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A Fachada principal

No documento Casa do Infante/Intervenções (páginas 85-104)

n interior, planta e perfil

1- A Fachada principal

Esta foi se alterando gradualmente conforme já referimos, mas a sua derradeira transformação ocorre às mãos deste organismo. Sabemos que a fachada tinha sido

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alterada muito recentemente à data da intervenção da DGEMN . Nesta reconstrução através da análise de imagens obtidas anteriormente382, constatamos que a fachada era

constituída pelos quatro pisos que mantém, diferenciando-se em dois aspectos: 1- no piso superior, que tem um corpo horizontal (mansarda), e a cobertura principal de quatro águas possuir duas janelas; 2- a existência de uma segunda porta emoldurada de

379Vide Nota 376. 380Vide Nota 312.

381Catálogo Analítico, Processo Administrativo, doc8, p602. «Muito embora esta casa se encontra

incluída no catálogo das classificações, certo é porém que o seu merecimento artístico é mais tradicional, visto que a própria fachada principal foi a época relativamente recente, totalmente reconstruída por entidades estranhas aos nossos Serviços.» [E de realçar que este ofício data de 21 de Junho de 1957, antes de ser efectuado o levantamento de Francisco Braz, de forma que não dispomos de mais dados que nos indiciem em relação a esta intervenção de 57/58 nem a que entidade que a solicitou].

382Catálogo Analítico, Processo de Obras, Alçados e Corte longitudinal. Escala: 0,01PM. Levantamento

forma semelhante as janelas. Dois aspectos que foram corrigidos criteriosamente, pois a mansarda foi suprimida e a porta entaipada.

Levantamento de Francisco 383 Braz em 1958

Antes da intervenção: duas 84 portas 384

O entaipamento. Situação após as obras e que se mantém na

actualidade.

Na intervenção deste elemento, há a considerar a transformação duma porta em janela

na fachada da Rua da Alfândega Velha e a abertura duma janela no primeiro pavimento 385 . É suficiente a observação da primeira e última imagem para verificar

como foi concretizada esta intenção. 2- O Pátio

Este elemento, que é considerado o elemento genuíno e que manteve a sua autenticidade temporal, salvaguardando a sua preexistência medieva, igualmente teve alterações, não que inviabilizassem a sua unidade espacial, pois esta manteve-se inalterada, mas o seu "revestimento" teve subtis transformações, como testemunham as imagens a seguir. A pedra foi totalmente reposta na zona de entrada e houve rebocos efectuados nas paredes dos corpos laterais e do posterior. Podemos constatar essas alterações de acordo com os registos fotográficos pertencentes ao processo na DGEMN. As imagens386 com as respectivas legendas elucidam sobre o nosso parecer:

Lajeado com silhares de arranjo irregular É visível o

facto dos corpos laterais estarem entaipados. 3- O salão

Nesta parede o aparelho irregular terá sido rebocado.

Molduras de vãos Imagem após as obras, que serviram de A simplicidade da

modelo. fachada. No centro do pátio um elemento * ,3 8 7 natural

Embora este já tenha sido abordado no percurso das obras e igualmente mencionado o desígnio da DGEMN na sua monumentalização, através das imagens apercebemo-nos

1 Projecto cedido pelo CRUARB, no início da nossa pesquisa

As restantes imagens são extraídas dos Arquivos da DGEMN/DREMN.

384

385 Cfr, Boletim, ponto vm, p.30.

386 Imagens dos Arquivos da DGEMN/DREMN.

387 [A imagem é após as obras da DGEMN, mas, convém salientar que não possuímos qualquer

informação de que tenha sido a seu mando. A imagem pertence a uma página de revista que não continha nenhum dado identificativo, pelo que não nos é possível citar a fonte].

casa do Infante/ Intervenções não somente do antes e após que é o mais comummente visualizado , mas também de pormenores que não são mencionados, embora perceptíveis aquando de uma análise mais detalhada da imagem.

Escadaria, paredes com reboco correspondente ao

estado do edifício anteriormente à intervenção

389 da DGMEN

O salão após as obras. Espaço amplo com a remoção dos entaipamento

laterais e monumentalizado No ângulo noroeste a

Outro ponto de vista da existência de outra rampa, escada com a rampa à Três portas entaipadas. A

direita. porta ao fundo é para a saída de mercadorias, tendo sido aberta quando

foi extinta a Casa da Moeda.

