Conta-se23 que o professor de física Luiz Freire, da Escola de Engenharia da Rua do Hospício, em uma de suas provas, propôs duas questões para os alunos resolverem, que valiam 3 e 7 pontos. Após passar as questões, o professor comunicou que iria se ausentar por duas horas e voltaria para recolher as provas. Pediu para um funcionário da escola ficar sentado na mesa do professor e saiu. Os alunos resolveram facilmente a primeira questão. A segunda, no entanto, ninguém estava conseguindo resolver. Para distrair o servente, os alunos lhe deram um jornal, e começaram a trocar informações sobre a questão. Ninguém tinha ideia nem de como começar a resolver a questão. Um aluno teve uma ideia. Existia um bom professor de Física que estava dando aula em uma escola próxima. O aluno conseguiu enganar o servente e foi até a escola para perguntar ao professor sobre a questão. No entanto, o professor também não conseguiu resolver. Quando o professor Freire entregou as provas corrigidas, apenas a primeira questão foi acertada por todos. O professor ―então, com ar sábio, superior, falou: Esta segunda questão só três pessoas resolveram: Albert Einstein, Mario Schemberg24 e EU‖.
Esta história, que foi rememorada por um dos alunos de Freire25, nos revela algumas características deste professor da Escola de Engenharia de Pernambuco, que teve muito destaque naquele período, não apenas em seu Estado, como em todo o Brasil, em particular, por ter incentivado e encaminhado vários de seus alunos a seguir a carreira de cientista em centros de pesquisa nacionais e internacionais.
Muitos outros personagens participaram de diferentes formas na constituição da Escola de Engenharia de Pernambuco. Neste capítulo, pretendemos centrar nosso olhar em alguns desses personagens, que se manifestam em memórias de alunos e professores, e em diferentes documentos – livros, entrevistas, artigos, textos oficiais e escolares – localizados em diferentes tipos de arquivos, dentre os quais se encontram os da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, do Arquivo Público de Pernambuco e da Fundação Joaquim
23 Torres (2001, p. 154). 24
Físico brasileiro que estudou na escola.
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Nabuco – Fundaj. Da mesma maneira, buscamos apresentar algumas memórias institucionais, em especial as que se relacionam à formação dos alunos.
MEMÓRIAS INSITUCIONAIS
A terceira escola criada no Brasil, voltada especificamente à formação de engenheiros não militares, ou civis, foi a Escola de Engenharia de Pernambuco, com sede na cidade de Recife. Oficializada através da Lei n° 84, de junho de 1895, expedida pelo então governador do Estado de Pernambuco, José Alexandre Barbosa, as atividades da escola foram iniciadas logo após a publicação do Decreto de 12 de fevereiro de 1896, que a regulamentava e lhe atribuía o status de instituição estadual.
A cidade de Recife, desde a segunda metade do século XIX, já era um importante centro político, econômico e cultural do Nordeste brasileiro. Pelo seu porto eram exportadas as produções de cana-de-açúcar e algodão, e importados ―gêneros e artigos de consumo‖. O grande movimento portuário foi acompanhado pela ampliação do comércio e o ―surgimento de indústrias e manufaturas‖ (DUARTE, 2012, p. 2). Com a República, a criação de empreendimentos industriais é intensificada, tendo sido instaladas, dentre outras, a Fábrica de Tecidos Paulista e a Companhia Industrial de Pernambuco, em 1891, e a Companhia de Fiação de Goiana, em 1894.
Embora o setor industrial estivesse em crescimento, no final do século XIX, e até as primeiras décadas do século XX, a exportação do café ainda era a base da economia brasileira. O crescente aumento da exportação gerou a necessidade de ―mecanização das indústrias rurais‖, instalação de manufaturas e construção de estradas de ferro. As escolas de Engenharia criadas no período, como a Escola de Engenharia de Pernambuco, tinham o objetivo primordial de ―formar profissionais aptos a trabalharem na estrutura burocrática e política que a agricultura exigia‖. (SANTOS; SILVA, 2008, p. 23-24). Dessa forma, ―as oportunidades de trabalho para os engenheiros‖ eram dirigidas à ―expansão dos setores ferroviários, hidrelétricos, edificações e de serviços públicos, decorrentes da produção agroexportadora‖. (LAUDARES, 1992, p. 25, apud SANTOS; SILVA, 2008, p. 24).
Em um período de crescimento econômico, a cidade de Recife contratava engenheiros e arquitetos, em sua maioria franceses, para a construção de obras públicas.
