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A empregabilidade como forma de inclusão social

CAPÍTULO I EDUCAÇÃO

1.7 A empregabilidade como forma de inclusão social

“Para muitas empresas, a adoção da diversidade, na força de trabalho, além de ser um compromisso ético, tem se mostrado

um caminho para a competitividade” (Ethos, 2001, p, 11)19

18 De acordo com: “Inédito Viável”, Ana Maria Araújo Freire. In: STRECK, Danilo; REDIN, Euclides;

ZITROSKI, Jaime, J. (orgs.). Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. A categoria

estipulada por Freire (2005) – inédito viável tem a ver com a crença na utopia e no sonho possível. “É algo que o sonho utópico sabe que existe, mas que só será conseguido pela práxis libertadora”.

19 O Instituto Ethos é uma organização de empresas e fundações que tem o objetivo de desenvolver

ações para promover a “responsabilidade social” nas empresas. Foi fundada em 1998 por iniciativa de um grupo de empresários.

Os princípios fundamentais estão dispostos no Art. 1º, da Constituição de 1988: a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal constitui-se em Estado Democrático e tem como fundamentos: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.

A justiça social expressada no art. 6º, complementada pelo art.170 da Constituição Federal, diz respeito à ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, e tem por finalidade assegurar existência digna a todos, realizando a justiça social através da justa distribuição de renda, protegendo os fracos, os pobres e os trabalhadores, sob os princípios da solidariedade e da igualdade.

A Constituição Federal deixa claro o princípio isonômico em seu art. 5º, caput: “todos são iguais perante a lei sem distinção”. E garante no inciso XII que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. No art. 7º, inciso XXXI, a reafirmação desse princípio na “proibição de qualquer discriminação no tocante ao salário e critério de admissão do trabalhador portador de deficiência”.

A Lei nº 7.853/89 regulamentada pelo Decreto n° 3.2 98/99, que trata do apoio às pessoas com deficiência, reafirma o princípio isonômico no art. 1º, “na aplicação e interpretação desta Lei, serão considerados os valores básicos da igualdade de tratamento e oportunidade, da justiça social, do respeito à dignidade da pessoa humana, do bem-estar e outros indicados na Constituição ou justificados pelos princípios gerais de direito”. Embora o Decreto faça menção aos princípios da inclusão, os objetivos nele contidos parecem não explicitar de forma clara a mudança no foco de atenção advinda desse paradigma, representada pela necessidade de reconstrução do espaço social para atender às necessidades de todo e qualquer segmento populacional. (Oliveira; Leite, 2002). A relação entre deficiência e limitações de ordens físicas, cognitivas e psíquicas, presente no Decreto 3.298/99, aponta para a necessidade de repensar sobre, em que medida essa concepção contribui efetivamente, com a promoção de igualdade de oportunidades, uma vez que, parece existir uma dificuldade em estabelecer uma relação, entre a compreensão de deficiência e o desenvolvimento de políticas na área.

Como afirma Omote (1996), se a sociedade assume a deficiência como condição limitada de natureza orgânica, as ações voltadas à inserção das pessoas com deficiência, no contexto profissional, tenderão a subestimar as potencialidades e necessidades desses indivíduos. Cabe analisar se, efetivamente, as disposições presentes no Decreto 3.298/99 propõem uma mudança no foco de atenção. Aranha (2001) cita em que medida a legislação reflete a idéia de que, atualmente, não mais as pessoas com deficiência devem se ajustar, para participar do ambiente social, nas suas mais diversas instâncias, e sim, que é papel da sociedade prover os suportes necessários, para que isso ocorra, conforme reiterado, pelos princípios de uma sociedade para todos.

As constituições do Brasil, ao longo do século XX, trataram de direitos sociais como direito ao trabalho, à saúde e à educação, entretanto ignoravam os interesses das pessoas portadoras de deficiência. Uma parcela da população permaneceu excluída da cidadania. A partir da Carta Magna de 1988 estendeu-se o direito à educação e ao trabalho, para as pessoas com deficiências e estabeleceu-se, para o Poder Público, uma prestação mais específica.

Os avanços e divergências, a respeito das políticas de emprego para pessoas com deficiência, também foram alvo de análises documentadas em “The American With Disabilities Act” , nos Estados Unidos e no documento “European Action Plan”, na União Européia, principais documentos que demonstram as políticas implementadas, em diferentes realidades, com vistas à construção de uma sociedade para todos, conforme relatam Marileide Oliveira, Edward Goulart Júnior e José Munhoz Fernandes20, em

comparação ao que ocorre no Brasil, com a promulgação do Decreto 3.298/99. Esses documentos traçam um panorama das políticas públicas, voltadas para a inserção da pessoa com deficiência, no mercado de trabalho. Os autores, ao discorrerem sobre o desenvolvimento de políticas sociais, baseadas em direitos, apontam para os Estados- Membros, como preservadores da autonomia, na elaboração de parte das políticas públicas, que os membros têm adotado, uma grande variedade de estruturas

20 Respectivamente: Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem – UNESP.

Professor assistente- Doutor do Dep. de Psicologia da UNESP/BAURU. Professor mestre da Instituição Toledo de Ensino – ITE/BAURU.

institucionais, para promover a eqüidade, ao segmento populacional, representado por pessoas com deficiência.

