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A estabilidade do produto e o aumento da produtividade do trabalho

2.8 SÍNTESE FINAL

3.1. Um quadro de desruralização tardia e fortemente acelerada.

3.2.2. A estabilidade do produto e o aumento da produtividade do trabalho

No entanto, no decorrer da última década do séc. XX, as explorações agrícolas que persistiram, demonstraram uma grande capacidade de se equipar com meios mecânicos, até como resposta à progressiva ausência de caseiros e jornaleiros. Alíás, tomado isoladamente é esse um dos itens que canalizou mais investimentos ao abrigo dos REG.s acima citados. Não admira, portanto, que os indíces de motorização tenham sofrido acréscimos consideráveis, sobretudo como resultado do aumento do número total de tractores, dado que no que toca à utilização de outros meios mecânicos, como é o caso dos motocultivadores, se registou alguma estabilidade (3480 em 1989, 3522 em 1999) (Quadro 3.V e Fig. 3.5). A amplitude da tractorização no Alto Minho destaca-se

mesmo no quadro do país. Segundo o RGA de 1999 existiam em Portugal um total de 168495

tractores para 3863094 ha de SAU, o que prefaz uma média de 4,4 tractores por 100 ha de SAU, valor bem mais baixo do que o registado para o Alto Minho, onde, na mesma data, existiam 9,9

10 Km 5 0 Melgaço Monção Valença V.N. Cerveira Paredes de Coura Arcos de Valdevez Caminha Viana do Castelo Ponte de Lima Ponte da Barca

Nºmédio tractores por 100ha de SAU (1989)

3 6 9 10 Km 5 0 Melgaço Monção Valença V.N. Cerveira Paredes de Coura Arcos de Valdevez Caminha Viana do Castelo Ponte de Lima Ponte da Barca

Nºmédio tractores por 100ha de SAU (1999)

3 11 19

10 Km 5 0 Melgaço Monção Valença V.N. Cerveira Paredes de Coura Arcos de Valdevez Caminha Viana do Castelo Ponte de Lima Ponte da Barca

Nºmédio tractores por 100ha de SAU (1989):

2.80 6.00 9.20

Nºmédio tractores por 100ha de SAU (1999):

2.70 10.60 18.50

Fig. 3.6. – Número médio de tractores por 100ha de SAU (1989 e 1999).

O RGA de 1989, recenseou no Alto Minho 4814 tractores, enquanto que o de 1999 indica um total de 6121, o que significa um acréscimo de 1307 unidades (27,1%), o que deve ser destacado até por ter ocorrido em apenas uma década. Este aumento - que se comportou de forma semelhante em praticamente todos os municípios - tem ainda mais significado quando se comparam, para as mesmas datas, quer os valores médios por exploração (inferior a 1/5 (0,17) em 1989 e superior a 1/3 (0,37) em 1999), quer, como se fez anteriormente, o número total por 100 ha de SAU, que passou de 5,5 tractores em 1989 para 9,9 em 1999, com particular destaque para os municípios de Monção (17,4), Ponte de Lima (13,1), Valença (18,5), Viana do Castelo (13,5) e Vila Nova de Cerveira (18,4), todos com mais de 10 tractores por 100 ha de SAU em 1999 (QUADRO 3.5). Além disso, importa também sublinhar, ainda para 1999, que o número de explorações agrícolas que utilizam tractor (possuindo-o ou não), 15700, se aproxima bastante do número total de explorações agrícolas com SAU (16695), o que significa que este meio mecânico está presente em 94% das explorações, ocorrendo o valor relativo mais baixo em Arcos de Valdevez (87,2%) e o mais alto em Paredes de Coura (97,1%) (Quadro 3.V e Fig. 3.6).

O notável incremento da motorização é um dos factores, embora não o único, que explica o claro aumento da produtividade do trabalho no Alto-Minho.

As Contas Económicas da Agricultura 2001 reportando-se aos anos de 1986 a 2000 (base 1995), publicadas pelo INE, apenas apresentam valores desagregados à escala de Região Agrária para os anos de 1995 a 1999 não fazendo o mesmo, como seria mais útil para este estudo, para as NUT III. Ainda assim, parece não ser arriscado partir dos valores do Entre-Douro e Minho para extrapolar, com alguns ajustes, através da identificação das tendências recentes, ainda que em grosso, para o Alto Minho (Fig. 3.7). 10 Km 5 0 Melgaço Monção Valença V.N. Cerveira Paredes de Coura Arcos de Valdevez Caminha Viana do Castelo Ponte de Lima Ponte da Barca

Melhoramentos Fundiários (10 3escudos) Construções Agrícolas (10 3escudos) Plantas (10 3escudos)

Animais Reprodutores (10 3escudos) Máquinas e Equipamentos (10 3escudos) Outros (10 3escudos)

204.92 941.60 1678.28

Fig. 3.7.– Ajudas ao investimento nas explorações agrícolas, entre Setembro de 1987 e Dezembro de 1995 (103 escudos).

No Entre-Douro e Minho a produção do ramo agrícola, entre os anos 1995 e 1999 (base 1995), não registou grandes flutuações e, se se exceptuar o ano de 1997 - que apresentou condições climáticas particularmente adversas - o seu valor ronda os 150 mil x (103) esc., sendo as oscilações mais visíveis

No entanto, a estabilidade desta série resulta da recíproca anulação de itens específicos, para o caso da produção vegetal o decréscimo registado nos cereais foi compensado pelo aumento dos produtos hortícolas e, para o caso da produção animal, o decréscimo dos bovinos (em parte como resultado da BSE) foi compensado pelo aumento do leite em natureza (Quadro 3.VI).

Ora, no Alto Minho, ao contrário do conjunto da Região Agrária do Entre-Douro e Minho, é provável que estas compensações não tenham ocorrido nem da mesma forma nem com a mesma intensidade, o que permite inferir que a produção do ramo agrícola manifestou no mesmo período uma trajectória no sentido de decréscimo, embora não tão significativo como, à partida, seria lícito esperar. No que respeita ao produto vegetal porque o seu território se situa fora das áreas de produção hortícola mais intensivas e mais dinâmicas, a exemplo da faixa litoral entre a Póvoa de Varzim e Esposense, no produto animal porque a perda dos bovinos não foi compensada pelo aumento do leite em natureza, dado que se manifestou - tal como se vai explicitar um pouco mais à frente - uma tendência no sentido de subalternidade em relação às políticas de concentração produtiva e territorial promovidas pela Agros, que têm favorecido a bacia leiteira de Barcelos / Vila do Conde, em detrimento dos territórios mais excêntricos.

Admitindo, então, que no Alto Minho se está em presença de um decrécimo não muito significativo da produção do ramo agrícola e considerando que, sincronicamente, se assistiu quer a um elevado crescimento dos índices de motorização, quer a uma acentuada diminuição das UTA, pode concluir- se que, no decorrer da última década, se registou um forte aumento da produtividade do trabalho, como também inferir-se, por ser pouco provável que a redução do produto tenha tido a amplitude da registada na área total de SAU, que se operou um aumento global do rendimento / hectare. Se este cenário não estiver muito longe da realidade, significa ainda que o abandono se fez sentir com

maior incidencia em terras de produtividade inferior ou marginal e que pelo menos uma parte das

explorações resistentes demonstraram alguma melhoria na respectiva competitividade.