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Muitos prédios do atualmente denominado Recife Antigo foram construídos neste período. O Teatro Santa Isabel (Figura 6), por exemplo, cujas obras foram concluídas em 1850, teve como construtor responsável o engenheiro francês Louis Leger Vauthier. Não eram, portanto, apenas as atividades ligadas ao setor cafeeiro que impunham a necessidade de formação de engenheiros brasileiros para atuar no Norte e Nordeste brasileiros. Se, por um lado, a expansão da exportação cafeeira necessitava do trabalho de engenheiros, por outro lado, como nos lembra Roldão Gomes Torres (2008, p. 18), a construção de prédios governamentais e de empreendedores de várias áreas era outro setor que seria contemplado pela criação da Escola de Engenharia de Pernambuco.
FIGURA 6. TEATRO DE SANTA ISABEL E PALÁCIO DO CAMPO DAS PRINCESAS EM 185026
No início de suas atividades, em 1896, sob a direção de Antonio Urbano Pessoa Montenegro, a Escola de Engenharia de Pernambuco oferecia cursos para agrimensores e engenheiros civis e geógrafos, respectivamente, com dois e cinco anos de duração. Como ocorria com outras escolas superiores, para ingressar nos cursos o aluno deveria prestar o vestibular da época, denominado, então, Exame de Admissão. O Exame contemplava questões sobre Aritmética, Álgebra, Geometria e Trigonometria retilínea e esférica.
Nos cinco anos de curso, os futuros engenheiros cursavam quinze cadeiras27 e cinco aulas28. Todas as aulas eram destinadas a estudos de desenho e realização de projetos
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gráficos. Cada um dos cinco anos era composto por três cadeiras e uma aula. (Anexo I, p. 86-87) As cadeiras compreendiam diferentes áreas e iniciavam com disciplinas gerais – como Geometria Analítica e Projetiva, Cálculo Diferencial e Física – para nos últimos anos contemplar disciplinas específicas de engenharia – como Estradas de Ferro e Esgotos, e Saneamento das Cidades. Para adquirir o diploma de agrimensor, no entanto, era necessário que o aluno concluísse apenas as duas primeiras séries do curso de Engenharia, que era encerrado com as cadeiras de Topografia, Desenho Topográfico e Exercícios Práticos.
Dois anos depois de iniciadas suas atividades, a Escola de Engenharia de Pernambuco foi equiparada à Escola Politécnica do Rio de Janeiro que era, então, o modelo de Escola de Engenharia no Brasil, através do Decreto Federal n° 3022, de 3 de outubro de 1898. Para obter a equiparação, que garantia a equivalência de diplomas, o plano de estudos da EEP teve que ser alterado. Isso ocorreu por meio do Regulamento expedido em 7 de Fevereiro de 1898 (Figura 7), como explicitado em sua página inicial:
―O Governador do Estado, usando da autorização constante do art. I.° n. XI das Disposições Geraes da lei n. 249 de 30 de Junho do anno passado, resolve expedir o seguinte regulamento, para o fim de equiparar o plano de estudos da Escola de Engenharia ao da Escola Polytechnica e assim poderem ser concedidas áquelle estabelecimento as vantagens e regalias conferidas a este Instituto Federal (...)‖. Com o novo Regulamento, o curso de Engenharia passa a ter seis anos e várias mudanças ocorrem nas disciplinas. (Anexo II, p. 87-88) O novo curso aponta para a formação de um engenheiro mais direcionado às novas necessidades de modernização das cidades. Algumas disciplinas mais voltadas ao campo e à agricultura são retiradas e em seu lugar aparecem outras relativas à área urbana ou à modernização do campo. A disciplina ―Botânica. Corte e preparo de madeiras. Conservação de matas‖, por exemplo, não aparece no novo Regimento. Em um momento em que há uma ampliação da Agricultura e aumento na participação de colonos de outros países nas lavouras brasileiras, o novo Regulamento reserva um espaço para discutir ―Legislação de terras e princípios gerais de colonização‖. Ao lado de disciplinas que abordam as estradas de ferro, são incluídas as que discutem as
27 A palavra cadeira era usada para designar matéria ou disciplina escolar. Originária da palavra grega
kathédra e da latina cathedra, o significado diz respeito à autoridade de quem fala, no caso o professor, sobre os assuntos que serão apresentados aos alunos, com conhecimento e tom doutoral.