Um grande entrave na área, segundo os analistas, diz respeito aos obstáculos que se impõem ao desenvolvimento de políticas integradas de antidiscriminação.

No caso do Brasil, um dos focos principais de análise é o sistema de cotas, adotado no país, como forma de garantir às pessoas com deficiência, o acesso ao mercado de trabalho.

O primeiro conceito de portador de deficiência no âmbito do Direito do Trabalho surgiu em 1955, através da Organização Internacional do trabalho – OIT, na recomendação nº 99. Esse conceito foi repetido e aprimorado posteriormente (Recomendação nº 168 e recomendação nº 159, ambas de 1983 da OIT). O Brasil, através do Decreto Legislativo n° 51 de 28 de agost o de 1989 ratificou a Recomendação 159 e adotou então o primeiro conceito de portador de deficiência no contexto normativo trabalhista brasileiro, no Artigo 1º: para efeitos da presente Convenção, entende-se por pessoa deficiente, todo indivíduo cujas possibilidades de obter e conservar um emprego adequado e de progredir no mesmo, fiquem reduzidas a uma deficiência de caráter físico ou mental, devidamente reconhecida. Este conceito enfatiza a barreira da deficiência como impeditivo, ao ingresso dessas pessoas, no mercado de trabalho.

Foram transcorridas mais de três décadas, após a recomendação da OIT, aos países membros, para incorporar ações relacionadas aos portadores de deficiência.

Em outubro de 1989 foi editada a Lei Brasileira de nº 7.853, regulamentada apenas em 1993, pelo Decreto n° 914, que instituiu a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, e que traz em seu texto outra definição de pessoa portadora de deficiência: “aquela que apresenta em caráter permanente, perda ou anormalidade de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”.

Essa Lei tratou de medidas nas áreas de educação, saúde, formação profissional e trabalho, recursos humanos e edificações.

No âmbito da formação profissional e trabalho merece destaque na Lei: apoio e garantia de acesso aos cursos regulares voltados à formação profissional; empenho do Poder Público na criação e manutenção de empregos; promoção de ações de inserção nos setores públicos e privados; a intenção de adotar legislação própria para reserva de mercado de trabalho, tanto na Administração Pública, quanto no setor privado, e a regulamentação de oficinas e congêneres integradas ao mercado de trabalho. Foram criados suportes para formação de professores para a educação especial, técnicos especializados na habilitação e reabilitação, instrutores para formação profissional. A Lei prevê, também, o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológicos, em todas as áreas do conhecimento, relacionadas à pessoa com deficiência.

A Lei ainda atribui ao Ministério Público a defesa dos interesses coletivos e difusos, das pessoas com deficiência, com a possibilidade de se ingressar, com ação civil pública, e instaurar inquérito civil. Também tipificou como crime, as condutas que obstem ou negam, injustificadamente, o acesso de alguém a qualquer cargo público, emprego ou trabalho, por motivos derivados de sua deficiência.

Dentro da Lei foi reestruturado como órgão autônomo a Coordenadoria Nacional para a Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE, que tem como funções: coordenar ações, elaborar planos, programas e projetos, acompanhar sua implantação, coordenar com Estados, Municípios, Territórios, Distrito Federal e Ministério Público as ações destinadas à integração social, acompanhar contratos e convênios, promover e incentivar a divulgação e o debate das questões concernentes à pessoa portadora de deficiência, visando à conscientização da sociedade, entre outras atribuições.

A Lei nº 8.112 de 11 de dezembro de1990 trata do Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais. Inclui no texto o sistema de reserva de vagas, no mercado de trabalho, às pessoas portadoras de deficiência, reservando um percentual de até 20%. Muitas vagas, no entanto, não são preenchidas, principalmente aquelas que exigem nível superior e de melhores salários. Isso nos mostra que a reserva de vagas não é suficiente para integrar a pessoa portadora de deficiência ao mercado de trabalho. É necessário intensificar o trabalho de base, de formação acadêmica. O acesso à

tecnologia e apoios especiais é muito importante para facilitar o desempenho de atividades básicas úteis ao mercado de trabalho.

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