica.20pautado em objetivos que visavam a

Ampliar a oferta da educação profissional, tecnológica e da educação superior, com melhoria da qualidade, incorporando novos contingentes sociais ao processo de formação profissional, tecnológica e universitária, visando democratizar o acesso às oportunidades de escolarização, formação, trabalho e desenvolvimento humano, promovendo inclusão social a amplas camadas da população brasileira e contribuindo para reduzir as desigualdades regionais (BRASIL, 2003b).

As ações referiam-se à continuidade do Programa de Melhoria e Expansão da Educação Profissional – PROEP, nos âmbitos federais, cujo público-alvo seriam jovens e adultos que buscam melhores oportunidades de formação profissional técnica e superior tecnológica, alunos de pós-graduação, professores e pesquisadores (BRASIL, 2004c).

Como a meta na expansão profissional foi articulada à educação superior, essa transversalidade obteve avaliação desfavorável pelo próprio governo. Assim, a partir de 2005, o Programa teve seu foco na expansão da educação profissional de nível médio, passando a ser denominado de Desenvolvimento da educação profissional e tecnológica (FERREIRA, 2010).

As mudanças mais relevantes ocorreram somente mais tarde, já em 2007, com o início da expansão dos Institutos Federais de Educação, configurando um importante marco na democratização do ensino profissional, com a promulgação do Decreto nº 6.095 de 24 de abril de 2007, sendo requerida destas instituições, em cada exercício, a aplicação de, no mínimo, 50% de sua dotação orçamentária na oferta de vagas de cursos técnicos em todos os níveis e modalidades (BRASIL, 2007a).

Nessa perspectiva, presume-se o início de uma nova era de formação integral e ampla com vistas à emancipação do educando, deixando para trás rastros da dualidade severa, pautada em finalidades distintas, apresentada pelo governo de FHC, emergindo uma nova proposta de Ensino Médio unitário, politécnico com mudanças estruturais neste âmbito educacional.

Entretanto, a realidade que se revelou mais tarde foi que essa nova perspectiva de transformação na educação profissional, na dimensão em que foi propalada por seus idealizadores e almejada pela sociedade, não aconteceu de forma prioritária e nem na proporção vislumbrada por ambos.

Torna-se importante destacar que a integração do processo formativo da educação básica à profissional foi um marco importante no cenário educacional brasileiro, contudo a elaboração desta nova forma de ensino não se configura como um problema de caráter simplesmente pedagógico, mas político, por isso não promoveram mudanças estruturais e nem ruptura dos vieses ideológicos já estabelecidos.

Buscar resolver essa dualidade, erguida durante um longo processo histórico, que “tem suas raízes nas formas de organização da sociedade, que expressa as relações entre capital e trabalho; pretender resolvê-la na escola, através de uma nova concepção, ou é ingenuidade ou é má-fé” (KUENZER, 2002, p. 35)

Ao contrário do esperado, a almejada integração entre as políticas da educação básica e profissional, e sua articulação com os demais sistemas estaduais e federais de ensino, iniciaram-se como uma fragmentação dentro do próprio Ministério da Educação (FRIGOTTO; CIAVATTA; RAMOS, 2005a). A fragmentação ocorreu quando a Secretaria Educação Básica – SEB tornou-se responsável apenas pelas políticas relacionadas ao Ensino Médio, e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – SETEC, pelas políticas da educação profissional.

As configurações da educação profissional, nesse período, pautaram-se muito mais em uma reorganização de antigos programas de qualificação, com novas denominações e parcerias, tendo suas principais ações iniciadas pelos programas: Escola de Fábrica, Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA, PROJOVEM21, Programa Brasil, gratuidade do Sistema “S”, e, ainda o,

Plano Nacional de Qualificação – PNQ, com a carga horária ampliada (em relação ao PLANFOR), da média de 62,4 para 200 horas a partir de 2006 (BRASIL, 2007b).

