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2 ASPECTOS METODOLÓGICOS: DESCREVENDO O CAMINHO

2.3 A ESCOLHA DA ABORDAGEM E SUAS IMPLICAÇÕES

De acordo com Richardson et al. (2007) não existe uma forma única de realizar uma pesquisa, entretanto se faz necessário ter um conhecimento da realidade, noções básicas da metodologia e técnicas de pesquisa.

Segundo Gil (2010, p. 26), “pode-se definir pesquisa como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico”. Ele, ainda, acrescenta, “o objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”.

Levando em consideração o objetivo que foi proposto, a pesquisa-ação colaborativa, com abordagem quantiqualitativa é assumida como opção metodológica deste trabalho.

Sobre pesquisa-ação, Thiollent (1985) nos diz que toda atividade intencional, voltada para uma prática concreta cujo objetivo trate-se de uma transformação social, nos fornece produção e construção de conhecimento. Vista como uma estratégia metodológica de pesquisa social em que se acompanham processos de

diagnóstico operatório, é possível detectar o nível de estrutura cognitiva com que o sujeito é capaz de operar na situação presente. Cada uma das provas é uma situação experimental bastante elaborada, que nos permite determinar as potencialidades do pensamento da criança através do estudo do grau de explorar até que ponto estão adquiridas ou não essas noções, em uma estrutura operatória, e se os julgamentos da criança resistem às contra-argumentações que são formuladas. Pretende-se apenas oferecer um critério de juízo didático para melhor compreensão e intervenção. Provas Operatórias. Disponível em: http://psicopedagogaterezabuss.blogspot.com.br/2010/07/provas- operatorias-piaget.html Acesso em: 16/09/2019

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O nível cognitivo está diretamente relacionada à Teoria Cognitiva criada por Jean Piaget para explicar o desenvolvimento cognitivo humano, segundo ele, tal desenvolvimento é dividido em 04 (quatro) estágios: Sensório Motor – de 0 a 2 anos; Pré-operatório – de 02 a 07 anos; Operatório Concreto – de 7 a 11/12 anos e Operatório Formal – de 12 anos em diante, na qual a criança apresenta em cada um desses estágios apresenta determinadas habilidades, a exemplo da capacidade de conservação e reversibilidade. O Diagnóstico da Criança em Fase de Alfabetização: Aspectos Cognitivos. Disponível em: http://www.edupp.com.br/2015/07/o-diagnostico-da-crianca-em- fase-de-alfabetizacao-aspectos-cognitivos/. Acessado em 06/11/2019

atividades, decisões, ações e uma gama de atividades intencionais dos sujeitos envolvidos na pesquisa.

[...] a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com a ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT, 1985, p.14).

Este tipo de pesquisa é decorrente, portanto, da identificação de uma problemática específica dentro de um contexto determinado, cuja solução requer uma investigação abrangente das suas dificuldades e problemas e o traçado de um plano para solucioná-las.

A proposta da minha pesquisa, como já relatado anteriormente, partiu de algo que me incomodou, fruto de observação e de “experiências” que me remeteram a questionamentos que, em mim, desencadearam um movimento de dentro para fora e de fora para dentro, hipóteses foram sendo levantadas, como um quebra-cabeça que buscava imprimir muito mais do que uma imagem do ideal, propondo possibilidades e encaminhamentos para mudança.

Tal inquietude possibilitou me colocar como pesquisadora e, como tal, compreender a importância de conhecer, não o conhecer por conhecer, mas o conhecer para transformar, para nos tornar mais próximo do outro e, por que não dizer, para nos colocar no lugar do outro?

Como o objetivo de uma pesquisa científica, consiste, a priori, em construir conhecimento, em alcançar resultados que atendam não apenas à realização pessoal, acadêmica, mas que tornem possível a promoção significativa no social dos sujeitos colaboradores (subjetividade), se faz necessário que essa se baseie num planejamento cuidadoso, no qual, a reflexão conceitual delineie cada passo dado e esse esteja alicerçado em uma metodologia que dê a esses passos cientificidade (objetividade).

Para tanto, o trabalho proposto busca dialogar com o conhecimento já existente (objetividade) e a realidade (subjetividade), num exercício teórico-prático de ação – reflexão – ação, pois nossa pesquisa entende, como afirma Gil (2010, p. 20) que:

Um bom pesquisador precisa, além de conhecimento do assunto, ter curiosidade, criatividade, integridade intelectual e sensibilidade social. São igualmente importantes: a humildade para ter atitude autocorretiva, a

imaginação disciplinada, a perseverança, a paciência e a confiança na experiência.

