2 HISTÓRICO DA ECONOMIA NORTE – AMERICANA
2.4 A ERA DA “APARENTE” PROSPERIDADE ECONÔMICA NORTE-
Como se sabe, muitos países do globo sofreram com as severas consequências políticas e econômicas da primeira guerra mundial. No entanto, houve aquelas nações que, por sua vez, foram beneficiadas em detrimento de outras, após o armistício em 1918. Entre estes, obviamente destacam-se os Estados Unidos da América, que vivenciaram períodos de relativo progresso econômico, especialmente durante a década de vinte, também cunhado pelo termo a “era de glória”. Com exceção dos anos que compreendem o período de 1920-1922 – época de reconversão da Grande Guerra – os norte-americanos vivenciaram um eufórico processo de crescimento econômico que parecia não ter fim, e que se manteve até 1929. (EICHENGREEN, TEMIN, 2000). O aparente crescimento econômico norte- americano, junto a ascensão hegemônica do país após o armistício em novembro de 1918, contribuiu para que os Estados Unidos alcançassem prestígio internacional e se destacasse no ramo das exportações.
Nesta conjuntura, entre 1926 e 1929, os Estados Unidos eram responsáveis por aproximadamente 42,2% da produção mundial de industrializados (MILLS, 1932). O crescimento das oportunidades de investimentos em solo norte-americano e consequentemente a obtenção excessiva de lucros nas negociações, ascenderam na sociedade americana demasiada obsessão pela acumulação de riqueza. Uma cultura com base no consumo exacerbado de produtos industrializados e acumulação de bens, dita como o “American way of life” (estilo de vida americano) havia se formado, e posteriormente disseminada para os diversos países.
Neste contexto, a ilusão vivenciada pelos norte-americanos na década de vinte, escondiam na verdade um cenário de miséria e desigualdades sociais. Em outros termos, a excessiva obtenção de lucros e acumulação de riquezas
beneficiaram apenas as parcelas mais favorecidas da sociedade, enquanto os pobres não tinham acesso a estes ganhos. Sendo assim, a crescente concessão de crédito e outras regalias pelas quais os norte-americanos desfrutavam nos anos vinte, contribuiriam na formação de uma classe média bem amparada economicamente, que por sua vez, iludida com o pensamento de uma prosperidade sem fim, investiam tudo o que tinham em ações. (EICHENGREEN, TEMIN, 2000). Ao mesmo tempo em que se despontava nos anos vinte o desenvolvimento das indústrias automobilísticas, do rádio, moda e cinema, o cenário escondia também a apatia, corrupção, hedonismo, hipocrisia, intolerância, racismo e presunção. (POTTER, 1974, p.42).
Como se sabe, quando os Estados Unidos emergiram da primeira guerra mundial como a principal potência econômica, o país era responsável por 50% da produção industrial do mundo. (SOULE, 1947). Abastecendo tanto seu mercado interno, quanto outros diversos países do sistema internacional, especialmente o mercado Europeu. No entanto, a Europa começou a reestruturar seus setores industriais a partir de 1925, enquanto o governo norte-americano insistia em produzir freneticamente, mesmo com a diminuição das exportações e sinais de recuperação do mercado europeu.
Sob estas condições, os Estados Unidos estavam convictos de que sua economia estava no melhor ritmo, e por isso, acreditavam que uma possível diminuição na produção seria desnecessária. Contudo, esta decisão resultou em drásticas consequências para a economia do país. A saber, o excesso de produção, que desencadeou uma crise de superprodução dos bens de consumo na economia norte-americana, gerando queda nos preços e aumento do desemprego, uma vez que as indústrias tiveram que demitir milhões de trabalhadores. O advento da crise de superprodução, junto ao problema de desemprego no país, e a continuidade da forte tradição protecionista dos Estados Unidos, travavam de certa forma, o verdadeiro desenvolvimento econômico no país durante a década de vinte.
Nesta conjuntura, no ano de 1928 já era possível verificar os sinais de retrocesso econômico em solo norte-americano e a imobilização do governo dos Estados Unidos mediante o início da recessão. Sobre este fato, Arruda revela que:
Está formando um ciclo vicioso: quanto mais produtos sobravam, maior era a paralisação da produção, quanto menos as fábricas trabalhavam, maior era o número de desempregados, menor o consumo e pior a situação geral. (ARRUDA, 2000 p. 26).
Desse modo, é possível estabelecer uma relação entre as causas da Grande Depressão e a era de “aparente” prosperidade norte-americana durante os anos vinte. Isto é, verificam-se três fatores fundamentais para explicar este fato, o primeiro refere-se as mudanças econômicas, ou seja, as alterações na alocação dos diferentes setores de produção na economia, bem como, as mudanças nos segmentos de consumo e distribuição de renda neste período. O segundo fator refere-se as instituições e práticas herdadas do passado, tais como as estruturas bancárias e as uniões comerciais, que por sua vez, favoreceram ao progresso insustentável da economia norte-americana nos anos vinte. Por fim, o último fator está relacionado as decisões políticas de diferentes tipos e autoridades, que não eram exclusivamente governamentais, mas de diferentes áreas que afetavam diretamente a economia estadunidense. (POTTER, 1974, p. 59). Neste contexto, Potter relata a respeito da era de prosperidade norte-americana nos anos vinte que:
Um sistema econômico nunca pode vencer: se houver pleno emprego e aumento de consumo, há sempre um alto preço social a pagar; se houver uma depressão, a consequência do mal é patente para todos verem. (POTTER, 1974, p. 42).
O autor explica, portanto, que a estrutura econômica norte-americana não poderia resistir a recessão que viria inevitavelmente em razão do crescimento insustentável. Outros problemas pertinentes à época também se revelam por meio do conflito entre o rápido desenvolvimento tecnológico e a sobrevivência das ideologias do século XIX, além do declínio generalizado do ramo da agricultura em razão da ascensão dos setores industriais, que prejudicaram drasticamente muitos produtores primários em solo norte-americano, ao mesmo tempo em que grande parte da classe média estadunidense desfrutavam do consumo exacerbado de produtos industrializados e inovações. Tais fatores contribuíram diretamente para as formações das condições que geraram a crise de 1929 e posteriormente a grande depressão.
2.5 A CRISE DE 1929 E A GRANDE DEPRESSÃO: O NEW DEAL E O PROCESSO