O PNQ tinha como premissa básica,

Inclusão social e redução das desigualdades sociais; crescimento com geração de trabalho, emprego e renda, ambientalmente sustentável e redutor das desigualdades regionais; e promoção e expansão da cidadania e fortalecimento da democracia (PNQ, 2003, p. 17).

Diante das inúmeras propostas apresentadas para a profissionalização durante o governo Lula, torna-se importante discorrer brevemente sobre os programas apresentados e seus principais objetivos.

21 Os autores Frigotto; Ciavatta e Ramos (2005b) discutem os principais Programas de educação profissional no

Em 2005, foi criado o Projeto denominado “A Escola de Fábrica”, com o objetivo de promover formação profissional inicial e continuada, ou qualificação, destinado a jovens de baixa condição social e renda, com a oferta de curso em espaços alternativos, a exemplo do chão da fábrica (FERREIRA, 2010). Com características de inclusão social, o projeto visava a atender aos jovens excluídos do mercado de trabalho, incentivando as empresas privadas a praticar a responsabilidade social (FRIGOTTO, 2005a).

Outro Programa criado nesse período foi o PROEJA, instituído pelo Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006, destinado à educação de jovens e adultos, na modalidade integrada, direcionado a um público específico com idade superior a 18 anos que tenha cursado apenas o ensino fundamental, com o objetivo de “[...] resgatar e inserir no sistema escolar brasileiro milhões de jovens e adultos possibilitando-lhes acesso à educação e formação profissional na perspectiva de uma formação integral” (BRASIL, 2006, p. 3)

O Programa Nacional de Inclusão de Jovens – PROJOVEM nasce como parte das ações de profissionalização nesse período. Criado em 2005, tinha como característica peculiar seu caráter emergencial no atendimento a jovens em situação de risco social, sob a responsabilidade da Secretaria Nacional de Juventude (FERREIRA, 2010).

O PNQ também foi destaque no governo Lula, com vigência a partir do primeiro PPA (2004-2007), composto pela integração das políticas educacionais de trabalho e renda, por meio da interveniência do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador – CODEFAT, seu processo centrava na qualificação social e profissional – QSP do trabalhador com mais de 16 anos, não exigindo escolaridade prévia, como o PLANFOR de FHC, tendo como preferência os cadastrados no Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda, no âmbito do SINE, cujo objetivo explícito no artigo 2º da Resolução nº 333 era

Contribuir para promover a integração das políticas e para a articulação das ações de qualificação social e profissional do Brasil e, em conjunto com outras políticas e ações vinculadas o emprego, trabalho, renda e educação, deve promover gradativamente a universalização do direito dos trabalhadores à qualificação, com vistas a contribuir para:

I - a formação integral (intelectual, técnica, cultural e cidadã) dos/as trabalhadores/as brasileiros/as;

II - aumento da probabilidade de obtenção de emprego e trabalho decente e da participação em processos de geração de oportunidades de trabalho e de renda, reduzindo os níveis de desemprego e subemprego;

III - elevação da escolaridade dos trabalhadores/as, através da articulação com as políticas públicas de educação, em particular com a Educação de Jovens e Adultos;

IV - inclusão social, redução da pobreza, combate à discriminação e diminuição da vulnerabilidade das populações;

V - aumento da probabilidade de permanência no mercado de trabalho, reduzindo os riscos de demissão e as taxas de rotatividade ou aumento da probabilidade de sobrevivência do empreendimento individual e coletivo; VI - elevação da produtividade, melhoria dos serviços prestados, aumento da competitividade e das possibilidades de elevação do salário ou da renda; e VII - efetiva contribuição para articulação e consolidação do Sistema Nacional de Formação Profissional, articulado ao Sistema Público de Emprego e ao Sistema Nacional de Educação (BRASIL, 2003b).

O governo federal, ainda procurando identificar e solucionar os problemas que afetavam de forma direta o sistema educacional brasileiro, lançou, em 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, o qual previa uma série de ações que, conjuntamente, visavam a solucioná-los. Para o êxito na viabilização dessas ações, foi necessário estabelecer a colaboração entre os entes federados, resultando no Plano de Metas Compromisso “Todos pela Educação”, que passou a vincular as ações de assistência técnica e financeira da União a Estados e municípios para o cumprimento de metas de qualidade materializadas pelo Plano de Ações Articuladas –PAR (FERES, 2015).