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As aulas provavelmente se referiam a estudos práticos realizados em uma sala específica, no caso em uma sala para desenho.
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estradas de rodagem, bem como as pontes e os viadutos. Novas disciplinas relacionadas ao Direito e à Economia, também, começam a fazer parte da formação do engenheiro.
FIGURA 7. CAPA DO “REGULAMENTO” DA ESCOLA DE ENGENHARIA DE PERNAMBUCO DE 189829
Naquele período, como ocorre ainda hoje em algumas instituições de ensino superior, o Governador do Estado era o responsável pela indicação de um professor para assumir o cargo de Diretor. Para ocupar este cargo era necessário ser um professor ou ―lente‖. A Escola, por outro lado, devia manter o Governador informado de todas as atividades escolares. Em relatórios anuais, eram explicitadas as atividades realizadas no estabelecimento, incluindo observações sobre o comportamento de alunos e as atividades dos docentes, destacando aqueles ―lentes catedráticos, substitutos e preparadores do estabelecimento que mais tiverem se esforçado pelo progresso da ciência e do ensino.‖ (Regulamento da Escola de Engenharia de Pernambuco de 1898, p. 14). Além do controle de todas as atividades realizadas na Escola, esta avaliação institucional, denominada Regulamento de Procedimento Civil e Moral, tinha o objetivo de identificar aqueles
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Arquivo pessoal. Fotografia tirada do exemplar que se encontra no Arquivo Público Estadual, em 10/02/2013.
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docentes que seriam recompensados com uma bolsa-viagem, com duração de um ano, para realizar estudos em países mais avançados, como explicitado no Artigo 42:
―Poderá o Governo, como recompensa ao merecimento, mandar um membro do corpo docente em viagem de instrucção aos paizes mais adiantados, concedendo- lho os meios necessários á sua subsistencia, transportes e pesquizas. A indicação será sempre feita pelo Diretor, competindo a este dar as devidas instrucções.‖ (Regulamento da Escola de Engenharia de Pernambuco de 1898, p. 14)
Atendendo a uma nova determinação do Governo Federal para manter a equivalência com a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1901 outras mudanças são realizadas na EEP, através da publicação de um novo Regulamento. Uma das mudanças diz respeito aos ―actos do diretor‖, que estão agora sob ―exclusiva inspeção do Governador do Estado‖ e não mais do Secretário do Interior. O período de envio do relatório também sofre mudanças, passa a ser até fevereiro e não mais até o fim do ano letivo, como previsto anteriormente. Também foi alterada a duração do curso de Engenharia Civil, que passa a ter cinco anos e não mais seis, como definido em 1898.
No início do novo Regulamento, o Governador do Estado esclarece os motivos pelos quais são necessárias as mudanças:
―O governador do Estado, considerando que é de necessidade modificar-se o regulamento de 7 de fevereiro de 1898 de accordo com o decreto federal n. 3926 de 10 fevereiro ultimo e as disposições do código de ensino que lhe são applicaveis, afim de que a Escola de Engenharia continue a gosar das vantagens e regalias da Escola Polytechnica, para o que foi marcado, a contar de 23 de maio do corrente ano, o prazo de 6 mezes pelo Ministério da justiça e negócios interiores em aviso de igual datas dirigido ao delegado legal junto áquelle estabelecimento, resolve expedir o seguinte REGULAMENTO PARA A ESCOLA DE ENGENHARIA.‖ (Regulamento da Escola de Engenharia de Pernambuco de 1901, p. 1)
No Regulamento de 1901, não houve grandes alterações na concepção de formação dos engenheiros. O que parece ter sido prioritário foi a redução de tempo destinado às matérias, que foram agrupadas em cinco anos, mantendo a mesma formação.
Mesmo com a equiparação à Escola Politécnica do Rio de Janeiro e contando com alunos de outros estados do Norte e Nordeste, a quantidade de alunos formados pela Escola de Engenharia de Pernambuco era muito reduzida. O curso de agrimensores, que teve uma breve existência, segundo Torres (2008, p. 21), teria formado apenas seis alunos. O mesmo
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acontecia com os cursos de engenharia. Nos anos de 1902 e 1903, foram formados 9 engenheiros civis e 6 engenheiros geógrafos.
