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PARTE IV A FEIRA MEDIEVAL DE SILVES: HISTÓRIA, MEMÓRIA E TRADIÇÃO

4.4 A Feira Medieval e a sua actividade turística

As feiras medievais fazem parte dos eventos culturais realizados actualmente em Portugal, e têm aumentado significativamente de ano para ano não só quanto ao número de participantes como também de visitantes.

A partir do momento em que as festas, mais propriamente as feiras medievais são entendidas como atracção turística, as entidades locais tendem a apostar nestas como um factor de desenvolvimento da localidade, assim como de desenvolvimento económico e de atracção de visitantes às localidades.

Segundo Campos, as recriações históricas tornam-se mais concretamente num produto turístico muito rentável. Estas estabelecem uma ligação ao passado de uma comunidade e promovem experiências activas e significativas para a comunidade e para os visitantes que são atraídos (2009).

As autarquias vão ter aqui um papel fundamental, já que na maioria das vezes são estas que organizam estes eventos culturais, veja-se o exemplo de Silves. No caso de Silves, como foi referido é a Câmara Municipal que, no quadro do associativismo cultural, promove a organização do evento denominado “feira medieval”. Um dos grandes objectivos do concelho de Silves é dinamizar o turismo cultural, potenciando assim o desenvolvimento de recursos naturais e patrimoniais que tem ao seu dispor, tentando assim combater o turismo de sol e praia que anualmente leva centenas de turistas a esta região.

Os festivais e eventos desempenham diversos papéis numa cidade, sendo identificados por Getz como sendo “atracções, produtores de imagens, animadores de atractivos estáticos e catalisadores de desenvolvimento” (Yeoman et al, 2006: 36). Estes podem ser encarados como uma alternativa para minimizar os impactos negativos do turismo de massas e promover ainda as relações entre visitantes e anfitriões, os quais frequentam o mesmo espaço público durante o período em que durar o festival.

Os festivais e eventos podem ajudar um destino turístico a ultrapassar as dificuldades inerentes à sazonalidade de destinos turísticos, como é o caso do Algarve, sendo o Verão a época em que recebe mais turistas. Esta é a época em que encontramos à nossa disposição um maior número de festivais, tais como festas religiosas e profanas. Aqui os visitantes buscam satisfazer a sua curiosidade sobre as pessoas e o local que estão a visitar, procurando assim “fazer o que a população local faz” (Yeoman, et al, 2006: 42), aproximação essa que visa a experiência adquirida nestas festas lhes permita conhecer e

Por norma os visitantes tendem a comprar “souvenirs” dos locais visitados para depois poderem mostrar os objectos adquiridos nas suas viagens. Coleccionam “souvenirs” de todos os locais visitados. Os mesmos “desejam sair do evento com histórias e experiencias para contar em casa” (Yeoman et al, 2006: 43).

Getz, Frisby e Hall sugerem que os eventos devem servir não apenas para atrair turistas, mas que sirvam também para auxiliar o desenvolvimento local e económico de uma região (Yeoman et al, 2006). No caso são identificados como uma das formas turísticas e de lazer com rápido crescimento e que, por vezes pode mudar a vida e as características próprias das comunidades de destino. Yeoman identifica algumas das características que tendem a suscitar a mudança por uma forte exposição das comunidades locais perante os visitantes. São estas “a ameaça de comunidades locais perceberem os turistas como invasores; a perda da privacidade; a destruição da cultura que atrai os visitantes, transformando os atractivos em “museus”; a hostilidade percebida na exploração; a comoditização e falta de consultoria” (2006: 44).

Refere Oliveira que “a actividade turística caracteriza-se, essencialmente, pelo deslocamento de pessoas de sua residência fixa para localidades diferentes” (2009: 33). É isto que acontece em Silves durante a época da feira. Os visitantes deslocam-se das suas zonas de residência para esta localidade para poderem desfrutar do que o concelho de Silves tem para lhes oferecer. Infelizmente muitos destes visitantes limitam-se a visitar a feira apenas durante um dia, porque a cidade não possui infra-estruturas necessárias para que os visitantes aqui permaneçam mais do que um dia. A cidade apenas possui um hotel e algumas pequenas residências que ficam inteiramente ocupadas durante a época da feira pelos comerciantes que se deslocam à feira e, pelos actores que organizam toda a parte da animação. Para poder atrair ainda mais turistas à cidade por altura da feira medieval seria necessário criar mais infra-estruturas de apoio aos visitantes, tais como hotéis, na cidade, o que coloca a questão de necessidade de incrementar actividades durante o ano contrariando a referida sazonalidade.

Existem múltiplos motivos que levam os turistas a visitar festivais e eventos, cada indivíduo tem desejos a satisfazer durante a visita a um festival. Estes podem ser de carácter familiar, como o desejo por parte do indivíduo de partilhar a experiencia do festival com a família e enriquecimento cultural que vai ganhar através desta experiencia. É importante para o mercado turístico perceber os motivos que levam os visitantes a frequentar os festivais, porque assim podem avaliar as suas necessidades e suprir estas através da criação de produtos e serviços (Crompton and McKay, 1997).

Actualmente os festivais são reconhecidos como grandes eventos de atracção turística, e estes implicam “that visitors are likely to be seeking cultural enrichment, education, novelty and socialization” (Crompton and McKay, 1997: 429).

O turismo é um fenómeno que revaloriza as economias locais, dando oportunidade às localidades de fazerem uso do seu património de modo a tirarem proveito deste. A feira medieval de Silves é o exemplo de um evento que é explorado pelo turismo e que se utiliza do espaço público da cidade, ou seja, o centro histórico de Silves, para “vender” o seu património. Silves utiliza-se do património existente no seu centro histórico para recriar a vida quotidiana da época medieval e assim atrair turistas (Baptista, 2005).

Segundo Isabel Soares, durante todo o ano chegam a Silves vários turistas, oriundos de toda a Europa, havendo por parte destes um maior fluxo durante o verão, mais concretamente durante a feira medieval de Silves, vindos da Inglaterra, Espanha, França,

Itália e Holanda (Isabel Soares). O público-alvo desta feira medieval além da população

local é o turista internacional. A presidente da Câmara de Silves salienta também o seguinte: “é evidente que a nossa grande aposta são sempre os nacionais e os espanhóis, porque estes últimos anos temos investido em termos publicitários em Espanha, porque é um mercado relativamente perto e de fácil acesso. O espanhol é um tipo de turista que investe na cidade, e como estamos a cerca de uma hora da fronteira, facilita o deslocamento destes à cidade de Silves”.