O segundo mandato de Lula foi marcado também pela aprovação da Lei nº 11.892/2008, a qual Instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, com a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, um grande marco na educação profissional brasileira, possibilitando a ampliação das escolas técnicas federais, que, somadas às anteriormente existentes, contabilizaram, em 2010, um total de 354 unidades. Além da expansão e reestruturação das Redes Federais da Educação Profissional, o segundo mandato do presidente Lula (2007-2010) foi marcado por lançamentos de outras iniciativas, como:

Criação do Programa Brasil Profissionalizado (decreto 6.302/2007); a criação da rede de ensino técnico a distância – Rede e-Tec Brasil (decreto 6.301/2007); o Acordo de Gratuidade com os Serviços Nacionais de Aprendizagem (decretos 6.633/2008, 6.635/2008, 6.632/2008, 6.637/2008), e a criação do Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional (Sistec), também em 2008 (FERES, 2015, p. 85).

O Programa Brasil Profissionalizado foi criado com o objetivo de promover a ampliação da rede física da EPT mediante a criação de escolas técnicas nas redes estaduais e do Distrito Federal, na oferta de cursos integrados ao Ensino Médio (FERES, 2015).

A iniciativa da Rede e-Tec foi estabelecida com o objetivo de ampliar e interiorizar a oferta da educação profissional e tecnológica a distância, alcançando um público que não aderisse aos cursos presenciais para essa modalidade de ensino (FERES, 2015).

Já a Gratuidade do Sistema “S” integrou a parceria na oferta de cursos técnicos, estabelecendo-se, em 2008, uma nova pactuação, onde

O acordo prevê que as entidades cumpram um Programa de Comprometimento de Gratuidade (PCG), com previsão de chegar à aplicação de dois terços de suas receitas líquidas na oferta de vagas gratuitas nos cursos de formação para estudantes de baixa renda e trabalhadores – empregados ou desempregados. O acordo prevê também o aumento da carga horária dos cursos, que passaram a ter, no mínimo, 160 horas. (INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA – IPEA, 2014, p. 44-45).

No âmbito da educação profissional de nível médio, foi notório o incremento na oferta da educação profissional aos diferentes públicos. Os resultados quantitativos apontam um histórico de matrículas na educação profissional e tecnológica, em cursos técnicos de nível médio, distribuídas entre as redes federal, municipal e privada, da seguinte ordem: no ano de 2003, somaram 589,3 mil; em 2010, esse número passou para 1.140,4 mil matrículas em todo o país (BRASIL, 2011b).

Entretanto, apesar dos resultados serem apresentados como conquistas do governo Lula, ao analisar os quantitativos de matrículas no PPA 2012-2015 do governo Dilma, eles revelam que, no governo de FHC, do montante de estudantes matriculados em cursos técnicos de nível médio, 44,8% foram atendidos pela esfera pública e 55,1% pela esfera privada; no governo Lula, 52,2% desses estudantes foram matriculados na rede pública e 47,7% na rede privada. Ou seja, apesar do incremento nas matrículas, principalmente pelo reforço da rede federal de ensino, com o projeto de expansão, houve uma redução de apenas 7,4% nas matrículas na rede privada que foram absorvidas pela esfera pública (BRASIL, 2011b).

As iniciativas na oferta da educação profissional, com essas configurações, além de não apresentarem rupturas às práticas neoliberais, foram ratificadas, dando continuidade às parcerias público-privadas na formação de jovens nos cursos, principalmente os de qualificação profissional (FRIGOTTO; CIAVATA; RAMOS, 2005a).

As transformações ocorridas com a promulgação do Decreto 5.154/04, no que concernem às formas na oferta da educação profissional, foram consideradas mínimas, além de trazerem consigo o Parecer CNE/ CEB nº 39/04 e a Resolução nº 01/05, ficando claro que a vigência destes documentos expressou a contradição envolvendo a revogação do Decreto nº 2.208/97 e promulgação do nº 5.154/04, respectivamente, na medida em que foram atualizadas as Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN, mantendo-as sob orientação do revogado Decreto ( RAMOS, 2014).

