A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO PASCAL DE CRISTO
1. A fé celebrada, obra de Cristo e da Igreja
Quando orardes, não useis de muitas palavras...
Vós, portanto, orai assim:
Pai nosso que estás nos céus...
(Mt 6,7.9ss.) A fé da Igreja, transmitida ao longo dos séculos, é anunciada, vivida e testemunhada cumprindo o mandato de Jesus: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt 28,19-20a).
A celebração do Mistério de Cristo, fonte e ápice da vida cristã,11 envolve o ser humano em todas as dimensões e circunstâncias; e a participação consciente e fervorosa nas celebrações da comunidade é um meio privilegiado de nos encontrarmos com Jesus Cristo para, assim, crescermos na santidade.
1.1. O dom da fé e a celebração da salvação
A Igreja, povo de Deus que proclama e celebra a sua fé, é comunidade de culto e santi cação. Com gratidão e alegria, vivemos e celebramos a fé recebida dos apóstolos. A Liturgia supõe e alimenta a fé e a fé deve ser aprofundada pela catequese.
Deus Pai, conforme a promessa de Jesus, atende à oração da Igreja feita em nome de seu Filho e o Espírito Santo, na sua força, comunica a vida divina. As celebrações litúrgicas exprimem e desenvolvem a comunhão na Igreja e são e cazes porque nelas está presente e age, pelo Espírito de Deus, o próprio Cristo Jesus.
1.2. O que é a Liturgia e sua importância para a vida da Igreja
A Liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e, em particular, do seu Mistério Pascal, que é o centro da obra da salvação. Cristo, morrendo e ressuscitando, destruiu a morte e nos introduziu na vida nova.
Este é o grande Mistério da fé, que celebramos com reverência e alegria. Toda vez que fazemos memória de Jesus pela ação litúrgica, participamos de sua morte e ressurreição, participamos de sua Páscoa. Esse fato central de nossa fé é atualizado. Aquilo que é celebrado acontece para nós e em nós, hoje.
Na Liturgia acontece a nossa salvação, a comunhão de vida com a Santíssima Trindade e os irmãos. Deus realiza a sua parte na Aliança com a humanidade, imprimindo no coração humano o seu jeito de amar, servir e perdoar. Por isso, a Igreja jamais deixou de reunir-se para celebrar o Mistério Pascal de Cristo.
Jesus está presente na celebração dos sacramentos de tal forma que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza; está presente pela sua Palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras; está presente, sacramentalmente, nas espécies de pão e vinho consagrados; está presente quando a Igreja ora e canta os salmos.12
A conversão, nossa busca de conformação a Cristo, é o objetivo nal do plano de salvação e a razão porque nós nos reunimos para celebrar a Liturgia. É bom lembrar que para ser frutuosa, a celebração ritual deve expressar uma realidade interior e espiritual, o culto “em espírito e verdade” (Jo 4,24), uma generosa vida de fé e amor e o estado de graça.
1.3. A Liturgia faz a Igreja
Como celebração do Mistério de Cristo, a Liturgia ocupa um
lugar fundamental e insubstituível na vida da Igreja. Ação sagrada por excelência, ela constitui o ponto mais alto para o qual tende a ação da Igreja e ao mesmo tempo é a fonte de onde emana a sua força vital. Mediante a Liturgia, Cristo continua na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção.13
A Liturgia faz a Igreja. Celebrando juntos, crescemos como Igreja e temos a possibilidade de viver com coerência e alegria a realidade de ser Corpo de Cristo. Cada assembleia litúrgica é Páscoa e Pentecostes. O mistério de Cristo é atualizado. O Ressuscitado vem ao encontro da comunidade de fé e com seu Espírito a ilumina e a transforma. Ele nos proporciona participar de sua vida de comunhão com o Pai e nos envia de volta ao mundo, renovados e santi cados.
Por esta razão, a liturgia não pode ser considerada como uma atividade em meio a outras. Ela é fonte de vida para a Igreja e para cada discípulo.
1.4. Quem celebra a sagrada Liturgia?
A Liturgia é uma ação: ação de Deus para com o seu povo e também ação do povo para com Deus.
Deus realiza em nós a ação da santi cação e redenção através de seu Filho Jesus Cristo, na força do Espírito Santo.