Objetividade e subjetividade, características que se complementam e constituem um bom pesquisador, assim como o meio natural que é fonte direta dos dados. É o pesquisador que fará a ponte entre os quantificáveis referentes aos sujeitos colaboradores e os imensuráveis. Tal relação será feita, mas não de forma isolada, serão conectados e atrelados, ainda, às teorias, que nos possibilitam atribuir significado e cientificidade aos dados coletados.

Os principais aportes teóricos que nortearam a nossa pesquisa foram: Ferreiro e Teberosky (1984), Vygotsky (1991) Piaget (1990), Soares (2004), Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), Freitas; Alves e Costa (s.d).

A justificativa para Ferreiro e Teberosky (1984) constarem como balizas de nossa pesquisa se dá, porque, tal como elas, compreendemos que, para a criança ser alfabetizada, se faz necessário, dentre outros fatores, compreender o que a criança pensa sobre a escrita, identificar suas hipóteses (pré-silábica, silábica sem valor sonoro, silábica com valor sonoro, silábico-alfabética e alfabética), (re)conhecendo-as como fases evolutivas de um processo complexo e contínuo.

Igualmente, se justifica o embasamento em Piaget (1970), pois entendemos que o desenvolvimento cognitivo possui fator influenciador, senão determinante, no processo de aprendizagem. Segundo o autor, algumas formas de pensamento que são simples para um adulto não são iguais para uma criança e todos os fatos do mundo se tornam inúteis, a depender do estágio de desenvolvimento dessa criança, pois dependem da sua experiência anterior, do contato com o meio, como o objeto do conhecimento, da assimilação e acomodação.

Não seria diferente para Vygotsky (1991), pois, como ele, acreditamos que, para que a aprendizagem e o desenvolvimento se efetivem, se faz necessário determinar dois níveis de desenvolvimento na criança: o nível da Zona de Desenvolvimento Real e o nível da Zona de Desenvolvimento Proximal. Esse se refere às atividades que a criança não consegue realizar sozinha, mas pode ter sucesso com a mediação de um adulto ou a ajuda de outra criança mais experiente.

Como Soares (2004), assumimos que a alfabetização deve acontecer na perspectiva do letramento, em que a leitura e a escrita significam muito mais do que codificar e decodificar, remetendo à apreensão e compreensão de significados e possuindo função social para além dos muros escolares.

Quanto a Freitas; Alves e Costa, por considerarem três etapas fundamentais que resultam na aprendizagem da aquisição da linguagem, no que se refere à consciência fonológica e ortográfica, sobretudo de crianças que apresentam Dificuldades de Aprendizagem em leitura e escrita: a sistematicidade, a frequência e a consistência.

Dessa forma, percebemos que a definição de metodologia vai além da descrição dos passos/métodos/técnicas, ela também indica a escolha teórica realizada pelo pesquisador para abordar o objeto de estudo. Tal referencial teórico- metodológico utilizado se justifica, pois acreditamos que a aprendizagem não é vista como um fenômeno incompreensível, mas ela faz intercâmbio com as estruturas internas da criança, com o meio e com o outro social, de dentro para fora e de fora para dentro.

Considerando a natureza quanti-qualitativa da nossa pesquisa, utilizamos diferentes instrumentos para coleta de dados, que foram planejados e pensados, a fim de serem tecidos e, nesse entrelaçamento, atribuírem veracidade e cientificidade, como também para que um fosse complemento do outro, dando subjetividade ao que é objetivo e objetividade ao que é subjetivo. A pesquisa teve como principais instrumentos de coleta de dados:

 O diário de campo: as anotações realizadas durante cada observação participante possibilitaram trazer à tona as inquietações, as inferências, as leituras subjetivas observáveis, que ficam evidentes neste momento, como também após cada encontro de aplicação da SD;

 A análise de escrita: realizada para identificar a hipótese de escrita, com base nos estágios/níveis descritos por Ferreiro e Teberosky (1984). Foram feitos registros para que nos auxiliassem no acompanhamento do processo de aquisição da língua escrita e/ou de superação das dificuldades de aprendizagem, pois, “para compreender as ideias das crianças a respeito da escrita, precisamos analisar várias produções. Além disso, é também importante [...] conhecer as condições de produção, o processo de produção e a interpretação final dada pelo sujeito” (FERREIRO, 1993, p. 80). Tal atividade serviu para duas finalidades: diagnóstico (uma vez que pôde revelar características de uma dificuldade de aprendizagem em escrita) e análise

