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Parte 1. Os colunistas: contornos de uma presença no “campo dos media”

3. O recrutamento (entre as elites) dos colunistas

3.1. A elite dos jornalistas e os seus problemas

A elite dos jornalistas reporta-se a uma formulação recente, aparece ainda mal definida e está sociologicamente pouco estudada, não obstante já ter sido investigada empiricamente.61

Alguns autores falam indistintamente de elite jornalística e elite mediática, outros tem concepções diferentes acerca de cada uma, considerando que na primeira apenas se incluem os jornalistas e que a segunda abarca outras categorias – políticos, artistas, empresários, escritores, intelectuais – cuja característica comum é a sua frequente exposição ou participação nos diferentes media (Sainz, 2003:45).

É, pois, nesta categoria – a elite mediática – que parece tentador incluir os colunistas. No entanto, a deficiente conceptualização teórica do conceito, desaconselha a sua utilização. O critério para alguém integrar esta elite plural, que incluí outras elites, é fundamentalmente a visibilidade que projectam os media, em particular a televisão (Sainz, 2003:46), o que nos parece manifestamente redutor e insuficiente. Note-se, por exemplo, que Bourdieu, , apenas se refere ao “campo jornalístico”, nunca utilizando os conceitos de elite jornalística ou mediática, ainda que se refira a certas categorias como a das “vedetas mediáticas“ extremamente bem remuneradas (1998:110) ou a de “esses ‘intelectuais-jornalistas’, que se servem da sua dupla pertença para se esquivarem às exigências específicas dos dois universos e para importarem para cada um deles poderes melhor ou pior adquiridos no outro” (idem: 89) ; similarmente, Champagne (1990) também evita a sua utilização, referindo-se apenas ao “campo mediático”.

61 Em Portugal, a investigação é muito reduzida. Existe um trabalho pioneiro e exploratório (Maria

Alcinda Neves Barata, chefias jornalísticas e trajectórias profissionais: uma aproximação à elite dos jornalistas portugueses, actas do 3º congresso da APS, 1996) que dá conta da elite de imprensa, em que esta aparece definida pela presença de variáveis que remetem para uma elite de influência (segundo a tipologia de Guy Rocher). Para a aproximação a um dos possíveis processos formadores de uma elite jornalística desvendaram-se as trajectórias profissionais e o prestígio associado ao desenvolvimento da carreira. Utilizou-se um conjunto de indicadores (distribuição do poder; capital escolar; tempo de exercício da actividade jornalística; ocorrência de situações geradoras da aquisição/atribuição de prestígio social e profissional). Este estudo é sequência de anteriores pesquisas sobre a realidade do jornalismo português (Garcia e Castro 1993; Castro, 1994), os quais identificaram a existência de 4 fracções entre os jornalistas: Fracção já inserida mas em início de carreira; Fracção dos iniciados no Jornalismo; Fracção de Maior Antiguidade e c/ lugares de Direcção; Fracção que ingressou no jornalismo no PREC, tendo sido designadas as duas últimas como fracções de elite

O estudo pioneiro da elite jornalística pertence a Rémy Rieffell (L'Élite des journalistes, 1984) 62, o qual analisou a composição, funcionamento e[1984] práticas dos “dirigentes da informação” franceses. Para o efeito, entrevistou 120 jornalistas considerados membros da elite os jornalistas: os que se encontravam no topo da hierarquia profissional (considerada um critério fundamental e tendo uma configuração lata, onde se incluíam redactores chefe ou chefes de secção), mas tomando também em conta indicadores como as elevadas remunerações, a sua rede de contactos, a audiência/tiragem dos media onde trabalhavam, a notoriedade no interior da profissão, o prestigio social e a consideração obtida por parte do poder.63

Em 2003, María Santos Saínz na investigação empírica que efectuou64 confirma a validade, na actualidade, destes critérios, mas sublinha a crescente importância da visibilidade e a notoriedade outorgada pela televisão enquanto critério para definir a composição da elite jornalística. A televisão é uma plantaforma de lançamento e consagração, inclusive para expressar a opinião nas tribunas da rádio e da imprensa.

