O legislador, com o desígnio de preservar a vítima e também o seu patrimônio, determinou a criação de um dispositivo com um rol de medidas protetivas para a sua proteção, assim é disposto no artigo 23 da Lei Maria da Penha:
Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas:
I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;
II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor;
III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;
IV - determinar a separação de corpos.
V - determinar a matrícula dos dependentes da ofendida em instituição de educação básica mais próxima do seu domicílio, ou a transferência deles para essa instituição, independentemente da existência de vaga. (Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019)98
Neste aspecto, entendesse que o encaminhamento da ofendida e de seus dependentes ao programa comunitário de proteção ou de atendimento, é de grande
97CUNHA, Rogério Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Violência doméstica: Lei Maria da Penha comentada artigo por artigo. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.p. 176.
98 BRASIL. Lei nº 11.340 de 2006 (Lei Maria da Penha). Texto publicado em 07 ago. 2006 Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004 2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 02 mai. 2022.
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importância, dado que, visa propiciar o acompanhamento de sua situação, sobretudo para evitar novos atos de violência. Assim, podem ocorrer a criação de grupos de apoios por meio de mulheres que defendem essa causa, por ONGs não governamentais e até pelo Estado. Estes programas de proteção devem possuir uma segurança, considerando que as vítimas estão em situação de risco.
Em concordância com o narrado acima, Melo e Paiva complementam:
[...] é importante que a/o magistrada/o tenha conhecimento e incentive o incremento de programas de proteção e atendimento à mulher em situação de violência doméstica, estabelecendo convênios e parcerias com ouras instituições e entes federativos99.
O disposto no inciso II do artigo 23 da mencionada lei, se refere que a vítima e todos os seus dependentes voltem à sua residência após o afastamento do agressor, visando por sua segurança.
No que tange o disposto no inciso III, o juiz tem a possibilidade de determinar o afastamento da mulher do lar, sem nenhum prejuízo dos direitos relativos aos bens, guarda dos filhos e alimentos. Todavia o termo determinado pelo o legislador se mostra um tanto ambíguo, pois a ofendida não pode ser obrigada a sair de sua residência.
Portanto, Porto dispõe que: “Onde se lê ‘determinar’, deve-se entender ‘autorizar’, isto porque o juiz não pode obrigar a vítima a afastar-se do lar; só o agressor pode ser compelido a tanto, caso contrário, estar-se-ia vitimando-a duplamente100”.
O inciso IV determina que a mulher pode solicitar a separação de corpos, sendo de responsabilidade do juiz do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher conferir a medida.
Por fim, em 2019, a lei nº 13.882 incluiu o inciso V no supracitado artigo, no qual destaca o direito da mulher vítima de violência, garantir a regular matricula dos seus dependentes em uma instituição de educação básica que seja mais próxima do seu domicílio. Se mostra uma grande implementação, haja vista, que a mulher quando sai do convívio com agressor acaba enfrentando dificuldades para encontrar uma escola
99 MELLO. Adriana Ramos de; PAIVA. Lívia de Meira. Lei Maria da Penha na Prática. São Paulo: Thomson Reuters Revista dos Tribunais, 2019, p. 264.
100CUNHA, Rogério Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Violência doméstica: Lei Maria da Penha comentada artigo por artigo. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.p. 98.
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que aceite realizar a matricula de mais alunos quando não está no período regular para esta fase ou quando o número de matriculas já estão elevadas, então essa nova medida facilitará a vida das vítimas de violência e seus dependentes.
Nessa trajetória, no que tange a proteção patrimonial dos bens particulares da mulher ou da sociedade conjugal o legislador determinou as seguintes normas:
Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz poderá determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:
I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida;
II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial;
III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;
IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida.
Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo101.
Destarte, as supracitadas medidas de urgência têm como objetivo impedir que o agressor dilapide os bens da mulher ou do patrimônio do casal, trata-se de uma pratica bastante corriqueira por parte do agressor, agora por força da lei o agressor será responsabilizado por suas atitudes tão desumanas, possuindo também a responsabilidade pela restituição de bens subtraídos de sua ex-companheira. Além disso é assegurado também a preservação de um certo valor, por meio de depósito judicial realizado pelo agressor em face da mulher agredida, que se preste como garantia para pagamento de uma posterior indenização decorrente do ato ilícito perpetrado.
Nessa esfera, o Juiz possui o direito de suspender procurações outorgadas pela vítima ao agressor, em sede de liminar, posteriormente a denúncia feita na polícia, e em seguimento deverá ocorrer a suspensão das procurações no prazo de 48 horas.
Constata-se enfim, que essa medida protetiva é extremamente relevante para restituir a situação financeira da vítima.
101 BRASIL. Lei nº 11.340 de 2006 (Lei Maria da Penha). Texto publicado em 07 ago. 2006 Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004 2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 02 mai. 2022.
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