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4.2. Produção: Produtor + Consumidor = Prossumidor (Producer + Consumer = Prosumer)

4.2.1. A figura do Prosumer aliada ao movimento Do It Yourself

4.2 Produção: Produtor + Consumidor = Prossumidor (Producer + Consumer = Prossumer)

4.2.1 A figura do Prosumer aliada ao movimento Do it Yourself

Neste novo cenário nota-se a existência de uma figura híbrida, conferida pela fusão entre o produtor e consumidor, sendo denominada prosumer (prossumidor). Neste momento a figura do produtor é substituída pelo próprio consumidor final, o qual produz aquilo que consome, ou consome aquilo que só é possível a partir do papel de co-protagonista, sendo um exercício entre designer e usuário (BASSI, 2017).

Figura 10: Hibridismo do Produtor e Consumidor

Fonte: Imagem autoral, baseada em Bassi (2017)

No passado, o consumidor era visto como objeto de análise e alvo de estratégias de marketing, nesta nova etapa o consumidor interage lado a lado com o designer. Dessa forma não importa somente qual é o papel do designer na sociedade, mas também qual é o atual papel do consumidor e a sua relação com o processo de criação, projeto e consumo (BROWN 2010).

Segundo o autor Alvin Toffler, a “Terceira Onda”2 citada em seu livro, descreve os novos trabalhadores como menos pré-programados e mais criativos, almejando por trabalhos

2 “Terceria Onda” Toffler 1980: A “primeira onda” se refere a invenção da agricultura e, com isso, a formação de cidades e civilizações, por dispensarem a caça e coleta e se voltarem para as plantações e criações

45 que traduzem significado e individualidade. Dessa maneira, a “Terceira Onda” vem acompanhada por um aumento de atividades de autoajuda e com grande fomento sobre o tema “Faça-você-mesmo”, intitulando este novo produtor e consumidor de Prosumidor (TOFFLER, 1980).

O prossumidor produz de acordo com suas habilidades naturais, vinculado ao produzir manualmente e ao aplicar sua própria personalidade ao objeto fabricado. Sendo assim, o usuário estabelece o seu modo de uso do produto, de acordo com o seu estilo de vida. Portanto, a sociedade é descrita pela produção dos consumidores e não pelos produtos gerados pela indústria (BASSI, 2017).

Por certo, o consumo se aloca na personalização e na participação do usuário no ato de produzir, para posteriormente consumir. Diante disso, surge a presença do designer instruindo o usuário na fabricação e montagem do produto, direcionando o mesmo a partir dos conceitos inseridos no termo DIY.

Sobre o movimento do it yourself, o mesmo se consolidou na década de 1950, fundamentado na escassez de recursos materiais, em questões econômicas e na falta de mão de obra no entre e no pós guerra. A cultura “faça-você-mesmo” resultou a partir de uma buscar coletiva com o intuito de criar uma realidade favorável, a qual pudesse satisfazer as necessidades das pessoas, considerando suas capacidades para produção dos artefatos. (DE OLIVEIRA; SAKURAI 2018,)

No ano de 1970 a recessão econômica mundial causada pela crise do petróleo fez com que as pessoas não especializadas em design se atraíssem e buscassem o DIY para além de suprir as necessidades, também caminhar em direção a democratização do consumo a favor da contracultura e dos movimentos anticapitalistas. (DE OLIVEIRA; SAKURAI, 2018)

O discurso do designer Victor Papanek, descrito por suas visões críticas, engloba o tema DIY com embasamento no design centrado no usuário juntamente com a personalização, despontando termos inseridos no design contemporâneo. Tais conceitos,

de animais. A “segunda onda” diz respeito à indústria no século XVII. E a “terceira onda” faz alusão à era da informação, a partir dos anos 50 (TOFFLER, 1980).

46 contemplados nesta pesquisa, visam a inserção do usuário na participação da produção do objeto.

O ato de “projetar” se fundamenta em avaliar as situações e buscar soluções pertinentes viabilizadas através do trabalho do profissional de design. Sobre tais competências Papanek, no livro “Arquitetura e Design. Ecologia e Ética” (2007), busca esclarecer sobre o papel do designer e todo o seu know-how através de sete pontos. São eles:

1. Aptidão para investigar, organizar e inovar; 2. Dom para descobrir as respostas adequadas;

3. Habilidade para testar as respostas através de experimentações, modelos computadorizados, protótipos ou séries reais;

4. Prática para transmitir esses desenvolvimentos através de desenhos, modelos, simulações ou através de relatórios verbais;

5. Talento para combinar as considerações técnicas da forma criada com a preocupação com fatores sociais e humanos, com harmonia estética;

6. Sabedoria para prever consequências ambientais, ecológicas, econômicas e políticas provocadas pelo design;

7. Capacidade de trabalhar com pessoas de muitas culturas e áreas diferentes (PAPANEK, 2007).

Entende-se portanto, que o designer tem sua atuação direcionada a avaliação e a solução de problemas relacionados às complicações humanas, sociais e ambientais.

O designer Victor Papanek (1972), salienta que:

Todos os homens são designers. Tudo o que fazemos, quase o tempo todo é design, pois o design é básico para toda a atividade humana. O planejamento e padronização de qualquer ato em direção a um fim desejado constitui o processo de design. Qualquer tentativa de separar o design, para torna-lo uma coisa por si, contraria o fato de que o design é a principal matriz subjacente da vida” (PAPANEK, 1972, p.3)

O conceito do it yourself tem como característica a aproximação das pessoas ao processo de design, pois por mais que o mundo disponha dos mais diversos objetos, o indivíduo busca por produtos personalizáveis, com traços de afetividade e que sejam contidos de identidade pessoal, análogos ao estilo de vida do consumidor. Dessa maneira o DIY se torna mais eficaz na aceitação e na usabilidade dos produtos, pois ao contrário do usuário se adaptar ao produto pronto e fabricado em série, ele poderá criar um produto que se adapte a si próprio, sob medida. A experiência do usuário na produção do produto e na adaptação às

47 próprias necessidades, faz com que o mesmo se sinta satisfeito com o produto e não sinta a ânsia pela substituição do objeto por outro (NUNES, 2010).

Com isso, o conceito de projeto DIY se baseia na análise e na busca por soluções de problemas sociais, que possam ser resolvidas pelos próprios usuários. Dessa forma o profissional projeta um objeto pensando na melhor maneira do mesmo ser fabricado e montado pelo consumidor.

Assim sendo a participação do designer na criação do mobiliário com o olhar voltado às questões sociais, como o acesso ao material e a facilidade na fabricação e montagem é de extrema importância, pois é nesta etapa que o projetista insere todo seu saber e sua bagagem de conhecimento a favor da sociedade, criando possibilidade para as pessoas resolverem seus problemas, de acordo com as necessidades analisadas.

4.2.2 Estudo de caso: O trabalho do designer Victor Papanek e o livro

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