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A EMPREGABILIDADE COMO MECANISMO DO MERCADO DO TRABALHO

É indissociável a ligação entre a educação de jovens com o mundo do trabalho, especificamente quando se trata da oferta da escolarização de jovens e adultos trabalhadores. Por esse entendimento, percebe-se que o termo “empregabilidade”

surge na década de 1990 para designar um conjunto de processos e mecanismos que permeiam as relações de trabalho.

Para Gentili (2005), a empregabilidade ganhou espaço e centralidade a partir de 1990, sendo ela definida como o eixo fundamental de um conjunto de políticas supostamente destinado a diminuir os riscos sociais dos graves tormentos desse final de século que foi o desemprego.

Assim, durante a década de 1990, o que se percebia era uma forte tendência a caracterizar a empregabilidade, o futuro, na perspectiva de conseguir um emprego e, sobretudo, de se manter nele. Segundo Oliveira e Almeida (2009), a educação, durante esse processo, passou a ser uma mercadoria disponível para comprar no mercado. “A força de trabalho é uma mercadoria como qualquer outra, embora tenha uma característica que a distingue de todas as outras. É a única mercadoria que capaz de produzir um valor para além do que ela vale”. (FERREIRA, 2006, p. 35)

Ressaltamos assim, que a principal característica da era capitalista é o fato da força de trabalho ter assumido a forma de mercadoria que pertence ao traba- lhador e, a partir disso, o trabalho assume a forma de trabalho assalariado. Nesse contexto, o trabalho assalariado se torna um novo mecanismo de uso da produção do trabalho como alternativa de superprodução e lucratividade. Segundo Costa (2015), a sociedade passou a se constituir de homens trabalhadores e de homens que se empregava da força trabalho dos outros. Em se tratando dessa relação entre a EJA e o mundo do trabalho, sendo que, a autora ainda considera que os sujeitos que compõe a EJA são homens e mulheres de cultura e também sobrevi- vem essencialmente da força do seu próprio trabalho.

Costa (2015) fala também que a sociedade organizada pelo capitalismo colocou pela primeira vez na história o trabalho produtivo no centro da vida social, antes desse processo. Ainda, segundo a autora, o trabalho surgia como uma condição suplementar da existência material da sociedade, ainda sobre o trabalho produti- vo diz que, em geral, ele se utiliza para garantir a repetição, na mesma escala ou em escala ampliada do processo de produção social.

Em suma, essa relação entre o capitalismo e o trabalhador assalariado é esta- belecida pela quase e unicamente pela venda e compra da força de trabalho, me- diada pelo valor dessa mercadoria. Essa relação perversa se concretiza na medida que o capitalista encontra sua disposição no mercado a força de trabalho como

mercadoria, tornando o homem refém das exigências colocadas para entrada e permanecia no mercado de trabalho. A exigência de uma qualificação profissional é ainda a mais perversa, pois impõe a esses sujeitos a culpa e responsabilidade de não conseguir uma colocação no mercado de trabalho. Vale ressaltar que nem sempre a escolarização é garantia de igualdade de oportunidade de emprego nesta sociedade capitalista, visto que as relações de trabalho implicadas nesse processo são extremamente complexas bem como, marcadas pelas desigualdades de gê- nero, sociais e trabalhistas.

Essas exigências impostas para o ingresso e a permanência no mercado de trabalho são uma das principais motivações para o retorno de jovens e adul- tos aos bancos escolares. Nesse caso, a educação, nesse cenário, conforme destaca Ianni (2005), é vista como sendo um investimento na promessa de que, quanto mais a classe dominante investir, maior o retorno produtivo de seus trabalhadores.

Nessa configuração, a escola passa a ter ainda maior importância nesse con- texto, pois cabe-lhe o papel da formação da mão de obra para esse projeto societá- rio que consiste em conformar o trabalhador às novas configurações do mercado. Segundo Oliveira e Almeida (2009),

[...] os processos educativos, incluindo a educação de jovens e adultos foram modificados em cada modelo de produção, no atendimento de exigências das empresas, resultando em um investimento que trouxesse um índice maior de produtividade e, por consequência maior lucro. Nessa compreensão, percebemos que a escola e educação sofreram uma serie de transformações históricas e sociais com vista a contribuir com mudanças ocor- ridas na sociedade, principalmente, aquelas ocorridas nas relações de trabalhos imposta à escola e à sociedade.

