1.2 O Programa PDE-PR
1.2.1 A estrutura do programa PDE-PR
De acordo com o documento síntese do PDE, o programa encontra-se
estruturado em três eixos: atividades de integração teórico-práticas; atividades
de aprofundamento teórico e atividades didático-pedagógicas com utilização de
suporte tecnológico. Essas atividades são desenvolvidas em quatro períodos,
distribuídas ao longo de dois anos e desenvolvidas de forma integrada
(PARANÁ, 2012a, p.4).
O primeiro eixo: Atividades de integração teórico-práticas
contemplam atividades voltadas para a integração entre teoria e prática,
constitui-se de:
Projeto de Intervenção Pedagógica na Escola: atividade que será
realizada sob a orientação do professor orientador da IES. Deve partir
da delimitação clara da situação problema, seguida da justificativa, dos
objetivos, da fundamentação teórica, das estratégias de ação, do
cronograma e das referências.
Orientações nas IES: cada professor PDE recebe a orientação de um
professor da IES a qual está vinculado para discutir os
encaminhamentos das atividades e produções que o professor PDE
deve desenvolver no âmbito do programa, como: Projeto de intervenção
pedagógica, Produção de material didático, e Artigo final.
Produção didático-pedagógica: com o acompanhamento do professor
Orientador das IES, o professor PDE deverá desenvolver uma produção
didática pertinente ao seu objeto de estudo e disciplina na qual é
concursado. Este material didático servirá como estratégia do Projeto de
Intervenção Pedagógica que irá subsidiar o trabalho a ser desenvolvido
junto a seus pares e alunos quando retornar às atividades docentes (o
que ocorre no terceiro período, segundo ano do programa).
Coordenação Estadual do PDE indica a elaboração de produções
didático pedagógicas a serem utilizadas para fins pedagógicos, como
por exemplo: cadernos pedagógicos, cadernos temáticos, unidades
didáticas, mapas, atlas, produção de roteiros, vídeos e documentários
para TV, dentre outras possibilidades.
Implementação do Projeto de Intervenção Pedagógica na Escola: no
terceiro período do programa, o professor PDE deverá implementar seu
projeto na escola. As atividades desenvolvidas durante o programa
como: produção didática, projeto de intervenção pedagógica e
participação nos grupos de trabalho em rede GTR, participação em
eventos promovidos pelas IES irão se integrar nesse momento.
Trabalho Final: no quarto período o professor deverá escrever um
artigo científico sob a orientação do Professor Orientador da IES a qual
está vinculado. Essa etapa caracteriza-se como conclusiva das
atividades de aprofundamento teórico-prático do Programa. O artigo
deverá abordar questões que o professor PDE julgar essenciais relativas
a cada etapa do processo, desde a escolha do tema até os resultados
da intervenção pedagógica. Após passar pelos trâmites legais o projeto
será publicado no Portal dia a dia educação da SEED para que seja
utilizado pedagogicamente por professores ou como fonte de consulta a
pesquisadores.
De acordo com os pressupostos do documento síntese do PDE
(PARANÁ, 2012), a intervenção pedagógica visa contribuir para a superação de
problemas apontados pelo professor PDE dentro da sua disciplina de atuação
com a finalidade de promover a melhoria qualitativa do ensino no contexto
escolar do qual participa. Porém para que essa implementação seja profícua,
apontamos para a necessidade de uma articulação entre gestão escolar, equipe
pedagógica, docentes e discentes da instituição, a fim de que as ações atinjam
aos objetivos propostos, pois como foi salientado anteriormente, todo esse
processo é uma construção coletiva e neste ambiente de interações
socioculturais é que emergem os saberes.
Neste aspecto apontamos uma lacuna na estrutura deste programa,
resgatando a ideia de Demo (1990) ao criticar a dicotomia entre teoria e prática,
pois a estrutura organizacional deste programa não prevê o acompanhamento
dessa implementação pelos Professores Orientadores das IES. Entendemos
que para a articulação entre educação básica e ensino superior não se tornar
um discurso vazio no contexto do programa PDE, é necessário um engajamento
entre gestão escolar, equipe pedagógica, docentes e discentes da instituição e
Orientadores das IES. Entendemos que uma das funções dos Orientadores das
IES deveria ser também a de acompanhar e colaborar com o momento em que
seu Orientando (professor PDE) estiver implementando seu projeto de
intervenção pedagógica em sua escola, desta forma o Orientador terá uma
visão completa do contexto e poderá dar encaminhamentos para eventuais
adequações ou reestruturações do projeto. Tanto orientador quanto orientando
se beneficiam no sentido de se pronunciarem com mais propriedade acerca de
uma situação vivenciada na prática.
O segundo eixo trata de Atividades de aprofundamento teórico, cujo
foco está no aprofundamento teórico das questões educacionais em geral, com
o objetivo de ampliar, aprofundar e atualizar os conhecimentos do professor
PDE. O conteúdo deste eixo compreende:
Cursos: abordam temas específicos da disciplina de ingresso no PDE,
Metodologia da pesquisa, fundamentos da Educação, relacionando-os
com os pressupostos das diretrizes curriculares estaduais.
Seminários integradores: são eventos ao encargo dos Núcleos
Regionais de educação (NRE), com o intuito de subsidiar e esclarecer a
implementação das ações do programa, seus fundamentos
político-pedagógicos e a sua proposta curricular.
