• Nenhum resultado encontrado

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

4.1 Histórico do Município de Londrina em relação às ações de C&T

4.1.2 A evolução do desenvolvimento da C&T em Londrina

Desde a criação de Londrina na década de 1930, até meados da década de 1970, a cidade era dependente basicamente da cafeicultura. Sendin (2004) descreve que a base tecnológica na época, utilizada na agricultura, era advinda das experiências dos imigrantes, oriundos basicamente de São Paulo e Minas Gerais, ou da transferência de tecnologia (busca de variedades de café) de institutos como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Instituto Brasileiro do Café (IBC), sendo que a região era carente de instituições de pesquisa.

No início da década de 70 a situação da região de Londrina, relacionada à pesquisa científica, começa a mudar. Em 1971 foi formalizada a criação da Fundação Universidade Estadual de Londrina, da qual originou a Universidade Estadual de Londrina (UEL).

No ano subseqüente, 1972, ocorreu a fundação do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), que a partir de 1975 consolidou toda a atividade de pesquisa vegetal, animal e de meio ambiente da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná e passou a operar as redes de estações experimentais e de agrometeorologia, abrangendo praticamente todas as regiões do Paraná.

Ainda na década de 70, mais precisamente em 1975, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) instala em Londrina o seu Centro Nacional de Pesquisa de Soja, atual EMBRAPA/Soja.

Além da criação das três principais instituições do sistema de ciência e tecnologia da região (UEL, IAPAR e EMBRAPA/Soja), foram instaladas outras organizações importantes na estruturação do sistema, que foram a Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e Centro de Estudos Superiores de Londrina (CESULON, atual UNIFIL – Centro Universitário Filadélfia), ambas criadas em 1972.

Destaca-se que na década de 70 ainda foram criadas duas instituições, que apesar de não atuarem diretamente no desenvolvimento de pesquisas, são importantes ativos do sistema local de ciência e tecnologia: a Companhia do Desenvolvimento de Londrina (CODEL), responsável do poder público municipal que implementa as ações de C&T, e a regional Londrina da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que teve papel importante no processo de institucionalização normativa da área de C&T em Londrina, sendo mais bem detalhado nos itens a seguir.

Na década de 1980, poucas foram as instituições criadas na área de C&T na cidade, não se observando maiores avanços neste período. Já na década de 1990, surge uma série de organizações e empreendimentos que colaboraram para o processo de desenvolvimento tecnológico, conforme destacado por Dias (2004) e Sendin (2004), dentre os quais podemos citar:

ƒ a criação, em 1993, da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (ADETEC) – entidade esta dedicada à promoção do desenvolvimento tecnológico e da cultura empreendedora através da articulação de ações entre a comunidade, a academia e o empresariado, tendo como principal incentivadora a comunidade local;

ƒ a Incubadora Industrial de Londrina (INCIL), criada em 1994 – responsável pela incubação de projetos de setores da economia tradicional. Por motivos de redução de gastos, a INCIL foi desativada em 2001, sendo que há uma previsão para a sua reativação junto ao Parque Tecnológico de Londrina;

ƒ a implantação, no ano de 1995, do Centro Softex Gênesis/GeNorP – dedicado à geração de empreendimentos na área de software. Este programa é vinculado ao Programa Brasileiro de Software para a Exportação (Sociedade SOFTEX);

ƒ a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (FAPEAGRO), que foi instituída em 21 de novembro de 1996 - é uma entidade estruturada para administrar e apoiar projetos de pesquisa e ações que visem o desenvolvimento sustentável da agropecuária, do agronegócio e a preservação do meio ambiente;

ƒ a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, criada em 1999 -tem como principal objetivo apoiar a pesquisa de novas variedades de espécies como soja e trigo;

ƒ a criação, em 1999, da Incubadora Internacional de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (INTUEL) – este empreendimento foi implantado a partir de uma parceria entre um empresário local, Sr. Atsushi Yoshii, a Universidade Estadual de Londrina e a Federação das Indústrias dos Estado do Paraná, tendo como principal objetivo abrigar empreendimentos de base tecnológica.

Além dos empreendimentos voltados para a promoção da C&T, das pesquisas advindas com a instalação das instituições de pesquisa como a UEL, IAPAR e EMBRAPA, uma série de ações foi sendo tomada ao longo dos anos para conscientizar a população da cidade de Londrina sobre a importância do desenvolvimento tecnológico, dentre as quais podemos citar:

ƒ a elaboração do Plano de Desenvolvimento Industrial – PDI (1995/96), iniciativa da comunidade, poder público e empresarial, que realizou a análise da estrutura econômica da cidade, bem como as perspectivas para a mesma, definindo quais seriam os setores prioritários/estratégicos;

ƒ tendo como base o PDI desenvolvido em 1996, foi realizado entre 1999 e 2001 um aprofundamento dos estudos acerca dos segmentos econômicos de Londrina e região pelos membros do Programa Londrina Tecnópolis, o qual originou o Livro “Londrina Tecnópolis”;

ƒ a realização da Ruraltech – evento dedicado a divulgar projetos/pesquisas relacionados ao agronegócio e que já se encontra em 2004, na sua 7ª edição;

ƒ a realização da Jornada Tecnológica de Londrina que, em sua 11ª edição (no ano de 2004), congrega a comunidade de Londrina no debate de soluções para o desenvolvimento da cidade;

ƒ a criação do Prêmio Destaque Tecnológico, que tem como objetivo divulgar e estimular o desenvolvimento cientifico local. O evento, criado pela ADETEC em 1994, chegou em 2004 a sua 10ª edição;

ƒ a criação da Maratona de Empreendedores, que até a sua 4ª edição, mobilizou cerca de 10.000 pessoas de Londrina e região em palestras, seminários, eventos, cursos associados ao empreendedorismo e à inovação tecnológica;

ƒ a coluna semanal de C&T do Jornal de Londrina, escrita pelo Professor Carlos Roberto Appoloni, da UEL;

ƒ o programa de TV, na rede afiliada ao SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), em que a ADETEC tem mantido um espaço diário de 5 minutos - Programa Londrina Tecnópolis - com notícias sobre fatos e eventos importantes no campo da inovação tecnológica, dando ênfase às atividades dos ativos tecnológicos regionais e às empresas que se destacam nesse setor. Em três anos de existência, já ultrapassou trezentas e quarenta veiculações.

Pode-se afirmar que durante a década de 1990, na cidade de Londrina foram realizadas diversas ações que contribuíram para o desenvolvimento tecnológico da região. Estas ações vão desde a criação de instituições representativas como a ADETEC, empreendimentos para a promoção do desenvolvimento tecnológico como a INTUEL, até a organização de eventos que buscam conscientizar a população local acerca da importância do desenvolvimento tecnológico. Todas estas ações vêm contribuindo para o desenvolvimento da área de C&T na cidade. Porém, ainda há muito a se evoluir, já que somente na última década do século XX a cidade conseguiu avançar em uma área tão importante como essa. Algumas instituições, como a ADETEC, a FAPEAGRO e a SBPC, fazem o papel de propagadoras da cultura da inovação. Nota-se, porém, que o poder público municipal, que deveria ser o incentivador, até pouco tempo atrás não era sensível a questões dessa natureza, como será verificado a seguir.