Mais, a visibilidade mediática assume-se, para Bourdieu, como uma força simbólica (antes exercida pelas sanções internas): a consagração – “esse novo princípio de legitimidade- ( e as concessões à lógica comercial) confere a certos produtos (culturais ou até mesmo políticos) e a certos ‘produtores’ o substituto aparentemente democrático das sanções específicas impostas pelos campos especializados” (1998:88). Deste modo, a consagração “baixa os direitos de entrada num certo número de campos”, podendo consagrar pessoas que não pagaram esses direitos de entrada do ponto de vista da definição interna da profissão (Idem:72).

Para identificar a elite, Saínz utilizou o método utilizado pelos elitistas- o reputacional - que consistiu em perguntar aos membros da elite jornalística e a outros experts quem consideram que incluí a elite (2003:46). Contabilizadas as respostas obtidas em entrevista, a autora elabora um ranking dos 10 jornalistas franceses mais citados.

62 Posteriormente, publicou também "Analyse de l'élite des journalistes", in Revue Française de science

politique, vol33, nº3, Juin, 1998

63 Outras aproximações ao conceito de elite jornalística: Nos E.U.A, Lichter, R.,Rothman S., Lichter L.

(The Media Elite, Adler&Adler, Maryland, 1986) analisaram o papel desempenhado pelas novas elites emergentes, como a jornalística, na mudança social e cultural; em França, Jean-Marie Charon ( Cartes de presse. Enquêtes sur les journalistes, Stock, Paris, 1993) investigando a profissão de jornalista, em geral, identifica a elite jornalistica com os jornalistas que cobrem a informação política.

Metodológicamente ( e ainda que a autora confronte o ranking apurado, com os nomes mais citados na bibliografia consultada, e com a lista de jornalistas que entrevistaram os presidentes da Républica François Mitterrand e Jacques Chirac, para concluir da similitude da sua composição) parece-nos questionável o critério utilizado para a selecção dos entrevistados- os lugares elevados que detinham na hierarquia dos media- resultando redundante ou circular, pois opera, à partida, uma distinção entre o que é suposto ir distinguir-se. É nosso entendimento que tal só se deveria fazer se já estivessem definidos os valores internos dessa condição, a de elite, à semelhança do que acontece com os campos científicos, em que, como diz Bourdieu, “Um bom historiador é alguém de quem os bons historiadores dizem que é um bom historiador” (Idem:62). A questão da composição das elites, sendo importante (mas seguramente não a única), nunca é uma questão fácil.

A elite de jornalistas franceses, constituída pelo ranking dos 10 jornalistas mais citados, é de pouca circulação, pertence aos media de referência: Le Monde, Libération, Le Figaro, Le Point, Le Nouvel Observauteur, TF1, France 2/3, Europe 1, RTL. ; e inclui as categorias de director, director adjunto, colunista de imprensa, apresentador de telejornais, director e apresentador de um programa de actualidade política, comentador político de televisão. A maioria provem da classe media alta . Entre os dez, apenas duas são mulheres. Só uma (de 84 anos) não possui diploma universitário- a grande maioria é formada em ciências políticas, mas começa a consolidar- se a tendência de procederem das mais reconhecidas escolas de jornalismo. Têm ordenados substancialmente elevados em relação ao resto dos profissionais. E se a notoriedade é alcançada através dos media, o prestígio, a legitimidade e a autoridade intelectual encontram-na através da publicação de obras: todos já publicaram numerosos livros, de todos os géneros, particularmente, livros em que analisam a política e a sociedade francesas ( que são objecto de um tratamento preferencial (promocional) por parte dos media para os quais trabalham ou nos quais colaboram (Ibidem:72-115)65.

64 El poder de la élite periodística, Frágua editorial, Madrid, 2003

65 Augusto M. Seabra, em crónica publicada no Público a 24 de Junho de 2006- a terceira das cinco

crónicas sucessivas subordinadas ao tema “A crítica ainda existe?” (com igual título), refere “casos” portugueses de tratamento privilegiado que os jornais dão aos livros dos seus colaboradores que indiciam a situação descrita em França por Saínz.