A Liturgia é também ação do “Cristo todo”, isto é, cabeça e membros. Por isso “deve expressar o sentido mais profundo de sua oblação ao Pai: obedecer, fazendo de toda sua vida a revelação do amor do Pai pelos homens. O culto cristão deve, portanto, expressar a dupla vertente da obediência ao Pai (glori cação) e da caridade com os irmãos (redenção), pois a glória de Deus é que o homem viva. Com o qual, longe de alienar aos homens, liberta-os e os faz irmãos”.14
A celebração é uma ação eclesial na qual fazemos memória e
participarmos do mistério da morte e ressurreição do Senhor. “As celebrações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, isto é, o povo santo, unido e ordenado sob a direção dos Bispos. Por isso, estas celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja, in uem sobre ele e o manifestam; mas atingem a cada um de seus membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, ofícios e da participação atual efetiva”.15
O agente visível é a assembleia reunida em Cristo, com ministérios e serviços organizados. Nesse povo de batizados, agem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus e a assembleia litúrgica atuam em conjunto. Antes de ser uma obra nossa, vale lembrar mais uma vez, a Liturgia é obra da Santíssima Trindade.
“A assembleia que celebra é a comunidade dos batizados, os quais, ‘pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo para oferecer sacrifícios espirituais’.16 Este ‘sacerdócio comum’ é o de Cristo, único sacerdote, participado por todos os seus membros”.17 O sacerdócio ministerial dos padres e bispos está a serviço do sacerdócio do povo. Os dois brotam da mesma e única fonte, que é o sacerdócio de Cristo. Ele é o único sacerdote, o único mediador entre Deus e o povo.
“Formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a m de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. (...) Vós sois a gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa, o povo que ele adquiriu, a m de que proclameis os grandes feitos daquele que vos chamou das trevas para a luz maravilhosa.
Vós sois aqueles que antes não eram povo, agora, porém, são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora, porém, alcançaram misericórdia” (1Pd 2,-5.9-10).
A condição para que a ação litúrgica possa acontecer é a
participação. Participar é “ter parte” no Mistério que está sendo celebrado. Com espírito orante, envolvendo toda a pessoa, a comunidade participa da celebração por meio de gestos, símbolos, palavras e ações, que signi cam e realizam a obra da salvação, conforme a natureza de cada um dos sacramentos e sacramentais.
Cada gesto em cada ação litúrgica não pode ser feito automaticamente, mas de forma consciente, com afeto, e com toda a verdade da fé. Da mesma forma ocorre com o silêncio litúrgico, condição necessária para a participação plena.
A constituição conciliar sobre a Liturgia (Sacrosanctum Concilium), usa vários adjetivos quando fala da participação do povo na liturgia:
ativa, externa, interna, consciente, piedosa, fácil, plena, frutuosa.18 É bom lembrar que o Concílio aponta os pastores como sendo os responsáveis pela participação do povo; é um dos principais deveres dos pastores “promover a ativa participação interna e externa dos éis” pela palavra e pelo exemplo, sobretudo promovendo a formação litúrgica em todos os níveis e para todos os éis.19
Se todos temos a mesma dignidade e importância dentro da celebração, também é verdade que nem todos têm a mesma função (Rm 12,4). Temos os ministros ordenados, bispos, presbíteros e diáconos, que são “chamados por Deus, na e pela Igreja, a um serviço especial da comunidade. Tais servidores são escolhidos e consagrados pelo sacramento da Ordem, através do qual o Espírito Santo os torna aptos a agir na pessoa de Cristo-Cabeça para o serviço de todos os membros da Igreja”.20 O que preside, com suas palavras e gestos, feitos com autenticidade e amor, tem a principal tarefa de nos acolher e nos apresentar ao Pai, como corpo de Cristo e templo do Espírito Santo.
Sobre a importância e a espiritualidade do sacerdote que preside
as ações litúrgicas, especialmente a Eucaristia, recordamos as palavras de Bento XVI: “A ligação entre o sacramento da Ordem e o sacramento da Eucaristia é visível precisamente na Missa que o Bispo ou o presbítero preside na pessoa de Cristo cabeça. A doutrina da Igreja considera a ordenação sacerdotal condição indispensável para a celebração válida da Eucaristia. De fato, ‘no serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja, como cabeça do seu corpo, pastor do seu rebanho, sumo sacerdote do sacrifício redentor’. Certamente o ministro ordenado ‘age também em nome de toda a Igreja, quando apresenta a Deus a oração da mesma Igreja e, sobretudo, quando oferece o sacrifício eucarístico’”.21
A propósito do signi cado da presidência litúrgica, o Papa chama a atenção para a atitude que o sacerdote deve ter quando preside uma celebração litúrgica: “É necessário que os sacerdotes tenham consciência de que, em todo o seu ministério, nunca devem colocar em primeiro plano a sua pessoa nem as suas opiniões, mas Jesus Cristo. Contradiz a identidade sacerdotal toda a tentativa de se colocarem como protagonistas da ação litúrgica. Aqui, mais do que nunca, o sacerdote é servo e deve continuamente empenhar-se por ser sinal que, como dócil instrumento nas mãos de Cristo, aponta para Ele. Isto exprime-se de modo particular na humildade com que o sacerdote conduz a ação litúrgica, obedecendo ao rito, aderindo ao mesmo com o coração e a mente, evitando tudo o que possa dar a sensação de um seu inoportuno protagonismo. Recomendo, pois, ao clero que não cesse de aprofundar a consciência do seu ministério eucarístico como um serviço humilde a Cristo e à sua Igreja. O sacerdócio, como dizia Santo Agostinho, é um serviço de amor, é o serviço do bom pastor, que oferece a vida pelas ovelhas (Jo 10,14-15)”.22
Na Igreja, temos celebrações que podem ser presididas por leigos(as). Estes devem conhecer as orientações da Igreja e usarem os rituais e livros litúrgicos aprovados.