Em seus anos iniciais, até 1904, a Escola funcionava em um ―prédio na Praça da República, em frente ao Teatro Santa Isabel, do outro lado da Praça, e ao lado do Palácio das Princesas, com os fundos para o Rio Capibaribe‖. Esta localidade, na época, era o centro de Recife e onde estavam suas principais construções. O prédio já não existe mais. Ele foi demolido e no local atualmente encontra-se uma avenida ―beira rio, que contorna a Praça da República‖, região popularmente conhecida como Recife Antigo, segundo Torres (2008, p. 19).
A Escola de Engenharia de Pernambuco teve vida curta. Menos de dez anos após a sua criação, ela encerrou suas atividades. A Lei30que anuncia o fechamento da escola não apresenta detalhes sobre os motivos que teriam levado a essa decisão, apenas comunica que a Escola será extinta ao final daquele ano letivo, de 1904, e dá algumas orientações sobre os professores do estabelecimento. Várias versões sobre o fechamento manifestam-se em falas de ex-professores e alunos.
Dificuldades encontradas para transformar a Escola de Engenharia de Pernambuco em uma instituição do nível da Politécnica do Rio de Janeiro, tanto nas questões de ensino como nas administrativas e financeiras, segundo alguns autores, foram responsáveis pelo fechamento da Escola. Para outros autores, no entanto, as dificuldades estavam relacionadas ao protecionismo político vigente naquele período, em particular, por parte do governador Sigismundo Gonçalves, que tentou diversas vezes, sem sucesso, nomear professores para a Escola sem uma aparente qualificação e sem uma seleção prévia, baseado apenas em seus conhecimentos pessoais. A resistência a essa prática, por parte de professores da Escola, teria sido o estopim para o governador encerrar os trabalhos. A reprovação do filho ―de um político de grande evidência e prestígio‖, bem como ―manifestações dos estudantes por ocasião do ingresso dos feras31, considerado uma
rebeldia ou um comportamento não civilizado, devido à proximidade do centro do Poder Executivo‖, teriam também contribuído para o fechamento da Instituição (TORRES, 2008, p. 25-26).
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Lei N° 659. Diário Oficial de Pernambuco, 15 de maio de 1904.
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Professores e alunos, no entanto, não acataram de forma passiva a decisão de encerramento das atividades da Escola de Engenharia de Pernambuco, decidindo buscar apoio político para tentar reverter o fechamento da Escola. Em passeata, uma ―caravana de alunos, barulhenta, movimentava-se pelas ruas, atraindo olhares dos transeuntes, seguindo da Escola, na Praça da República, até a pracinha.‖ (TORRES, 2008, p. 27). Estavam se dirigindo ao gabinete do Senador Conselheiro Rosa e Silva. Mesmo sendo o Governador um defensor de muitas propostas de Rosa e Silva, quando este foi interceder pela Escola de Engenharia de Pernambuco, não houve negociação. O Governador apenas concordou em dar um maior tempo para o encerramento da escola, para que alunos e professores pensassem em novas ações. E isso realmente aconteceu. Outra Faculdade de Engenharia seria, então, criada na capital de Pernambuco no ano seguinte, contando com a participação de vários professores da recém-fechada Instituição.
―Ante perspectiva tão sombria para o Estado de Pernambuco, mesmo para o nordeste brasileiro, de se ver fechar um estabelecimento de ensino superior, único no gênero em todo o norte do país, sério pelas suas diretrizes normais e úteis, indispensável mesmo, para o seu progresso tecnológico, um grupo de doze dos mais dedicados mestres, idealistas, tomou a iniciativa de fundar outra Escola de Engenharia, associando-se a outros elementos do magistério e à profissionais de engenharia, de renome já firmado‖. (MAIA, 1966, p. 24)
As diferentes versões apresentadas para o fechamento da Escola de Engenharia de Pernambuco, seguido pela criação da Escola Livre de Engenharia, nos levam a algumas reflexões. A Lei que determinou o fechamento da Instituição de Ensino não apresenta nenhuma justificativa, apenas anuncia a decisão, aprovada em uma sessão da Câmara dos Deputados de Pernambuco, no dia 11 de maio de 1904. A decisão do Congresso Legislativo do Estado de Pernambuco é assinada pelo presidente e dois deputados e autorizada pelo Governador do Estado três dias depois. Não temos informações sobre os debates ocorridos naquela sessão, nem se eles chegaram a ocorrer. No entanto, podemos conjecturar que a influência e o poder do Governador de Pernambuco foram decisivos para que a Câmara apoiasse a decisão de fechamento da Escola. Mas, quais teriam sido os argumentos apresentados pelo Governador? É muito provável que esses argumentos foram de natureza financeira. Afinal, a Escola não estava dando um retorno que justificasse os gastos investidos. O número de alunos diplomados era muito reduzido e os gastos com a
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manutenção da Instituição era alto. No entanto, questões relacionadas ao protecionismo político podem ter ajudado a acelerar o fechamento da Escola.