2.3 - A autoria da intervenção

Depreendemos pela afirmação de Rogério de Azevedo390, que o Arquitecto

acompanhou as obras, enquanto delegado da Comissão das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique391. Neste documento assistimos ao início

de um processo de mistificação da autoria da intervenção de restauro da DGEMN. É atribuída invariavelmente a sua autoria ao Arquitecto Rogério de Azevedo. Constatando as etapas comprovadas na documentação recolhida, e pela diferença notória entre o projecto de reconstituição deste autor e o que de facto foi realizado, as conclusões sobre a autoria podem ser outras. Foi-lhe pedido pelo Engenheiro Manuel Sá e Melo que, com base nos trabalhos de sondagens, que realizasse um estudo do seu restauro e sua aplicação392. Foram-lhe enviados por Alberto Bessa 13 fotografias de

aspectos colhidos durante os trabalhos de pesquisa, tendo-lhe sido entregues duas colecções com o objectivo de lhe proporcionar meios visuais de elaborar o estudo da reconstituição do referido imóvel393. Este documento tem ainda a informação de que ao

Arquitecto foi atribuído o estudo da reconstituição do imóvel referido enquanto membro da Comissão das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique394.

Rogério de Azevedo, a 17 de Julho de 1957 (um ano antes de se iniciarem as sondagens, pelo que depreendemos que o contacto e a encomenda de Manuel Sá de

388Cfr Boletim Figura 24,25,26,27 e 29 ou TOMÉ, Miguel, ficha n.°l de Catálogo Analítico, Dissertação

de Mestrado (...), vide nota 373.

389Imagens dos Arquivos da DGEMN/DREMN. A segunda imagem é a figura 21 do Boletim da

DGEMN.

390Vide nota 303, p.60.

391 Catálogo Analítico, Processo Administrativo, DREMN, doe 12, p.605. 392Idem.

393Idem, DGEMN, docl5, p.607. 394Idem, DGEMN, docl4, p.606.

Melo data desta altura), quando se dirige ao Engenheiro Director Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, envia um primeiro esboceto executado para a reconstituição de chamada "Casa do Infante".

Segundo esta documentação, parece à priori que é Rogério de Azevedo o autor incontestado, quando nos surge um parecer dos serviços da DGEMN, assinado primeiramente por Alberto da Silva Bessa. Este, datado de 4 de Setembro de 1958, consiste numa afirmação de forma subtil de que o estudo da reconstituição efectuado

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pelo Arquitecto Rogério de Azevedo não deve ser concretizado Neste relatório, apreendemos algo sobre o Arquitecto Bessa:

1- é pertinente nas observações que faz tanto sobre o trabalho realizado por Rogério de Azevedo, como pela envolvência do projecto;

2- pondera conscientemente a opção de risco de colocar o estudo em prática pelas consequências inevitáveis que acarretaria;

3- reflecte, com esta opinião uma clareza de princípios na aplicação dos conceitos arquitectónicos num monumento, contrariando a ideia de restauro aqui empregue por Rogério de Azevedo. Enquanto este, com o seu estudo396, tenta adaptar o monumento

conforme o que pressupõe do plano original, numa perspectiva de Viollet-le-Duc , ou com a simbiose de Freeman, segundo o que este considera modelo conservador , Bessa prefere e defende uma solução mais equilibrada com o existente. Explicitando na documentação, afirma que se Rogério de Azevedo elaborou escrupulosamente o seu

trabalho (...) não é estranha a imaginação sensata que se verifica. Certos elementos esclarecedores que permitam assegurarem a concepção da fachada principal, cujos vãos embora bem distribuídos, carecem de elementos confirmativos. O edifício actual está equilibrado na sua cércea, com os prédios vizinhos o que sofrerá alteração, no caso de ser levada a efeito a realização do presente estudo, o que na realidade obrigaria a intervir no rebaixamento da cércea dos referidos prédios.

A Junta Nacional de Educação intervém, a 27 de Dezembro de 1958 em perfeita concordância com a opinião de Alberto Bessa, manifestando as dúvidas perante o projecto exposto e dando, no seu parecer, razões pelas quais não deverá ser autorizada

a reconstituição pretendida, procurando-se, apenas, a valorização racional e sensata

Idem, DREMN, docló, p.608.

Imagens das três figuras laterais incluídas em Catálogo Analítico, Processo de Obras, doc37, p.385. NETO, Maria João..., Memória (...), p.44.