1.5. Como celebrar a Liturgia
A celebração litúrgica se realiza através de sinais e símbolos que têm suas origens na cultura humana. Sinais e símbolos que foram adquirindo signi cado progressivo nos eventos da Antiga Aliança e que se revelaram plenamente na pessoa e na vida de Jesus Cristo.
O encontro dos lhos de Deus com seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo, é uma experiência de fé e de vida. As ações litúrgicas ou ritos signi cam e celebram esse encontro vital, através de palavras, de ações e do silêncio. Formam uma unidade ritual e signi cam o que a Palavra de Deus exprime: a iniciativa gratuita de Deus e, ao mesmo tempo, a resposta de fé do seu povo.
a) Palavras, ações, cantos
As palavras acompanham as ações sacramentais e expressam o seu sentido profundo. As ações são ações do próprio Cristo que, presente na comunidade celebrante, enquanto cabeça da Igreja que é seu corpo santi ca-a e anima-a na esperança.
O canto e a música têm função própria na Liturgia. Devem estar estreitamente ligados com os momentos rituais da celebração. Sua nalidade principal é a glori cação de Deus e a santi cação da assembleia, levando-a a mergulhar no Mistério que está sendo celebrado e a entregar-se ao amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A Igreja prescreve que as celebrações sejam realizadas com reverência e nobre simplicidade. Que seu sentido seja transparente e inteligível, e que o silêncio sagrado seja respeitado. A própria natureza da liturgia exige que a linguagem verbal, gestual e musical
esteja em consonância com o clima orante, indispensável em toda celebração.
“Quem canta reza duas vezes”, disse Santo Agostinho. O canto e a música litúrgica favorecem e aprofundam a comunhão com Deus e com a comunidade. Para que isso aconteça, há critérios que devem ser respeitados: a fundamentação bíblica; a conformidade dos textos com a doutrina católica; sua origem preferencial nas fontes litúrgicas; a qualidade da harmonia; a beleza e a profundidade da oração da Igreja; a possibilidade de participação da assembleia; a riqueza da expressão cultural do povo de Deus e o caráter sagrado e solene da celebração.
b) Liturgia e espiritualidade
A Liturgia é uma rica fonte de espiritualidade para os cristãos. Ao longo do ano, as celebrações do Mistério Pascal de Cristo constituem momentos de intensa experiência de Deus, que impregnam e transformam toda a nossa vida.
A santidade do cristão brota do encontro com o Senhor na Liturgia, expande-se na oração e se expressa na vida pessoal, familiar, pro ssional e social.
As ações rituais permitem “reunir” o coração e todo o nosso ser para entrar na presença daquele que nos espera; permitem-nos
“tocar” as realidades que acolhemos; “provar” e “dizer”, como São João escreveu em sua Primeira Carta: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos apalparam da Palavra da Vida (...), isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Nós vos escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa” (1Jo 1,1-4).
Alimentado pela espiritualidade litúrgica, através da oração da Igreja, da celebração dos sacramentos e da Palavra de Deus, o cristão chega à plenitude da vida em Cristo Jesus.
1.6. Quando celebrar?
A liturgia é a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Em volta deste núcleo fundamental da nossa fé, celebramos no Ano Litúrgico a memória do Ressuscitado na vida de cada pessoa e de cada comunidade.
O ano litúrgico “revela todo o mistério de Cristo no decorrer do ano, desde a encarnação e nascimento até a ascensão, ao pentecostes e à expectativa da feliz esperança da vinda do Senhor”.23 Por meio da celebração do ano litúrgico, a Igreja propõe aos éis um caminho espiritual através da vivência da graça própria de cada aspecto do Mistério de Cristo, presente e operante nas diversas festas e nos diversos tempos litúrgicos. Deste modo, os éis fazem a experiência de se con gurar ao seu Senhor e dele aprenderem a viver “os seus sentimentos” (Fl 2,5).
1.6.1. A Liturgia nos ritmos do tempo
O Ano Litúrgico não apenas recorda as ações de Jesus Cristo, nem somente renova a lembrança de ações passadas, mas sua celebração tem força sacramental e especial e cácia para alimentar a vida cristã. Por isso, o Ano Litúrgico torna-se um caminho pedagógico-espiritual nos ritmos do tempo.