(uma vez que serviu de ponto de partida para o planejamento de atividades, que serão descritas e quantificadas ainda neste capítulo);

 Provas piagetianas e/ou operatórias: aplicada para nos aproximar do possível estágio cognitivo19 da criança, quais sejam: pré-operatório, operatório concreto, formal e abstrato, identificando as defasagens cognitivas através do seu comportamento – correlação faixa etária – estágio cognitivo - em relação aos materiais apresentados, visto que o funcionamento da inteligência está condicionado pelas etapas do desenvolvimento, assim como pelas experiências que a criança tem com o meio em que vive. Ou seja, aprendemos partindo do que já temos em nossa estrutura cognitiva. Se o objetivo de Piaget, ao descrever os níveis de desenvolvimento da criança, era, com isso, recuperar os processos que estão presentes na construção do conhecimento, o nosso propósito é retirá-la de um estado atual e conduzi-la, através da mediação a um estado diferente (MACEDO, 1994, p. 48). Por isso, tal aplicação foi feita individualmente e aplicada, somente, com as crianças que apresentaram uma escrita assimétrica na análise de escrita que pudesse, através da nossa percepção, caracterizar sintoma de um déficit cognitivo.

Tanto a análise de escrita quanto a aplicação das provas piagetianas foram utilizadas, para auxiliar-nos na identificação da zona de desenvolvimento proximal da criança e criar subsídios para planejar atividades intencionais para superação das DA‟s, visto que, como afirma Ribeiro (1999, p. 34), “existe uma grande correlação entre estágio cognitivo e níveis de escrita e leitura no processo de alfabetização. Cada vez que uma criança avança na estrutura cognitiva, avança também nos níveis psicogenéticos da leitura e da escrita”.

Como parte da SD, criamos uma coletânea de atividades, cada uma delas foi planejada, para que fossem aplicadas junto às crianças, com objetivos voltados à sondagem, ao ensino aprendizagem, à aplicação e à avaliação20, de modo a criar

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O primeiro estágio descrito por Piaget, o sensório motor, é na aplicação das provas piagetianas desconsideradas, visto que, neste período, a criança encontra-se na faixa etária de 0 a 2, não correspondendo à faixa etária dos nossos colaboradores participantes.

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Atividades de ensino aprendizagem permitem que o aluno adquira novos conhecimentos; Atividades de aplicação permitem que os conhecimentos adquiridos sejam utilizados; Atividades de avaliação permitem diagnosticar o que o aluno é capaz de resolver sozinho e Atividades de Sondagem permite identificar os alunos que necessitam de atenção mais individualizada (NASPOLI,

conflitos, para que a criança possa avançar em suas hipóteses e superar as dificuldades de ensino e/ou de aprendizagem, em escrita. As atividades utilizadas e aplicadas durante o desenvolvimento da Sequência didática intitulada: Os Contos

Infantis na aquisição da Língua Escrita, com base na ZDP – constam nos anexos,

considerando que cada criança responde às atividades e aos estímulos de modo individualizado, mesmo que esteja na mesma ZDP. Os fundamentos metodológicos do modelo de Sequência Didática seguiram os pressupostos teóricos de Dolz, Noverraz e Shneuwey (2004), em que a SD é definida como sendo um conjunto de atividades escolares organizadas, sistematizadas em torno de um gênero textual oral ou escrito, que, no caso da presente pesquisa, foi o gênero escrito: Conto Infantil, e, por considerar a escrita como sendo um processo e não um mero produto, sem interlocutores, sem contexto, sem produção, sem finalidade.

A princípio, compõe a estrutura base de uma Sequência Didática a apresentação para as crianças, com a descrição detalhada das tarefas a serem cumpridas. É realizada uma Produção Inicial/diagnóstica, para avaliar o conhecimento prévio da criança quanto ao gênero, como também as dificuldades reais e individuais de cada criança, direcionando ao planejamento dos Módulos, momento de aplicação e ajustes de atividades a serem realizadas, embasadas nas dificuldades a serem sanadas, elencadas e diagnosticadas na Produção Inicial. Ademais, temos a Produção Final, que possibilita a criança ter o controle sobre o próprio processo de aprendizagem, (re)visitando tudo o que aprendeu e/ou superou.