A nova Escola, criada em 1905, recebeu a denominação de Escola Livre de Engenharia de Pernambuco, permanecendo com este nome até 1925, quando voltou a ser Escola de Engenharia de Pernambuco, por problemas gerados pela existência de outra Escola Livre no Rio de Janeiro. Uma sociedade de engenheiros foi criada para dirigir a Escola Livre de Pernambuco, que seria mantida com fundos obtidos ―através de taxas e mensalidades cobradas aos alunos‖ e salários de professores que ―se propuseram a não receber salário até que a situação se normalizasse‖, ou seja, ofereciam seus salários para manter as despesas da nova Escola. (TORRES, 2008, p. 29).
Sobre o período de transição da Escola de Engenharia de Pernambuco para a Escola Livre de Pernambuco, o professor Paulo Guedes, ex-aluno da Escola Livre, se recorda que foram grandes as dificuldades enfrentadas. A sua turma, que iniciou com 10 alunos matriculados regularmente e treze ouvintes, no segundo ano tinha apenas ―três ou quatro‖. Essa brusca diminuição do número de alunos, segundo Guedes, não teria ocorrido apenas pela rigorosidade dos exames, mas, especialmente, pelas mudanças institucionais. (GUEDES, 1995, p. 237)
No final do mesmo ano de sua criação, a Escola Livre de Engenharia de Pernambuco foi reconhecida como estabelecimento de Ensino Superior. Não tendo mais uma vinculação direta com o Governador, embora contasse com apoio variado do governo do Estado, a Escola Livre de Engenharia de Pernambuco, gerida por uma Associação ―formada pelos lentes e professores‖, tinha o objetivo de ―difundir o ensino das matérias constitutivas dos cursos de engenharia civil e agronômica nos moldes do regimento e programas do Instituto congênere da União.‖ (Estatutos da Escola Livre de Engenharia de 1905, p. 3). Nessa nova organização, a direção da Escola é de responsabilidade do presidente da Congregação.
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FIGURA 8. PRÉDIO DA ESCOLA LIVRE DE ENGENHARIA NA RUA DO HOSPÍCIO, N° 7132
Alguns anos após a criação da Escola Livre de Engenharia de Pernambuco, divergências entre professores, particularmente com relação ao tipo de formação, mais teórica ou mais prática, ambas permitidas pela Lei Rivadávia33, acabaram gerando algumas dissidências de professores que defendiam uma formação mais prática. Esses dissidentes seriam os fundadores de uma nova Escola de Engenharia em Pernambuco, denominada Escola Politécnica de Pernambuco, em 6 de março de 1912:
―(...) a nova Escola já se houvera instalado, desde o dia 06 de março de 1912, na vigência da Lei Rivadávia. Esta disposição normativa, com 144 artigos e inúmeros parágrafos, tomou o número 8.659 e foi publicada pelo Diário Oficial em 05 de abril de 1911, no governo do Gen. Hermes da Fonseca.‖ (SANTOS, 1991, p. 38)
Esta nova Escola buscava formar engenheiros mais voltados para o trabalho, não tinha a pretensão de formar professores ou estudiosos e, por isso, se pautava por um ensino mais técnico do que o existente na Escola Livre de Engenharia. Segundo Torres (2008, p. 31), ―dois professores da congregação, um deles Joaquim Leal de Barros, da Escola Livre
32 Disponível em: http://cafehistoria.ning.com/photo/recife-pe-1920-escola-de?context=latest. Acesso em
10/03/2012.
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Implantada através do decreto n° 8.659, em 5 de abril de 1911, pelo Dr. Rivadávia Correia, a lei liberava as escolas da fiscalização federal, proporcionava total liberdade aos estabelecimentos escolares.
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de Engenharia, em 1912, a pretexto de que o ensino ali era demasiadamente teórico, se afastaram e criaram a Escola Politécnica de Pernambuco, a Poli‖.
Com a restituição da fiscalização do Governo Federal e com a reorganização do ensino, a Escola Livre de Engenharia de Pernambuco cria novos estatutos, que desta vez