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A evolução do tema de Riscos de Operações e da sustentabilidade no Brasil

2.7 A nova variável: evolução do pensamento ambiental e social: relação direta com

2.7.5 A evolução do tema de Riscos de Operações e da sustentabilidade no Brasil

No Brasil, em um breve resumo, iremos contemplar a onda de movimentos ocorridos com a temática ambiental e social ocorrida desde a década de 70, 80 e 90.

Posteriormente, resumiremos os diversos programas, ferramentas e indicadores de gestão criados no país.

O movimento ambiental brasileiro teve início em meados da década de 50, com o ativista ambiental José Lutzemberger, engenheiro químico e empregado da empresa BASF. Pediu demissão da empresa por não concordar com as práticas da empresa e tornou-se consultor e empresário. Foi secretário do meio ambiente no Governo Collor, em 1990, e fundou uma empresa de serviços de consultoria ambiental.

Historiadores como Sérgio Buarque de Holanda em seus livros (Monções – 1990), Extremo Oeste (1986), já tratava o tema ambiental como flora, fauna, topografia, solos, navegabilidade, meios de transporte, alimentos etc.O sociólogo Gilberto Freire publicou seu livro Nordeste (1985) cujos capítulos abordam os temas ambientais do país. O geógrafo Aziz Ab´Saber em seus livros a História Geral da Civilização Brasileira (1985 e 1989) já apontava a história dos escravos africanos, colonos europeus e a crise da água. Estes, e tantos outros, foram fontes inspiradoras do movimento ambientalista brasileiro.

A partir da RIO+92, o movimento ambiental organizado ganhou expressiva força com a atuação de entidades como a União Protetora do Ambiente Natural (UPAN), com entidades como a WWF Brasil, Greenpeace Brasil, SOS Mata Atlântica e muitos outros.

Na década de 70, mais precisamente em 1973, fora criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (governo Emílio Médici), com a finalidade de acompanhar o assunto no mundo, porém, com pouca ou nenhuma atuação no país. A presença desses institutos, no país, auxiliou, em muito, a construção da Conferência das Nações Unidas, marcada para 1992. (RIO+92). Marcada para junho de 1992, a Rio+92, como foi conhecida, tinha a finalidade de debater as conclusões do Relatório de Brundtland (1987), e comemorar os 20 anos da Convenção de Estocolmo, com a participação de 178 países, resultando na maior conferência global já realizada no mundo.

Ainda na RIO+92, o Brasil apresentou seu legado sobre o meio ambiente onde foi elaborada a CARTA DA TERRA BRASILEIRA, com a coordenação de Leonardo Boff (*) que passou por um debate em mais de 46 países (100 mil pessoas), com a participação social de todos os níveis e classes , até que em março de 2000, ela foi aprovada. Contemplando temas como meio ambiente, democracia, financiamento justo, pobreza, igualdade de direitos, educação, sustentabilidade, Direitos Humanos e paz, o documento foi festejado por ser muito completo.

Durante o evento da RIO+92, foi, então, formalizado e apresentado o compromisso Agenda 21 Brasileira, contemplando documentos importantes como a Carta da Terra, Declaração do Rio sobre Meio Ambiente, Declaração de princípios sobre uso das Florestas, Convenção sobre a diversidade Biológica e convenção de mudanças climáticas.

Mesmo que com atraso de mais 20 anos, desde 1972, quando da declaração de Estocolmo, o evento da RIO+92 resultou em um documento completo, integral, e aprovado por mais de 170 países.

Os temas contidos na Agenda 21 Brasileira continham o Meio Ambiente na tomada de decisões, florestas e montanhas, uso do solo, atmosfera, secas e desertificação, agricultura sustentável, diversidade biológica, proteção aos oceanos, proteção da água, químicos e agrotóxicos, políticas para resíduos, resíduos radioativos, biotecnologia, proteção da água, padrão de consumo sustentável, cooperação internacional, autoridades locais para aplicação da Agenda 21, comunidade científica, agricultura e fazendeiros, legislação, combate à miséria e pobreza, saúde humana, habitação, direitos humanos, equilíbrios de gêneros, sexo e raça, fortalecimento da proteção a crianças e jovens, fortalecimento de sindicatos de trabalhadores, preservação e proteção de povos indígenas e apoio à formação de ONG´s e grupos sociais.

A segunda edição da Agenda 21, após consulta pública, revisou sua visão temática de sustentabilidade, incluindo 06 temas principais: Gestão de recursos naturais, Agricultura sustentável, Cidades sustentáveis, Infraestrutura e integração regional, Redução de desigualdades sociais e Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento sustentável. Foram mais de 26 debates e mais de 5.800 sugestões de revisão.

Ficou, então, o Marco oficial brasileiro, para o tema meio ambiente com a agenda do século 21. Toda a estrutura de leis brasileiras passou a ser desenhada e escrita a partir deste capítulo importante na História do Brasil. O Brasil passou, nesse sentido a possuir um plano de ação, um compromisso formal perante às metas do milênio, divulgar seus resultados e ser

monitorado internacionalmente. O país, nesse sentido, estava inserido no panorama global para a Sustentabilidade. Em 2006, o Banco Central publicou a Resolução 3.380 de 29 de junho, onde estabelece a necessidade de implantação de sistema de Gestão de Riscos de operações no setor bancário.

Mais recentemente, a instrução CVM 552 e 301 da Comissão de Valores Imobiliários, fornece diretrizes para o uso e o fornecimento de informações através do formulário 27, que solicita informações de riscos de operações sob todos os aspectos regulatórios, societário, informações sociais, ambientais, econômicas, de governança, decisões públicas entre outros temas, incluindo contencioso jurídico.

No âmbito ambiental e social, com convergência por entidades econômicas brasileiras, o Inmetro, através de sua portaria 317, passará, a partir de 2015, a avaliar a conformidade ambiental e social onde serão integrados selos de certificações, visando a avaliação da sustentabilidade de produtos ao mercado, incluindo ciclo de vida de produtos, impactos sociais e ambientais, prevenção da poluição, emissões de gases do efeito estufa, cadeia de valor e relações trabalhistas envolvidas na produção.

O Banco Central do Brasil, de maneira evolutiva, desde 2008, aprova novas resoluções que visam à proteção do meio ambiente e das relações trabalhistas, através da publicação de resoluções tais como 3545 de 2008 (proteção do Bioma da Amazônia), resolução 3876 de 2010 (proteção e prevenção ao trabalho escravo), resolução 3896 de 2010 (redução de gases do efeito estufa na agricultura), circular 3547 de 2011 (determinação de índices de riscos a exposição a danos sócio ambientais), resolução 3813 de 2009 (emissões e relações trabalhistas no mercado de cana de açúcar), resolução 4008 de 2011 (financiamentos de projetos lastreados com fundo nacional de mudanças do clima).

Por fim, em 2012, a audiência pública 41/12 estabeleceu a adoação, por parte dos agentes financeiros, da necessidade de adoção de políticas, gestão de riscos e adoção de relatórios de responsabilidade ambiental e social.

Como resultado desta audiência pública, foi aprovada a resolução 4327 de 25.04.2014 com as diretrizes para a adoção de políticas e gestão de riscos socioambientais por todos os agentes financeiros brasileiros, com prazos entre fevereiro e julho de 2015 para implantação.