Idem, Ibidem (...), p.45.

casa do Infante/ intervenções

dos elementos arqueológicos existentes399. Devemos salientar que, nas razões expostas,

há um aspecto sobre o qual mais adiante entraremos em detalhe: as modificações introduzidas em 1923 na antiga Casa do Infante. Perante esta situação de rejeição do estudo do Arquitecto Rogério de Azevedo, é pedido aos serviços que entreguem com urgência um estudo esquemático da aplicação a dar à Casa do Infante

É então pedido ao Arquitecto Chefe da 2a Secção (Alberto da Silva Bessa), a 17 de

Fevereiro de 1959, que elabore o estudo esquemático da aplicação a dar à Casa do Infante do Porto. O estudo é enviado a 13 de Março do mesmo ano. A autoria do projecto comprova-se que é então da DGEMN, mais especificamente de Alberto da Silva Bessa, pois é esta a assinatura incontestável dos projectos originais presentes no Forte de Sacavém401. A seu lado, somente duas assinaturas se inscrevem: a de Falcão

no cargo de desenhador e a rubrica de visto do Arquitecto Director dos Serviços, João

Vaz Martins. Aliás, este projecto é o que foi concretizado sem deixar margens de

dúvida. Podemos verificar na imagem ao lado direito, a fachada principal: DGEMN402.

Na Casa do Infante, como autores, aparecem-nos quatro nomes: o primeiro é obrigatório, dadas as suas funções — Engenheiro Henrique Gomes da Silva (na altura exercendo as funções de Director Geral da DGEMN). O segundo pode igualmente surgir na qualidade de desempenho do cargo - o Arquitecto João Filipe Vaz Martins (Arquitecto Director dos Serviços e Chefe da Repartição Técnica), o terceiro é o elemento que assina, o que discordou do estudo de Rogério de Azevedo e que acompanha conscientemente e criteriosamente a intervenção na qualidade de Chefe da Secção - o Arquitecto Alberto da Silva Bessa, e o quarto e último é o Arquitecto

Rogério de Azevedo™. Este elaborou o estudo, acompanhou as obras e mais tarde em

1970404, muito após ter terminado a intervenção, ainda lhe é enviada documentação

sobre o assunto. Pensamos que terá sido um consultor assíduo neste processo interventivo, mas não o seu autor, pelas razões acima expostas.

2.3.1. - Os Arquitectos da DGEMN

Os Arquitectos da DGEMN têm sido objecto de estudo de vários autores405 e neste

caso específico em que há uma assinatura de quatro autores, pertencendo três deles a

399 Catálogo Analítico, Processo de Obras (...), DGEMN docl7, pp333-336. 400 Idem, DGEMN, docl8, p.337.

401 Idem, DGEMN, doc39, pp394-397 e doc40, pp398-412. 402 Idem, DGEMN, Forte de Sacavém, doc39, pp394-397.

403 Comemorações do VCentenário (...) volume I ícota 1061.75 COME (1)], p.123. 404 Catálogo Analítico, Processo Administrativo, AHMP, doc37, pp643-648.

esta instituição, vamos justificar o facto de abordarmos detalhadamente apenas dois pelo simples facto de que os outros já foram tratados406. Sobre Gomes da Silva, Maria

João Neto, afirma que este sempre conduziu os serviços com um rigoroso sentido de

disciplina e que tentou personificar no seu discurso o binómio de modernidade versus tradição. Esta aparente contradição é sem dúvida motivada pelas críticas aparentes ao

regime407, em 31, que não obstaram à sua acção enquanto Director-Geral da DGEMN.

Não podemos todavia esquecer o seu partidarismo pelo restauro estilístico que reflecte um apego às teorias de Ruskin, embora de forma um pouco mais progressista já que aceita a prática do restauro e mesmo a manutenção de um estilo diferente desde que o

seu valor artístico assim o justifique40*. As teorias de restauro estilístico de Viollet-le-

Duc difundidas pela Europa vão de encontro aos três princípios referidos por Gomes da Silva409: 1- a necessidade de supressão de elementos anacrónicos; 2- a reconstrução de partes alteradas; 3- a conservação e restauro de modificações se estas apresentassem valor artístico ou histórico. Num percurso nem sempre fácil, com

oposições, críticas, pedido de demissão, sua anulação e continuidade no cargo com outras nomeações mais tarde, podemos concluir que teve um desenrolar algo dinâmico. No entanto, um factor manteve-se constante: a sua eficiência e interesse na salvaguarda da imagem do que se esperava da DGEMN. Neste domínio específico apreendemos pela vasta documentação que a sua actuação foi interessada e sempre conhecedora das várias fases pelas quais a intervenção passou.

