3. AS REDES TELEMÁTICAS: PALCO PARA A PERFORMANCE DOS CANDIDATOS
3.3. O Twitter: caracterização como rede social e estrutura de funcionamento
3.3.1. A estrutura comunicacional-interativa do Twitter
O Twitter permite a interação com grupos de outros internautas, configurada a partir das escolhas e interesses pessoais. Qualquer pessoa pode consultar as páginas de
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A relação entre pais e filhos pode ajudar a compreender entre esses níveis de conexão. Ela é constituída por interações de diferentes tipos, não exclusivas desse par (como quaisquer dois sujeitos, pais e filhos podem brincar, cuidar, ensinar e aprender, aconselharem-se), e pode resultar em laços de tipos muito variados – cumplicidade, autoridade, respeito, dependência – e diferentes intensidades.
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usuários (desde que não haja restrição de privacidade, o que é pouco comum), mesmo que não tenha uma conta no microblog. Ao criá-la, passa a ter uma página que pode ser personalizada (com foto, cores, templates), que permite trocas com outros usuários e armazena as mensagens postadas.
Identificado no microblog por seu login, precedido do sinal @ (@dilmabr ou @joseserra_, por exemplo), o usuário pode escolher que pessoas ‘seguirá’ clicando em um botão de follow/seguir nas páginas individuais dos usuários ou nas sugestões oferecidas pelo serviço na sua página. Feito isso, passa a receber em uma timeline (linha do tempo) as mensagens que forem postadas por todos os usuários que seguir, em tempo real. E também poderá ser seguido por outras pessoas, que vão receber suas postagens.
Existem dezenas de aplicativos de interface com o Twitter, que dão acesso, hierarquizam e apresentam as mensagens de diferentes modos, especialmente pensados para usos e equipamentos variados. Para efeito de nossa descrição, utilizaremos o site oficial, acessado via web.
A timeline é a página principal, onde o usuário pode visualizar as mensagens de quem segue. Seus próprios posts estão disponíveis em outra página, que pode ser vista clicando-se em seu nome ou através do endereço www.twitter.com/usuario. Assim, por exemplo, as páginas de @dilmabr e @joseserra_ podem ser acessadas por qualquer pessoa, mesmo que não tenha conta no microblogs, digitando em seu servidor
www.twitter.com/dilmabr ou www.twitter.com/joseserra_, respectivamente.
Além da página principal, existem quatro abas onde as mensagens são categorizadas25. A de mentions, onde o usuário visualiza os tuítes em que foi mencionado (através do uso do @usuário); a de retweets, onde estão reunidas as postagens de terceiros que seus seguidores replicaram e que chegaram até ele dessa forma, as mensagens de seus seguidores que ele mesmo replicou, as que foram replicadas por outras pessoas; a aba de
search (busca), em que ficam registrados os resultados de busca por termos que o usuário
salvou e, finalmente, a que agrupa os tuítes por listas definidas pelo usuário (por exemplo, todos os tuítes de veículos de comunicação, políticos ou celebridades). Além disso, ao clicar em seu próprio nome, o usuário pode ver a página onde ficam registrado seus próprios posts.
Diferentemente de outras redes, como Facebook e Orkut, o vínculo entre os usuários (seguir e ser seguido) não é recíproco e nem depende de anuência do outro. A não ser
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No final de 2011 o serviço criou uma nova aba, chamada ‘Atividade’, onde mostra as ações das pessoas que o usuário segue. Como ela não existia quando foi feita a coleta, foi excluída dessa descrição.
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que haja um desejo expresso do usuário registrado em suas configurações pessoais de conta, qualquer pessoa poderá adicioná-lo sem que ele precise aprovar o pedido. E o fato de ser ‘seguido’ por alguém não faz dessa pessoa ‘seguidor’ da primeira, já que não é preciso aceitação mútua. Os perfis objeto de nosso estudo, por exemplo, mostram a discrepância que pode haver entre o número de pessoas que se segue e o número pelo qual se é seguido: em 1º de novembro de 2010, @joseserra_ tinha mais de 564 mil seguidores, enquanto seguia cerca de 5,7 mil. Já @dilmabr era acompanhada por mais de 315 mil usuários, mas seguia apenas 606.