Encontros de área: tem o intuito de discutir os projetos e produções
didáticas com outros colegas da mesma área de estudo, essas
atividades são realizadas nas IES.
Inserção acadêmica: oportuniza a participação do professor PDE em
cursos, seminários, simpósios, congressos, grupos de estudo, etc.,
promovidos pelas IES.
Teleconferências/webconferências: possibilita aos professores PDE
interagirem por meio de recursos tecnológicos num mesmo
espaço/tempo com docentes renomados da área educacional.
Sobre este eixo, percebemos uma incongruência entre os propósitos do
programa e as ações que se executam na prática, visto que, cursos, seminários
e inserções acadêmicas, nem sempre condizem com o tema investigado pelo
professor PDE. A escolha dos eventos que o professor PDE irá participar fica a
critério do mesmo, servindo apenas para compor a carga horária do programa.
Nesse aspecto entendemos que seja questionável a contribuição destes
eventos para o desenvolvimento do projeto de intervenção pedagógica e da
implementação deste no contexto escolar. Apontamos a necessidade da
atuação dos Orientadores das IES no sentido de escolher junto com seu
orientando as atividades que melhor propiciarão embasamento para o
desenvolvimento do projeto de intervenção pedagógica e do material didático.
Quando esta escolha é validada pelos Orientadores das IES, estes passam a
atuar como coautores tanto do projeto quanto do material didático, tornando-se
corresponsáveis pelo desenvolvimento e implementação destes na escola de
atuação do professor PDE.
O terceiro eixo é o de maior interesse para nossa pesquisa, pois
compreende: Atividades didático-pedagógicas com utilização de suporte
tecnológico. Este eixo possibilita a interação do professor PDE com os demais
professores da Rede, através dos Grupos de Trabalho em Rede – GTR (que
será explicitado adiante), com utilização da plataforma MOODLE. Para o
desenvolvimento dessa atividade são ofertados aos professores cursos de
Informática Básica, Tutoria em EaD e ambientação em SACIR e MOODLE.
O SACIR (Sistema de Acompanhamento e Integração em Rede)
consiste num ambiente virtual com o objetivo de registrar e acompanhar todas
as ações desenvolvidas pelo professor PDE no âmbito do programa. Tem
acesso a esse ambiente o Orientador da IES, Professor PDE, Representante
NRE e Equipe PDE/SEED.
As Coordenações regionais de Tecnologia Educacional (CRTE)
localizadas nos Núcleos de educação (NRE) oferecem curso de informática
básica aos professores PDE, bem como assessora estes professores
particularmente no estabelecimento de atuação ou na própria CRTE com
horário previamente marcado.
Ao considerarmos que muitos professores da rede estadual de ensino
do Paraná apresentam conhecimentos precários no que tange à apropriação
das TIC para fins educacionais, entendemos que a formação em informática
básica seja fundamental para que o professor PDE tenha um bom desempenho
no seu Grupo de Trabalho em Rede(GTR), que ocorre totalmente por meio
tecnológico.
Ressaltamos, porém que, é necessário o professor acreditar nas
possibilidades do uso do computador como ferramenta pedagógica, buscar
aprimorar a sua prática independente das demandas governamentais, pois a
simples presença dos computadores nos ambientes escolares não promove
melhorias na educação, mas sim o uso que os agentes fazem dele. É
fundamental que os professores saibam integrar os conhecimentos científicos
aos recursos tecnológicos disponíveis no contexto escolar, construindo assim
possibilidades didáticas que atendam a reais necessidades educacionais.
Nesse aspecto ainda, enfatizamos a necessidade de se discutir a
utilização crítica e consciente dos recursos tecnológicos para fins educacionais,
pois entendemos que a instrumentalização do professor deve caminhar
paralelamente à apropriação pedagógica das TIC.
Para muitos professores participar de cursos à distância significa não só
uma novidade como também uma atividade alheia à sua prática cotidiana, pois
alguns apresentam conhecimentos sobre tecnologia, mas nunca tiveram a
oportunidade ou o interesse em vivenciar um curso em educação à distância
(EaD). Neste aspecto consideramos bastante positiva a iniciativa deste
programa ao proporcionar novas vivências pedagógicas na formação destes
profissionais.
Todavia ressaltamos um aspecto desfavorável neste eixo do programa:
na implementação dos GTR, cada professor compartilha o seu projeto de
intervenção pedagógica junto a seus pares (professores da rede estadual de
ensino) num ambiente virtual, porém percebemos que, assim como no primeiro
eixo do programa, a ausência do Professor Orientador da IES nesta etapa do
projeto pode trazer prejuízos à implementação, ficando também uma lacuna.
Entendemos que a estrutura deste eixo deveria contemplar a participação dos
Orientadores das IES, ainda que fosse como visitantes dos GTR, pois se trata
do compartilhamento do projeto o qual estão orientando, e não deveriam estar
alheios a esta etapa que é tão importante. As interações discursivas que
emergem neste ambiente virtual e compartilhamento de ideias podem contribuir
para o redimensionamento do projeto de intervenção pedagógica e também da
construção do material didático adequando-o à realidade escolar.
No documento
UMA ANÁLISE DE MATERIAIS DIDÁTICOS DIGITAIS PRODUZIDOS POR PROFESSORES
(páginas 32-37)