Assim, em resultado das entrevistas e das outras fontes consultadas, a autora conclui que, fundamentalmente, são os directores, os editorialistas, os colunistas, os comentadores políticos – todos ligados ao jornalismo de opinião - quem, actualmente constituí a elite jornalística (Ibidem:69). Olivier Mongin (2000, cit por Saínz, 2003:120) realça o papel cimeiro que os jornais desempenham, já que os intelectuais “não existem sem aparecer nas colunas de opinião”. Assim, conclui Saínz, as páginas de opinião “Débats” (Le Monde), principalmente, mas também as secções “Rébonds” (Libération) e “Débats et opinion” (Le Figaro) servem de tribuna de consagração para os intelectuais franceses ( Idem:120).

Também em França, na década de 90, outros autores demonstraram-se igualmente restritivos na composição da elite e sublinharam a característica da visibilidade e da omnipresença, secundarizando, ao invés de Rieffel, a hierarquia profissional. É o caso de Roucaute (1991) e de Hamili (1998), para quem ela é composta por “três dezenas de jornalistas ou ‘intelectuais’66, inevitáveis e volúveis”com uma presença mediática constante em diversos media: (...) Para eles o sol nunca se põe. De manhã na rádio, à noite na televisão; na Imprensa escrita, fluxo contínuo de editoriais: diário nacional, semanário, diários regionais" (1988:77-78).

Jacques Julliard (1997), ele próprio considerado (na investigação de Saínz) um jornalista da elite jornalística em França sublinha a notoriedade- e não a “excelência” ou o talento – como o critério comum que une todos os membros da “super elite” ou da “elite das elites” francesa, a qual se constituí numa rede de conivência de origem social e profissional muito diversificada , detendo um poder e uma influência muito grande, para o qual muito contribuem os jornalistas.

66 Num dossier temático publicado no Le monde diplomatique (Maio de 2006) - onde o intelectual

aparece definido como « un homme ou une femme qui use de sa célébrité, acquise dans le domaine des sciences, des arts ou de la culture, pour mobiliser l’opinion publique en faveur d’idées qu’il considère justes. Depuis deux siècles, dans les Etats modernes, sa fonction consiste, de surcroît, à donner du sens aux mouvements des sociétés, à éclairer la voie menant à plus de liberté et à moins d’aliénation. » (Ignacio Ramonet) - critica-se o silêncio dos intelectuais na revolta em França a propósito do contrato do primeiro emprego (CPE) e são discutidas diversas questões: “ y a-t-il encore des intellectuels qui font référence ? Comment l’explosion médiatique a-t-elle bouleversé leur magistère ? Pourquoi, à la haine typiquement fasciste de l’« intellectuel » ou à l’aversion que lui voue la droite américaine, se juxtapose une sorte d’autodestruction par excès d’exhibition? Sans oublier une interrogation centrale sur la manière dont désormais, dans l’édition et à l’université, les intérêts privés enrôlent des penseurs prestigieux. »

Estas perspectivas têm contribuído para o que o conceito de elite mediática, embora aparecendo ainda muito ligado aos critérios da visibilidade e da notoriedade67, comece também a desenhar-se através de outros mais dificilmente mensuráveis, como o prestígio, o grau de influência ou o poder que detêm.

Paralelamente, estas perspectivas – que se reportam a esta recentemente criada corrente de autores franceses, ferozmente crítica, para quem o jornalismo já não é, de acordo com a máxima de Hubert Beuve-Mery, fundador do Le Monde, "contacto e distância", mas só praticamente contacto (Hamili, 1998: 9) – remetem para um entendimento da elite mediática como uma rede de conivências.

Assim, as principais críticas surgidas deste debate denunciam que esta elite – onde se incluem os fazedores de opinião – vive em osmose com a classe dirigente francesa, numa amalgama a que alguns chamam "classe político-mediática"68, "elites mediatico-

politicas"69 ou "pessoal jornalístico-político" 70 , que favorece uma nítida coabitação e um certo conformismo.

