Capítulo II Enquadramento conceptual
2.8. A contribuição da Expressão Dramática na aprendizagem dos alunos
2.8.2. A Expressão Dramática e a interdisciplinaridade
Hoje, os nossos alunos têm dificuldades de aprendizagem, sobretudo à Língua Portuguesa e a Matemática, consideradas disciplinas fundamentais no sistema educativo são-tomense. Por esta razão, deve haver uma articulação entre as diferentes áreas curriculares do 1º ciclo para a melhoria do processo de ensino/aprendizagem através de diferenciadas actividades pedagógicas que possam garantir resultados satisfatórios no final do ano lectivo ou do ciclo.
Neste sentido, a interdisciplinaridade deve ser assumida como uma acção de articulação entre áreas curriculares e os seus conteúdos respectivos conteúdos.
A Proposta Curricular para o Ensino Básico (2010, pág.7) faz a alusão à interdisciplinaridade e transversalidade, dois termos essenciais para o desenvolvimento do ensino e aprendizagem que surgiram como um dos propósitos da revisão curricular ocorrida em 2006: “Com a actualização dos programas, houve a intenção de acentuar a interdisciplinaridade e transversalidade das diferentes áreas curriculares, bem como o reforço dos conteúdos referentes à área de desenvolvimento pessoal e social.”
Num processo de discussão/articulação, a interdisciplinaridade desempenha um papel importante, já que enriquece o saber, numa abordagem que envolve as diferentes áreas disciplinares, criando novas formas de reflecção, aprofundando-o.
Ao nosso ver, o professor do 1º ciclo do Ensino Básico pode recorrer-se à disciplina de Expressão Dramática para trabalhar conteúdos das outras disciplinas, proporcionando, a optimização de habilidades e capacidades que devem ser conseguidas como resultado do processo docente educativo.
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A interdisciplinaridade é vista como uma relação estabelecida entre as diferentes áreas curriculares, ou seja, a interacção existente entre duas ou mais disciplinas. Este processo pode ir da simples comunicação de ideias à integração recíproca dos conceitos de determinadas áreas do currículo escolar.
Assim, Sueli Perazzoli Trindade e Ortenila Sopelsa (2014) apresentam as suas ideias sobre o assunto, referindo que,
A atitude interdisciplinar nos processos do ensino e da aprendizagem ocorre quando o aluno entra em contacto com o conteúdo e, por meio das actividades propostas, estabelecem-se a contextualização e a articulação do seu contexto social, desenvolvendo, assim, a reconstrução dos saberes e, consequentemente, o desenvolvimento da aprendizagem significativa. Quando o professor proporciona ao aluno estudos, reflexões e acções que envolvem o contexto histórico, social e cultural, o aluno consegue ressignificar o conteúdo escolar, socializar e interagir nas vivências do quotidiano. (pág.158)
Apesar de sabermos que em cada disciplina existem objectivos e conteúdos específicos, estes campos devem actuar-se em perfeita articulação entre as diferentes áreas curriculares, ou seja, as disciplinas não podem ser consideradas como peças isoladas no sistema, mas sim peças com configurações diferentes e que se encaixam, formando um conjunto.
Adriana Afonso de Oliveira Pinto & Barata Marques (2012) refere que,
Quando se fala em articulação curricular deve ter-se em conta que esta exige não só uma colaboração estreita entre ciclos, professores do mesmo grupo disciplinar e do mesmo departamento, mas também um trabalho dedicado à articulação entre as diversas áreas curriculares a que são destinados a leccionar. (pág.18)
A interdisciplinaridade tem implicações que consideramos positivas desde que é servida para o estabelecimento de relações entre os docentes, alunos e os conteúdos, que possibilite o aprofundamento da compreensão da relação entre teoria e prática, possibilitando uma formação mais crítica, criativa e responsável dos alunos.
A articulação curricular é muito mais que a junção de conteúdos. Ela resulta na num exercício crítico e dinamizado, baseado em orientações e inovações que promovam a interdisciplinaridade, incluindo as experiências e das situações vivenciadas pelos alunos. Trata-se de um exercício que requer planificação, reflexão e criatividade do docente durante as suas actividades.
Na proposta curricular para o 1º ciclo do Ensino Básico, a Área da Expressões: Plástica, Musical, Dramática e Motora – surgem como áreas que permitem desenvolver competências criativas, estéticas, físicas técnicas, críticas relacionais, culturais, cognitivas, ao nível dos
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seus sabores específicos e também ao nível da mobilização e sistematização de saberes oriundos de outras áreas de conhecimento. (MEC, 2010, pág.43)
Estas designações atribuem uma grande valorização, não só desta disciplina como das outras da mesma área, o que atribui aos gestores, supervisores, orientadores pedagógicos e professores a responsabilidade de desenvolverem esta articulação através de estratégias pedagógicas próprias. Na prática pedagógica do 1º ciclo do EB, a interdisciplinaridade ocorre sobretudo a nível de duas disciplinas consideradas fundamentais: a Língua Portuguesa e Matemática, na aprendizagem do alfabeto, palavras, a contagem, subtracção, adição.
Podemos salientar algumas actividades que proporcionem a interdisciplinaridade: Em Língua Portuguesa
Nomes e palavras (reconhecimento de letras, sílabas e palavras)
O professor pode produzir cartazes com o alfabeto para grupos de alunos, sendo que a cada é entregue uma letra.
As palavras escritas no quadro podem ser de um texto já trabalhado. Os alunos vão se movimentando para a frente da turma, de acordo com as letras que correspondem a cada palavra.
Este exercício pode ser feito em Matemática para a leitura de números.
Os alunos também podem dramatizar textos lidos na disciplina de Língua Portuguesa para memorizarem as estruturas da própria língua, o que requer o conhecimento do texto pelos alunos (texto dialogado), em que cada um se identifica com uma personagem. Os alunos, em grupo, podem criar novos cenários para a história que estão a trabalhar.
Matemática
Em relação a esta disciplina, pode-se trabalhar jogos que que incluam números, para efectuarem cálculos mentais de subtracção, adição, multiplicação (a tabuada) e divisão para estabelecer a interdisciplinaridade, através da representação, de forma a desenvolverem o raciocínio lógico e cálculo mental.
Assim, acreditamos que a interdisciplinaridade proporciona uma aprendizagem mais profícua dos alunos, mas ela requer planificação e preparação por parte do docente, quer pela definição de espaços, quer pela selecção do tema a ser trabalhado com e pelos alunos. Também deve ser utilizada para promover a autonomia nas crianças, desenvolver o
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pensamento crítico e o raciocínio, resolver problemas e criar um melhor clima de relação entre os alunos (a cooperação e a relação interpessoal).
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