Apesar disso, torna-se importante salientar um aspecto considerado relevante, da mesma forma positiva no governo Lula, no que tange à expansão da rede federal ocorrida por intermédio dos Institutos Federais. Durante sua gestão (2003-2010), foram entregues 214 unidades previstas nos planos de expansão da rede federal, configurando maior qualidade na oferta dos cursos no tocante às instalações e pessoal capacitado (FERES, 2015).

Um aspecto importante a ser destacado é a qualidade das novas unidades escolares da rede federal. O modelo padrão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)/MEC, para escolas em municípios com maior população, define uma área total construída de 5.500 m², contemplando doze salas de aulas, seis laboratórios para ensino de ciências e informática, auditório com capacidade para 205 pessoas, dois laboratórios tecnológicos com 200 m² cada, biblioteca informatizada, refeitório, área de vivência, ginásio poliesportivo e teatro de arena. As escolas com esse porte estão dimensionadas para o atendimento de 1.200 alunos em cursos regulares (IPEA, 2014, p. 20).

Entretanto, com a apresentação da nova política para a oferta educação profissional e tecnológica, com a possibilidade da integração legalizada pelo Decreto nº 5.154/2004, a maioria dos diretores dos Centros Federais de Educação Profissional e Tecnológica- CEFET e demais parceiros, como Secretarias Estaduais de Educação e o Sistema S, optaram por manter a diversidade na oferta de educação profissional e tecnológica apresentada no Decreto anterior (CREMONESE, 2012).

As políticas da educação profissional nesse período não refletiram em mudanças significativas, foram ajustes de caráter assistencialista, mas com o foco nas políticas econômicas e fiscais, demarcando uma forte herança das políticas do governo anterior. Ainda, houve uma importante participação da rede privada como parceiras na oferta dos cursos técnicos, o que também reforça o interesse da profissionalização em larga escala fomentado por recursos públicos.

Kuenzer (2006) ao discutir as proximidades das políticas da educação profissional formuladas nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo e primeiro mandato respectivamente, considerando o fato de serem formuladas numa sociedade pautada no modo de produção capitalista, acredita que ambas foram sustentadas pelo “patrocínio do discurso da inclusão”. Ora se aproximavam em alguns pontos, ora se distanciam em outros, mas, em resumo,

As políticas e propostas contidas nos decretos e planos acima referenciados, nos dois governos, originaram um conjunto de programas e projetos que

tiveram por objetivo a sua implementação. Esses programas e projetos, tanto no Governo Fernando Henrique quanto no Governo Lula, não se diferenciam no que diz respeito à concepção das relações entre Estado e Sociedade Civil, que passam a se dar por meio das parcerias entre o setor público e o setor privado (KUENZER, 2006, p. 899).

A autora indica que, apesar de na época se basear em resultados parciais do PNQ, foi possível apontar a continuidade no mesmo sentido do PLANFOR. Embora haja a negação no plano do discurso, foi evidente a semelhança com “o crescente repasse de recursos públicos para o setor privado, por intermédio de parcerias justificadas pela ‘impossibilidade’ do Estado em cumprir com suas funções” (KUENZER, 2006, p. 899, grifo do autor).

Apesar dos avanços ocorridos no governo Lula, com a democratização da educação profissional e investimentos importantes na expansão da Rede Federal de ensino, mas, principalmente pela revogação do Decreto nº 2.208/1997 e regulamentação do 5.154/2004, essas mudanças não causaram um rompimento na forma e nem na essência das relações na oferta da educação profissional, sendo propalada políticas sociais de caráter inclusivo àqueles que, por outras exclusões, não tiveram acesso à educação em sua totalidade, ratificando, porém, antigas concepções circunscritas por mediações e adequações conjunturais às necessidades imediatistas do mercado.