Patrick Champagne (1990) define a participação dos fazedores de opinião como um "jogo político-mediático". Ao apresentarem-se como especialistas em política, escudados no discurso analítico, tomam a defesa de políticos ou políticas concretas. Para este autor, os fazedores de opinião, cujo recrutamento é feito sobretudo no campo académico e no campo jornalístico, são personalidades mediáticas, envolvidas num star-sistem, devendo-se a sua permanência constante no circuito mediático às suas qualidades performativas, expressas através do discurso de sintético, exuberante e fortemente mediático.

67 Ofa Bezunartea (2003) nota que nos inúmeros estudos que os jornais fazem entre os leitores, os nomes

que estes recordam são sempre colunistas. Este comportamento verifica-se igualmente entre leitores supostamente mais qualificados e interessados nos aspectos profissionais, como é o caso dos estudantes de jornalismo

68 Esta expressão- curiosamente também utilizada por François Miterrand, foi referida por Debray (1993) 69 Expressão utilizada pelo jornalista francês, Pierre Carles, autor do documentário “Pas vu, pas pri” 70 Esta expressão é utilizada por Champagne (1990) para designar a cumplicidade, próxima da

promiscuidade, entre jornalistas e políticos, em que os primeiros ora surgem como manipuladores ora como objecto de manipulação. Daí que Chapapagne considere o jornalismo como "um sub-campo da política"

Jean-Marie Charon (1993) baseando-se nas pesquisas de Rémy Rieffel sobre a elite dos jornalistas, atribui a cumplicidade e conivência entre jornalistas e políticos ao paralelismo das suas trajectórias: provêm das mesmas universidades, frequentam os mesmos locais, fazem as mesmas viagens.

Serge Hamili (1997 [1996]), no best-seller em que denunciou a conivência entre a imprensa e poder político e poder económico, ilustrando-a com inúmeros exemplos de clientelismo político e económico, e em que atribuí aos jornalistas o papel de servir a ordem estabelecida e a ideologia dominante, remeteu a elite jornalística francesa para um "universo de conivências": " (…) Entre si, a conivência é a regra. Encontram-se, frequentam-se, apreciam-se, entreglosam-se, estão de acordo sobre quase tudo (77-78). Esta elite, "porta-voz do discurso ultraliberal", deve o seu progressivo conservadorismo, entre outros factores, às elevadas remunerações que auferem, situando-se assim entre as classes mais privilegiadas.71

Estas teses vão ao encontro das que foram expostas por Pierre Bourdieu (1996, 1997) e Ignacio Ramonet (1999): os media foram adquiridos e controlados por poderosos grupos económicos que impuseram uma ideologia dominante, pelo que os jornalistas que neles trabalham, principalmente os que ocupam posições mais elevadas – como os editorialistas e colunistas – defendem os interesses das classes mais favorecidas.

Mas acrescente-se que Bourdieu apenas se refere a “sinais de conivência” entre as elites, ilustrando situações em que, em debates televisivos, se confrontam personalidades aparentemente de partidos opostos, mas que se conhecem intimamente. Referindo-se a esses “debates verdadeiramente falsos ou falsamente verdadeiros”, diz que “o universo dos convidados permanentes é um mundo fechado de interconhecimento que funciona segundo uma lógica de auto – reforço permanente” (27).

A publicação, em Fevereiro de 2003, do livro "A face escondida do Monde – Do contra- poder aos abusos de poder", da autoria dos jornalistas Pierre Péan e Philippe Cohen, foi

71

Esta tese, que correlaciona o conservadorismo da opinião com o aumento das remunerações, já havia sido defendida nos EUA, por James Fallows, (Breaking the news: How the Media Undermine American Democracy, Pantheon, New York, 1996), que notava que num jornal era muito pouco frequente ler um editorial entusiasta dos sindicatos.

muito além deste género de críticas, proferindo graves acusações.72 Depois de virulentas contestações por parte dos visados, ambas as partes assinariam, em Junho de 2004, um protocolo de acordo que vincularia a direcção do jornal a retirar todas as queixas por difamação, e os autores e o editor do livro a não reeditá-lo (já tinham sido vendidos 200 mil exemplares), o que suscitou novos e acesos debates nos meios intelectuais franceses.