O Arquitecto João Vaz Martins é um elemento activo neste processo pois a sua assinatura surge-nos a par de Alberto Bessa nos esbocetos originais, que mais tarde dão origem ao numeroso processo de desenhos técnicos numerados410. Um dos dois é

indiscutivelmente o autor da intervenção ou terão colaborado na sua realização? As conjecturas colocam-se sem resposta, mas os factos dizem-nos que estes foram vistos por João Vaz Martins e assinados por Bessa. A sua carreira decorreu sem sobressaltos, de forma progressiva e regular. Na altura ocupando o cargo de director interino do Serviço dos Monumentos Nacionais, a sua presença fez-se sentir no desenrolar do processo, não apenas nas assinaturas dos projectos, mas nos Autos de Vistoria e

406NETO, Maria João..., Memória (...), [Engenheiro Henrique Gomes, p.19, p.153 e pp.212-217 e

Arquitecto João Filipe Vaz Martins, pp.231-233].

407[A crítica ao analfabetismo publicada no Diário de Notícias de 25 de Novembro de 1931, p.l, num

regime de ditadura não pode deixar de ser uma acto de convicções fortes para quem ocupava um cargo estatal. Este facto é cit. por Maria João Neto em Memória (...), p.214, notal9].

408Boletim da DGEMN, N.°l, pp.19-20.

^Citado por TOMÉ, Miguel, (...), pp.36-37.

410Catálogo Analítico, Processo de Obras, DGEMN, doc39, pp394-397 e doc40, pp398-412.

casa do Infante I intervenções contractos efectuados das adjudicações e na restante documentação recolhida. O acompanhamento desta intervenção é revelado constantemente com informações e

orçamentos sobre o destino das obras na Casa do Infante

Depreendemos por este processo que os preceitos de actuação foram seguidos com base num trabalho organizado, apesar deste decorrer em vários serviços (Norte e Sul), a documentação na sua maior parte é precisa e mostra o desenrolar de forma eficiente e progressiva com que os quadros técnicos a acompanharam.

2.3.1.2. - Alberto da Silva Bessa (1911-1984)

Este Arquitecto, que foi a personagem principal na intervenção de 60 e a quem atribuímos a sua autoria como a hipótese mais provável, foi alvo de uma investigação profunda sobre o seu paradeiro. Constatámos que nem os seus antigos colegas nem tão pouco os serviços da DGEMN sabiam do que lhe tinha sucedido após a sua aposentação. Em posse de um curriculum iniciado no preparatório com a sua caligrafia ainda de menino e com a ambição de ser Arquitecto, acompanhámos a sua concretização aquando da obtenção do diploma. Consultámos os registos exigidos pela DGEMN, e verificamos que a sua progressão poderá ser lenta, mas revela-nos um carácter regular sempre em ascensão, tanto assim que ocupará as funções de Director dos Monumentos Nacionais do Norte. Conseguimos a sua fotografia413 e começámos a

associar os factos com essa imagem austera e conservadora que o nosso único retrato nos revela. Estranhámos que alguém que tenha ocupado um cargo importante como o de Director não tenha tido mais nenhum contacto com os serviços, nem os seus antigos colegas e amigos saibam mais nada dele. Fomos à sua morada e indagámos mas nada mais se conseguiu saber. Em último recurso, apelámos para a Direcção Geral dos Impostos e Contribuições, assim como para as Conservatórias Civis de Vila Nova de Gaia, visto ter sido nesse local a sua última morada. No Arquivo da Conservatória Civil Ia Repartição V.N.G., deram-nos a data do seu falecimento.

Achamos que muito ainda há por dizer em nome do Arquitecto Bessa, que, por ter sido dotado de um temperamento discreto, passou algo despercebido, mas não podemos olvidar o seu empenhamento e devotamento ao trabalho que realizou sempre de forma conscienciosa e eficientemente.

4nIdem, Processo Administrativo, doc20, Oficio N.°8467, DREMN de 24 de Novembro de 1959, pp601-

614.

412Arquivo da FBAUP.

Alberto da Silva Bessa414 é natural de Vila Nova de Gaia e permanece sempre na

localidade onde nasceu.

Entre 24 e 27, realiza os seus estudos de curso preparatório com o intuito de obter o diploma de Arquitecto. Em 27, com a aprovação a todas as disciplinas, inscreve-se na 1." classe do Curso Especial de Arquitectura. Tem 17 anos em 28, aquando da data de inscrição415. Em 34, obtém a carta Especial de Arquitectura Civil pela Escola Superior

de Belas - Artes do Porto, com a classificação de doze valores e oitenta e cinco centésimas, a que corresponde a classificação de suficiente. Verificamos que realizou os estudos de forma regular, não como um brilhante aluno, mas mantendo uma certa linearidade. Serão essas as mesmas características que revelará no decurso da sua acção como Arquitecto da DGEMN.

