• Nenhum resultado encontrado

A EVOLUÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO BRASIL

No documento ARIANY DA PAIXÃO SILVA....pdf (1.137Mb) (páginas 49-52)

4 A AGRICULTURA FAMILIAR ENQUANTO ALTERNATIVA AO MODELO DE

4.5 A EVOLUÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO BRASIL

Assim como o conceito de agricultura familiar foi sendo alterado ao longo do tempo, em um processo cumulativo de construção do seu significado, também os mecanismos de fomento da agricultura familiar foram se consolidando ao longo do tempo, na medida da sensibilidade governamental à temática, da disponibilidade financeira, a também pela pressão exercida por inúmeros segmentos sociais do meio rural.

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), criado em 1995, foi o primeiro instrumento nacional de política agrícola que, tendo em vista a dificuldade do acesso ao crédito pelos agricultores familiares, que anteriormente ao PRONAF estavam sujeitos às mesmas condições (valor do juros, condições de empréstimo, burocracia) que os grandes e médios produtores, criou uma oferta de financiamento diferenciado , destinado a atender as necessidades específicas dos agricultores familiares. (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 53)

Em um primeiro momento, o PRONAF se constituiu "como uma linha de crédito para o financiamento da produção da agricultura familiar, com operações de custeio e investimento, melhorias em infraestrutura comunitária, com a obrigatoriedade de adesão ao seguro então existente, o Proagro" (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 54). Entretanto, em 1996, ele se tornou mais abrangente, tornando-se um programa, que previa outras formas de fomento à agricultura familiar tais como a pesquisa, aperfeiçoamento profissional, difusão de tecnologia, mas essas abrangência diminuiu, restringindo-se ao programa de crédito uma vez que outras políticas destinada à agricultura familiar foram tomando forma.

Segundo França, Marques e Del Grossi :

A execução operacional do Pronaf é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) (atualmente, Secretaria da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, subordinada à Casa Civil) , em parceria com o Ministério da Fazenda (MF) e os bancos oficiais (empresas de economia mista controladas pelo governo federal), Banco do Brasil (BB), Banco do Nordeste (BNB) e Banco da Amazônia (BASA). (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 55)

Ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (atual Secretaria da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, subordinada à Casa Civil) incumbe elaborar todas as condições para o funcionamento do PRONAF (taxa de juros, limites de crédito, fontes, etc), que será submetido ao Conselho Monetário Nacional, que redigirá resolução, que uma vez aprovada será publicada pelo Banco Central. (MULLER; SANCHES, 2014, p. 426 apud FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 55)

Foi a partir do ano de 2003 que intensificam-se as mudanças no PRONAF, adaptando-o cada vez mais às peculiaridades inerentes à agricultura familiar, através da sua simplificação e adequação das taxas de juros, ampliação da sua abrangência e de destinação de recursos e especialização e diversificação das linhas de créditos. Segundo França, Marque e Del Grossi (2016, p. 56) a expansão do PRONAF só foi possível em razão da concomitância com o surgimento e articulação de outros programas de política agrícola e desenvolvimento rural, quais sejam Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, o Programa de Organização Produtiva da Mulheres Rurais; e o Programa de Desenvolvimento Sustentável dos Territórios Rurais, entre outros. (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 56)

Os destinatário do PRONAF são aqueles que atendem aos critérios da Lei nº 11 326/2006, além de grupos especiais. A identificação dos beneficiários do PRONAF é feito por meio da Declaração de Aptidão o Pronaf (DAP), que é documento obrigatório para o ingresso no programa e possibilita, além do enquadramento da família dentre os grupos assistidos pelo programa, o acesso à Secretaria de Agricultura Familiar - SAF - como a compra direta, a comercialização de matéria prima do Biodiesel entre outras.

Atualmente, o PRONAF conta 16 linhas de créditos, com foco na produção de alimentos (PRONAF Mais Alimentos), em projetos agroflorestais e extrativistas (PRONAF FLORESTA), nos jovens (PRONAF JOVEM), na reforma agraria (PRONAF investimento para a reforma agrária; PRONAF custeio da reforma agrária; PRONAF

Microcrédito da Reforma Agrária, na agricultura orgânica (Pronaf Agroecologia), no meio ambiente (PRONAF ECO) e nas mulheres (PRONAF mulher).