Note-se ainda outros exemplos de controversas que envolveram as elites que operam nos media. Durante a década de 90, também os media espanhóis (principalmente os jornais El País e El Mundo) estiveram no centro de um aceso debate, uma guerra mediático-política, em que se discutiu as redes de conivência, a liberdade de expressão, a pluralidade informativa e a própria democracia 73. Por outro lado, note-se também os

72Os autores acusaram os dirigentes do Le Monde – Jean-Marie Colombani (director), Edwy Plenel

(director de redacção) e Alain Minc (administrador) – de terem conquistado o domínio do jornal para o instalarem no âmago das redes de poder em França; de substituírem o papel de contra-poder do jornal pelo de "abuso de poder permanente"; de tentarem influenciar o curso da política francesa em função dos seus interesses ou convicções; e, inclusivamente, de incorrerem no crime de tráfico de influências. Colombani é acusado de ter intervindo junto do Primeiro-ministro, Lionel Jospin, a favor da distribuidora de imprensa NMPP

73 Felix Santos (1995) narrou em detalhe os episódios desta “guerra”: Em 92, o semanário El Siglo numa

reportagem intitulada “Guerra en la prensa” qualificou os grupos em confronto de “sindicato del crimen” (onde incluiu o ABC, El Mundo, la Cope) e de “serbios” (composto pelos editores Polanco, Asensio, Godó e as suas empresas). Cebrián, conselheiro delegado do grupo Prisa, alimentou a polémica: “(...) Hay un grupo de profesionales - a los que algunos ilaman el “sindicato del crimen”, que ejercen como auténticos dictadores en los medios que trabajan” (213). Noutra ocasião, refere-se a uma vintena de jornalistas que constituem um verdadeiro sindicato de intereses. Losantos, no ABC, respondia com outras tantas acusações: “Eso que ilaman felipismo no se puede entender sin la omnipresencia del diário de Jesus de Polanco, su orquestra e coros” (214) O El Mundo replicava com humor, referido-se às “famílias da Comunicação Social que enfrentavam o poder: “Los Corleone” (ABC), “Los Prizzi” (Cope), “La Camorra” (Diario16) e “Los Dalton” (El Mundo). Ao longo de 93 e 94 assistiu-se a uma autêntica “guerra de papel”, na expressão de Félix Santos, que foi também um combate político, muito marcado pelo “duelo” entre o El Mundo e o El País, observável no “fogo cruzado” dos seus editoriais. Este combate chegou aos tribunais, através da queixa apresentada por Polanco e Cebrián contra Sebastian por “intromissão ilegítima na sua honra” (em causa. artigos publicados, sob pseudónimo, no ABC e no El Mundo). Sebastián, por seu lado, continuou os ataques nas páginas do El Mundo, insistindo que a liberdade de expressão em Espanha estava ameaçada. Entretanto, a polémica alargara-se a outros meios e grupos de comunicação. E o Governo do PSOE ameaçava incluir o delito de difamação no Código Penal, mas perante a contestação da opinião pública viria a recuar. Um grupo de jornalistas e escritores constituíram uma “associação independente em defesa da liberdade de expressão”, em cuja declaração de fundação, denunciavam os atentados à liberdade de expressão causados pelo Governo e grupos de pressão da comunicação social; a concentração dos media; o dirigismo cultural e a política oficial de perseguição a escritores, jornalistas e editores independentes; os prémios e galardões do Governo a quem lhe obedecesse.

casos polémicos, mais recentes, nos EUA, de colunistas que receberam contrapartidas monetárias em troca de favores políticos74.

74 Em 2004, soube-se que Maggie Gallagher, colunista na natinal review online, recebeu entre 2002 e

2003 dinheiro (21.500 dólares) do ministério da Saúde para defender uma campanha para a promoção dos casamentos na América. Em Janeiro de 2005, o Presidente Bush admitiu que Ministério da educação( por intermédio da agência de comunicação Ketchum) pagou, em 2003, (240 mil dólares) a Armstrong Williams, influente comentador político (tem o seu próprio programa de rádio e uma coluna sindicada num jornal do grupo Tribune e é convidado frequente da CNN), para promover um pacote legislativo dedicado à infância. (Fonte:Público de 29/1/2005)

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