A data de admissão na DGMEN é a de Janeiro de 35, tendo desempenhado as funções de desenhador contratado pela Direcção Geral dos Edifícios Nacionais do Norte durante o período de 11 de Janeiro a 31 de Dezembro do mesmo ano.

Bessa inicia as funções de Arquitecto da 3.a classe de quadro permanente na DGEMN,

num período maior, compreendido entre Janeiro de 38416 a Dezembro de 42.

Em 1942, inicia as funções de Arquitecto contratado até 45417. Este ano é importante

pois começa a assumir cargos de chefia: Chefia da Secção ou Arquitecto Chefe interino da 2a Secção. Alberto da Silva Bessa, Arquitecto, em Serviço na Direcção dos Edifícios do Norte, é colocado na Direcção dos Monumentos Nacionais, tendo esta

notícia sido publicada no Diário do Governo n.° 221 - Série II de 20 de Setembro de 1945.

Sabemos que o seu lugar terá a designação de pertencente ao quadro de forma permanente em 46, por uma outra publicação: Alberto da Silva Bessa, Arquitecto da3.a

classe contratado, do quadro permanente da DGEMN, colocado na Direcção dos

Monumentos Nacionais41*. No entanto, esta nomeação vem em sequência do seu

pedido para ser provido definitivamente para o quadro, que só -lhe é concedido em

414Processo de Obras, doc36, pp382-384. 415Idem ibidem, a data é de 25 de Set. de 1928.

416Id ibidem, artigo 21.° do decreto n.°26.117 de 23 de Novembro, publicado no Diário do Governo n°

113 - n Série de 17 de Maio de 1946 (de 20 de Janeiro de 1938 a 13 de Dezembro de 1942).

417Id ibidem [A comunicação é efectuada pelo Engenheiro Director Geral ao Sr. Arquitecto, segundo

ordem de serviço N.° 6299].

418Id ibidem, publicado no Diário do Governo U Série a°123 de 29 de Maio de 1946. 41 ^d ibidem, publicado no Diário do Governo n.° 149II Série de 30 de Junho de 1947.

casa do Infante I intervenções

Concorre a vaga de Arquitecto de 2.a classe do quadro permanente em 51, revelando

que é ambicioso e pretendendo uma ascensão420. Somente é promovido à 2.a classe do

quadro em 53421. A lentidão de um processo que é marcado pela consistência e

eficiência. É neste período de tempo que o vamos encontrar na intervenção à Casa do Infante, as suas assinaturas existem em toda a extensa documentação recolhida, revelando uma acuidade notável em todos os detalhes da operação.

É nomeado como elemento da Comissão em 62422, tendo esta como objectivo o estudo

das "bases a que deverão subordinar-se os trabalhos de valorização das zonas antigas

da Cidade ". Esta iniciativa é promovida pelo Presidente da Câmara, Nuno Pinheiro

Torres.

Bessa já tinha tentado a promoção a Arquitecto de Ia classe em 56, mas esta só é

concedida em 67423, quando intenta pela segunda vez. É promovido pela portaria

publicada no Diário do Governo n° 162II Série a 13 de Julho.

Em 70, é nomeado para desempenhar as funções de Director dos Monumentos

Nacionais do Norte nos termos da alínea n) do artigo 3.° do Decreto-lei n. ° 48498, de 24 de Julho de J968424. A carreira que inicia termina-a com este cargo, ao fim de 46

anos na função pública, tendo-se aposentado em 81. A sua carreira em regime de exclusividade425 na prática do restauro é um importante facto a assinalar, pois embora

seja comum na época em outras situações como na de Vaz Martins, ou Areal, auxilia- nos a compreender a serena consciencialização e ponderação que marcam a sua actuação ao longo da sua carreira.

O louvor do Secretário de Estado das Obras Públicas, José Eugénio Nobre, no momento da sua aposentação, refere as qualidades que perfilhamos no decurso da sua acção como chefe da segunda secção, na intervenção da Casa do Infante: elevada e exemplar dedicação, zelo e competência numa permanente e interessada actuação.

Embora os elogios que lhe atribuem o conotem como: técnico e dirigente muito

distinto, (...), pelo que os serviços prestados são dignos de justo e público testemunho de apreço"426, e Elísio Summavielle afirme explicitamente, em 81, que esperava que o

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