Para fazer memória do mistério, a liturgia se utiliza de três ritmos diferentes: o ritmo diário, alternando manhã e tarde, dia e noite, luz e trevas; o ritmo semanal, alternando trabalho e descanso, ação e celebração; o ritmo anual, alternando o ciclo das estações e a sucessão dos anos.
a) O ritmo diário
Acompanhando o movimento do dia, tendo como referência a presença do sol, que é símbolo de Cristo, o povo de Deus faz memória de Jesus Cristo, nas horas do dia, pela celebração do Ofício Divino. Daí decorre o nome “Liturgia das Horas”. De tarde, o sol poente evoca o mistério da morte, na esperança da ressurreição. De manhã, o sol nascente evoca o mistério da ressurreição, novo dia para a humanidade. De noite, nas vigílias, principalmente na vigília de sábado à noite, que inicia o domingo, dia da ressurreição, celebramos em espera vigilante o mistério da volta do Senhor.
Como oração do povo de Deus, verdadeira ação litúrgica, o Ofício Divino é excelente escola e referência fundamental para nossa oração individual. Os ministros ordenados e religiosos assumem publicamente o compromisso de celebrar a Liturgia das Horas nas principais horas do dia. Os éis leigos também são convidados a celebrá-la, individual ou comunitariamente. Podem fazê-lo seguindo o roteiro simples e adaptado proposto pelo Ofício Divino das Comunidades, que conserva a teologia e a estrutura da Liturgia das Horas.
b) O ritmo semanal
O ritmo semanal é marcado pelo domingo, o dia em que o Senhor se manifestou ressuscitado (Mc 16,2; Lc 24,1; Mt 28,1; Jo 20,1).
“Por tradição apostólica que tem sua origem do dia mesmo da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o mistério pascal, naquele que se chama justamente dia do Senhor ou domingo.
Neste dia, pois, devem os éis reunir-se em assembleia para ouvirem a Palavra de Deus e participarem da Eucaristia, e assim recordarem a paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que ‘pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva’ (1Pd 1,3). O domingo é, pois, o principal dia de festa que deve ser lembrado e inculcado à
piedade dos éis: seja também o dia da alegria e da abstenção do trabalho. As outras celebrações não lhe sejam antepostas, a não ser as de máxima importância, porque o domingo é o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.24
João Paulo II, na Carta Apostólica sobre o domingo (Dies Domini), apresenta as cinco características deste dia: Dia do Senhor, Dia de Cristo, Dia da Igreja, Dia do Homem e Dia dos Dias. O mesmo Papa nos pede, na Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine, que demos
“uma atenção ainda maior à missa dominical, como celebração na qual a comunidade paroquial se reencontra em coro, vendo comumente participantes também os vários grupos, movimentos, associações nela presentes”.25
c) O ritmo anual
O Ano Litúrgico compreende dois tempos fortes: o Ciclo Pascal, tendo como centro o Tríduo Pascal, a Quaresma como preparação e o Tempo Pascal como prolongamento e o Ciclo do Natal, com sua preparação no Advento e o seu prolongamento até a festa do Batismo do Senhor. Além destes dois, temos o Tempo Comum.
Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor – Começa na quinta-feira santa à noite com a Missa da Ceia do Senhor (depois do pôr do sol) e dura até a tarde do domingo da Páscoa da ressurreição, com as Vésperas. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, que realizou a obra da redenção humana e da perfeita glori cação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida.26
Tempo Pascal – é o tempo entre os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes. É o tempo da alegria e da exultação, um só dia de festa, “um grande domingo”.27 São dias de Páscoa e não após a Páscoa. A festa da Ascensão é
celebrada no Brasil no sétimo domingo da Páscoa. A semana seguinte, até Pentecostes, caracteriza-se pela preparação à celebração da vinda do Espírito Santo. Em sintonia com as outras Igrejas cristãs, no Brasil, realizamos nesta semana a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”.
Tempo da Quaresma – é o tempo de preparação para a Páscoa.
Inicia-se com a Quarta-feira de Cinzas durando até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive. “Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os éis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do Mistério Pascal”.28
Tempo do Natal – É o tempo entre as primeiras vésperas do Natal do Senhor até a festa do Batismo do Senhor. É a comemoração do nascimento do Senhor, em que celebramos a “troca de dons entre o céu e a terra”, pedindo que possamos “participar da divindade daquele que uniu ao Pai a nossa humanidade”.29 Na Epifania, celebramos a manifestação de Jesus Cristo, Filho de Deus, “luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação”.30
Tempo do Advento – São as quatro semanas de preparação ao Natal. Este tempo “possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no m dos tempos.
Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.31
Tempo Comum – A tônica dos trinta e três ou trinta e quatro
domingos é dada pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do
domingos é dada pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do