Essa arquitetura deve ser destacada sob dois aspectos. Primeiro porque aproxima anônimos, especialistas, autoridades e celebridades, permitindo que as pessoas recebam informações das fontes que mais lhe interessam ou parecem confiáveis em determinado momento. Segundo porque permite uma flutuação grande dos assuntos a que se tem acesso ao longo do tempo, podendo o usuário escolher, sem ou com muito menos constrangimento, desfiliar-se quando não tiver mais interesse em seguir determinado usuário. É comum, por exemplo, que em situações de crise, como as manifestações políticas vividas pelo Egito no começo de 2011, as pessoas interessadas neste assunto procurem seguir usuários que estão tuitando a situação de perto. Passado o ápice do evento, podem decidir se querem ou não continuar a segui-los.
Quanto mais pessoas um usuário seguir e quanto mais ativas elas forem, mais numerosos serão os tuítes que aparecerão em sua timeline. De outro ponto de vista, quanto mais seguidores um usuário tiver, maior será a exposição do seu tuíte em timelines. A estrutura de rede e a possibilidade de replicar mensagens potencializa a difusão de informações e pode gerar aumento da visibilidade dos temas discutidos por pessoas que têm muito seguidores.
Para ajudar na identificação dos tópicos e acompanhamento dos temas em discussão, os usuários criaram as hashtags, espécie de etiquetas marcadas pela precedência do símbolo #. Uma análise do serviço Tweetreach26, que se propõe a medir o alcance de um ‘tuíte’, indica que uma amostra de 50 mensagens que continham a hashtag #pergunteaoserra, usada pelo próprio candidato no dia 28 de setembro de 2010, apareceu em timelines 44.655 mil vezes graças à arquitetura do site (cada uma das mensagens estava disponível para o
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conjunto das pessoas que seguiam quem as postou e também para os seguidores daqueles que a retuitaram).
As hashtags fazem do Twitter um grande indexador e também site de busca. Quando adiciona ao seu post uma hashtag, o usuário permite que quem lê aquela mensagem possa ter acesso a diversas outras que contenham a mesma marcação, de usuários em todo o universo do Twitter, seguidos ou não por ele. Clicando sobre a hashtag, o usuário é direcionado a uma página com resultados de busca em tempo real para aquela determinada marcação. Utilizá-la, portanto, é uma forma de dar visibilidade ao ‘tuíte’, por meio da indexação, integrando uma ‘conversa’ maior. A ferramenta de busca em tempo real indica, ainda, se o assunto já esteve em voga ou se ainda está sendo comentado.
Elas também são importantes para a construção do Trending Topics, lista dos assuntos que são tendência no microblog. Esse ranking, com versões locais, regionais, nacionais e mundial, dá ainda mais visibilidade ao assunto dentro do próprio Twitter e, como tem se verificado, pode acabar pautando outros meios de comunicação. Esse foi o caso do #calaabocagalvão, galhofa dos usuários brasileiros que ganhou o topo da lista em âmbito mundial, ganhou nota no New York Times e capa do semanário Veja. A conquista de um espaço na lista às vezes espelha disputadas da vida real, como os esforços de militantes ‘tuíteiros’ para manter #dilma, #serra45, #marina43, #ondavermelha e #ondaverde na listagem.
O Twitter também permite acompanhar os turnos de falas trocados entre os usuários, clicando no ícone de balão que acompanha as mensagens iniciadas com direcionamento a outros usuários. Esse direcionamento, como já foi dito, é feito por meio do uso do nome de usuário precedido de @ e localizado no início da mensagem. Quando o usuário A envia ao usuário B uma mensagem precedida por @b, além deste, todos os seguidores de ambos (não de um e de outro, mas dos dois ao mesmo tempo) vão acompanhar a troca. Para que a mensagem apareça para todos os seguidores de A, independente de serem também seguidores de B, a @ deve ser precedida de ponto final (.@b, em nosso exemplo). Isso é importante porque define o nível de visibilidade da mensagem, evidenciando a escolha por torná-la ou não disponível a todos.
Em qualquer tipo de mensagem (comum, resposta ou retuíte) é possível adicionar
links para fotos, vídeos, arquivos e transmissões ao vivo, remetendo os seguidores a outros
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Neste capítulo buscamos tratar das redes telemáticas e das possiblidades de comunicação que abarcam. Destacamos a natureza das interações que podem ser estabelecidas neste ambiente e alguns elementos envolvidos na projeção dos sujeitos engajados em processos de comunicação mediados pelo computador. Por fim, descrevemos a estrutura e lógica comunicativa do Twitter, rede em que observaremos a performance de @dilmabr e @joseserra_. Para que isso seja possível, no capítulo seguinte procederemos à explicitação desse conceito e de outros, subjacentes, que utilizaremos para compor nossa proposta analítica.
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