CAPÍTULO II A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA CONTINUADA DE PROFESSORES
2.2 A FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR DIANTE DAS
NECESSIDADES DOS ALUNOS
As necessidades dos alunos devem ser consideradas no processo de formação continuada dos professores. Os alunos vivem imersos numa sociedade de mudanças, onde o acesso à informação está presente nos diversos espaços já que a tecnologia alcança distâncias nunca antes imagináveis e a velocidade com que o conhecimento é transmitido via internet é praticamente incalculável o que acaba repercutindo na prática profissional do docente, uma vez que precisa alcançar esse ritmo para não ficar à margem no processo de ensino aprendizagem e os conteúdos passem a não fazer sentido dentro do contexto.
A disseminação tecnológica com dispositivos cada vez mais avançados já fazem parte da sociedade, independente da área de atuação e nesse contexto o professor deve inserir-se para conseguir por em prática os conhecimentos de sua área. Não há como enfrentar a tecnologia como algo estranho no processo, como
veremos no capítulo posterior, mas como aliado na construção do conhecimento e o diferencial para isso é a preparação do docente em encontro dessa realidade.
O porte de celulares, smartphones, tablets entre outros dispositivos por discentes é uma realidade da época atual, onde a internet está presente em grande parte das instituições ou o acesso a ela se dá por operadoras de diversos tipos, favorecendo seu uso pelos estudantes. Dificilmente se consegue impedir o acesso às instituições públicas de ensino de estudantes com esses dispositivos, apesar de existirem leis estaduais que o façam em algumas regiões do país, o que na prática muitas vezes isso não é considerado.
Considerando a realidade da necessidade do aluno nessa imersão tecnológica, faz-se necessário fazer o caminho inverso na prática docente contemporânea. Se a proibição do uso das tecnologias nas instituições de ensino tornou-se uma prática obsoleta, faz-se necessário utilizá-la em favor do processo de ensino aprendizagem por meio da preparação/capacitação dos docentes para essa realidade por meio de processos formativos contínuos.
Essas tecnologias passam a fazer parte dos planejamentos discutidos nas formações pedagógicas. O smartphone utilizado pelo aluno em sala de aula, que às vezes causa incômodo ou atrapalha o docente na mediação do componente curricular, pode passar a ser utilizado para as atividades pedagógicas na composição das metodologias empregadas, como inovadores na prática pedagógica.
Quando se reporta à formação continuada de professores deve-se atentar e refletir para os benefícios que ela pode trazer para os alunos sob pena de ser um processo estanque sem resultados na ação do professor. Há que se pensar na realidade integral da instituição no planejamento das formações, desde seus objetivos e metas a serem alcançados. De acordo com Imbernón (2009, p. 30) “Portanto, a formação do professorado influencia e recebe influência do contexto no qual tem lugar e esta influência condiciona os resultados que possam ser obtidos”.
Se nessas formações, na maioria das vezes, não se reflete a quem se destina a formação a ser ofertada quiçá os alunos a quem esses docentes mediam os conhecimentos. Algo primário a ser considerado é o nível dos alunos com quem o docente atua, para que haja uma relevância e faça sentido a formação. Não adianta querer direcionar a mesma formação para professor de nível fundamental regular e a mesma para o ensino fundamental na modalidade de educação de jovens e adultos -
EJA, por se trataram de públicos totalmente diferenciados no quesito idade, construção da bagagem de conhecimento e amadurecimento.
Professores que vão atuar com ensino fundamental regular vão trabalhar com alunos crianças e adolescentes com bastante energia, com uma bagagem de conhecimento em processo de desenvolvimento, que tem em grande parte a escola como atividade diária principal, que possui em grande parte domínio de tecnologias e, por outro lado, os docentes que vão atuar com EJA vão se deparar com jovens e adultos que possuem maturação, que já está há algum tempo afastado dos estudos, não tem muito contato com tecnologias, em geral trabalham e têm bastante dificuldades em conciliar escola e trabalho.
Considerando essas vertentes elencadas, há que desenvolver formações distintas para determinada atuação. Em geral, o que ocorre é a inserção do docente nas duas realidades sem ofertar um preparo para essa finalidade e posteriormente no decorrer do ano letivo a aplicação da mesma formação para essa atuação distinta corroborando para o fracasso do processo formativo e, por conseguinte, da aprendizagem dos alunos. Nesse sentido, segundo Imbernón (2009, p. 52):
Se a diversidade das práticas educativas é evidente, se o contexto influencia na forma de ensinar e pensar a educação, (...) a alternativa é a progressiva substituição da formação padrão dirigida por experts acadêmicos que dão soluções a tudo, por uma formação que se aproxime às situações problemáticas em seu próprio âmbito, ou seja, à prática das instituições educativas.
No Brasil, os processos formativos devem ser inseridos desde o início da atuação docente, visando sua adaptação à instituição de ensino e prover conhecimentos da realidade escolar, a estrutura, a comunidade na qual está inserida, o perfil dos alunos, conhecimento do próprio projeto político pedagógico ou projeto pedagógico institucional, a depender da instituição.
Há que se considerar nesses processos formativos as diferenças existentes entre os alunos e a necessidade do preparo do docente para essa realidade. Existe na realidade das instituições de ensino brasileiras em que o aluno sai do ensino fundamental na modalidade do EJA e ingressa no ensino médio regular, o que requer capacitação dos docentes para atuar nessas situações.
Há também as situações em que a base dos alunos em disciplinas da área de exata não foi trabalhada desde o inicio do processo com o grau e precisão necessários, o que acaba interferindo posteriormente em dificuldades para o aluno
avançar nos anos de ensino, tornando-se objeto de formação para os docentes compreenderem a necessidade de nivelamento para esses alunos.
A existência da necessidade de trabalhar com os docentes da área de exatas é uma realidade brasileira, considerando que grande parte dos alunos não conseguem bons resultados nas disciplinas que a compõem, trazendo grandes impactos no processo educacional, uma vez que acabam ficando retidos ou evadidos da escola.
A formação deve ser pensada considerando as diferentes realidades e níveis de ensino para não se tornar apenas um programa a ser executado para atender às prescrições legais e como camuflagem de uma política institucional sem efeito prático e significativo. Também não deve ser posta pelo sistema sem considerar a realidade dos docentes e discentes, pensada apenas pelo coordenador ou por profissionais que atuam em núcleos de apoio pedagógico no caso de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e de Universidades.
Se já é difícil o desenvolvimento do processo formativo contínuo nas instituições em que possuem níveis e modalidades específicas na sua oferta, como imaginar um processo de formação pedagógica continuada numa instituição que oferta os níveis técnico médio integrado, subsequente e superior (licenciatura, bacharelado e tecnólogos), Pós-graduação, Educação a distância e PROEJA, onde se atende variado público e possui em seu quadro docentes bacharéis, licenciados e tecnólogos.
2.3 A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA CONTINUADA DE PROFESSORES NOS