Merece destaque, dentre outros programas destinados à agricultura familiar, que não serão esgotados neste trabalho, o Programa Mais Alimentos, que no auge da crise internacional, no ano de 2008, e da elevação do preço dos alimentos foi lançado com o objetivo de "de aumentar a produtividade da agricultura familiar e, assim, ampliar a oferta de alimentos". (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 65). Segundo França, Marques e Del Grossi o programa:

apostou na combinação do investimento de longo prazo em infraestrutura produtiva, acesso a conhecimento e tecnologias e reformulações na política de abastecimento, que resultaram nas três áreas do programa: mais investimento, mais tecnologia e mais mercados. (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 65)

O Programa assume especial importância por objetivar o aumento da oferta de gêneros alimentícios, favorecendo a diminuição dos preços, da dependência do mercado externo, promovendo a segurança e soberania alimentar, no contexto de um país reconhecido como grande produtor de produtos voltados à exportação, em detrimento de produtos de consumo alimentar.

Ademais, tem como mérito expor a dupla participação da agricultura familiar no crescimento do mercado interno, uma como produtora atendendo à demanda crescente por alimentos, e outra, em contribuindo com o setor industrial, como consumidora de máquinas e equipamentos, reduzindo os riscos da desindustrialização, especialmente, em um momento de crise econômica. (FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 66).

Também merece destaque o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), lançado n ano de 2003, com o objetivo de "canalizar o poder de compra do Estado para adquirir alimentos diretamente da agricultura familiar e destiná-los a populações em situação de insegurança alimentar e nutricional" (TAKAGI; SANCHES; GRAZIANO DA SILVA, 2014, p. 28 apud FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI, 2016, p. 119). Desse modo consegue-se, simultaneamente, aumentar a demanda dos alimentos produzidos pelos agricultores familiares, estimulando sua produção e incrementando sua renda e aumentar o consumo e a nutrição dos mais pobres. Para tanto, foi necessário integrar as políticas agrícolas destinadas aos agricultores familiares e as políticas socioassistenciais.

O programa já conta com 13 anos. Segundo dados do extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário:

Em 2003, a execução do programa contou com a participação de 42 077 agricultores; as operações totalizaram USD 144 milhões e 135 toneladas de alimentos. Atualmente, são 200 mil unidades familiares e 4 mil organizações econômicas (associações e cooperativas) ofertando alimentos em mais de 3 mil municípios; 20 milhões de pessoas atendidas por 23 mil instituições da rede socioassistencial e educacional; e mais de 3 mil tipos de alimentos (frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, carnes, leite, farinhas, etc.). (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO apud FRANÇA; MARQUES; DEL GROSSI,2016, p.124):

Segundo dados da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário na Safra de 2015/2016 os agricultores familiares brasileiros contrataram 22,1 bilhões de crédito para financiar a produção. Se contabilizado os 21 anos de programa foram disponibilizados R$ 160 bilhões em crédito e 27 milhões de contratos realizados em todo país, com uma inadimplência abaixo de 1%.

Para a safra de 2016/2017 os produtores contarão com R$ 30 bilhões para investimento e custeio da unidade produtiva, e haverá a redução dos juros de 5,5% para 2,5% aos agricultores que produzem alimentos que compõem os índices da inflação, tais como, arroz, feijão, café, batata e trigo, mandioca, entre outros. Também se encaixam nessas condições a apicultura, a piscicultura e a criação de ovinos e caprinos.

Não obstante, embora se possa observar o crescimento do investimento da agricultura familiar, ele ainda é ínfimo se comparado ao investimento da agricultura não familiar, para a qual será destinado, para a safra de 2016/2017,R$ 185 bilhões de crédito aos produtores rurais brasileiros investirem em custeio e comercialização.

4.6. O ESTÁGIO ATUAL DA AGRICULTURA FAMILIAR NO BRASIL: PRINCIPAIS

No documento ARIANY DA PAIXÃO SILVA....pdf (1.137Mb) (páginas 49-52)

Documentos relacionados