Frigotto (1998, p. 48) destaca que o papel dos processos formativos, mormen- te a formação técnico-profissional, qualificação e requalificação, nesse contexto, “é produzir cidadãos que não lutem por seus direitos e pela desalienação do e no trabalho, mas cidadãos participativos”. Nesse entendimento, a perspectiva adota- da na educação, deveria se colocar na condição e busca de uma ideologia política, na qual o núcleo e a participação de baixo para cima, intervindo nas relações de

trabalho, de sociedade, se colocando combatentes as ideias pragmáticas e enga- nosas do modelo neoliberal.

Sem dúvida, esse seria o melhor caminho a ser percorrido pelos processos formativos escolares com vista à superação da fragmentação da formação social, humana e profissional. Ainda caberia a educação formar com base na emancipa- ção dos sujeitos, em que a formação pudesse ser integral e que as habilidades e aprendizagens adquiridas pudessem servir à própria existência humana na produ- ção das relações com o mundo do trabalho de forma ética, humana e socialmente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A relação entre a EJA com mercado do trabalho tem sido algo marcante no cam- po educacional brasileiro nas últimas décadas. Cabe-nos aqui delinear sobre essa importante relação que já vem se configurando com uma das estratégias nas po- líticas de educação do Brasil.

O histórico das políticas de EJA, no contexto atual, tem provocado o suficiente para repensar na sua reconfiguração na condição de política educacional mediante os acontecimentos políticos, sociais e culturais e que, na verdade, esses fatos têm forte relação com a garantia dos direitos à educação.

Desse modo, após realização desta produção, consideramos que as principais motivações de jovens e adultos, em retornar aos bancos escolares, especialmente as turmas de EJA, estão intrinsecamente ligadas ao cumprimento das exigências e habilidades tecnológicas do mercado de trabalho, comunicabilidade e eficiência e de ascensão social e profissional.

As mudanças e transformações ocorridas nas principais características do campo trabalho e de seu lugar na vida das pessoas percorreram um caminho que vai desde a produção para a subsistência até o trabalho assalariado na sociedade atual. Podemos notar que os processos são históricos e carregados de conflitos, pois tudo isso passa pela produção artesanal para a manufatura e maquino fa- tura, sendo esses dois processos históricos dolorosos nos quais seres humanos foram privados do controle sobre suas vidas e seu trabalho, sendo esses levados ao trabalho assalariado de maneira brutal, processo esse que não era visto como natural ou digno de trabalho.

Para nossa compreensão é de que a classe trabalhadora ainda vê na escola como “lugar de aprender” capaz de lhe dar as reais e necessárias condições para entrar no mercado de trabalho que a cada dia exige maior qualificação profissio- nal. Ainda podemos considerar que as motivações apresentadas têm viés social e cultural quando na verdade esses sujeitos têm entre as suas razões a vontade de aprender para ajudar os filhos, a família e comunidade.

Nesse entendimento, a reinserção de jovens e adultos nos espaços escolares ganham sentido e significados quando esses buscam muito mais que apenas apren- der a ler e a escrever, mas, sobretudo o aprendizado de forma ampla e contextua- lizada capaz de potencializar reais condições para o pleno exercício da cidadania e para atender às demandas trabalhistas as quais lhe são impostas pelo sistema socioeconômico neoliberal capitalista.

Por concluir, acreditamos que pensar as políticas de EJA e a sua reconfiguração para a reinserção de jovens e adultos na escola e no mercado do trabalho passam necessariamente pelo crivo de uma ampla discussão política capaz de superar a fragmentação dos processos formativos escolares apenas como estratégia do sistema capitalista para a superprodução e a lucratividade que toma o homem e a sua força de trabalho apenas como mercadoria.

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TRABALHAR E ESTUDAR: TRAJETÓRIA