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No Brasil as ações e execuções são regidas pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a qual apresenta a finalidade da Educação Superior, sendo que a Lei 9.394/96 traz 16 artigos. O Artigo 43 diz que

I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;

II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;

III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;

V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;

VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;

VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.

Com a nova LDB firma-se a necessidade de serem criados e firmados processos de avaliação sistemáticos, a exemplo do Art. 46 no qual “A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de Educação Superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação”. De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), é “indispensável melhorar a qualidade do ensino oferecido, para o que constitui instrumento adequado à institucionalização de um amplo sistema de avaliação associada à ampliação dos programas de pós-graduação, cujo objetivo é qualificar os docentes que atuam da Educação Superior. ” (BRASIL/INEP, 2009, p. 39-40)

Assim, em 2001, foi atribuída ao INEP a responsabilidade pela avaliação dos cursos de graduação e das IES. Vale ressaltar que a avaliação da pós-graduação é de responsabilidade da CAPES. Sendo que, pelo estabelecido pelo Decreto nº 5.773/2006, a avaliação deve contemplar:

1) avaliação dos principais indicadores de desempenho global do sistema nacional de educação superior, por região e Unidade da Federação, segundo as áreas do conhecimento e a classificação das instituições de ensino superior, definidos no Sistema de Avaliação e Informação Educacional do Inep;

2) avaliação institucional do desempenho individual das instituições de ensino superior, considerando, pelo menos, os seguintes itens:

a) grau de autonomia assegurado pela entidade mantenedora; b) plano de desenvolvimento institucional;

c) independência acadêmica dos órgãos colegiados da instituição; d) capacidade de acesso a redes de comunicação e sistemas de informação;

e) estrutura curricular adotada e sua adequação com as diretrizes curriculares nacionais de cursos de graduação;

f) critérios e procedimentos adotados na avaliação do rendimento escolar;

g) programas e ações de integração social; h) produção científica, tecnológica e cultural; i) condições de trabalho e qualificação docente;

j) a autoavaliação realizada pela instituição e as providências adotadas para saneamento de deficiências identificadas; e

l) os resultados de avaliações coordenadas pelo Ministério da Educação; 3) avaliação dos cursos superiores, mediante a análise dos resultados do Exame Nacional de Cursos e das condições de oferta de cursos superiores. § 1o A análise das condições de oferta de cursos superiores referida no inciso III será efetuada nos locais de seu funcionamento, por comissões de especialistas devidamente designadas, e considerará:

I- organização didático-pedagógica;

II- corpo docente, considerando principalmente a titulação, a experiência profissional, a estrutura da carreira, a jornada de trabalho e as condições de trabalho;

III- adequação das instalações físicas gerais e específicas, tais como laboratórios e outros ambientes e equipamentos integrados ao desenvolvimento do curso; e

IV- bibliotecas, com atenção especial para o acervo especializado, inclusive o eletrônico, para as condições de acesso às redes de comunicação e para os sistemas de informação, regime de funcionamento e modernização dos meios de atendimento.

§ 2o As avaliações realizadas pelo INEP subsidiarão os processos de recredenciamento de instituições de ensino superior e de reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos superiores. (Brasil/INEP, 2009, p. 41-42)

Ou seja, toda IES é submetida à avaliação que leva em consideração os aspectos descritos anteriormente, sendo esta determinante, tanto para credenciamento de novas instituições como também para o recredenciamento de instituições e cursos superiores.

Posteriormente é criado pela Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) tendo por “objetivo de assegurar processo nacional de avaliação das instituições de Educação Superior, dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus estudantes”. (Brasil, 2004) tendo por finalidade

a melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social e, especialmente, a promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior, por meio da valorização de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da identidade institucional. (BRASIL, 2004)

O SINAES analisa as instituições, os cursos e o desempenho dos estudantes. O processo de avaliação leva em consideração aspectos como ensino, pesquisa,

extensão, responsabilidade social, gestão da instituição e corpo docente. Para tal, são reunidas informações das avaliações institucionais, realizadas in loco, e do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE). Essas informações são utilizadas tanto para avaliação dos cursos e IES como de base para a criação de políticas públicas. Sendo o SINAES coordenado e supervisionado pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES) que tem por finalidade e responsabilidade assegurar o adequado funcionamento da avaliação e análise e divulgação dos resultados. (Brasil/INEP, 2009)

O ENADE, exame que integra o SINAES, foi criado em 2005 e reestruturado em 2007, por meio de portaria, e tem como objetivo aferir o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do respectivo curso de graduação, e as habilidades e competências em sua formação. O Exame é obrigatório, pois é considerado componente curricular, para estudantes dos cursos selecionados em período determinado, em geral a relação dos cursos a serem avaliados é determinada no início do ano letivo. Nesse caso, os estudantes que realizam o Exame são os concluintes e os ingressantes (de primeira matrícula) do curso selecionado. Sendo que para os estudantes concluintes, dos cursos selecionados, a realização do Exame é condição para obtenção do Diploma.

Ao falar de Educação Superior, deveríamos estar falando também de qualidade do sistema que pode determinar a qualidade da sociedade que queremos ou que buscamos. De acordo com o artigo 11º da Declaração Mundial acerca Educação Superior no Século XXI, qualidade

É um conceito multidimensional que deve envolver todas as funções e atividades: ensino, programas acadêmicos, pesquisa e fomento da ciência, ambiente acadêmico em geral. Uma autoavaliação interna e transparente e uma revisão externa com especialistas independentes, se possível com reconhecimento internacional, são vitais para assegurar a qualidade. Devem ser criadas instâncias nacionais independentes e definidas normas comparativas de qualidade, reconhecidas no plano internacional. Visando a levar em conta a diversidade e evitar a uniformidade, deve-se dar atenção aos contextos institucionais, nacionais e regionais específicos. Os protagonistas devem fazer parte integrante do processo de avaliação institucional. (UNESCO, 1998, Artigo 11º, alínea a).

Nesse sentido, o Sistema de avaliação da Educação Superior do Brasil parece estar alinhado com o que é determinado e acordado na Declaração Mundial acerca da Educação Superior no Século XXI em relação à qualidade que, segundo descrito,

a qualidade passa por processos de avaliação em que os protagonistas, nesse caso os estudantes, sejam parte e peças fundamentais nesse processo.